: :
os agilistas

#101 Revolução tecnológica na educação – IGTI

#101 Revolução tecnológica na educação – IGTI

os agilistas
: :
M: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio (dos Agilistas) [00:00:07]. Hoje aqui (inint) [00:00:09] com o Vinição. Tudo bom, Vinição? Vinícius: Tudo bom, pessoal? Beleza. M: Então, pessoal, hoje eu já vou apresentar o convidado – na verdade o convidado vai se apresentar -, mas nós vamos tratar sobre educação, que é um tema importantíssimo aqui no nosso país, e vamos entender principalmente como é que tem ficado a educação agora na pandemia, que é uma questão super crítica, e ainda mais – que obviamente tem muito a ver com o podcast – nesse mundo digital. A gente sabe que tem um gap gigantesco de profissionais atuais nesse mundo digital, então nós vamos ter uma história muito interessante de uma empresa que já atua há vários anos com a educação, mas que também foi fazendo algumas, (foi pivotando) [00:00:52] ao longo desse tempo, então é uma história muito legal do ponto de vista justamente do que a gente trata aqui no (Agilismo) [00:00:58]. Sem mais delongas, então, estamos aqui com o Vinícius do IGTI. Por favor, Vinícius, se apresenta e fala um pouquinho sobre o que é o IGTI. Tudo bom? Vinícius: Obrigado, Shuster, Vinícius. Bom, pessoal, primeiramente é uma honra estar aqui falando com vocês. Eu falo que esses momentos de compartilhar um pouquinho da nossa história, da nossa experiência, são o ponto alto do que a gente faz, porque gente tem muita coisa para falar, principalmente de fracassos que a gente viveu – talvez a gente possa falar um pouquinho deles aqui, afinal de contas é com eles que a gente vai aprendendo mais. A gente tem alguns poucos acertos, mas fracassos a gente tem muitos, tem muita história. Vai ser um prazer, Shuster, Vinícius, responder e colaborar um pouquinho com esse bate papo que é educação, tecnologia e uma abordagem ágil, é uma coisa que a gente preza muito aqui, então, o tema é muito relacionado com o podcast. M: Vinícius, então vamos lá ao começo da história, quando vocês fundaram o IGTI. Eu sempre enxerguei o IGTI como uma especialização em arquitetura, uma formação assim. Isso foi mudando, mas no começo era isso. Me conta um pouquinho como surgiu a ideia e como é que essa história foi evoluindo. M: Pois é, Shuster, na verdade o IGTI surgiu em 2006, em parceria com a PUC Minas, para a formação de arquitetos de software. Na época era um profissional que o mercado nem conhecia muito o termo, depois ele foi se popularizando. Até hoje é um curso muito procurado aqui, mas começou de forma presencial. Falando brevemente da história, em alguns momentos que a gente teve que pivotar, vou contar aqui sobre quando a gente saiu da educação presencial para a educação à distância. Depois a gente pode comentar um pouquinho sobre o momento que a gente viveu esse ano também, em que a gente teve que dar um foco muito grande em uma outra abordagem que a gente vem seguindo atualmente, mas lá atrás era 2010, a gente estava em um aperto danado, praticamente quebrados – o termo é esse – e a gente precisava crescer. A gente tinha um curso de arquitetura de software, tinha uma aceitação, um nível de qualidade muito bacana, e a gente era visto como uma pós-graduação, vamos chamar assim, uma boutique para você ter um curso com uma boa formação, diploma da PUC. A gente ainda não era uma instituição de ensino superior credenciada pelo MEC, e aí a gente tinha que mudar o nosso foco, mas a gente precisava crescer. A gente imaginou o seguinte: bom, se o resto do país conhecesse o nosso curso, eles poderiam comprar. Aqui estava difícil, e era um momento que se você for lembrar, em 2010, em 2008 teve a crise, e então a gente estava começando a colocar em voga o modelo mais focado em compartilhamento do que em aquisição com essas empresas começando a surgir, de economia compartilhada, e a gente falou: bom, vamos para a educação à distância. Só que na época, e até hoje, a gente tinha o problema de que educação à distância era vista com uma qualidade muito baixa. Isso é a verdade, porque as pessoas entendiam educação à distância – entendem até hoje – como conteúdo, e a visão do IGTI do conteúdo é gratuito, a gente faz e disponibiliza. A gente tem uma outra abordagem e depois a gente pode focar aqui no que é, para a gente, a educação de qualidade. Mas aí a gente falou: bom, vamos para a educação à distância, vamos desenhar um modelo. A gente desenhou o modelo e a gente tinha dinheiro para disparar um e-mail marketing no portal de vagas, no (inint) [00:05:03], e eu tive que sair do IGTI para trabalhar na Estefanini, ser gerente de operação lá em Juiz de Fora,, e o Guilherme, meu sócio, ficou. Guilhermão, manda um abraço aí para vocês. E aí a gente desenhou o modelo, disparou esse e-mail marketing. Eu ansioso, naquele horário de dez horas ia sair o e-mail, aí eu liguei para o Guilherme: “e aí, como é que está?” “Não saiu o e-mail ainda”. E a gente estava muito apertado, eu já estava pensando: como é que eu vou pagar minhas dívidas? Falei: “vou trabalhar dez anos, para os outros, vou pagar, desfazer todos os erros que eu cometi”. Aí na hora em que eu (inint) [00:05:46] o Guilherme mandou e-mail e falou: “Vinícius, está bombando o e-mail nacional”. Porque, assim, a gente trabalhou muito tempo na plataforma, no nosso modelo de educação à distância, com uma série de problemas que depois a gente foi ajustando, mas era uma oferta bacana. Resultado: a gente vendeu quase 1 milhão de reais. M: Vinícius, (inint) [00:06:07]. Esse e-mail marketing que lançava o ensino à distância de formação de arquitetos? É isso? Vinícius: Exatamente. M: E era tipo a última aposta sua naquele momento? Quase isso? Vinícius: Era a última aposta, cara. A gente devendo absurdo, quebrado mesmo. Para você ter uma ideia, eu tive que sair do IGTI para receber essa incumbência de ajudar na implantação da operação, e aí quando disparou eu falei: “como é que é?”. Ele falou: “não, está bombando”. Eu falei: “então só um segundo, segura aí”. Entrei na sala do diretor e falei: “cara, eu quero pedir demissão. Eu tenho alguns problemas para resolver lá em Belo Horizonte”. Fiquei alguns meses fora e eu voltei. Quando eu voltei, no primeiro dia era o primeiro encontro, era o modelo híbrido, que a gente tem hoje na educação à distância. O IGTI não segue o modelo híbrido, segue o modelo completamente online, priorizando as aulas interativas, essa forma que a gente está fazendo o podcast aqui agora, que é com o Zoom, por conta da pandemia. Aí eu cheguei, em um primeiro momento, o Guilherme cansado, falou: “toma, vai lá”. Era sábado o encontro, aí vinha gente do Brasil inteiro. E eu lá ajudando, segurando fio, câmera, ajustando, porque a gente ia transmitir para quem não ia para lá também. Nesse primeiro dia, quando as pessoas começaram a falar – e elas se encontravam a cada um ou dois meses, não me lembro bem – era muito tempo para encontrar. Teve um gerente da Renner do Sul, Florianópolis, se eu não me engano, que falou: “olha, a gente precisa ter mais momentos como esse, isso aqui é o ponto alto”. Quando ele falou isso caiu a ficha, eu falei: “nosso modelo está errado”. Foi logo no lançamento. Quer dizer, a gente deu certo, mas a gente precisava ter aqueles encontros semanais. Aí a gente falou: vamos começar a construir uma educação mais interativa. Aí a gente começou a desenvolver ali o nosso modelo de educação à distância. Aí veio uma série de tropeços que a gente pode ir comentando, mas até chegar no que a gente entende por qualidade, esse foi o primeiro momento. Aí que a gente começou a crescer. A gente dobrava todo ano (inint) [00:08:30] M: Então, se eu estou entendendo bem, você fala o seguinte: a educação à distância. As pessoas acabam acreditando que aquilo é só conteúdo, e acaba que conteúdo hoje você tem para tudo quanto é lado, e, na verdade, vocês desde cedo perceberam que aquele ponto alto talvez devesse ser o constante da oferta, e não o ponto alto, que deveria ser a oferta, e já começaram, então, a tentar investir em interatividade, ou seja, para virar o mais parecido possível para você estar em um curso, digamos assim, de verdade, onde você interage, desde aquele momento? É isso? Vinícius: Exatamente, Shuster, porque, assim, por que o pessoal hoje tem tanta barreira para falar: “a educação não dá certo”? Eu acho que é a pessoa que tem uma visão que é o que o pessoal está fazendo de conteúdo. Com a pandemia, eu percebi que o pessoal está começando a achar que educação à distância também é usar o Zoom e fazer a interatividade. Isso é muito legal, porque o que a gente fazia há alguns meses, que praticamente só a gente estava tentando vender a ideia, falando: “olha, você não precisa”. Quando eu estudava na UFMG eu tinha que pegar um ônibus, duas horas para chegar, sentava lá, o professor falava durante duas horas quando a gente tinha uma aula, porque às vezes o professor estava com a pesquisa e aí eu voltava, duas horas para chegar de novo em casa. M: Vinícius, eu gostei desse comentário. Tinha um professor meu que falava espanhol, ele escrevia no quadro: “no necessito dar classes, o regulamente permite”. Ele não ia dar aula, não. Vinícius: Mas o problema era aquela coisa passiva, Shuster. A gente sentava lá, o professor falava e a gente podia fazer pergunta, mas eu posso falar porque foi a minha escola. Agora, o que eu estou querendo dizer é assim: a gente tem uma diferença de abordagem de formação profissional, para atuar no mercado, de uma formação simplesmente acadêmica que eu fiz, de ciência da computação. Muita coisa que a gente construiu aqui eu precisei ir em alguns fundamentos científicos para fazer. A gente tem que separar as duas coisas, mas o que eu entendo por educação de qualidade é igual para as duas. São cinco pontos que a gente comenta daqui a pouco. A gente queria a interatividade porque essas coisas sempre me incomodaram, e a gente começou a construir algumas dinâmicas para tentar colocar o aluno como o protagonista. Depois que a gente veio com o termo metodologia ativa, as pessoas começaram a construir em cima disso e colocar algumas coisas que são boas práticas, e repassar isso para as instituições. Mas o foco de todo mundo, até hoje, é conteúdo. A gente recebe gente visitando a IGTI aqui – amanhã mesmo a gente vai receber uma instituição – que falam: “a gente vai fazer vídeo aula e queria saber como é”. A gente fala: “vídeo aula é gratuita, aqui a gente grava milhares de vídeo aulas durante o ano e disponibiliza”. Recentemente a gente disponibilizou as aulas do IGTI gratuitas em uma plataforma. Depois a gente tirou, começamos a colocar no YouTube, porque é muito conteúdo e tem muita coisa. Agora, não é assim que você aprende. É a mesma coisa que colocar um professor para dar aula lá na frente e sentar na cadeira. Aí a gente entende a educação com cinco (asas) [00:11:58], que a gente fala. M: Quais são os cinco? Estou curioso. Vinícius: Pois é. A primeira é o foco no aluno, Shuster. O aluno fala o que ele precisa. Vamos priorizar aquilo que é importante (inint) [00:12:11]. Tem coisas que são importantes de a gente trabalhar. O aluno precisa dar feedback curto para a gente na unidade educacional de duas semanas, 15 dias, para a gente ajustar as coisas, as unidades educacionais, as próximas, de acordo com o perfil daquela turma. Então, nesse sentido, tem que ter um bom atendimento para o aluno. Se o aluno tem uma necessidade, eu tenho que conversar com ele por chat, online ou por vídeo conferência, igual a gente está aqui. Entra lá, bate um papo (inint) [00:12:43] por que a gente não faz isso? O (inint) [00:12:45] ele é gratuito, tem o hangouts que você pode conversar com o aluno. Não é abrir um chamado e daqui dois dias a gente responde. E quando você (inint) [00:12:58] o aluno, você tem que dar as caras, se não você vai ter um problema grande de comunicação. E o terceiro ponto: você tem que reter o aluno, tem que ter ações proativas para avisar ele de algumas coisas, combinar muito bem as coisas e cumprir o combinado. Então, você tem que ter um foco no aluno, você tem que ser aplicado, tem que olhar as competências que o mercado está exigindo para aquele perfil profissional e trabalhar elas. Quando você fala que é aplicado, você pensa: então eu tenho que ter projeto, problema para ele resolver. Uma abordagem orientada a projeto, no IGTI você dá o problema para ele na primeira semana e tem vídeo aula, exercício, apostila, mas você tem um desafio para ele resolver. Aí ele vai pensar naquele desafio e vai para a aula interativa com as dúvidas. E às vezes a gente tem dinâmicas que ele discute aquilo com os alunos, em um grupo, igual a gente está aqui reunidos no Zoom, e debate aquilo, constrói um entregável e vai para a aula interativa para tirar dúvidas. De repente o professor coloca uma informação nova, ele completa e entrega aquilo. Para você ver, você já entrou na aula interativa e não é: “o que o professor vai dar hoje?”. Você já sabe, você está levando, você imergiu antes na questão, e você dá oportunidade para ele participar com a opinião dele, do grupo dele. Então, isso é uma abordagem orientada ao desenvolvimento de competências aplicada para o mercado. O terceiro ponto é a questão ágil. A gente fala em ágil a pensa em uma coisa rápida e eficiente. Então, assim, tinha esse método que eu estudava quatro meses e tinha uma prova final para fazer. Eu nunca fui de frequentar aula presencial. Eu acho que eu era um bom aluno, mas eu não frequentava as aulas, eu pegava o livro e depois estudava e corria atrás. Mas era uma prova lá no final, às vezes tinha duas. Giro curto. Aqui no IGTI em duas semanas deu o desafio, fez, entregou, a gente avalia – tem outros critérios de avaliação -, e terminou a unidade educacional. E ali a gente tem que estar focado para trabalhar aquelas competências que estão desenhadas naquela unidade educacional ali. Então, giros rápidos com valor agregado para o aluno no final daquele processo. Não é a última formação, mas depois você vai ter outras unidades educacionais seguindo. São interações curtas com valor agregado. Isso, para a gente, é a abordagem ágil. Então, a gente não vai ter aqui um mês de aula, a gente vai ter 15 dias. Ao final deles, tem um desafio, tem que implementar se tiver implementação, tem que fazer estudo de caso e dar a opinião dele se for um curso com foco mais em gestão, em tecnologia da informação, mas tem que por a mão na massa, tem que sentar e resolver. Tem laboratório virtual, vai ter que fazer, e aí termina aquela unidade educacional. O outro, a gente precisa trabalhar uma abordagem educacional mais ativa, que é isso que a gente está comentando, de colocar o aluno como protagonista. É o que a gente comentou de uma abordagem orientada a problemas, a projetos, usar a (gameficação) [00:16:22]. São abordagens de metodologias ativas em que você põe o aluno como o cara responsável por estudar o tempo todo, porque se a gente está falando que é para uma formação profissional e o mercado anda com uma mudança tão rápida, e, usando o termo da moda, você tem certezas e mudanças contínuas, a abordagem educacional para formar esse cara não pode ser tradicional, né? Tem um descolamento muito grande, as instituições às vezes vão demorar para perceber isso, e é por isso que as pessoas estão saindo das faculdades e procurando cursos de botequim para formação profissional que entregue isso para ele. Então, a gente precisa colocar o aluno: “olha, você é o cara, você tem que estudar, você que tem que procurar”. A gente, como professor, vamos atuar como mediador”. É igual no método socrático, né, Shuster, você faz os questionamentos para o cara poder refletir. A aula interativa é um pouco isso, a gente tenta fazer esse tipo de coisa. E o último (inint) [00:17:28] é o acessível. Esse ano a gente adotou uma proposição (inint) [00:17:34] de valor, que é fazer cursos sem mensalidade, somente com uma taxa de subsídio de matrícula, e isso é muito legal, porque a gente está conseguindo impactar muita gente. A gente saiu de 3 mil para 50 mil alunos. Foi uma mudança absurda que a gente viveu nesses últimos meses. A gente se propôs esse desafio e a gente tem conseguido algum sucesso. Tem muita coisa ainda para percorrer, mas são esses cinco pontos. Se você não tiver isso na formação profissional, principalmente – mas os mesmos cinco pontos acho que valem também para a formação acadêmica. M: Eu nunca tinha pensado dessa forma. Você pegou princípios ágeis e levou para a formação. Achei ousado, super interessante, porque é usado, na instituição de ensino, liberar os conteúdos, normalmente. E é legal porque você está dando a cara a tapa e mostrando que realmente não é o conteúdo, porque você está liberando ele. Vinícius: É. Teve um aluno que falou: “eu paguei, mas os vídeos do (inint) [00:18:50] estão no YouTube”. Eu falei: “a gente devolve a sua mensalidade”. Ele falou: “mas eu não tenho mensalidade”. Eu falei: “então, para de ser mesquinho, você pagou 100 reais para fazer (inint) [00:19:01] 4 mil reais”. Então, assim, a gente fez isso até para nos provocarmos. A gente precisa agregar em outro ponto, não nesse. M: Isso aí. Achei interessante demais (inint) [00:19:14] isso é viver a crença mesmo, porque se você faz isso é obrigado a mostrar que você faz outra coisa mesmo, não só o conteúdo. Mas fala aí, Vinícius. Vinícius: Tem algumas experiências que talvez sejam até bem antigas. A gente gravou podcast aqui, não estou lembrando exatamente, mas (há algumas semanas) [00:19:35] a gente gravou com o Marcos, o famoso (inint) [00:19:39], que foi nosso estagiário (inint) [00:19:41] e que está fazendo MBA em Harvard. Ele citou que o MBA lá é assim, ele falou: “não tem nenhuma aula, o que é feito é: você tem um estudo de caso, as pessoas leem e quando você vai para a aula o que a faculdade traz (inint) [00:19:57] a rede de contato, a pré-seleção e a mediação que ela faz ali (inint) [00:20:02] é Harvard, né. M: É, mas os caras não abrem tanto assim. Vinícius: É, talvez eles não abram os métodos. M: É, os caras não abrem os conteúdos. Vinícius: Não, certamente é uma atitude extremamente corajosa, bem legal mesmo. M: É. No fundo vocês estão criando uma estrutura onde vocês criam todas as condições para um aluno aprender de verdade, entender as necessidades dele mesmo e ter feedback rápido. Por isso é um aprendizado ágil também. Eu achei (muito interessante) [00:20:36] Vinícius: Exatamente. A tem um ponto que a gente pode comentar um pouco. Para você chegar nesse ponto, você tem que ter uma excelência operacional – a gente comenta depois – que a gente foi construindo em cima de três ou quatro pontos. Porque não é fácil você fazer uma educação de qualidade sem mensalidade, veja bem. O cara está pagando 100 reais para ter um monte de aula interativa, feedback, aquele monte de coisa. M: Vinícius, desculpa, mas então, o modelo de negócio seu é monetizado de uma outra forma ou a monetização vem dessa massa maior mesmo? Vinícius: A gente, hoje, a pós-graduação, Shuster, que tem um valor maior. A gente está discutindo como a gente consegue, na nossa proposição massiva de valor, que é levar a educação de qualidade para todo mundo… a gente ainda tem alguns níveis para chegar. A gente começou lá de cima, na pós-graduação, começamos a trabalhar agora os (inint) [00:21:37], e em março nós vamos lançar seis graduações sem mensalidade – uma coisa que a gente está até falando em primeira mão aqui para vocês -, e a gente vai trabalhar somente com valor de matrícula do aluno (inint) [00:21:51] a gente vai trabalhar a graduação em formato de (inint) [00:21:54], de dois meses e meio – que é o nosso formato atualmente – e o aluno vai estudar sem mensalidade, somente com a taxa de 100, 150 reais de matrícula. Foi um movimento arriscado que a gente (inint) [00:22:12] para esse ano. Quando a pandemia começou foi uma loucura, a gente não sabia como isso ia impactar no nosso negócio, todo mundo teve essa preocupação, cada um tem um negócio para pensar, e a gente olhou e a gente já estava investindo muito no formato de (inint) [00:22:30] práticos com algum sucesso, mas de 4 mil reais, só que com algumas centenas de alunos. A gente falou: “vamos arriscar? Será que a gente tem uma reputação para conseguir fazer isso?”. A gente já tinha feito alguns processos seletivos subsidiados por empresa que a gente tinha 15, 20 mil pessoas para uma ou duas centenas de vagas. Vamos tentar. E deu certo. A gente foi crescendo a divulgação, foi saindo na mídia, o pessoal foi fazendo. A gente recebe, semanalmente, pelo LinkedIn, mais de mil depoimentos de pessoas agradecendo, falando que é uma abordagem que realmente está conseguindo levar valor. E, assim, importante você ter um dizer muito grande do benefício versus o custo que você paga. E a gente, no começo, enfrentou alguns problemas, ajustamos, investimos muito no atendimento, em uma série de coisas que a gente depois comenta, mas a gente conseguiu pegar o modelo da pós-graduação de uma turma com 70 alunos, para turmas com aulas interativas, com 300 alunos participando, com as dinâmicas, exercitando os nossos valores. Um comentário rápido sobre essa questão de conteúdo: o conteúdo é básico. A vídeo aula é importante que seja de qualidade, mas é o básico que você tem que ter, uma apostila boa é o básico. Você tem que ter exercícios. Mas o problema de você ter aquele modelo que todo mundo pratica: você paga um valor para o conteudista, ele faz aquela apostila. 10, 15 mil, sei lá quanto. Só que o problema é quando você rodar a interação e duas semanas depois o aluno fala que é ruim. Você vai ter coragem de jogar fora? Você gastou 15 mil. Aqui tem, sei lá, 300 disciplinas. Como é que equaciona isso? Você não joga fora, você vai se apegar aquele negócio. É um modelo muito cascata que o pessoal está fazendo. Então, você tem que ter coragem, tem que ter um processo usando os conceitos de linha ágeis para você produzir conteúdo rápido e falar (inint) [00:24:48] M: Então os conteúdos de vocês são sempre mutáveis, que vocês estão continuamente pegando feedbacks, mudando, construindo, ao invés de grandes investimentos? Vinícius: Isso. A gente tem as vídeo aulas nos estúdios, o professor vem aqui e grava seis horas para cada disciplina de 20 horas, mas eu tenho uma mesma carga horária, ou mais, de aula interativa. A gente investe mais nesse tipo de coisa, nessa dinâmica. Aí o vídeo não deu certo? Não precisa ser Rede Globo, você pode fazer uma vídeo, ajeitar ele certinho, mas o estúdio não precisa ser caro. Com mil reais você põe uma câmera lá e grava uma vídeo aula. As instituições aprenderam isso agora. A gente recebeu uma grande instituição de ensino aqui essa semana. O que a gente fez aqui no IGTI? Professor não podia vir. Nós montamos um kit, uma pizza, mandamos para a casa dele e ele grava lá. No começo a gente errou muito, tinha barulho de obra, bebê chorando, aluno reclamando. Segura aí, porque nós também estamos tentando aqui. A gente já está conseguindo equacionar isso, mas a gente manda aquela caixa com a infraestrutura, ele monta o estúdio na casa dele e a gente faz a vídeo aula, grava, faz a aula interativa, e o aluno vai achar que… e aí abriu a possibilidade de a gente ter professor no Brasil inteiro. Agora ele não é só mais de Belo Horizonte, é de São Paulo, do Sul. A gente não tinha atinado para esse tipo de coisa, a gente não teria infraestrutura aqui para atender o volume, ia ter que pegar o prédio inteiro aqui. A gente está em uma estrutura de mil metros quadrados, acomodando vários. Lá não tinha espaço, (inint) [00:26:32] a gente começou a mandar estúdio, tem uns 40 estúdios espalhados pelo Brasil com professor dando aula para o nosso aluno. Então, assim, a gente teve que se reinventar nesse ponto para não perder a nossa aula interativa, o professor não podia vir para cá. Mas o foco no conteúdo, é esse o problema. Você se apega, não quer regravar, a apostila é o estado da arte, né, Shuster. A gente conecta, tem a nossa apostila, uma disciplina tem 50, 60 páginas, orientando, fazendo conexões com outros conteúdos. É muito mais uma apostila multimídia fazendo esse tipo de conexão do que você escrever um livro, uma disciplina que vai ficar para sempre. Ou, sei lá, quem paga 15 mil em um conteúdo quer (inint) [00:27:15] dele, quer o retorno de investimento, aí ele vai ter que rodar algumas turmas na conta de alguém lá. M: Isso é interessante mesmo, porque aquilo ali tem que ser a apostila, aí você vai querer acertar tudo de antemão e não vai querer jogar fora nunca mais. Vinícius: Exatamente. A gente, aqui, deu um feedback, está ruim? A gente tem um índice de satisfação e rejeição da disciplina. O aluno falou que está ruim, joga fora, vamos fazer de novo. O que precisa para fazer de novo? A pessoa tem que vir aqui um dia, vamos gravar rapidamente, vamos reestruturar a disciplina, a gente faz, ao final da interação, a análise com os setores. E aí, Shuster, eu acho que vale falar um pouquinho sobre essa questão de Excelência operacional. O pessoal está começando, as instituições, e eu estou falando pensando que a turma de educação talvez tire algum valor, mas o pessoal está começando agora. É importante entender que, até você ter uma excelência, você começa de forma simples e vai inteirando e avançando, mas tem que tratar a educação à distância como a gente acredita aqui, como sendo superior à presencial. É uma proposta que a gente tem, porque não tem como ser igual o giz e um quadro contra tudo isso que a gente está colocando. E a gente não sabe educação à distância. Eu gosto de dizer assim: eu sei educação à distância para profissional de TI. Se você for falar para eu ensinar para médico, eu preciso descobrir as coisas de novo na nossa abordagem. A gente tem algumas diretrizes e a gente vai começar a entender que vídeo talvez funcione muito bem, aula interativa não funciona, o fórum tem que ser formatado de forma diferente – a gente tem fórum para tirar dúvida, de discussão. Você tem que experimentar, colher feedback constante do aluno e ir experimentando o modelo. O aluno te fala. Fazendo flashback: a gente chegou em 2010, lançou, deu tudo certo, achamos o local e começamos a crescer. Aí a gente implantou, em sete dimensões de avaliação para o aluno, essa coisa de escutar ele. Só que naquela época eu não estava muito preparado para escutar o aluno. Ele falava mal do IGTI, parecia que estava xingando minha mãe, aí eu nem lia aquele negócio: “esse cara não sabe nada, a gente é que sabe”. Só que aí teve uma vez que chegou um aluno para mim e falou: “vocês não escutam o que a gente escreve no feedback”. Aí eu fiz aquele discurso: “claro que a gente escuta, que absurdo, a gente faz a educação focada naquilo”. Ele falou: “vocês não escutam, eu vou te provar”. “Ah é? Então fala aí”. Ele falou: “eu escrevi o hino do Galo no meu feedback e ganhei total”. Falei: “bom, pelo menos foi o hino do Galo que você escreveu”. Bicho, eu sei que depois daquele dia a gente sentou e falou: “eu nunca mais passo uma vergonha dessa”. Depois disso, a gente reestruturou e começou, de verdade, a escutar o aluno. Então, a gente fala muito em centrado no cliente, no aluno, mas eu acho que a liderança tem que sentar e escutar de verdade aquilo que eles estão falando, porque ele fala que aquilo está ruim ou bom, qual foi a experiência positiva. M: Vini, só uma pergunta. E com esse propósito massivo, com 50 mil alunos, como é que você escuta os 50 mil? Vinícius: Vamos lá. A gente falando de excelência operacional, a gente constrói em três dimensões. A primeira: a gente tem que ter processos ágeis. Então, os conceitos de (startup) [00:31:26] passam aqui pelo IGTI de forma muito forte. Você não conseguiria construir esse monte de conteúdo, lançar esse monte de oferta educacional, sem ter uma abordagem ágil. Você não consegue, fica muito caro e não acaba nunca, já mudou a tecnologia e você ainda está focado. Então, a gente investe muito em métodos ágeis aqui e em inovar continuamente. Como é que a gente faz? Tem uma ideia de uma abordagem pedagógica ou (inint) [00:31:56] – usando o termo da pedagogia para adulto, porque o nosso foco atualmente está no profissional adulto, acima de 18 anos -, então você precisa testar aquela hipótese. A gente tem que fazer uma prova de conceito rápida, lançar para uma turma reduzida, validar, e depois expandir isso para um curso completo ou então para todos os cursos. Então, a gente fica fazendo experiências disso o tempo todo. A gente tem que ter uma abordagem ágil nos nossos processos. O segundo ponto aqui é que a gente faz muita automação. Aí eu acho que vale um ponto, Shuster, que lá atrás, quando a gente começou a dar certo, a gente queria fazer vídeo conferência, aí a gente é da área de TI, falamos: “vamos fazer uma ferramenta de vídeo conferência”. Depois o Guilherme falou: “tem um tal de (inint) [00:32:50] aqui que está surgindo, da (Cisco) [00:32:52], vamos experimentar”. Depois que a gente entrou, a gente viu que viagem fazer uma ferramenta de vídeo conferência, não é nosso negócio, nosso negócio é construir soluções educacionais rápidas e focadas no mercado. Então, a gente desistiu disso. A gente tentou fazer LMS, também perdeu um tempão com isso. Foi uma série de tropeços que a gente foi vivendo para perceber que a gente estava perdendo tempo. Vamos usar o que tem aí, vamos começar a integrar as coisas. Então, assim, eu quero dizer que, na parte de automação, o que a gente faz? E eu acho que é uma dica para quem está indo agora para a educação à distância: você está pensando um problema agora, você é o último a pensar nele. Todo mundo já pensou, você está chegando agora, meu amigo. “Ah, eu queria uma solução para fazer a prova, de vídeo conferência, de plágio”. Está tudo aí. As startups estão fazendo um trabalho fantástico já tem muito tempo. E aí a gente tem que usar, estudar e integrar no nosso modelo, porque a nossa proposta como escola é levar uma educação que gera um valor para o profissional, e não ficar construindo solução tecnológica. Já está aí, já está feito, e tem gente fazendo um trabalho fantástico em cima disso. Então, a gente automatiza fazendo as integrações, a gente implementa uma camada fina de gestão de processos de negócio para a gente transitar informação entre os nossos setores, que são times independentes, que tem indicadores, que tem (inint) [00:34:27] de inovação, mas a gente não entra no mérito de automatizar tudo, a gente só transita a informação entre os setores e integra as soluções das startups para a gente ter uma boa experiência educacional para o nosso aluno. Então, a gente tem isso como muito valor. “Ah, vamos ter que desenvolver”. Não. Já tem alguma coisa pronta, vamos estudar, vamos olhar. Então, processos ágeis, automação, e depois a gente cai nos indicadores. Para responder o que você perguntou, Shuster, a gente é tarado aqui por indicador. A gente é da área de TI, então, a gente fica torcendo a informação o tempo todo e o aluno vai falar por ali para a gente. Não tem como eu ler cada item, mas os contornos do que a gente está fazendo aparecem para a gente, e a gente é muito analítico nesse sentido. Então, na parte de automação eu diria que a gente faz muito uso de conectores em nuvem. Estou sendo muito tecnicista, mas como as soluções educacionais das startups estão em nuvem, a gente precisa integrá-las, então, você tem que ter uma solução que integra tudo. O termo é iPaaS – Integration Platform as a Service. Você começa a conectar isso e orquestrar essas comunicações, e a você coloca em uma camada mais alta os indicadores para você começar a entender o seu negócio, começar a falar para você o que dá certo e o que está dando errado, e você vai priorizar aqueles 20 por cento das causas que são responsáveis por 80 por cento da satisfação do aluno. A nossa satisfação hoje é de 80 por cento. M: Entendi. Interessante. Ou seja, vocês usam um conceito até de MVP para experimentar com amostrar e ter mais certezas (inint) [00:36:15], aí escalam aquilo e acompanham com bastante automação e com indicador, né. Bem legal. Vinícius: Exatamente. Quando a gente recebeu o MEC aqui em uma comissão, um professor de federal – logo que a gente estava começando o nosso processo de credenciamento, com muito medo de receber o MEC, a gente fazia umas coisas diferente – entrou aqui, sentou, e a gente falando: “será que a gente vai passar, não vai?”, há alguns anos atrás, na hora que a gente terminou de mostrar os dashboards. Até então a gente ficou muito isolado, a gente entendia que assim que eram feitas as coisas. Não sei se é porque a gente é da área de TI, mas na hora que a gente terminou de falar, o professor da UFRJ só falou assim: “hoje eu aprendi aqui algumas coisas”. Falou só isso. Depois soltou a nota e a gente passou. Mas a gente era tão tarado por número e por gráficos que a gente não sabia que isso não era tão comum, porque é uma coisa que quem é da área de TI, de dados, de (inint) [00:37:17] – eu não estou falando de volume de dados, estou falando de pouca informação, mas muito bem analisada -, a gente acostuma um pouco com isso. Então, eu acho que a educação à distância é experimental e analítica. Você tem que analisar, o indicador vai falando, você faz uma nova interação, experimenta, e aí vai ajustando a oferta educacional. Não tem fórmula educacional. Não tem fórmula, entendeu? A gente entende que se ela é customizada para o aluno, ela precisa escutar as necessidades dele. Não