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os agilistas

#219 Como o agilismo pode ajudar no aprendizado de outro idioma?

#219 Como o agilismo pode ajudar no aprendizado de outro idioma?

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Giovana: Espera, vamos ver o que dá para a gente inovar aqui no inglês e foi quando eu juntei o inglês e os métodos ágeis como uma solução. 

Marcelo: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio de Agilistas. A gente estava sumido né, Vinição? Agora estamos voltando, vamos fazer um teste depois, ver se a gente faz sucesso ou não, se o nosso episódio vai ser ouvido ou não. Tudo bom Vinição?  

VINÍCIUS PAIVA: Pessoal, tudo bem, vamos lá. Acho que o pessoal não vai nem lembrar da gente. 

Marcelo: Então, já vou apresentar nossa convidada, gente. Hoje nós vamos falar de um tema bastante interessante, que é um tema relacionado a empreendedorismo, como montar uma empresa. Como diz, um novo negócio. Mas, empreendedorismo tem tudo a ver com agilismo. Você tem que conseguir fazer experimentações. Tem que conseguir mudar de rumo em curto prazo; tem que conseguir aprender rápido. Então, nós temos uma história bastante interessante para contar aqui. Nossa convidada vai se apresentar, está em Singapura, nesse momento. Eu vou até perguntar para ela que horas que é lá agora, se nós estamos de madrugada, nós estamos num horário bom. Nossa convidada é a Giovana Claro. Tudo bem, Giovana? 

Giovana: Tudo bom. Primeiro, obrigada pelo convite. E só uma correção, não estou mais em Singapura, voltei para o Brasil. 

Marcelo: Ah, então está fácil. 

Giovana: Se fosse em Singapura, não íamos estar falando provavelmente esse horário, porque lá acho que são quatro da manhã. Então, enfim, eu voltei faz um ano, exatamente porque a empresa cresceu tanto aqui no Brasil que eu precisei voltar. Não estava dando, por conta do fuso. 

Marcelo: Que interessante, mas que bom. Engraçado, porque o tempo todo achei que estava te incomodando, porque você estava em Singapura. Eu mandava as mensagens, assim: “nossa, será que ela…” Então, se apresente, conta um pouquinho sobre seu background, até chegar aí EHeadset, sobre a qual falaremos. 

Giovana: Vamos lá. Bom, queria começar falando que eu tenho duas grandes paixões. Uma, ela veio ali desde pequenininha, que é realmente o inglês, novas culturas. Muitos lugares que a gente vai fazer de repente uma entrevista, a gente começa ali, pela faculdade, aquela coisa do que é mais relevante na tua vida. Mas eu acho que o mais relevante da minha vida foi quando, aos seis anos de idade, meus pais me colocaram numa escola japonesa e quem não está me olhando aqui, porque o podcast a gente não vê o rostinho das pessoas, mas eu não tenho nada de asiática. E as pessoas ficam: “Por que você foi para uma escola, por que os teus pais quiseram te colocar numa escola asiática?” E eu diria que lá foi a porta que me abriu para o mundo, porque lá eu tinha aula de japonês, eu tinha aula de inglês, eu tinha aula de espanhol. E era uma cultura completamente diferente, assim, de muita disciplina, de muita coisa muito legal que a gente já conhece um pouco dos asiáticos. Foi ali que eu comecei a ganhar a minha primeira paixão sobre idiomas, sobre culturas e tudo mais. Nem eu sabia onde isso tudo ia me levar. 

Marcelo: Desculpa, sabe, eu já fiquei curioso. Você falava japonês na aula? Eram aulas em japonês, você aprendia japonês. 

Giovana: Não eram todas, a gente tinha aula de japonês também. Então, como a gente tem aulas de inglês, por exemplo, as crianças vão lá e tem uma aula de inglês, na escola; eu tinha aula de espanhol, de inglês e de japonês. Metade da escola era de filhos de japoneses que tinham vindo para o Brasil. Então, assim, a gente tinha muito contato com a cultura, sabe.  

Marcelo: Isso em São Paulo? 

Giovana: No ABC, em São Bernardo, é São Paulo, estado de São Paulo. