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os agilistas

#214 – Tendências em design: o impacto na experiência de uso do produto

#214 – Tendências em design: o impacto na experiência de uso do produto

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DIULIA: E aí gente, tudo bem? Bom, a gente começou o ano falando sobre The f*cking First Step, mas uma versão prática, a gente também já falou sobre tendências dentro de produto, e agora chegou a hora de falar sobre tendências de design também. 

PEDRO: E para conversar com a gente, a gente trouxe o Vini Freitas, e a Waleshka, que são product designers na dti, tudo bem, pessoal? 

VINICIUS: Tudo bem. 

PEDRO: Ele é veterano aqui, já esteve no podcast em alguns episódios, mas conta um pouquinho para a gente da sua trajetória em design, o que você está atuando hoje. 

VINICIUS: Beleza, pessoal, boa noite, meu nome é Vinícius, eu sou product designer aqui na dti desde 2016, já trabalhei em diversos clientes, grupo de restaurantes dos Estados Unidos desenvolvendo um app e muito feliz de estar aqui hoje para a gente conversar um pouco sobre um pouco de tendência, ou futurologia, não sei. 

DIULIA: O Vini que é dinossauro da dti, ele está aqui desde… 

PEDRO: Patrimônio. 

DIULIA: É, patrimônio tombado pela dti. 

PEDRO: Nossa, e eu já quero fazer uma pergunta completamente off topic antes da Wal se apresentar. Tem diferença, Vini, cliente internacional com cliente americano, você está sentindo a atuação diferente com os clientes brasileiros? 

VINICIUS: Os mesmos problemas que a gente encontra aqui a gente encontra lá fora, só que em inglês, é isso. 

PEDRO: Muito bom. E você, Wal, fala um pouquinho para a gente. 

WALESHKA: Oi, pessoal, um prazer estar aqui, eu sou a Waleshka, sou product designer aqui na dti, entrei no final de 2021, eu sou também capitã do chapter de product design, e atualmente eu estou trabalhando mais na parte de gestão de produtos, e um projeto aqui da dti, e assim como o Vini, eu já atuei também com clientes internacionais e nacionais aqui. 

PEDRO: Ah, tá. A mesma pergunta então, tem diferença? 

WALESHKA: É mais ou menos o que o Vini falou, só que eles gostam… cliente internacional gosta das coisas mais explicadinhas, tem que ter mais previsibilidade, digamos, do que a gente está fazendo. 

DIULIA: Legal. 

PEDRO: Beleza. 

PEDRO: E a Wal, não sei se pela apresentação já deu para ver, mas o sotaque é um pouquinho diferente do sotaque mineiro que o pessoal está acostumado. De onde você é, Wal? 

WALESHKA: Pois é, eu sou de Recife, mas eu estou atualmente morando em Caruaru, no interior de Pernambuco. 

DIULIA: Legal demais, acho que isso é uma das coisas mais legais de o trabalho hoje ser remoto, tem gente no Brasil todo e a gente consegue ter, inclusive, mais repertório, mais pluralidade, é muito bom. 

PEDRO: É a sua primeira vez aqui no Agilistas né, Wal? 

WALESHKA: Primeira vez. 

PEDRO: Bem-vinda, esse é o terceiro episódio meu e da Diulia como host, já está confortável na cadeira, Diulia? 

DIULIA: Já está um pouco mais, hoje eu já vim até mais tranquila. 

PEDRO: Está certa. 

DIULIA: E hoje eu estou enviesada, na verdade, porque para falar de design, na verdade você vai até ter que ajudar a cortar um pouco, porque é o que eu gosto de falar, é o que eu tenho… 

PEDRO: Não se segura não. 

DIULIA: Inclusive, te pedir para se a gente entrar em tópicos muito viajados, ou muito específicos, pedir para a gente traduzir, para a gente poder ajudar todo mundo, garantir que todo mundo vai entender. 

PEDRO: Pode deixar, lá nas nossas tribos a gente tem uma brincadeira, porque aqui na dti tem vários fluxos que a gente diferencia para designer, tem o feedback estruturado, tem o de pessoas e o de designers, mas designer não é pessoa? Daqui a pouco os designers vão me cancelar, mas a brincadeira é super aceita, é realmente uma brincadeira. Quando eu for pedir, eu vou falar “explica para as pessoas”, mas não designers. 

DIULIA: Boa. 

PEDRO: Eu ia até sugerir a gente começar com um pequeno nivelamento, antes de falar do futuro de design, a gente comentar um pouco da razão de existir da disciplina, eu queria perguntar para os convidados qual é a missão do design de produtos, como vocês responderiam isso de forma sucinta? 

PEDRO: Eu jogaria para o Vini que já está aqui desde que o design surgiu, praticamente, para ele poder… essa pergunta simples. 

VINICIUS: Qual a missão, a razão de existir do design de produtos? 

DIULIA: É, pode fazer o recorte para aqui na dti, como tem sido a aplicação? 

VINICIUS: A razão de existir do design de produtos na dti. É uma pergunta que não é simples, não é uma síntese fácil de fazer, mas eu diria que o design de produtos, no cerne, seria o papel dentro do time, dentro da organização, responsável por remover incertezas, através de responder perguntas, tanto através de diversas ferramentas, a gente vai poder entrar em discovery, prototipação, enfim, mas é, no final das contas, responder perguntas e remover incertezas daquela solução, eu acho que se eu puder sintetizar ao máximo, seria isso. 

PEDRO: Concorda, Wal? 

WALESHKA: Concordo, eu também gosto, quando o pessoal pergunta, porque muita gente não sabe o que um designer de produtos faz, eu gosto de falar também que a gente soluciona problemas, gerando valor para o negócio, e pensando também na questão da viabilidade técnica adequada para o projeto, de maneira bem resumida. 

PEDRO: Legal, acho que dá para viajar muito nessa resposta, eu ouvi em algum lugar, recentemente, uma muito bonita, que é traduzir sentimentos em produtos e serviços, esse é o máximo. 

VINICIUS: Mais holístico. 

DIULIA: Eu gosto de mencionar sempre que a gente… quando a gente olha para um espectro de quando tem um time como um todo, a gente tem, normalmente, a pessoa de produtos muito focada no negócio, no que de fato vai gerar valor, o que é estratégico para que a gente pegue agora para poder trabalhar e priorize, a gente vai ter os desenvolvedores com um olhar do que dá para poder fazer de fato, que ajuda a gente inclusive, a colocar o pé no chão e falar, calma, vamos dar um primeiro passo antes de a gente conquistar o mundo, e a gente acaba, enquanto pilar de design, com foco no design de produto, muito focado em olhar para as pessoas, para quem está utilizando, para a forma como pode ser melhor aquela interação, inerentemente, a gente vai acabar olhando muito para o comportamento humano, para como a gente pode otimizar os fluxos, e vai para cada necessidade, a gente é sob demanda do contexto, a gente vai pensando as possiblidades que existem de solução. 

PEDRO: Perfeito, completou. Vamos entrar no tópico de vez agora, de tendências, 2023, tudo que está rolando, a gente teve grandes lançamentos de ferramentas de inteligência artificial nos últimos meses, anos, talvez, e a pergunta é, como isso impacta o trabalho de design em 2023, o que a gente pode esperar nesse sentido, relacionamento do design com a inteligência artificial? Fala, Vini. 

VINICIUS: Até para exemplificar um pouco dessas ferramentas, a gente tem geradores de imagem, como o dall-e, o midjourney, a gente tem geradores de texto, como o copy ai, até mesmo de edição de vídeo, como o descrypt, e a gente já teve um teaser do próprio Notion, galera do product usa muito o Notion e já tem até uma AI para criar textos e até fazer ideação dentro da nossa disciplina de product design, uma ferramenta que poderia fazer ideação, já começa até a me preocupar, dá medo, e dentro desse cenário, a gente pode pensar “e aí, vão roubar nosso emprego, acabou?”. 

PEDRO: Era minha próxima pergunta. 