é assim que a gente educa filho? M: Você falou em algum momento que vocês receberam visitas de instituições de ensino. Você enxerga que esse modelo de ensino é aplicado somente, vamos dizer assim, em cursos de uma coisa mais específica de aprender programação, arquitetura de software, ou você acha que ele também funcionaria em uma educação que seria parecida com uma faculdade mais tradicional, um curso de engenharia, de ciência da computação? Você acredita que pode ser feito desse jeito também? (inint) [00:38:32] eu fico pensando muito no que você falou: a gente já está em uma outra era, fazendo tudo de forma diferente, mas as formações de base universitária são totalmente tradicionais. Vinícius: Exatamente. Eu não tenho dúvida de que ela é aplicada, e eu acho que as instituições federais, nesse sentido, foram provocadas agora a adotar uma solução de educação à distância, começaram a tentar implementar isso, a coisa parou, não sei porquê, mas discutiu, foi e voltou. Quer dizer, é porque o pessoal está tão do lado de lá que tomou um choque, tentou reagir. Agora, a capacidade do pessoal de consumir uma solução dessa (inint) [00:39:17] se propuser é muito mais rápido, porque a gente tem uma massa crítica muito forte ali. A gente precisa do apoio das instituições federais para trazer educação para uma nova abordagem, usando esses cinco princípios que a gente coloca aqui: ela tem que ser prática, aplicável, ágil, focada no aluno e acessível. As instituições federais já são acessíveis, são gratuitas. A gente precisa que ela foque nos outros quatro itens. E eu vou falar do meu curso, ciência da computação. Estudei de tudo lá: física, equação diferencial, álgebra linear. Eu até gostava dessas coisas, mas a gente tem que entender que a gente foi capacitado para um tipo de problema. Estudei grafo, não tive oportunidade de aplicar isso na minha formação profissional, mas eu tenho um monte de amigo que foi resolver um problema nesse nível. M: Nós estudamos isso tudo também. Vinícius: Pois é. M: O Shuster, então, é (inint) [00:40:21] M: Equações diferenciais, A e B. Vinícius: É. Era difícil para caramba. Mas, assim, a gente foi capacitado para um tipo de problema, porque eu tenho vários amigos que foram resolver problemas desse tipo, montaram startups com muito sucesso e resolveram, e aplicaram. Mas a gente tem que ter isso muito claro: o que você quer para a sua formação? Você quer ser um desenvolvedor full stack? Aí você vai estudar quatro anos, e lá no final você pergunta: “eu vou trabalhar com o que? Deixa eu começar a aprender”. Era mais ou menos esse o papo que a gente tinha quando a gente estava formando. O Google saiu, na semana passada ou na outra, uma informação… M: …eu ia perguntar disso. Vinícius: A gente está trabalhando nisso já há algum tempo, porque a gente monta os núcleos docentes com os elementos de cada uma das tribos, mas vamos chamar de setores aqui, para a gente construir a oferta educacional. A gente esta agora praticamente com essa atividade finalizada e o Google soltou essa informação, mas o que o pessoal precisa entender é que não está competindo. O Google solta uma informação de dois meses para formar um desenvolvedor full stack, beleza, mas ele ter lá dentro um profissional para trabalhar com os algoritmos que ele trabalha, se ele não estudou árvores binárias, uma série de conceitos que a gente vai estudar em algoritmos, ele vai ter dificuldade para aprender. Então, assim, ele está formando profissional para ser um desenvolvedor full stack. Agora, a abordagem educacional das instituições, mesmo das federais, Vinição, que você perguntou, precisa ser questionada. Igual eu falei, a gente não pode ficar dois, três meses tendo aula e ter uma prova no final. Dá para mudar isso aí, entendeu? Você tem que por a mão na massa, tem que fazer. Eu tive disciplinas excelentes. M: É impressionante como é que não mudou ainda. Eu acho que não muda porque tem alguma reserva de mercado referente ao próprio MEC (inint) [00:42:42] M: O modelo é tradicional demais, né? Eu confesso que eu tenho uma dúvida danada se eu mesmo fiz engenharia. Às vezes eu fico brincando que a gente quando faz engenharia e o pessoal pergunta se você usa engenharia, a resposta padrão é falar: “aprendi a pensar na engenharia”. Acho que é o jeito de falar (inint) [00:43:01] Vinícius: De contornar isso. M: É, de contornar, mas aí eu fico realmente só pensando no tanto que você estudar coisas mais difíceis te cria modelos mentais diferentes, te (inint) [00:43:11] diferentes também, e, a longo prazo, te forma um profissional melhor. Mas, ao mesmo tempo, você precisa de um tanto de gente com formação mais técnica e pronto, digamos. M: Sobre isso que você falou, independente disso, se tem a questão da formação mais técnica ou não, é um questionamento para mim muito forte o porquê o modelo tem que ser tão linearizado, porquê você tem que fazer esse e esse e depois de quatro, cinco anos, você é engenheiro. Por que não poderia ser uma cosia menos linear, que você vai fazendo matérias, habilitando (inint) [00:43:50], e no final das contas você (inint) [00:43:51] M: Uma coisa não exclui a outra, né? M: Baseado no que você fez aqui, você está habilitado para isso (inint) [00:43:58] Vinícius: É, mas eu acho, Vinição, que a gente tem que pensar que, primeiro, dá para ter uma abordagem didática melhor para uma educação científica. Ponto. Eu acho que isso dá para ter. E eu não estou falando de educação técnica, é de educação científica. Você pode fazer uma coisa científica mais aplicada, mais ágil, com foco maior no aluno, com metodologia ativa. Você pode fazer isso. Agora, tem uma diferença de abordagem que a gente faz e que o método científico faz. No método científico você tem hipóteses bem definidas, aí você tem que trabalhar aquelas premissas de hipóteses e você vai tentar provar aquilo. Só que quando a gente fala da nossa realidade de construção de uma solução e você não tem as premissas definidas, você nem sabe os requisitos, como é que você usa o método científico? Aí você começa: por hipótese ou o cliente quer esse botão aqui? Não funciona, cara. Então, a gente aprendeu a ser mais designer e menos científico, menos linear. O mercado aprendeu isso. Eu não estou falando que o método científico não seja aplicado, muito pelo contrário, mas você tem que entender o problema, e o nosso problema hoje, de formação profissional técnica, ele exige uma abordagem mais de designer, mais ágil nesse sentido de aprender com os erros e interações curtas. É diferente de uma abordagem científica, de você provar uma equação. Eu acho que tem algumas hipóteses, realmente você pode estabelecer, mas me fala quem você conhece que é cientista, que foi fazer um curso. É difícil a gente elencar aqui. Então, tem que rever isso a também. M: Vinícius, a gente já está caminhando para o final. Queria fazer uma pergunta. Esse gap gigante que existe, a transformação digital foi acelerada. Tem até a piadinha do COVID: acelerando a transformação digital. Vocês tiveram 50 mil alunos. Pularam de 3 mil, que você disse, para 50 mil. Imagino que devem ter projeções de mais crescimento e mais números. Esse gap vai ser resolvido em quanto tempo? E vocês não estão trabalhando naquele modelo de formar a pessoa, igual em algumas empresas, e ganhar o (fee) [00:46:17] do salário da pessoa, né? Vocês formam pessoas e estão desvinculados, vamos supor, do que acontece para frente? Vinícius: De forma alguma. A pessoa forma, vai ganhar o dinheiro dela e vai gastar com ela. A gente realmente está com uma proposta bem massiva de valor mesmo. A gente tem conseguido colocar uma formação de qualidade sem mensalidade, com uma taxa de matrícula que subsidie nosso programa. Aí você perguntou quanto tempo as escolas vão demorar para resolver esse problema. A resposta é simples: eu não sei, não tenho ideia. A gente demorou um bocado e a gente vem até hoje melhorando nosso modelo. Eu diria, para fechar: comece simples. Mas aí eu queria falar uma coisa sobre buscar o simples. O simples não é simplista, simplório. Eu falo que o simples é resultado de muito suor, muito corte de desperdício, para você chegar em uma solução simples, elegante. O simples é elegante, mas você não atinge ele em um, dois anos, você tem que vir trabalhando isso, cortando os desperdícios, e aí você vai chegar. O simples é a recompensa, não é o modelo com uma câmera na frente, fazendo vídeo conferência. Coloca realmente quais são os seus valores, o que você não quer perder que você tinha na sua educação presencial, começa a transportar isso para a educação à distância. Não vá sozinho, tem um monte de gente fazendo um monte de coisas legais aí. Às vezes você vai perder um tempão e o Google te fala em dois minutos que já tem uma solução pronta. Faça experiências. Enfim, eu acho que você tem todas as respostas, você precisa começar a ouvir o seu aluno e a sua equipe. É uma transformação digital que está acontecendo nas instituições de educação. Elas estão um pouco perdidas. A educação que elas colocaram à distância foi provisória, foi ajustada, o primeiro passo, mas eu diria assim: o caminho é o caminho. O objetivo é trilhar o caminho, não chegar em uma excelência. Isso vai mudar o tempo todo. Você precisa colocar o tempo do seu lado, começar a entrar por aquele modelo. Aí eu acho que procure ajuda para trazer essa cultura de forma mais ajustada para a instituição (inint) [00:49:06] transformação digital. Não vá sozinho, tem muita gente pensando as coisas há muito tempo. Volto a dizer: você é o último a ter esse problema, não tenta reinventar a roda. M: Bacana demais. Queria te agradecer muito, achei muito legal essa conversa por dois aspectos: tanto para aprender sobre educação, mas nós falamos muito sobre um tema que para a gente é muito importante no podcast, que é as empresas serem (inint) [00:49:31]. Para mim (inint) [00:49:33] e ágil para poder responder ao cliente, e eu acho interessante porque o (inint) [00:49:40] para muita escola é agradar o pai que está pagando. É mimar e agradar o pai. Eu falo: não vira esse (inint) [00:49:54] do propósito é o cara ser educado, eu quero fazer com que esse cara aproveite a trajetória dele para realmente se formar bem, e vou fazer uma estrutura mais maleável que consiga se adaptar aqui. Então, acho que pode ser inspirador para muita gente, porque é uma empresa (inint) [00:50:12], mas que tem um propósito de massa, então, tem que achar um jeito de ser (inint) [00:50:17] fazendo experimentação e sendo eficiente. Então, eu acho que trouxe grandes insights tanto do ponto de vista da educação quanto de organização de um negócio mesmo. Muito obrigado, Vinícius. Vinícius: Obrigado, Shuster, Vinição. Obrigado, pessoal, e espero que a gente tenha conseguido colaborar um pouquinho para essa discussão, porque ela é muito bacana, mas é longa. Se deixar, a gente vai mais umas duas horas. M: Dá uma dó quando acaba os episódios. Eu não tenho certeza do tempo que o pessoal gosta, mas se o episódio ficar muito comprido é complicado. M: É verdade. M: Vinícius, um abração para você. M: Também agradeço, foi bem bacana. M: Isso aí, pessoal. Até o próximo episódio.