VINICIUS: Sua próxima pergunta, essa é a pergunta clássica, vai roubar meu emprego, ou a gente vai conseguir só focar agora no que mais importa, que é a experiência e essas coisas vão dar um pontapé inicial para a gente em alguns processos, eu talvez acredite mais na segunda, que consiga dar um pontapé inicial na hora que a gente está travado ali no trabalho, muitas vezes não sabe muito bem a direção que vai seguir, e pensando muito superficial, a gente pode pensar, se a gente for falar de interface, poderia gerar para mim telas que já foram testadas, um banco de dados que testou essas telas e viu que a melhor tela de login é essa, com base em diversos testes que foram feitos, e análises, e trouxe para mim já um fluxo de login que funciona muito bem, é um dos que gera mais conversão, as possibilidades são muitas, e eu tenho um lugarzinho no meu coração que é um pouco pessimista com relação, principalmente, aos geradores de imagem, nas horas vagas, eu sou ilustrador, e o que tem acontecido é um pouco desse trabalho de geração de imagens e criação de conteúdo, tem como base o trabalho dessas pessoas, e como fica a legislação para isso, se eles estão usando um banco de dados dessas imagens, desses artistas, fotógrafos, escritores, como fica a questão do copyright com relação a isso, essas pessoas tem a opção de sair desse banco de dados ou não, também tem uma questão polêmica envolvendo essas ferramentas, está tudo ainda em construção. 

PEDRO: É legal demais, esse primeiro ponto que você falou, sobre se a inteligência artificial vai substituir o nosso trabalho, quero dizer, o de vocês.  

DIULIA: Até o final do episódio, o Pedro vai estar convertido para o design, vai começar a atuar com o design. 

PEDRO: Eu faço murais muito bons, mas é só até aí. Mas, então, voltando a esse tema, eu sou um pouco mais romântico, eu gosto de acreditar que, na verdade, as ferramentas vão ajudar a melhorar a eficiência, cortar caminhos, mas que, no fim, ainda vai precisar da gente lá, tomando a decisão, não sei se vocês concordam com essa forma de pensar. 

WALESHKA: O Vini comentou sobre mitigar risco, as incertezas, no final das contas, acho que quem vai assumir o risco somos nós, então, por mais que vá afunilando o que a gente vai construindo ali realmente, criativamente e tal, eu acho que tem um caráter até do que a gente tem, a inteligência artificial usa o que já existe, ela vai ter amplo repertório no que já existe, mas muitas das vezes a gente vai precisar de uma inovação que é mais disruptiva, que justamente quebra com o senso comum, substituir, eu acho bem pesado, o que você acha, Wal? 

WALESHKA: Eu concordo, eu acho que toda tecnologia que vem muito forte desse jeito causa medo, a gente tem exemplos em todas as áreas, eu estou aí na área de design já a quase 20 anos, tive chefes que começaram a fazer design antes de ter um computador, fazer layout de jornal na mão, eu acho que a gente descobrir como usar essa nova tecnologia ao nosso favor, os exemplos que vocês já deram, para fazer pesquisa, analisar dados, eu acho que isso vem com tudo também agora, e eu acho que o designer tem algo que eu não sei se a inteligência artificial consegue suprir, que é a empatia, a gente é focado em pessoas, isso eu não vejo ainda como eles nos substituírem.  

PEDRO: Nossa, perfeito, acho que era o ponto que eu estava querendo chegar, inclusive. 

DIULIA: Pois é, uma coisa que além da questão da inteligência artificial, que está muito em voga, e está todo mundo extremamente impactado, vem uma ferramenta, vem outra, você fica “não é possível, nem respirei ainda”, mas além disso, a gente também tem uma mudança de cenário, a gente veio de alguns anos de mais abundância, de mais espaço, inclusive para essa inovação disruptiva, e a gente veio discutindo nos últimos episódios, até sobre esse momento em que a gente está agora, que é de mais restrição, as pessoas estão um pouco mais cautelosas em fazer investimentos, como vocês veem o impacto disso no design? Vai mudar a forma como a gente faz design? 

WALESHKA: Eu acho que talvez agora a gente esteja em um momento que as empresas precisam amadurecer mais a questão de design de produto, falando mais de design, a questão do processo de design, talvez passe a ser cobrado mais uma questão de produtividade, tem um foco maior em delivery, a experiência do usuário, aqui no Brasil, é algo que a gente fala a pouco mais de dez anos, a gente pode dizer que as empresas tem uma maturidade, acho que até no mundo, ainda não tem uma maturidade alta, acho que é o momento de amadurecer processos. 

VINICIUS: Eu acho, até encaixando nisso que a Wal está dizendo, com o nosso cenário atual, o nível de incerteza é maior, eu ainda acredito no potencial do nosso processo de discovery, tendo as bases de design thinking também, e lembrando, se a gente tem um processo mais enxuto, se a gente tem uma equipe mais enxuta, a gente precisa ter, entregar, talvez, mais rápido, mais sintetizado, ou seja, em uma vibe mais GMVP mesmo, e acreditar no design thinking como essa ferramenta flexível que você vai poder fazer em uma semana, dois dias, um mês, e a gente não romantizar o processo para virar um TCC de seis meses, de ficar ali fazendo discovery para definir, as vezes, coisas até que a gente acha um direcionamento bom, acho que essa é a visão. 

PEDRO: Isso que você fala de não romantizar é não fazer discoveries gigantescos, longos, três meses, quatro meses. 

VINICIUS: Exatamente. 

PEDRO: Esquecer da execução. 

VINICIUS: É isso aí. 

WALESHKA: Exatamente. 

VINICIUS: Isso talvez mesmo em um momento de abundância a gente tenha que refletir, não só na… 

DIULIA: Eu acho que acaba que a gente vai caminhar para um momento de reflexão sobre a forma como a gente vem atuando, até parecido com o que a gente falou no episódio de tendências de produto, que a gente vinha com papéis cada vez mais específicos, e é claro que existe muito ganho nisso, porque a gente consegue dedicar questões específicas, a pessoa de writing vai conseguir olhar para as questões de texto com muito mais profundidade do que se a gente pegar um design generalista que vai olhar para todos os aspectos da solução, mas a gente vai começar a ter que enxugar, precisa fazer uma pesquisa, qual é a pergunta que a gente quer responder? Quanto tempo a gente tem para responder essa pergunta? E a gente começar a se adaptar, também, de uma maneira a não corromper com o que a gente precisa fazer, mas conseguindo entender que o by the book, o que está ali no livrinho, bonitinho, é uma orientação, e que a gente pode utilizar dos meios, dos motivos pelos quais a gente faz as atividades, a gente faz as perguntas, a gente busca as respostas, que a gente pode utilizar disso, adaptando, que é o que a gente mais faz para poder criar soluções, onde a gente possa refletir sobre os nossos processos também, igual o Vini falou, o design thinking é uma abordagem extremamente ampla, você pode ficar anos e anos ali refletindo, refletindo, e não chegar a nada, mas o grande ponto que a gente tem para que o design seja efetivo é a gente chegar e entregar, a gente chegar em pontos de convergência, bom, agora aqui a gente tem uma solução de impacto que está aderente à necessidade, e com isso, a gente volta nesse processo de reflexão, a gente precisa conseguir responder, considerando o mundo complexo, considerando o send9o de … lá, se a gente fica seis meses fazendo discovery, quando a gente tiver a resposta, o mundo já mudou, não adianta de nada, vai ter que começar de novo, ao infinito. 

PEDRO: Wal, eu te cortei na hora que eu fui falar, você ia falar alguma coisa. 

WALESHKA: Mas a Diulia acabou falando, que é a gente ter que se adaptar, que eu falei em processos, mas não existe uma fórmula do processo perfeito que vai servir para todos os times, a importância de se adaptar. 

PEDRO: Está certo, e vários aspectos do que a gente falou aqui sobre a importância de definir bem o problema, parece convergir um pouco até com o nosso episódio anterior sobre tendências na disciplina de produto, eu vou fazer uma pergunta super grosseira, que eu acho que dá discussão eterna também, mas vamos tentar. O design e o produto estão convergindo para uma coisa só? 

DIULIA: Eu acho que a melhor pessoa para responder isso é a Wal, ela é uma product designer. 

WALESHKA: Eu ia fugir dessa pergunta. 

PEDRO: Ela até tirou os óculos. 

WALESHKA: Eu sou capitã do time aqui do chapter de product design, para mim, já caminham juntos, eu não consigo desassociar um do outro, eu não sei estão convergindo para ser uma coisa só, mas eu gosto muito de como a dti trata os dois juntos, no produto certo, a gente trata os dois juntos, e eu, particularmente, não consigo mais desassociar, tanto é que a pergunta inicial ali foi qual a missão do designer de produto, e eu falei de gerar valor para o negócio, eu acho que está completamente enviesada pelo produto. 

PEDRO: Está certo. Na prática, o que a gente vai ter é lideranças das duas disciplinas sendo corresponsáveis pela geração de valor. 

WALESHKA: Exatamente. 

PEDRO: Que é o que o produto certo prega com a gente. Legal, gostei, vocês fugiram da polêmica, muito bom. 

WALESHKA: Mas deixa o Vini falar disso também. 

VINICIUS: Eu acredito, é evidente que é quase que indissociável mesmo, porque no próprio time já são papéis que trabalham juntos, podiam ser pessoas que morassem até juntas, porque trabalham tão próximas, trabalham em objetivos que são focados, de novo, igual vocês falaram, em gerar valor, e acho que principalmente, normalmente é uma dupla que, como eu posso dizer… 

PEDRO: É inseparável. 

VINICIUS: É inseparável, mas eu queria usar a palavra, que complementam, que se complementam, é uma dupla que se complementa muito bem, às vezes, o designer está focado ou talvez no, vamos dizer, em um discovery, em entregar qualquer que seja o tempo que aquele designer está trabalhando, está trabalhando a curto prazo, para daqui a médio prazo, ou conjecturando o futuro, e a gente vai ter também essa pessoa de produto olhando para isso tudo, e alinhando junto com essa cadeia de Walor, seja uma árvore de oportunidades, seja uma ferramenta que você usa, para estar alinhando essas entregas tanto médio, curto ou longo prazo, com o objetivo de negócio, uma visão de produto alinhada com estudo, acho que é uma dupla dinâmica que eu acho que dificilmente a gente vai conseguir separar muito, também no meu chapter a gente trata, tenta tratar os dois juntos ao mesmo tempo, a gente tem reunião com os dois papéis o tempo todo também, eu acho que cada vez mais a gente está fundindo essas duas áreas mesmo, é isso mesmo. 

DIULIA: Mas eu ainda acredito que elas precisam ter um mínimo de espaçamento entre elas, para que o produto possa olhar realmente para as necessidades de negócio, e design possa fazer um contrapeso de olhar para as pessoas, e é lógico que a gente vai adaptar as necessidades do negócio, é lógico que a gente está fazendo uma solução que no final a gente quer que gere resultado para o negócio, é por isso que a gente está em uma iniciativa, gastando dinheiro da empresa para poder construir essa solução, mas é uma forma de a gente se contrabalancear, porque são muitas questões, quando a gente fala da construção de um produto, a gente está falando que precisa ter o acompanhamento constante para poder saber se do ponto de vista do negócio as regras estão corretas, se está tendo resultado mesmo, se está tendo retorno, se é o melhor caminho, muitas das vezes, a gente não tem tão claro como vai ser a necessidade daquele fluxo, e acaba que do lado de design, a gente também tem esse trabalho de ir esmiuçando, mas esmiuçando do ponto de vista da experiência, qual é o fluxo, qual é o caminho que a gente vai percorrer, como a gente pode facilitar para quem está utilizando, seja para poder garantir menos erros, seja para poder conseguir gastar menos tempo, enfim, acho que é uma dupla muito próxima, que as duas coisas são extremamente em conjunto, agora, uma pessoa dar conta das duas coisas, é igual… antigamente tinha, algumas empresas ainda tem isso, designer que coda, né?! faz tudo, pensa no que tem de necessidade, corre atrás do que poderia ser feito, chega no protótipo e a pessoa mesmo que faz o front end da solução, acho que não chegava a fazer o back end, mas o front end, pelo menos, garantia.  

PEDRO: O famoso devsigner. Isso é perigoso? 

DIULIA: É perigoso porque quando fica muita coisa para fazer, o risco é ficar tudo mais ou menos. 

PEDRO: Está certo, por isso eu falei que a pergunta era grosseira, porque obviamente você não vai ter, eu acho, um product manager fazendo um papel de writer, tem algumas vertentes, algumas trajetórias que vão ramificar diferente de qualquer jeito, mas o fato é que a dupla é que realmente deixa o time mais emponderado, tem que ter os dois papéis andando juntos. 

DIULIA: Uma grande questão da existência de design é porque todo mundo é criativo, todas as pessoas do mundo, até as pessoas que falam que não são criativas, elas são criativas, elas só não estão exercitando, talvez, mas elas são criativas, todo mundo poderia fazer, mas todo o embasamento teórico, prático, repertório, faz com que a gente consiga, nós designers, faz com que a gente consiga chegar em soluções que são mais aderentes, testar os caminhos que fazem mais sentido, o risco fica um pouco menor, mas, fato é que qualquer pessoa fazer, pode fazer, o resultado ninguém garante, mas fazer pode fazer. 

PEDRO: Eu até adiciono que eu acho que o design, a pessoa de design, a gente aprende a não depender da criatividade, a gente aprende a conduzir um processo no qual a criatividade não é totalmente necessária, acho que é por aí um pouco, o que diferencia uma pessoa que não é designer de uma pessoa criativa, eu acho que é mais ou menos por aí. 

DIULIA: Exatamente. E já emendando, a gente fala muito sobre construir experiências incríveis, que as pessoas vão amar utilizar, mas e aí, nesse contexto que a gente está também, já falei da inovação disruptiva, com mais risco, a gente está em um momento que encantar as pessoas é prioridade, tem outras coisas que o design consegue me garantir também, o que vocês veem, Wal? 

WALESHKA: Eu acho que tem outros fatores que precisa considerar, se com isso tudo a gente conseguir ainda encantar, gerar uma experiência incrível, excelente, mas eu acho que alguns pontos que a gente já citou aqui de viabilidade técnica, e gerar valor, isso tem que ser levado em consideração, e isso até nos últimos projetos que eu peguei, eu tenho visto mais, o projeto que eu estou atuando no momento, a questão de ter um bom olhar para a viabilidade técnica, tem ajudado bastante nisso, mas obviamente nunca deixando de ter o olhar no usuário, de fazer, tem que gerar valor, tem que ter a viabilidade técnica, mas tem que ter o foco além do usuário, eu acho que tem que levar em consideração muito mais do que antes, e a gente passa por uma faculdade de design, ou até por um curso, para virar o x, imagina que a gente só vai trabalhar naqueles projetos incríveis, e cada projeto vai ter seu objetivo, e nem sempre você vai conseguir fazer aquilo que está… me fugiu agora o nome do site que quem está começando agora gosta muito de olhar, não tem uma… que é puramente visual, mas você olha… 

DIULIA: O Dribbble da vida,  um …. 

WALESHKA: É, o dribbble, nem sempre a gente vai conseguir fazer coisa para ganhar um prêmio ou ir ali para o dribble, muita coisa que está no dribbble não é viável, não é o que a gente usa no dia a dia, principalmente quem está começando, tem que começar a ter um olhar mais voltado para isso. 

PEDRO: Eu acho que a gente, mais do que nunca, o designer também é um articulador, a gente articula negócio, a gente articula equipe técnica, articula vontades do usuário, e colocar nessa sopa toda para daí sair alguma coisa, porque se a gente não levar em consideração o cenário que a gente está trabalhando, é igual o pessoal que fala que vai fazer no dribbble, vai fazer redesign do site da Amazon, e o pessoal, produtos lindíssimos, tentam melhorar aqui e ali a usabilidade, mas a crítica a isso é, a pessoa que faz isso por fora não tem noção do contexto, das limitações técnicas, qual é o passado daquela equipe, daquele projeto que está sendo feito, quais são as restrições, principalmente, então, de novo, é a gente, talvez, quando a gente fala de romantização do processo, talvez não romantizar a capacidade de modularização e flexibilidade do processo, como o nosso processo pode ser flexível, modular, para se adaptar a esse cenário restrito e mais escasso que a gente vive hoje também. 