M: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio (dos Agilistas) [00:00:07]. Hoje aqui (inint) [00:00:09] com o Vinição. Tudo bom, Vinição? Vinícius: Tudo bom, pessoal? Beleza. M: Então, pessoal, hoje eu já vou apresentar o convidado – na verdade o convidado vai se apresentar -, mas nós vamos tratar sobre educação, que é um tema importantíssimo aqui no nosso país, e vamos entender principalmente como é que tem ficado a educação agora na pandemia, que é uma questão super crítica, e ainda mais – que obviamente tem muito a ver com o podcast – nesse mundo digital. A gente sabe que tem um gap gigantesco de profissionais atuais nesse mundo digital, então nós vamos ter uma história muito interessante de uma empresa que já atua há vários anos com a educação, mas que também foi fazendo algumas, (foi pivotando) [00:00:52] ao longo desse tempo, então é uma história muito legal do ponto de vista justamente do que a gente trata aqui no (Agilismo) [00:00:58]. Sem mais delongas, então, estamos aqui com o Vinícius do IGTI. Por favor, Vinícius, se apresenta e fala um pouquinho sobre o que é o IGTI. Tudo bom? Vinícius: Obrigado, Shuster, Vinícius. Bom, pessoal, primeiramente é uma honra estar aqui falando com vocês. Eu falo que esses momentos de compartilhar um pouquinho da nossa história, da nossa experiência, são o ponto alto do que a gente faz, porque gente tem muita coisa para falar, principalmente de fracassos que a gente viveu – talvez a gente possa falar um pouquinho deles aqui, afinal de contas é com eles que a gente vai aprendendo mais. A gente tem alguns poucos acertos, mas fracassos a gente tem muitos, tem muita história. Vai ser um prazer, Shuster, Vinícius, responder e colaborar um pouquinho com esse bate papo que é educação, tecnologia e uma abordagem ágil, é uma coisa que a gente preza muito aqui, então, o tema é muito relacionado com o podcast. M: Vinícius, então vamos lá ao começo da história, quando vocês fundaram o IGTI. Eu sempre enxerguei o IGTI como uma especialização em arquitetura, uma formação assim. Isso foi mudando, mas no começo era isso. Me conta um pouquinho como surgiu a ideia e como é que essa história foi evoluindo. M: Pois é, Shuster, na verdade o IGTI surgiu em 2006, em parceria com a PUC Minas, para a formação de arquitetos de software. Na época era um profissional que o mercado nem conhecia muito o termo, depois ele foi se popularizando. Até hoje é um curso muito procurado aqui, mas começou de forma presencial. Falando brevemente da história, em alguns momentos que a gente teve que pivotar, vou contar aqui sobre quando a gente saiu da educação presencial para a educação à distância. Depois a gente pode comentar um pouquinho sobre o momento que a gente viveu esse ano também, em que a gente teve que dar um foco muito grande em uma outra abordagem que a gente vem seguindo atualmente, mas lá atrás era 2010, a gente estava em um aperto danado, praticamente quebrados – o termo é esse – e a gente precisava crescer. A gente tinha um curso de arquitetura de software, tinha uma aceitação, um nível de qualidade muito bacana, e a gente era visto como uma pós-graduação, vamos chamar assim, uma boutique para você ter um curso com uma boa formação, diploma da PUC. A gente ainda não era uma instituição de ensino superior credenciada pelo MEC, e aí a gente tinha que mudar o nosso foco, mas a gente precisava crescer. A gente imaginou o seguinte: bom, se o resto do país conhecesse o nosso curso, eles poderiam comprar. Aqui estava difícil, e era um momento que se você for lembrar, em 2010, em 2008 teve a crise, e então a gente estava começando a colocar em voga o modelo mais focado em compartilhamento do que em aquisição com essas empresas começando a surgir, de economia compartilhada, e a gente falou: bom, vamos para a educação à distância. Só que na época, e até hoje, a gente tinha o problema de que educação à distância era vista com uma qualidade muito baixa. Isso é a verdade, porque as pessoas entendiam educação à distância – entendem até hoje – como conteúdo, e a visão do IGTI do conteúdo é gratuito, a gente faz e disponibiliza. A gente tem uma outra abordagem e depois a gente pode focar aqui no que é, para a gente, a educação de qualidade. Mas aí a gente falou: bom, vamos para a educação à distância, vamos desenhar um modelo. A gente desenhou o modelo e a gente tinha dinheiro para disparar um e-mail marketing no portal de vagas, no (inint) [00:05:03], e eu tive que sair do IGTI para trabalhar na Estefanini, ser gerente de operação lá em Juiz de Fora,, e o Guilherme, meu sócio, ficou. Guilhermão, manda um abraço aí para vocês. E aí a gente desenhou o modelo, disparou esse e-mail marketing. Eu ansioso, naquele horário de dez horas ia sair o e-mail, aí eu liguei para o Guilherme: “e aí, como é que está?” “Não saiu o e-mail ainda”. E a gente estava muito apertado, eu já estava pensando: como é que eu vou pagar minhas dívidas? Falei: “vou trabalhar dez anos, para os outros, vou pagar, desfazer todos os erros que eu cometi”. Aí na hora em que eu (inint) [00:05:46] o Guilherme mandou e-mail e falou: “Vinícius, está bombando o e-mail nacional”. Porque, assim, a gente trabalhou muito tempo na plataforma, no nosso modelo de educação à distância, com uma série de problemas que depois a gente foi ajustando, mas era uma oferta bacana. Resultado: a gente vendeu quase 1 milhão de reais. M: Vinícius, (inint) [00:06:07]. Esse e-mail marketing que lançava o ensino à distância de formação de arquitetos? É isso? Vinícius: Exatamente. M: E era tipo a última aposta sua naquele momento? Quase isso? Vinícius: Era a última aposta, cara. A gente devendo absurdo, quebrado mesmo. Para você ter uma ideia, eu tive que sair do IGTI para receber essa incumbência de ajudar na implantação da operação, e aí quando disparou eu falei: “como é que é?”. Ele falou: “não, está bombando”. Eu falei: “então só um segundo, segura aí”. Entrei na sala do diretor e falei: “cara, eu quero pedir demissão. Eu tenho alguns problemas para resolver lá em Belo Horizonte”. Fiquei alguns meses fora e eu voltei. Quando eu voltei, no primeiro dia era o primeiro encontro, era o modelo híbrido, que a gente tem hoje na educação à distância. O IGTI não segue o modelo híbrido, segue o modelo completamente online, priorizando as aulas interativas, essa forma que a gente está fazendo o podcast aqui agora, que é com o Zoom, por conta da pandemia. Aí eu cheguei, em um primeiro momento, o Guilherme cansado, falou: “toma, vai lá”. Era sábado o encontro, aí vinha gente do Brasil inteiro. E eu lá ajudando, segurando fio, câmera, ajustando, porque a gente ia transmitir para quem não ia para lá também. Nesse primeiro dia, quando as pessoas começaram a falar – e elas se encontravam a cada um ou dois meses, não me lembro bem – era muito tempo para encontrar. Teve um gerente da Renner do Sul, Florianópolis, se eu não me engano, que falou: “olha, a gente precisa ter mais momentos como esse, isso aqui é o ponto alto”. Quando ele falou isso caiu a ficha, eu falei: “nosso modelo está errado”. Foi logo no lançamento. Quer dizer, a gente deu certo, mas a gente precisava ter aqueles encontros semanais. Aí a gente falou: vamos começar a construir uma educação mais interativa. Aí a gente começou a desenvolver ali o nosso modelo de educação à distância. Aí veio uma série de tropeços que a gente pode ir comentando, mas até chegar no que a gente entende por qualidade, esse foi o primeiro momento. Aí que a gente começou a crescer. A gente dobrava todo ano (inint) [00:08:30] M: Então, se eu estou entendendo bem, você fala o seguinte: a educação à distância. As pessoas acabam acreditando que aquilo é só conteúdo, e acaba que conteúdo hoje você tem para tudo quanto é lado, e, na verdade, vocês desde cedo perceberam que aquele ponto alto talvez devesse ser o constante da oferta, e não o ponto alto, que deveria ser a oferta, e já começaram, então, a tentar investir em interatividade, ou seja, para virar o mais parecido possível para você estar em um curso, digamos assim, de verdade, onde você interage, desde aquele momento? É isso? Vinícius: Exatamente, Shuster, porque, assim, por que o pessoal hoje tem tanta barreira para falar: “a educação não dá certo”? Eu acho que é a pessoa que tem uma visão que é o que o pessoal está fazendo de conteúdo. Com a pandemia, eu percebi que o pessoal está começando a achar que educação à distância também é usar o Zoom e fazer a interatividade. Isso é muito legal, porque o que a gente fazia há alguns meses, que praticamente só a gente estava tentando vender a ideia, falando: “olha, você não precisa”. Quando eu estudava na UFMG eu tinha que pegar um ônibus, duas horas para chegar, sentava lá, o professor falava durante duas horas quando a gente tinha uma aula, porque às vezes o professor estava com a pesquisa e aí eu voltava, duas horas para chegar de novo em casa. M: Vinícius, eu gostei desse comentário. Tinha um professor meu que falava espanhol, ele escrevia no quadro: “no necessito dar classes, o regulamente permite”. Ele não ia dar aula, não. Vinícius: Mas o problema era aquela coisa passiva, Shuster. A gente sentava lá, o professor falava e a gente podia fazer pergunta, mas eu posso falar porque foi a minha escola. Agora, o que eu estou querendo dizer é assim: a gente tem uma diferença de abordagem de formação profissional, para atuar no mercado, de uma formação simplesmente acadêmica que eu fiz, de ciência da computação. Muita coisa que a gente construiu aqui eu precisei ir em alguns fundamentos científicos para fazer. A gente tem que separar as duas coisas, mas o que eu entendo por educação de qualidade é igual para as duas. São cinco pontos que a gente comenta daqui a pouco. A gente queria a interatividade porque essas coisas sempre me incomodaram, e a gente começou a construir algumas dinâmicas para tentar colocar o aluno como o protagonista. Depois que a gente veio com o termo metodologia ativa, as pessoas começaram a construir em cima disso e colocar algumas coisas que são boas práticas, e repassar isso para as instituições. Mas o foco de todo mundo, até hoje, é conteúdo. A gente recebe gente visitando a IGTI aqui – amanhã mesmo a gente vai receber uma instituição – que falam: “a gente vai fazer vídeo aula e queria saber como é”. A gente fala: “vídeo aula é gratuita, aqui a gente grava milhares de vídeo aulas durante o ano e disponibiliza”. Recentemente a gente disponibilizou as aulas do IGTI gratuitas em uma plataforma. Depois a gente tirou, começamos a colocar no YouTube, porque é muito conteúdo e tem muita coisa. Agora, não é assim que você aprende. É a mesma coisa que colocar um professor para dar aula lá na frente e sentar na cadeira. Aí a gente entende a educação com cinco (asas) [00:11:58], que a gente fala. M: Quais são os cinco? Estou curioso. Vinícius: Pois é. A primeira é o foco no aluno, Shuster. O aluno fala o que ele precisa. Vamos priorizar aquilo que é importante (inint) [00:12:11]. Tem coisas que são importantes de a gente trabalhar. O aluno precisa dar feedback curto para a gente na unidade educacional de duas semanas, 15 dias, para a gente