VINICIUS: Trazendo um pouco o papo para a abordagem um pouco mais prática, a gente falou do cenário mais difícil, tem vários episódios que nós estamos falando de cenário difícil, o pessoal deve estar chateado com a gente já, não é tão difícil assim, mas uma coisa que é certa é que a gente vai precisar justificar e evidenciar melhor aquilo que a gente está fazendo, comprovar a eficiência, e tal, existem formas de evidenciar os ganhos, nos casos da disciplina de design mesmo, nas soluções, existem formas de a gente fazer isso, mais práticas. 

PEDRO: Quando a gente comentou sobre o time ter um objetivo claro, a gente tem um negócio, a gente tem os usuários, e a gente articula o objetivo claro para aquele time, a partir desse objetivo, como a gente pode medir o impacto daquilo que a gente está fazendo, para a gente constatar que a gente está chegando nesse objetivo, ou que a gente está melhorando ele, ou se a gente não está, por quê? Mais do que nunca, ferramentas de métrica, os analíticos da vida, os mix pannel da vida, Power BI, o que você tiver, como chama aquele, fire, começa com fire… 

DIULIA: Tem o clarity, tem o hotjar. 

PEDRO: Hotjar, exatamente. 

DIULIA: Ferramenta é o que mais tem, agora, vai exigir uma capacidade analítica que ainda precisa, em alguns casos, ser desenvolvida, acho que tem um curso para se fazer em 2023 dentro do design, é o de análise de dados, para a gente poder conseguir tanto olhar para métricas de uso, como também para o próprio roi de ux, o retorno sobre o investimento. 

PEDRO: Com certeza, eu super recomendo designers começarem a beber um pouco do growth, acho que é uma complementação muito boa para essa parte de medir o impacto do produto. 

WALESHKA: Eu acho que projetos que estão no início, ainda estão ali MVP, não consegue ter métricas, já dá para fazer uma documentação do que você vai colher mais para frente, e tem algo que a gente vem fazendo também na reviews, que é algo super simples, que tem surtido efeito, que é de acordo com as entregas da gente, a gente coloca qual dor a gente queria resolver, e qual valor está sendo gerado, a gente já vai evidenciando, também, qual foi o papel que o design teve ali, o que a gente está gerando de acordo com a dor, todo aquele discovery bonitão que a gente fez lá no passado, a gente continua revisitando, e tudo ali está sendo priorizado por um motivo. 

PEDRO: Eu assisti um Ted Talks recentemente, eu sou meio fissurado em Teds… 

VINICIUS: Como organizar sua rotina. 

PEDRO: Sim, sou praticamente um assinante mesmo, e eu assisti um que é até razoavelmente antigo, que eu acho que ele é de 2017, em tecnologia isso é… nesse mercado emocionado que a gente tem, 2017 para cá é uma eternidade, e o título era O relacionamento complexo entre design e dados, eu achei muito interessante porque para mim, a mensagem permanece de 2017 para cá, não mudou, e a palestrante falava que o objetivo do século é navegar o relacionamento entre designers, dados e as pessoas para quem a gente está conseguindo as soluções, eu achei que isso continua muito moderno, e você trouxe sobre métricas, e ela fala bastante sobre como a capacidade de analisar os dados é o que realmente vai fazer a diferença na atuação do designer. 

DIULIA: Caramba, eu quero o link. 

PEDRO: Sim, a gente coloca aí. 

DIULIA: Então, gente, até tinha mais questão aqui, mas até porque eu realmente fico meio emocionada, eu começo a desatar a falar, já foram 1000 minutos de episódio, mas para a gente poder fechar, a gente sempre tem feito nesses episódios comigo, com o Pedro, a gente tem puxado um fechamento que é qual é o primeiro passo, da questão que a gente está tratando, aqui cabem as reticências para a questão que a gente está tratando, no de tendências de produto, a gente perguntou sobre quais seriam os primeiros passos práticos para a gente poder conseguir trabalhar com produto, com a disciplina de produto, e conseguir evoluir para esse cenário que a gente tem em 2023, e agora eu vou fazer essa pergunta para vocês também, o que a gente pode fazer, como um primeiro passo dentro do design com as necessidades que a gente tem em 2023? Por onde começa? 

VINICIUS: Quer pegar essa bomba, Wal? Mas pode refletir. 

DIULIA: Estava fora do script. 

PEDRO: Pode refletir, pode ficar sossegada. 

VINICIUS: Essa aqui eu não anotei nada não. 

WALESHKA: Um dos primeiros passos eu acho que é ter, mais do que nunca, o olhar voltado para a questão do valor gerado pelo design, que em tempos de crise, mercado difícil, a gente tem que demonstrar que a gente gera sim valor e com evidências e tudo, e outro passo seria acho que ver os processos, adequar e tentar otimizar algumas coisas, utilizar mais componentização, auto layout para a questão de delivery, eu acho que a questão do design ops também vai dar uma amadurecida nesse cenário. 

VINICIUS: É bem isso que a Wal falou, tem essa questão de otimizar, como a gente pode fazer mais com aquele mesmo produto que a gente tem, reutilizando, como a gente pode reutilizar o que a gente já tem hoje para escalar o produto, acho que isso é um ponto bem legal, a gente entra nessa área do design system, mais no reaproveitamento em geral, acho que é interessante, mas acho que nesse cenário que vai vir, mais do que nunca, a gente poder instrumentalizar o nosso produto com medição, eu acho que se eu pudesse dar essa única dica, se hoje seu produto não tem analytics, não tem nada que você consiga ver algum tipo de performance, você está basicamente, cavalgando… 

DIULIA: No escuro. 

VINICIUS: Vendado, é muito necessário que vocês coloquem essas ferramentas, acople essas ferramentas no produto de vocês, e principalmente, não só façam isso, você tem uma massa de dados muito grande, mas estabeleçam onde vocês querem chegar, seja no médio prazo, curto prazo, o que vocês esperam daquele produto, acho que isso é o início de tudo, porque a partir daí, a vida fica muito mais fácil, fica muito mais fácil priorizar, fica muito mais fácil se quer fazer um discovery, e qualquer tomada de decisão fica muito mais simples, até tenho visto em alguns contextos, quando tem um objetivo bem claro, para o negócio e para o time que está trabalhando para o negócio, não existe essa sensação, essa decisão foi top down, porque se foi uma decisão que foi tomada pelo negócio e que fez sentido dentro daquela estrutura, daquela árvore de oportunidades, daquela estrutura de objetivo, não parece gratuito, eu acho que é uma coisa para ser alinhada com o time, com o cliente. 

PEDRO: Eu vou cantar um outro primeiro passo, escute a Enzima 193. 

DIULIA: Caramba. 

PEDRO: A nossa querida Sofia, ela fala da pesquisa ao desenvolvimento, como trabalhar resultados, e ela fala sobre essa transformação de dados em sites, como a gente já falou aqui antes, dados e design não vão soltar as mãos, então, escute, lá tem exemplos muito legais, ela é nossa capitã de design de um dos nossos chapters, e vai dar uns insights legais. 

DIULIA: Sensacional, acho que para poder resumir o todo, que a gente foi conversando, a gente comentou sobre conseguir amadurecer os processos embasando melhor a tomada de decisão, e para embasar melhor a tomada de decisão, os dados vão nos ajudar, para poder a gente conseguir trabalhar com dados, a gente tem que ter a capacidade de analisar, senão a gente fica com um monte de número que a gente não sabe o que faz com eles, e que a grande pergunta se design continua pertinente, continua super pertinente, ainda mais se a gente fala de um risco maior, de uma cautela maior para a gente poder saber onde a gente investe o dinheiro, quanto antes a gente testar, testar barato e conseguir mitigar risco, todo mundo ganha, não é mesmo? Então, eu acho que é isso. Wal, muito obrigada. 

WALESHKA: Obrigada a vocês. 

PEDRO: Obrigado, Vini. 

VINICIUS: Valeu, galera. 

PEDRO: E, lembrando, se quiserem conversar com a gente, mandar dúvidas, comentários, sugestões, mandar para o @osagilistas, no Instagram, e também, se estão curtindo nosso papo, também vão curtir nossa newsletter, que é o nosso canal mensal de tendências e novidades no mundo ágil, então assinem lá também. 

DIULIA: Bom demais. Até mais, gente. 

PEDRO: Perfeito, obrigado, pessoal. 

DIULIA: E aí gente, tudo bem? Bom, a gente começou o ano falando sobre The f*cking First Step, mas uma versão prática, a gente também já falou sobre tendências dentro de produto, e agora chegou a hora de falar sobre tendências de design também.  PEDRO: E para conversar com a gente, a gente trouxe o Vini Freitas, e a Waleshka, que são product designers na dti, tudo bem, pessoal?  VINICIUS: Tudo bem.  PEDRO: Ele é veterano aqui, já esteve no podcast em alguns episódios, mas conta um pouquinho para a gente da sua trajetória em design, o que você está atuando hoje.  VINICIUS: Beleza, pessoal, boa noite, meu nome é Vinícius, eu sou product designer aqui na dti desde 2016, já trabalhei em diversos clientes, grupo de restaurantes dos Estados Unidos desenvolvendo um app e muito feliz de estar aqui hoje para a gente conversar um pouco sobre um pouco de tendência, ou futurologia, não sei.  DIULIA: O Vini que é dinossauro da dti, ele está aqui desde…  PEDRO: Patrimônio.  DIULIA: É, patrimônio tombado pela dti.  PEDRO: Nossa, e eu já quero fazer uma pergunta completamente off topic antes da Wal se apresentar. Tem diferença, Vini, cliente internacional com cliente americano, você está sentindo a atuação diferente com os clientes brasileiros?  VINICIUS: Os mesmos problemas que a gente encontra aqui a gente encontra lá fora, só que em inglês, é isso.  PEDRO: Muito bom. E você, Wal, fala um pouquinho para a gente.  WALESHKA: Oi, pessoal, um prazer estar aqui, eu sou a Waleshka, sou product designer aqui na dti, entrei no final de 2021, eu sou também capitã do chapter de product design, e atualmente eu estou trabalhando mais na parte de gestão de produtos, e um projeto aqui da dti, e assim como o Vini, eu já atuei também com clientes internacionais e nacionais aqui.  PEDRO: Ah, tá. A mesma pergunta então, tem diferença?  WALESHKA: É mais ou menos o que o Vini falou, só que eles gostam… cliente internacional gosta das coisas mais explicadinhas, tem que ter mais previsibilidade, digamos, do que a gente está fazendo.  DIULIA: Legal.  PEDRO: Beleza.  PEDRO: E a Wal, não sei se pela apresentação já deu para ver, mas o sotaque é um pouquinho diferente do sotaque mineiro que o pessoal está acostumado. De onde você é, Wal?  WALESHKA: Pois é, eu sou de Recife, mas eu estou atualmente morando em Caruaru, no interior de Pernambuco.  DIULIA: Legal demais, acho que isso é uma das coisas mais legais de o trabalho hoje ser remoto, tem gente no Brasil todo e a gente consegue ter, inclusive, mais repertório, mais pluralidade, é muito bom.  PEDRO: É a sua primeira vez aqui no Agilistas né, Wal?  WALESHKA: Primeira vez.  PEDRO: Bem-vinda, esse é o terceiro episódio meu e da Diulia como host, já está confortável na cadeira, Diulia?  DIULIA: Já está um pouco mais, hoje eu já vim até mais tranquila.  PEDRO: Está certa.  DIULIA: E hoje eu estou enviesada, na verdade, porque para falar de design, na verdade você vai até ter que ajudar a cortar um pouco, porque é o que eu gosto de falar, é o que eu tenho…  PEDRO: Não se segura não.  DIULIA: Inclusive, te pedir para se a gente entrar em tópicos muito viajados, ou muito específicos, pedir para a gente traduzir, para a gente poder ajudar todo mundo, garantir que todo mundo vai entender.  PEDRO: Pode deixar, lá nas nossas tribos a gente tem uma brincadeira, porque aqui na dti tem vários fluxos que a gente diferencia para designer, tem o feedback estruturado, tem o de pessoas e o de designers, mas designer não é pessoa? Daqui a pouco os designers vão me cancelar, mas a brincadeira é super aceita, é realmente uma brincadeira. Quando eu for pedir, eu vou falar “explica para as pessoas”, mas não designers.  DIULIA: Boa.  PEDRO: Eu ia até sugerir a gente começar com um pequeno nivelamento, antes de falar do futuro de design, a gente comentar um pouco da razão de existir da disciplina, eu queria perguntar para os convidados qual é a missão do design de produtos, como vocês responderiam isso de forma sucinta?  PEDRO: Eu jogaria para o Vini que já está aqui desde que o design surgiu, praticamente, para ele poder… essa pergunta simples.  VINICIUS: Qual a missão, a razão de existir do design de produtos?  DIULIA: É, pode fazer o recorte para aqui na dti, como tem sido a aplicação?  VINICIUS: A razão de existir do design de produtos na dti. É uma pergunta que não é simples, não é uma síntese fácil de fazer, mas eu diria que o design de produtos, no cerne, seria o papel dentro do time, dentro da organização, responsável por remover incertezas, através de responder perguntas, tanto através de diversas ferramentas, a gente vai poder entrar em discovery, prototipação, enfim, mas é, no final das contas, responder perguntas e remover incertezas daquela solução, eu acho que se eu puder sintetizar ao máximo, seria isso.  PEDRO: Concorda, Wal?  WALESHKA: Concordo, eu também gosto, quando o pessoal pergunta, porque muita gente não sabe o que um designer de produtos faz, eu gosto de falar também que a gente soluciona problemas, gerando valor para o negócio, e pensando também na questão da viabilidade técnica adequada para o projeto, de maneira bem resumida.  PEDRO: Legal, acho que dá para viajar muito nessa resposta, eu ouvi em algum lugar, recentemente, uma muito bonita, que é traduzir sentimentos em produtos e serviços, esse é o máximo.  VINICIUS: Mais holístico.  DIULIA: Eu gosto de mencionar sempre que a gente… quando a gente olha para um espectro de quando tem um time como um todo, a gente tem, normalmente, a pessoa de produtos muito focada no negócio, no que de fato vai gerar valor, o que é estratégico para que a gente pegue agora para poder trabalhar e priorize, a gente vai ter os desenvolvedores com um olhar do que dá para poder fazer de fato, que ajuda a gente inclusive, a colocar o pé no chão e falar, calma, vamos dar um primeiro passo antes de a gente conquistar o mundo, e a gente acaba, enquanto pilar de design, com foco no design de produto, muito focado em olhar para as pessoas, para quem está utilizando, para a forma como pode ser melhor aquela interação, inerentemente, a gente vai acabar olhando muito para o comportamento humano, para como a gente pode otimizar os fluxos, e vai para cada necessidade, a gente é sob demanda do contexto, a gente vai pensando as possiblidades que existem de solução.  PEDRO: Perfeito, completou. Vamos entrar no tópico de vez agora, de tendências, 2023, tudo que está rolando, a gente teve grandes lançamentos de ferramentas de inteligência artificial nos últimos meses, anos, talvez, e a pergunta é, como isso impacta o trabalho de design em 2023, o que a gente pode esperar nesse sentido, relacionamento do design com a inteligência artificial? Fala, Vini.  VINICIUS: Até para exemplificar um pouco dessas ferramentas, a gente tem geradores de imagem, como o dall-e, o midjourney, a gente tem geradores de texto, como o copy ai, até mesmo de edição de vídeo, como o descrypt, e a gente já teve um teaser do próprio Notion, galera do product usa muito o Notion e já tem até uma AI para criar textos e até fazer ideação dentro da nossa disciplina de product design, uma ferramenta que poderia fazer ideação, já começa até a me preocupar, dá medo, e dentro desse cenário, a gente pode pensar “e aí, vão roubar nosso emprego, acabou?”.  PEDRO: Era minha próxima pergunta.  VINICIUS: Sua próxima pergunta, essa é a pergunta clássica, vai roubar meu emprego, ou a gente vai conseguir só focar agora no que mais importa, que é a experiência e essas coisas vão dar um pontapé inicial para a gente em alguns processos, eu talvez acredite mais na segunda, que consiga dar um pontapé inicial na hora que a gente está travado ali no trabalho, muitas vezes não sabe muito bem a direção que vai seguir, e pensando muito superficial, a gente pode pensar, se a gente for falar de interface, poderia gerar para mim telas que já foram testadas, um banco de dados que testou essas telas e viu que a melhor tela de login é essa, com base em diversos testes que foram feitos, e análises, e trouxe para mim já um fluxo de login que funciona muito bem, é um dos que gera mais conversão, as possibilidades são muitas, e eu tenho um lugarzinho no meu coração que é um pouco pessimista com relação, principalmente, aos geradores de imagem, nas horas vagas, eu sou ilustrador, e o que tem acontecido é um pouco desse trabalho de geração de imagens e criação de conteúdo, tem como base o trabalho dessas pessoas, e como fica a legislação para isso, se eles estão usando um banco de dados dessas imagens, desses artistas, fotógrafos, escritores, como fica a questão do copyright com relação a isso, essas pessoas tem a opção de sair desse banco de dados ou não, também tem uma questão polêmica envolvendo essas ferramentas, está tudo ainda em construção.  