ajustar as coisas, as unidades educacionais, as próximas, de acordo com o perfil daquela turma. Então, nesse sentido, tem que ter um bom atendimento para o aluno. Se o aluno tem uma necessidade, eu tenho que conversar com ele por chat, online ou por vídeo conferência, igual a gente está aqui. Entra lá, bate um papo (inint) [00:12:43] por que a gente não faz isso? O (inint) [00:12:45] ele é gratuito, tem o hangouts que você pode conversar com o aluno. Não é abrir um chamado e daqui dois dias a gente responde. E quando você (inint) [00:12:58] o aluno, você tem que dar as caras, se não você vai ter um problema grande de comunicação. E o terceiro ponto: você tem que reter o aluno, tem que ter ações proativas para avisar ele de algumas coisas, combinar muito bem as coisas e cumprir o combinado. Então, você tem que ter um foco no aluno, você tem que ser aplicado, tem que olhar as competências que o mercado está exigindo para aquele perfil profissional e trabalhar elas. Quando você fala que é aplicado, você pensa: então eu tenho que ter projeto, problema para ele resolver. Uma abordagem orientada a projeto, no IGTI você dá o problema para ele na primeira semana e tem vídeo aula, exercício, apostila, mas você tem um desafio para ele resolver. Aí ele vai pensar naquele desafio e vai para a aula interativa com as dúvidas. E às vezes a gente tem dinâmicas que ele discute aquilo com os alunos, em um grupo, igual a gente está aqui reunidos no Zoom, e debate aquilo, constrói um entregável e vai para a aula interativa para tirar dúvidas. De repente o professor coloca uma informação nova, ele completa e entrega aquilo. Para você ver, você já entrou na aula interativa e não é: “o que o professor vai dar hoje?”. Você já sabe, você está levando, você imergiu antes na questão, e você dá oportunidade para ele participar com a opinião dele, do grupo dele. Então, isso é uma abordagem orientada ao desenvolvimento de competências aplicada para o mercado. O terceiro ponto é a questão ágil. A gente fala em ágil a pensa em uma coisa rápida e eficiente. Então, assim, tinha esse método que eu estudava quatro meses e tinha uma prova final para fazer. Eu nunca fui de frequentar aula presencial. Eu acho que eu era um bom aluno, mas eu não frequentava as aulas, eu pegava o livro e depois estudava e corria atrás. Mas era uma prova lá no final, às vezes tinha duas. Giro curto. Aqui no IGTI em duas semanas deu o desafio, fez, entregou, a gente avalia – tem outros critérios de avaliação -, e terminou a unidade educacional. E ali a gente tem que estar focado para trabalhar aquelas competências que estão desenhadas naquela unidade educacional ali. Então, giros rápidos com valor agregado para o aluno no final daquele processo. Não é a última formação, mas depois você vai ter outras unidades educacionais seguindo. São interações curtas com valor agregado. Isso, para a gente, é a abordagem ágil. Então, a gente não vai ter aqui um mês de aula, a gente vai ter 15 dias. Ao final deles, tem um desafio, tem que implementar se tiver implementação, tem que fazer estudo de caso e dar a opinião dele se for um curso com foco mais em gestão, em tecnologia da informação, mas tem que por a mão na massa, tem que sentar e resolver. Tem laboratório virtual, vai ter que fazer, e aí termina aquela unidade educacional. O outro, a gente precisa trabalhar uma abordagem educacional mais ativa, que é isso que a gente está comentando, de colocar o aluno como protagonista. É o que a gente comentou de uma abordagem orientada a problemas, a projetos, usar a (gameficação) [00:16:22]. São abordagens de metodologias ativas em que você põe o aluno como o cara responsável por estudar o tempo todo, porque se a gente está falando que é para uma formação profissional e o mercado anda com uma mudança tão rápida, e, usando o termo da moda, você tem certezas e mudanças contínuas, a abordagem educacional para formar esse cara não pode ser tradicional, né? Tem um descolamento muito grande, as instituições às vezes vão demorar para perceber isso, e é por isso que as pessoas estão saindo das faculdades e procurando cursos de botequim para formação profissional que entregue isso para ele. Então, a gente precisa colocar o aluno: “olha, você é o cara, você tem que estudar, você que tem que procurar”. A gente, como professor, vamos atuar como mediador”. É igual no método socrático, né, Shuster, você faz os questionamentos para o cara poder refletir. A aula interativa é um pouco isso, a gente tenta fazer esse tipo de coisa. E o último (inint) [00:17:28] é o acessível. Esse ano a gente adotou uma proposição (inint) [00:17:34] de valor, que é fazer cursos sem mensalidade, somente com uma taxa de subsídio de matrícula, e isso é muito legal, porque a gente está conseguindo impactar muita gente. A gente saiu de 3 mil para 50 mil alunos. Foi uma mudança absurda que a gente viveu nesses últimos meses. A gente se propôs esse desafio e a gente tem conseguido algum sucesso. Tem muita coisa ainda para percorrer, mas são esses cinco pontos. Se você não tiver isso na formação profissional, principalmente – mas os mesmos cinco pontos acho que valem também para a formação acadêmica. M: Eu nunca tinha pensado dessa forma. Você pegou princípios ágeis e levou para a formação. Achei ousado, super interessante, porque é usado, na instituição de ensino, liberar os conteúdos, normalmente. E é legal porque você está dando a cara a tapa e mostrando que realmente não é o conteúdo, porque você está liberando ele. Vinícius: É. Teve um aluno que falou: “eu paguei, mas os vídeos do (inint) [00:18:50] estão no YouTube”. Eu falei: “a gente devolve a sua mensalidade”. Ele falou: “mas eu não tenho mensalidade”. Eu falei: “então, para de ser mesquinho, você pagou 100 reais para fazer (inint) [00:19:01] 4 mil reais”. Então, assim, a gente fez isso até para nos provocarmos. A gente precisa agregar em outro ponto, não nesse. M: Isso aí. Achei interessante demais (inint) [00:19:14] isso é viver a crença mesmo, porque se você faz isso é obrigado a mostrar que você faz outra coisa mesmo, não só o conteúdo. Mas fala aí, Vinícius. Vinícius: Tem algumas experiências que talvez sejam até bem antigas. A gente gravou podcast aqui, não estou lembrando exatamente, mas (há algumas semanas) [00:19:35] a gente gravou com o Marcos, o famoso (inint) [00:19:39], que foi nosso estagiário (inint) [00:19:41] e que está fazendo MBA em Harvard. Ele citou que o MBA lá é assim, ele falou: “não tem nenhuma aula, o que é feito é: você tem um estudo de caso, as pessoas leem e quando você vai para a aula o que a faculdade traz (inint) [00:19:57] a rede de contato, a pré-seleção e a mediação que ela faz ali (inint) [00:20:02] é Harvard, né. M: É, mas os caras não abrem tanto assim. Vinícius: É, talvez eles não abram os métodos. M: É, os caras não abrem os conteúdos. Vinícius: Não, certamente é uma atitude extremamente corajosa, bem legal mesmo. M: É. No fundo vocês estão criando uma estrutura onde vocês criam todas as condições para um aluno aprender de verdade, entender as necessidades dele mesmo e ter feedback rápido. Por isso é um aprendizado ágil também. Eu achei (muito interessante) [00:20:36] Vinícius: Exatamente. A tem um ponto que a gente pode comentar um pouco. Para você chegar nesse ponto, você tem que ter uma excelência operacional – a gente comenta depois – que a gente foi construindo em cima de três ou quatro pontos. Porque não é fácil você fazer uma educação de qualidade sem mensalidade, veja bem. O cara está pagando 100 reais para ter um monte de aula interativa, feedback, aquele monte de coisa. M: Vinícius, desculpa, mas então, o modelo de negócio seu é monetizado de uma outra forma ou a monetização vem dessa massa maior mesmo? Vinícius: A gente, hoje, a pós-graduação, Shuster, que tem um valor maior. A gente está discutindo como a gente consegue, na nossa proposição massiva de valor, que é levar a educação de qualidade para todo mundo… a gente ainda tem alguns níveis para chegar. A gente começou lá de cima, na pós-graduação, começamos a trabalhar agora os (inint) [00:21:37], e em março nós vamos lançar seis graduações sem mensalidade – uma coisa que a gente está até falando em primeira mão aqui para vocês -, e a gente vai trabalhar somente com valor de matrícula do aluno (inint) [00:21:51] a gente vai trabalhar a graduação em formato de (inint) [00:21:54], de dois meses e meio – que é o nosso formato atualmente – e o aluno vai estudar sem mensalidade, somente com a taxa de 100, 150 reais de matrícula. Foi um movimento arriscado que a gente (inint) [00:22:12] para esse ano. Quando a pandemia começou foi uma loucura, a gente não sabia como isso ia impactar no nosso negócio, todo mundo teve essa preocupação, cada um tem um negócio para pensar, e a gente olhou e a gente já estava investindo muito no formato de (inint) [00:22:30] práticos com algum sucesso, mas de 4 mil reais, só que com algumas centenas de alunos. A gente falou: “vamos arriscar? Será que a gente tem uma reputação para conseguir fazer isso?”. A gente já tinha feito alguns processos seletivos subsidiados por empresa que a gente tinha 15, 20 mil pessoas para uma ou duas centenas de vagas. Vamos tentar. E deu certo. A gente foi crescendo a divulgação, foi saindo na mídia, o pessoal foi fazendo. A gente recebe, semanalmente, pelo LinkedIn, mais de mil depoimentos de pessoas agradecendo, falando que é uma abordagem que realmente está conseguindo levar valor. E, assim, importante você ter um dizer muito grande do benefício versus o custo que você paga. E a gente, no começo, enfrentou alguns problemas, ajustamos, investimos muito no atendimento, em uma série de coisas que a gente depois comenta, mas a gente conseguiu pegar o modelo da pós-graduação de uma turma com 70 alunos, para turmas com aulas interativas, com 300 alunos participando, com as dinâmicas, exercitando os nossos valores. Um comentário rápido sobre essa questão de conteúdo: o conteúdo é básico. A vídeo aula é importante que seja de qualidade, mas é o básico que você tem que ter, uma apostila boa é o básico. Você tem que ter exercícios. Mas o problema de você ter aquele modelo que todo mundo pratica: você paga um valor para o conteudista, ele faz aquela apostila. 