PEDRO: É legal demais, esse primeiro ponto que você falou, sobre se a inteligência artificial vai substituir o nosso trabalho, quero dizer, o de vocês.   DIULIA: Até o final do episódio, o Pedro vai estar convertido para o design, vai começar a atuar com o design.  PEDRO: Eu faço murais muito bons, mas é só até aí. Mas, então, voltando a esse tema, eu sou um pouco mais romântico, eu gosto de acreditar que, na verdade, as ferramentas vão ajudar a melhorar a eficiência, cortar caminhos, mas que, no fim, ainda vai precisar da gente lá, tomando a decisão, não sei se vocês concordam com essa forma de pensar.  WALESHKA: O Vini comentou sobre mitigar risco, as incertezas, no final das contas, acho que quem vai assumir o risco somos nós, então, por mais que vá afunilando o que a gente vai construindo ali realmente, criativamente e tal, eu acho que tem um caráter até do que a gente tem, a inteligência artificial usa o que já existe, ela vai ter amplo repertório no que já existe, mas muitas das vezes a gente vai precisar de uma inovação que é mais disruptiva, que justamente quebra com o senso comum, substituir, eu acho bem pesado, o que você acha, Wal?  WALESHKA: Eu concordo, eu acho que toda tecnologia que vem muito forte desse jeito causa medo, a gente tem exemplos em todas as áreas, eu estou aí na área de design já a quase 20 anos, tive chefes que começaram a fazer design antes de ter um computador, fazer layout de jornal na mão, eu acho que a gente descobrir como usar essa nova tecnologia ao nosso favor, os exemplos que vocês já deram, para fazer pesquisa, analisar dados, eu acho que isso vem com tudo também agora, e eu acho que o designer tem algo que eu não sei se a inteligência artificial consegue suprir, que é a empatia, a gente é focado em pessoas, isso eu não vejo ainda como eles nos substituírem.   PEDRO: Nossa, perfeito, acho que era o ponto que eu estava querendo chegar, inclusive.  DIULIA: Pois é, uma coisa que além da questão da inteligência artificial, que está muito em voga, e está todo mundo extremamente impactado, vem uma ferramenta, vem outra, você fica “não é possível, nem respirei ainda”, mas além disso, a gente também tem uma mudança de cenário, a gente veio de alguns anos de mais abundância, de mais espaço, inclusive para essa inovação disruptiva, e a gente veio discutindo nos últimos episódios, até sobre esse momento em que a gente está agora, que é de mais restrição, as pessoas estão um pouco mais cautelosas em fazer investimentos, como vocês veem o impacto disso no design? Vai mudar a forma como a gente faz design?  WALESHKA: Eu acho que talvez agora a gente esteja em um momento que as empresas precisam amadurecer mais a questão de design de produto, falando mais de design, a questão do processo de design, talvez passe a ser cobrado mais uma questão de produtividade, tem um foco maior em delivery, a experiência do usuário, aqui no Brasil, é algo que a gente fala a pouco mais de dez anos, a gente pode dizer que as empresas tem uma maturidade, acho que até no mundo, ainda não tem uma maturidade alta, acho que é o momento de amadurecer processos.  VINICIUS: Eu acho, até encaixando nisso que a Wal está dizendo, com o nosso cenário atual, o nível de incerteza é maior, eu ainda acredito no potencial do nosso processo de discovery, tendo as bases de design thinking também, e lembrando, se a gente tem um processo mais enxuto, se a gente tem uma equipe mais enxuta, a gente precisa ter, entregar, talvez, mais rápido, mais sintetizado, ou seja, em uma vibe mais GMVP mesmo, e acreditar no design thinking como essa ferramenta flexível que você vai poder fazer em uma semana, dois dias, um mês, e a gente não romantizar o processo para virar um TCC de seis meses, de ficar ali fazendo discovery para definir, as vezes, coisas até que a gente acha um direcionamento bom, acho que essa é a visão.  PEDRO: Isso que você fala de não romantizar é não fazer discoveries gigantescos, longos, três meses, quatro meses.  VINICIUS: Exatamente.  PEDRO: Esquecer da execução.  VINICIUS: É isso aí.  WALESHKA: Exatamente.  VINICIUS: Isso talvez mesmo em um momento de abundância a gente tenha que refletir, não só na…  DIULIA: Eu acho que acaba que a gente vai caminhar para um momento de reflexão sobre a forma como a gente vem atuando, até parecido com o que a gente falou no episódio de tendências de produto, que a gente vinha com papéis cada vez mais específicos, e é claro que existe muito ganho nisso, porque a gente consegue dedicar questões específicas, a pessoa de writing vai conseguir olhar para as questões de texto com muito mais profundidade do que se a gente pegar um design generalista que vai olhar para todos os aspectos da solução, mas a gente vai começar a ter que enxugar, precisa fazer uma pesquisa, qual é a pergunta que a gente quer responder? Quanto tempo a gente tem para responder essa pergunta? E a gente começar a se adaptar, também, de uma maneira a não corromper com o que a gente precisa fazer, mas conseguindo entender que o by the book, o que está ali no livrinho, bonitinho, é uma orientação, e que a gente pode utilizar dos meios, dos motivos pelos quais a gente faz as atividades, a gente faz as perguntas, a gente busca as respostas, que a gente pode utilizar disso, adaptando, que é o que a gente mais faz para poder criar soluções, onde a gente possa refletir sobre os nossos processos também, igual o Vini falou, o design thinking é uma abordagem extremamente ampla, você pode ficar anos e anos ali refletindo, refletindo, e não chegar a nada, mas o grande ponto que a gente tem para que o design seja efetivo é a gente chegar e entregar, a gente chegar em pontos de convergência, bom, agora aqui a gente tem uma solução de impacto que está aderente à necessidade, e com isso, a gente volta nesse processo de reflexão, a gente precisa conseguir responder, considerando o mundo complexo, considerando o send9o de … lá, se a gente fica seis meses fazendo discovery, quando a gente tiver a resposta, o mundo já mudou, não adianta de nada, vai ter que começar de novo, ao infinito.  PEDRO: Wal, eu te cortei na hora que eu fui falar, você ia falar alguma coisa.  WALESHKA: Mas a Diulia acabou falando, que é a gente ter que se adaptar, que eu falei em processos, mas não existe uma fórmula do processo perfeito que vai servir para todos os times, a importância de se adaptar.  PEDRO: Está certo, e vários aspectos do que a gente falou aqui sobre a importância de definir bem o problema, parece convergir um pouco até com o nosso episódio anterior sobre tendências na disciplina de produto, eu vou fazer uma pergunta super grosseira, que eu acho que dá discussão eterna também, mas vamos tentar. O design e o produto estão convergindo para uma coisa só?  DIULIA: Eu acho que a melhor pessoa para responder isso é a Wal, ela é uma product designer.  WALESHKA: Eu ia fugir dessa pergunta.  PEDRO: Ela até tirou os óculos.  WALESHKA: Eu sou capitã do time aqui do chapter de product design, para mim, já caminham juntos, eu não consigo desassociar um do outro, eu não sei estão convergindo para ser uma coisa só, mas eu gosto muito de como a dti trata os dois juntos, no produto certo, a gente trata os dois juntos, e eu, particularmente, não consigo mais desassociar, tanto é que a pergunta inicial ali foi qual a missão do designer de produto, e eu falei de gerar valor para o negócio, eu acho que está completamente enviesada pelo produto.  PEDRO: Está certo. Na prática, o que a gente vai ter é lideranças das duas disciplinas sendo corresponsáveis pela geração de valor.  WALESHKA: Exatamente.  PEDRO: Que é o que o produto certo prega com a gente. Legal, gostei, vocês fugiram da polêmica, muito bom.  WALESHKA: Mas deixa o Vini falar disso também.  VINICIUS: Eu acredito, é evidente que é quase que indissociável mesmo, porque no próprio time já são papéis que trabalham juntos, podiam ser pessoas que morassem até juntas, porque trabalham tão próximas, trabalham em objetivos que são focados, de novo, igual vocês falaram, em gerar valor, e acho que principalmente, normalmente é uma dupla que, como eu posso dizer…  PEDRO: É inseparável.  VINICIUS: É inseparável, mas eu queria usar a palavra, que complementam, que se complementam, é uma dupla que se complementa muito bem, às vezes, o designer está focado ou talvez no, vamos dizer, em um discovery, em entregar qualquer que seja o tempo que aquele designer está trabalhando, está trabalhando a curto prazo, para daqui a médio prazo, ou conjecturando o futuro, e a gente vai ter também essa pessoa de produto olhando para isso tudo, e alinhando junto com essa cadeia de Walor, seja uma árvore de oportunidades, seja uma ferramenta que você usa, para estar alinhando essas entregas tanto médio, curto ou longo prazo, com o objetivo de negócio, uma visão de produto alinhada com estudo, acho que é uma dupla dinâmica que eu acho que dificilmente a gente vai conseguir separar muito, também no meu chapter a gente trata, tenta tratar os dois juntos ao mesmo tempo, a gente tem reunião com os dois papéis o tempo todo também, eu acho que cada vez mais a gente está fundindo essas duas áreas mesmo, é isso mesmo.  DIULIA: Mas eu ainda acredito que elas precisam ter um mínimo de espaçamento entre elas, para que o produto possa olhar realmente para as necessidades de negócio, e design possa fazer um contrapeso de olhar para as pessoas, e é lógico que a gente vai adaptar as necessidades do negócio, é lógico que a gente está fazendo uma solução que no final a gente quer que gere resultado para o negócio, é por isso que a gente está em uma iniciativa, gastando dinheiro da empresa para poder construir essa solução, mas é uma forma de a gente se contrabalancear, porque são muitas questões, quando a gente fala da construção de um produto, a gente está falando que precisa ter o acompanhamento constante para poder saber se do ponto de vista do negócio as regras estão corretas, se está tendo resultado mesmo, se está tendo retorno, se é o melhor caminho, muitas das vezes, a gente não tem tão claro como vai ser a necessidade daquele fluxo, e acaba que do lado de design, a gente também tem esse trabalho de ir esmiuçando, mas esmiuçando do ponto de vista da experiência, qual é o fluxo, qual é o caminho que a gente vai percorrer, como a gente pode facilitar para quem está utilizando, seja para poder garantir menos erros, seja para poder conseguir gastar menos tempo, enfim, acho que é uma dupla muito próxima, que as duas coisas são extremamente em conjunto, agora, uma pessoa dar conta das duas coisas, é igual… antigamente tinha, algumas empresas ainda tem isso, designer que coda, né?! faz tudo, pensa no que tem de necessidade, corre atrás do que poderia ser feito, chega no protótipo e a pessoa mesmo que faz o front end da solução, acho que não chegava a fazer o back end, mas o front end, pelo menos, garantia.   PEDRO: O famoso devsigner. Isso é perigoso?  DIULIA: É perigoso porque quando fica muita coisa para fazer, o risco é ficar tudo mais ou menos.  PEDRO: Está certo, por isso eu falei que a pergunta era grosseira, porque obviamente você não vai ter, eu acho, um product manager fazendo um papel de writer, tem algumas vertentes, algumas trajetórias que vão ramificar diferente de qualquer jeito, mas o fato é que a dupla é que realmente deixa o time mais emponderado, tem que ter os dois papéis andando juntos.  DIULIA: Uma grande questão da existência de design é porque todo mundo é criativo, todas as pessoas do mundo, até as pessoas que falam que não são criativas, elas são criativas, elas só não estão exercitando, talvez, mas elas são criativas, todo mundo poderia fazer, mas todo o embasamento teórico, prático, repertório, faz com que a gente consiga, nós designers, faz com que a gente consiga chegar em soluções que são mais aderentes, testar os caminhos que fazem mais sentido, o risco fica um pouco menor, mas, fato é que qualquer pessoa fazer, pode fazer, o resultado ninguém garante, mas fazer pode fazer.  PEDRO: Eu até adiciono que eu acho que o design, a pessoa de design, a gente aprende a não depender da criatividade, a gente aprende a conduzir um processo no qual a criatividade não é totalmente necessária, acho que é por aí um pouco, o que diferencia uma pessoa que não é designer de uma pessoa criativa, eu acho que é mais ou menos por aí.  DIULIA: Exatamente. E já emendando, a gente fala muito sobre construir experiências incríveis, que as pessoas vão amar utilizar, mas e aí, nesse contexto que a gente está também, já falei da inovação disruptiva, com mais risco, a gente está em um momento que encantar as pessoas é prioridade, tem outras coisas que o design consegue me garantir também, o que vocês veem, Wal?  WALESHKA: Eu acho que tem outros fatores que precisa considerar, se com isso tudo a gente conseguir ainda encantar, gerar uma experiência incrível, excelente, mas eu acho que alguns pontos que a gente já citou aqui de viabilidade técnica, e gerar valor, isso tem que ser levado em consideração, e isso até nos últimos projetos que eu peguei, eu tenho visto mais, o projeto que eu estou atuando no momento, a questão de ter um bom olhar para a viabilidade técnica, tem ajudado bastante nisso, mas obviamente nunca deixando de ter o olhar no usuário, de fazer, tem que gerar valor, tem que ter a viabilidade técnica, mas tem que ter o foco além do usuário, eu acho que tem que levar em consideração muito mais do que antes, e a gente passa por uma faculdade de design, ou até por um curso, para virar o x, imagina que a gente só vai trabalhar naqueles projetos incríveis, e cada projeto vai ter seu objetivo, e nem sempre você vai conseguir fazer aquilo que está… me fugiu agora o nome do site que quem está começando agora gosta muito de olhar, não tem uma… que é puramente visual, mas você olha…  DIULIA: O Dribbble da vida,  um ….  WALESHKA: É, o dribbble, nem sempre a gente vai conseguir fazer coisa para ganhar um prêmio ou ir ali para o dribble, muita coisa que está no dribbble não é viável, não é o que a gente usa no dia a dia, principalmente quem está começando, tem que começar a ter um olhar mais voltado para isso.  PEDRO: Eu acho que a gente, mais do que nunca, o designer também é um articulador, a gente articula negócio, a gente articula equipe técnica, articula vontades do usuário, e colocar nessa sopa toda para daí sair alguma coisa, porque se a gente não levar em consideração o cenário que a gente está trabalhando, é igual o pessoal que fala que vai fazer no dribbble, vai fazer redesign do site da Amazon, e o pessoal, produtos lindíssimos, tentam melhorar aqui e ali a usabilidade, mas a crítica a isso é, a pessoa que faz isso por fora não tem noção do contexto, das limitações técnicas, qual é o passado daquela equipe, daquele projeto que está sendo feito, quais são as restrições, principalmente, então, de novo, é a gente, talvez, quando a gente fala de romantização do processo, talvez não romantizar a capacidade de modularização e flexibilidade do processo, como o nosso processo pode ser flexível, modular, para se adaptar a esse cenário restrito e mais escasso que a gente vive hoje também.  VINICIUS: Trazendo um pouco o papo para a abordagem um pouco mais prática, a gente falou do cenário mais difícil, tem vários episódios que nós estamos falando de cenário difícil, o pessoal deve estar chateado com a gente já, não é tão difícil assim, mas uma coisa que é certa é que a gente vai precisar justificar e evidenciar melhor aquilo que a gente está fazendo, comprovar a eficiência, e tal, existem formas de evidenciar os ganhos, nos casos da disciplina de design mesmo, nas soluções, existem formas de a gente fazer isso, mais práticas.  