10, 15 mil, sei lá quanto. Só que o problema é quando você rodar a interação e duas semanas depois o aluno fala que é ruim. Você vai ter coragem de jogar fora? Você gastou 15 mil. Aqui tem, sei lá, 300 disciplinas. Como é que equaciona isso? Você não joga fora, você vai se apegar aquele negócio. É um modelo muito cascata que o pessoal está fazendo. Então, você tem que ter coragem, tem que ter um processo usando os conceitos de linha ágeis para você produzir conteúdo rápido e falar (inint) [00:24:48] M: Então os conteúdos de vocês são sempre mutáveis, que vocês estão continuamente pegando feedbacks, mudando, construindo, ao invés de grandes investimentos? Vinícius: Isso. A gente tem as vídeo aulas nos estúdios, o professor vem aqui e grava seis horas para cada disciplina de 20 horas, mas eu tenho uma mesma carga horária, ou mais, de aula interativa. A gente investe mais nesse tipo de coisa, nessa dinâmica. Aí o vídeo não deu certo? Não precisa ser Rede Globo, você pode fazer uma vídeo, ajeitar ele certinho, mas o estúdio não precisa ser caro. Com mil reais você põe uma câmera lá e grava uma vídeo aula. As instituições aprenderam isso agora. A gente recebeu uma grande instituição de ensino aqui essa semana. O que a gente fez aqui no IGTI? Professor não podia vir. Nós montamos um kit, uma pizza, mandamos para a casa dele e ele grava lá. No começo a gente errou muito, tinha barulho de obra, bebê chorando, aluno reclamando. Segura aí, porque nós também estamos tentando aqui. A gente já está conseguindo equacionar isso, mas a gente manda aquela caixa com a infraestrutura, ele monta o estúdio na casa dele e a gente faz a vídeo aula, grava, faz a aula interativa, e o aluno vai achar que… e aí abriu a possibilidade de a gente ter professor no Brasil inteiro. Agora ele não é só mais de Belo Horizonte, é de São Paulo, do Sul. A gente não tinha atinado para esse tipo de coisa, a gente não teria infraestrutura aqui para atender o volume, ia ter que pegar o prédio inteiro aqui. A gente está em uma estrutura de mil metros quadrados, acomodando vários. Lá não tinha espaço, (inint) [00:26:32] a gente começou a mandar estúdio, tem uns 40 estúdios espalhados pelo Brasil com professor dando aula para o nosso aluno. Então, assim, a gente teve que se reinventar nesse ponto para não perder a nossa aula interativa, o professor não podia vir para cá. Mas o foco no conteúdo, é esse o problema. Você se apega, não quer regravar, a apostila é o estado da arte, né, Shuster. A gente conecta, tem a nossa apostila, uma disciplina tem 50, 60 páginas, orientando, fazendo conexões com outros conteúdos. É muito mais uma apostila multimídia fazendo esse tipo de conexão do que você escrever um livro, uma disciplina que vai ficar para sempre. Ou, sei lá, quem paga 15 mil em um conteúdo quer (inint) [00:27:15] dele, quer o retorno de investimento, aí ele vai ter que rodar algumas turmas na conta de alguém lá. M: Isso é interessante mesmo, porque aquilo ali tem que ser a apostila, aí você vai querer acertar tudo de antemão e não vai querer jogar fora nunca mais. Vinícius: Exatamente. A gente, aqui, deu um feedback, está ruim? A gente tem um índice de satisfação e rejeição da disciplina. O aluno falou que está ruim, joga fora, vamos fazer de novo. O que precisa para fazer de novo? A pessoa tem que vir aqui um dia, vamos gravar rapidamente, vamos reestruturar a disciplina, a gente faz, ao final da interação, a análise com os setores. E aí, Shuster, eu acho que vale falar um pouquinho sobre essa questão de Excelência operacional. O pessoal está começando, as instituições, e eu estou falando pensando que a turma de educação talvez tire algum valor, mas o pessoal está começando agora. É importante entender que, até você ter uma excelência, você começa de forma simples e vai inteirando e avançando, mas tem que tratar a educação à distância como a gente acredita aqui, como sendo superior à presencial. É uma proposta que a gente tem, porque não tem como ser igual o giz e um quadro contra tudo isso que a gente está colocando. E a gente não sabe educação à distância. Eu gosto de dizer assim: eu sei educação à distância para profissional de TI. Se você for falar para eu ensinar para médico, eu preciso descobrir as coisas de novo na nossa abordagem. A gente tem algumas diretrizes e a gente vai começar a entender que vídeo talvez funcione muito bem, aula interativa não funciona, o fórum tem que ser formatado de forma diferente – a gente tem fórum para tirar dúvida, de discussão. Você tem que experimentar, colher feedback constante do aluno e ir experimentando o modelo. O aluno te fala. Fazendo flashback: a gente chegou em 2010, lançou, deu tudo certo, achamos o local e começamos a crescer. Aí a gente implantou, em sete dimensões de avaliação para o aluno, essa coisa de escutar ele. Só que naquela época eu não estava muito preparado para escutar o aluno. Ele falava mal do IGTI, parecia que estava xingando minha mãe, aí eu nem lia aquele negócio: “esse cara não sabe nada, a gente é que sabe”. Só que aí teve uma vez que chegou um aluno para mim e falou: “vocês não escutam o que a gente escreve no feedback”. Aí eu fiz aquele discurso: “claro que a gente escuta, que absurdo, a gente faz a educação focada naquilo”. Ele falou: “vocês não escutam, eu vou te provar”. “Ah é? Então fala aí”. Ele falou: “eu escrevi o hino do Galo no meu feedback e ganhei total”. Falei: “bom, pelo menos foi o hino do Galo que você escreveu”. Bicho, eu sei que depois daquele dia a gente sentou e falou: “eu nunca mais passo uma vergonha dessa”. Depois disso, a gente reestruturou e começou, de verdade, a escutar o aluno. Então, a gente fala muito em centrado no cliente, no aluno, mas eu acho que a liderança tem que sentar e escutar de verdade aquilo que eles estão falando, porque ele fala que aquilo está ruim ou bom, qual foi a experiência positiva. M: Vini, só uma pergunta. E com esse propósito massivo, com 50 mil alunos, como é que você escuta os 50 mil? Vinícius: Vamos lá. A gente falando de excelência operacional, a gente constrói em três dimensões. A primeira: a gente tem que ter processos ágeis. Então, os conceitos de (startup) [00:31:26] passam aqui pelo IGTI de forma muito forte. Você não conseguiria construir esse monte de conteúdo, lançar esse monte de oferta educacional, sem ter uma abordagem ágil. Você não consegue, fica muito caro e não acaba nunca, já mudou a tecnologia e você ainda está focado. Então, a gente investe muito em métodos ágeis aqui e em inovar continuamente. Como é que a gente faz? Tem uma ideia de uma abordagem pedagógica ou (inint) [00:31:56] – usando o termo da pedagogia para adulto, porque o nosso foco atualmente está no profissional adulto, acima de 18 anos -, então você precisa testar aquela hipótese. A gente tem que fazer uma prova de conceito rápida, lançar para uma turma reduzida, validar, e depois expandir isso para um curso completo ou então para todos os cursos. Então, a gente fica fazendo experiências disso o tempo todo. A gente tem que ter uma abordagem ágil nos nossos processos. O segundo ponto aqui é que a gente faz muita automação. Aí eu acho que vale um ponto, Shuster, que lá atrás, quando a gente começou a dar certo, a gente queria fazer vídeo conferência, aí a gente é da área de TI, falamos: “vamos fazer uma ferramenta de vídeo conferência”. Depois o Guilherme falou: “tem um tal de (inint) [00:32:50] aqui que está surgindo, da (Cisco) [00:32:52], vamos experimentar”. Depois que a gente entrou, a gente viu que viagem fazer uma ferramenta de vídeo conferência, não é nosso negócio, nosso negócio é construir soluções educacionais rápidas e focadas no mercado. Então, a gente desistiu disso. A gente tentou fazer LMS, também perdeu um tempão com isso. Foi uma série de tropeços que a gente foi vivendo para perceber que a gente estava perdendo tempo. Vamos usar o que tem aí, vamos começar a integrar as coisas. Então, assim, eu quero dizer que, na parte de automação, o que a gente faz? E eu acho que é uma dica para quem está indo agora para a educação à distância: você está pensando um problema agora, você é o último a pensar nele. Todo mundo já pensou, você está chegando agora, meu amigo. “Ah, eu queria uma solução para fazer a prova, de vídeo conferência, de plágio”. Está tudo aí. As startups estão fazendo um trabalho fantástico já tem muito tempo. E aí a gente tem que usar, estudar e integrar no nosso modelo, porque a nossa proposta como escola é levar uma educação que gera um valor para o profissional, e não ficar construindo solução tecnológica. Já está aí, já está feito, e tem gente fazendo um trabalho fantástico em cima disso. Então, a gente automatiza fazendo as integrações, a gente implementa uma camada fina de gestão de processos de negócio para a gente transitar informação entre os nossos setores, que são times independentes, que tem indicadores, que tem (inint) [00:34:27] de inovação, mas a gente não entra no mérito de automatizar tudo, a gente só transita a informação entre os setores e integra as soluções das startups para a gente ter uma boa experiência educacional para o nosso aluno. Então, a gente tem isso como muito valor. “Ah, vamos ter que desenvolver”. Não. Já tem alguma coisa pronta, vamos estudar, vamos olhar. Então, processos ágeis, automação, e depois a gente cai nos indicadores. Para responder o que você perguntou, Shuster, a gente é tarado aqui por indicador. A gente é da área de TI, então, a gente fica torcendo a informação o tempo todo e o aluno vai falar por ali para a gente. Não tem como eu ler cada item, mas os contornos do que a gente está fazendo aparecem para a gente, e a gente é muito analítico nesse sentido. Então, na parte de automação eu diria que a gente faz muito uso de conectores em nuvem. Estou sendo muito tecnicista, mas como as soluções educacionais das startups estão em nuvem, a gente precisa integrá-las, então, você tem que ter uma solução que integra tudo. O termo é iPaaS – Integration Platform as a Service. Você começa a conectar isso e orquestrar essas comunicações, e a você coloca em uma camada mais alta os indicadores para você começar a entender o seu negócio, começar a falar para você o que dá certo e o que está dando errado, e você vai priorizar aqueles 20 por cento das causas que são responsáveis por 80 por cento da satisfação do aluno. A nossa satisfação hoje é de 80 por cento. M: Entendi. Interessante. Ou seja, vocês usam um conceito até de MVP para experimentar com amostrar e ter mais certezas (inint) [00:36:15], aí escalam aquilo e acompanham com bastante automação e com indicador, né. Bem legal. Vinícius: Exatamente. Quando a gente recebeu o MEC aqui em uma comissão, um professor de federal – logo que a gente estava começando o nosso processo de credenciamento, com muito medo de receber o MEC, a gente fazia umas coisas diferente – entrou aqui, sentou, e a gente falando: “será que a gente vai passar, não vai?”, há alguns anos atrás, na hora que a gente terminou de mostrar os dashboards. Até então a gente ficou muito isolado, a gente entendia que assim que eram feitas as coisas. Não sei se é porque a gente é da área de TI, mas na hora que a gente terminou de falar, o professor da UFRJ só falou assim: “hoje eu aprendi aqui algumas coisas”. Falou só isso. Depois soltou a nota e a gente passou. Mas a gente era tão tarado por número e por gráficos que a gente não sabia que isso não era tão comum, porque é uma coisa que quem é da área de TI, de dados, de (inint) [00:37:17] – eu não estou falando de volume de dados, estou falando de pouca informação, mas muito bem analisada -, a gente acostuma um pouco com isso. Então, eu acho que a educação à distância é experimental e analítica. Você tem que analisar, o indicador vai falando, você faz uma nova interação, experimenta, e aí vai ajustando a oferta educacional. Não tem fórmula educacional. Não tem fórmula, entendeu? A gente entende que se ela é customizada para o aluno, ela precisa escutar as necessidades dele. Não é assim que a gente educa filho? M: Você falou em algum momento que vocês receberam visitas de instituições de ensino. Você enxerga que esse modelo de ensino é aplicado somente, vamos dizer assim, em cursos de uma coisa mais específica de aprender programação, arquitetura de software, ou você acha que ele também funcionaria em uma educação que seria parecida com uma faculdade mais tradicional, um curso de engenharia, de ciência da computação? Você acredita que pode ser feito desse jeito também? (inint) [00:38:32] eu fico pensando muito no que você falou: a gente já está em uma outra era, fazendo tudo de forma diferente, mas as formações de base universitária são totalmente tradicionais. Vinícius: Exatamente. Eu não tenho dúvida de que ela é aplicada, e eu acho que as instituições federais, nesse sentido, foram provocadas agora a adotar uma solução de educação à distância, começaram a tentar implementar isso, a coisa parou, não sei porquê, mas discutiu, foi e voltou. Quer dizer, é porque o pessoal está tão do lado de lá que tomou um choque, tentou reagir. Agora, a capacidade do pessoal de consumir uma solução dessa (inint) [00:39:17] se propuser é muito mais rápido, porque a gente tem uma massa crítica muito forte ali. A gente precisa do apoio das instituições federais para trazer educação para uma nova abordagem, usando esses cinco princípios que a gente coloca aqui: ela tem que ser prática, aplicável, ágil, focada no aluno e acessível. As instituições federais já são acessíveis, são gratuitas. A gente precisa que ela foque nos outros quatro itens. E eu vou falar do meu curso, ciência da computação. Estudei de tudo lá: física, equação diferencial, álgebra linear. Eu até gostava dessas coisas, mas a gente tem que entender que a gente foi capacitado para um tipo de problema. Estudei grafo, não tive oportunidade de aplicar isso na minha formação profissional, mas eu tenho um monte de amigo que foi resolver um problema nesse nível. M: Nós estudamos isso tudo também. Vinícius: Pois é. M: O Shuster, então, é (inint) [00:40:21] M: Equações diferenciais, A e B. Vinícius: É. Era difícil para caramba. Mas, assim, a gente foi capacitado para um tipo de problema, porque eu tenho vários amigos que foram resolver problemas desse tipo, montaram startups com muito sucesso e resolveram, e aplicaram. Mas a gente tem que ter isso muito claro: o que você quer para a sua formação? Você quer ser um desenvolvedor full stack? Aí você vai estudar quatro anos, e lá no final você pergunta: “eu vou trabalhar com o que? Deixa eu começar a aprender”. Era mais ou menos esse o papo que a gente tinha quando a gente estava formando. O Google saiu, na semana passada ou na outra, uma informação… M: …eu ia perguntar disso. Vinícius: A gente está trabalhando nisso já há algum tempo, porque a gente monta os núcleos docentes com os elementos de cada uma das tribos, mas vamos chamar de setores aqui, para a gente construir a oferta educacional. A gente esta agora praticamente com essa atividade finalizada e o Google soltou essa informação, mas o que o pessoal precisa entender é que não está competindo. O Google solta uma informação de dois meses para formar um desenvolvedor full stack, beleza, mas ele ter lá dentro um profissional para trabalhar com os algoritmos que ele trabalha, se ele não estudou árvores binárias, uma série de conceitos que a gente vai estudar em algoritmos, ele vai ter dificuldade para aprender. Então, assim, ele está formando profissional para ser um desenvolvedor full stack. Agora, a abordagem educacional das instituições, mesmo das federais, Vinição, que você perguntou, precisa ser questionada. Igual eu falei, a gente não pode ficar dois, três meses tendo aula e ter uma prova no final. Dá para mudar isso aí, entendeu? Você tem que por a mão na massa, tem que fazer. Eu tive disciplinas excelentes. M: É impressionante como é que não mudou ainda. Eu acho que não muda porque tem alguma reserva de mercado referente ao próprio MEC (inint) [00:42:42] M: O modelo é tradicional demais, né? Eu confesso que eu tenho uma dúvida danada se eu mesmo fiz engenharia. Às vezes eu fico brincando que a gente quando faz engenharia e o pessoal pergunta se você usa engenharia, a resposta padrão é falar: “aprendi a pensar na engenharia”. Acho que é o jeito de falar (inint) [00:43:01] Vinícius: De contornar isso. M: É, de contornar, mas aí eu fico realmente só pensando no tanto que você estudar coisas mais difíceis te cria modelos mentais diferentes, te (inint) [00:43:11] diferentes também, e, a longo prazo, te forma um profissional melhor. Mas, ao mesmo tempo, você precisa de um tanto de gente com formação mais técnica e pronto, digamos. M: Sobre isso que você falou, independente disso, se tem a questão da formação mais técnica ou não, é um questionamento para mim muito forte o porquê o modelo tem que ser tão linearizado, porquê você tem que fazer esse e esse e depois de quatro, cinco anos, você é engenheiro. Por que não poderia ser uma cosia menos linear, que você vai fazendo matérias, habilitando (inint) [00:43:50], e no final das contas você (inint) [00:43:51] M: Uma coisa não exclui a outra, né? M: Baseado no que você fez aqui, você está habilitado para isso (inint) [00:43:58] Vinícius: É, mas eu acho, Vinição, que a gente tem que pensar que, primeiro, dá para ter uma abordagem didática melhor para uma educação científica. Ponto. Eu acho que isso dá para ter. E eu não estou falando de educação técnica, é de educação científica. Você pode fazer uma coisa científica mais aplicada, mais ágil, com foco maior no aluno, com metodologia ativa. Você pode fazer isso. Agora, tem uma diferença de abordagem que a gente faz e que o método científico faz. No método científico você tem hipóteses bem definidas, aí você tem que trabalhar aquelas premissas de hipóteses e você vai tentar provar aquilo. Só que quando a gente fala da nossa realidade de construção de uma solução e você não tem as premissas definidas, você nem sabe os requisitos, como é que você usa o método científico? Aí você começa: por hipótese ou o cliente quer esse botão aqui? Não funciona, cara. Então, a gente aprendeu a ser mais designer e menos científico, menos linear. O mercado aprendeu isso. Eu não estou falando que o método científico não seja aplicado, muito pelo contrário, mas você tem que entender o problema, e o nosso problema hoje, de formação profissional técnica, ele exige uma abordagem mais de designer, mais ágil nesse sentido de aprender com os erros e interações curtas. É diferente de uma abordagem científica, de você provar uma equação. Eu acho que tem algumas hipóteses, realmente você pode estabelecer, mas me fala quem você conhece que é cientista, que foi fazer um curso. É difícil a gente elencar aqui. Então, tem que rever isso a também. M: Vinícius, a gente já está caminhando para o final. Queria fazer uma pergunta. Esse gap gigante que existe, a transformação digital foi acelerada. Tem até a piadinha do COVID: acelerando a transformação digital. Vocês tiveram 50 mil alunos. Pularam de 3 mil, que você disse, para 50 mil. Imagino que devem ter projeções de mais crescimento e mais números. Esse gap vai ser resolvido em quanto tempo? E vocês não estão trabalhando naquele modelo de formar a pessoa, igual em algumas empresas, e ganhar o (fee) [00:46:17] do salário da pessoa, né? Vocês formam pessoas e estão desvinculados, vamos supor, do que acontece para frente? Vinícius: De forma alguma. A pessoa forma, vai ganhar o dinheiro dela e vai gastar com ela. A gente realmente está com uma proposta bem massiva de valor mesmo. A gente tem conseguido colocar uma formação de qualidade sem mensalidade, com uma taxa de matrícula que subsidie nosso programa. Aí você perguntou quanto tempo as escolas vão demorar para resolver esse problema. A resposta é simples: eu não sei, não tenho ideia. A gente demorou um bocado e a gente vem até hoje melhorando nosso modelo. Eu diria, para fechar: comece simples. Mas aí eu queria falar uma coisa sobre buscar o simples. O simples não é simplista, simplório. Eu falo que o simples é resultado de muito suor, muito corte de desperdício, para você chegar em uma solução simples, elegante. O simples é elegante, mas você não atinge ele em um, dois anos, você tem que vir trabalhando isso, cortando os desperdícios, e aí você vai chegar. O simples é a recompensa, não é o modelo com uma câmera na frente, fazendo vídeo conferência. Coloca realmente quais são os seus valores, o que você não quer perder que você tinha na sua educação presencial, começa a transportar isso para a educação à distância. Não vá sozinho, tem um monte de gente fazendo um monte de coisas legais aí. Às vezes você vai perder um tempão e o Google te fala em dois minutos que já tem uma solução pronta. Faça experiências. Enfim, eu acho que você tem todas as respostas, você precisa começar a ouvir o seu aluno e a sua equipe. É uma transformação digital que está acontecendo nas instituições de educação. Elas estão um pouco perdidas. A educação que elas colocaram à distância foi provisória, foi ajustada, o primeiro passo, mas eu diria assim: o caminho é o caminho. O objetivo é trilhar o caminho, não chegar em uma excelência. Isso vai mudar o tempo todo. Você precisa colocar o tempo do seu lado, começar a entrar por aquele modelo. Aí eu acho que procure ajuda para trazer essa cultura de forma mais ajustada para a instituição (inint) [00:49:06] transformação digital. Não vá sozinho, tem muita gente pensando as coisas há muito tempo. Volto a dizer: você é o último a ter esse problema, não tenta reinventar a roda. M: Bacana demais. Queria te agradecer muito, achei muito legal essa conversa por dois aspectos: tanto para aprender sobre educação, mas nós falamos muito sobre um tema que para a gente é muito importante no podcast, que é as empresas serem (inint) [00:49:31]. Para mim (inint) [00:49:33] e ágil para poder responder ao cliente, e eu acho interessante porque o (inint) [00:49:40] para muita escola é agradar o pai que está pagando. É mimar e agradar o pai. Eu falo: não vira esse (inint) [00:49:54] do propósito é o cara ser educado, eu quero fazer com que esse cara aproveite a trajetória dele para realmente se formar bem, e vou fazer uma estrutura mais maleável que consiga se adaptar aqui. Então, acho que pode ser inspirador para muita gente, porque é uma empresa (inint) [00:50:12], mas que tem um propósito de massa, então, tem que achar um jeito de ser (inint) [00:50:17] fazendo experimentação e sendo eficiente. Então, eu acho que trouxe grandes insights tanto do ponto de vista da educação quanto de organização de um negócio mesmo. Muito obrigado, Vinícius. Vinícius: Obrigado, Shuster, Vinição. Obrigado, pessoal, e espero que a gente tenha conseguido colaborar um pouquinho para essa discussão, porque ela é muito bacana, mas é longa. Se deixar, a gente vai mais umas duas horas. M: Dá uma dó quando acaba os episódios. Eu não tenho certeza do tempo que o pessoal gosta, mas se o episódio ficar muito comprido é complicado. M: É verdade. M: Vinícius, um abração para você. M: Também agradeço, foi bem bacana. M: Isso aí, pessoal. Até o próximo episódio.