PEDRO: Quando a gente comentou sobre o time ter um objetivo claro, a gente tem um negócio, a gente tem os usuários, e a gente articula o objetivo claro para aquele time, a partir desse objetivo, como a gente pode medir o impacto daquilo que a gente está fazendo, para a gente constatar que a gente está chegando nesse objetivo, ou que a gente está melhorando ele, ou se a gente não está, por quê? Mais do que nunca, ferramentas de métrica, os analíticos da vida, os mix pannel da vida, Power BI, o que você tiver, como chama aquele, fire, começa com fire…  DIULIA: Tem o clarity, tem o hotjar.  PEDRO: Hotjar, exatamente.  DIULIA: Ferramenta é o que mais tem, agora, vai exigir uma capacidade analítica que ainda precisa, em alguns casos, ser desenvolvida, acho que tem um curso para se fazer em 2023 dentro do design, é o de análise de dados, para a gente poder conseguir tanto olhar para métricas de uso, como também para o próprio roi de ux, o retorno sobre o investimento.  PEDRO: Com certeza, eu super recomendo designers começarem a beber um pouco do growth, acho que é uma complementação muito boa para essa parte de medir o impacto do produto.  WALESHKA: Eu acho que projetos que estão no início, ainda estão ali MVP, não consegue ter métricas, já dá para fazer uma documentação do que você vai colher mais para frente, e tem algo que a gente vem fazendo também na reviews, que é algo super simples, que tem surtido efeito, que é de acordo com as entregas da gente, a gente coloca qual dor a gente queria resolver, e qual valor está sendo gerado, a gente já vai evidenciando, também, qual foi o papel que o design teve ali, o que a gente está gerando de acordo com a dor, todo aquele discovery bonitão que a gente fez lá no passado, a gente continua revisitando, e tudo ali está sendo priorizado por um motivo.  PEDRO: Eu assisti um Ted Talks recentemente, eu sou meio fissurado em Teds…  VINICIUS: Como organizar sua rotina.  PEDRO: Sim, sou praticamente um assinante mesmo, e eu assisti um que é até razoavelmente antigo, que eu acho que ele é de 2017, em tecnologia isso é… nesse mercado emocionado que a gente tem, 2017 para cá é uma eternidade, e o título era O relacionamento complexo entre design e dados, eu achei muito interessante porque para mim, a mensagem permanece de 2017 para cá, não mudou, e a palestrante falava que o objetivo do século é navegar o relacionamento entre designers, dados e as pessoas para quem a gente está conseguindo as soluções, eu achei que isso continua muito moderno, e você trouxe sobre métricas, e ela fala bastante sobre como a capacidade de analisar os dados é o que realmente vai fazer a diferença na atuação do designer.  DIULIA: Caramba, eu quero o link.  PEDRO: Sim, a gente coloca aí.  DIULIA: Então, gente, até tinha mais questão aqui, mas até porque eu realmente fico meio emocionada, eu começo a desatar a falar, já foram 1000 minutos de episódio, mas para a gente poder fechar, a gente sempre tem feito nesses episódios comigo, com o Pedro, a gente tem puxado um fechamento que é qual é o primeiro passo, da questão que a gente está tratando, aqui cabem as reticências para a questão que a gente está tratando, no de tendências de produto, a gente perguntou sobre quais seriam os primeiros passos práticos para a gente poder conseguir trabalhar com produto, com a disciplina de produto, e conseguir evoluir para esse cenário que a gente tem em 2023, e agora eu vou fazer essa pergunta para vocês também, o que a gente pode fazer, como um primeiro passo dentro do design com as necessidades que a gente tem em 2023? Por onde começa?  VINICIUS: Quer pegar essa bomba, Wal? Mas pode refletir.  DIULIA: Estava fora do script.  PEDRO: Pode refletir, pode ficar sossegada.  VINICIUS: Essa aqui eu não anotei nada não.  WALESHKA: Um dos primeiros passos eu acho que é ter, mais do que nunca, o olhar voltado para a questão do valor gerado pelo design, que em tempos de crise, mercado difícil, a gente tem que demonstrar que a gente gera sim valor e com evidências e tudo, e outro passo seria acho que ver os processos, adequar e tentar otimizar algumas coisas, utilizar mais componentização, auto layout para a questão de delivery, eu acho que a questão do design ops também vai dar uma amadurecida nesse cenário.  VINICIUS: É bem isso que a Wal falou, tem essa questão de otimizar, como a gente pode fazer mais com aquele mesmo produto que a gente tem, reutilizando, como a gente pode reutilizar o que a gente já tem hoje para escalar o produto, acho que isso é um ponto bem legal, a gente entra nessa área do design system, mais no reaproveitamento em geral, acho que é interessante, mas acho que nesse cenário que vai vir, mais do que nunca, a gente poder instrumentalizar o nosso produto com medição, eu acho que se eu pudesse dar essa única dica, se hoje seu produto não tem analytics, não tem nada que você consiga ver algum tipo de performance, você está basicamente, cavalgando…  DIULIA: No escuro.  VINICIUS: Vendado, é muito necessário que vocês coloquem essas ferramentas, acople essas ferramentas no produto de vocês, e principalmente, não só façam isso, você tem uma massa de dados muito grande, mas estabeleçam onde vocês querem chegar, seja no médio prazo, curto prazo, o que vocês esperam daquele produto, acho que isso é o início de tudo, porque a partir daí, a vida fica muito mais fácil, fica muito mais fácil priorizar, fica muito mais fácil se quer fazer um discovery, e qualquer tomada de decisão fica muito mais simples, até tenho visto em alguns contextos, quando tem um objetivo bem claro, para o negócio e para o time que está trabalhando para o negócio, não existe essa sensação, essa decisão foi top down, porque se foi uma decisão que foi tomada pelo negócio e que fez sentido dentro daquela estrutura, daquela árvore de oportunidades, daquela estrutura de objetivo, não parece gratuito, eu acho que é uma coisa para ser alinhada com o time, com o cliente.  PEDRO: Eu vou cantar um outro primeiro passo, escute a Enzima 193.  DIULIA: Caramba.  PEDRO: A nossa querida Sofia, ela fala da pesquisa ao desenvolvimento, como trabalhar resultados, e ela fala sobre essa transformação de dados em sites, como a gente já falou aqui antes, dados e design não vão soltar as mãos, então, escute, lá tem exemplos muito legais, ela é nossa capitã de design de um dos nossos chapters, e vai dar uns insights legais.  DIULIA: Sensacional, acho que para poder resumir o todo, que a gente foi conversando, a gente comentou sobre conseguir amadurecer os processos embasando melhor a tomada de decisão, e para embasar melhor a tomada de decisão, os dados vão nos ajudar, para poder a gente conseguir trabalhar com dados, a gente tem que ter a capacidade de analisar, senão a gente fica com um monte de número que a gente não sabe o que faz com eles, e que a grande pergunta se design continua pertinente, continua super pertinente, ainda mais se a gente fala de um risco maior, de uma cautela maior para a gente poder saber onde a gente investe o dinheiro, quanto antes a gente testar, testar barato e conseguir mitigar risco, todo mundo ganha, não é mesmo? Então, eu acho que é isso. Wal, muito obrigada.  WALESHKA: Obrigada a vocês.  PEDRO: Obrigado, Vini.  VINICIUS: Valeu, galera.  PEDRO: E, lembrando, se quiserem conversar com a gente, mandar dúvidas, comentários, sugestões, mandar para o @osagilistas, no Instagram, e também, se estão curtindo nosso papo, também vão curtir nossa newsletter, que é o nosso canal mensal de tendências e novidades no mundo ágil, então assinem lá também.  DIULIA: Bom demais. Até mais, gente.  PEDRO: Perfeito, obrigado, pessoal. 

Descrição

O que será tendência em 2023 quando falamos em design e experiência? No episódio de hoje, Waleshka Gonzaga, Design Lead e Vinícius Freitas, Project Lead Developer, ambos na dti, falam sobre o impacto da inteligência artificial e outras ferramentas no design e na geração de valor. Dá o play e confira! 

 

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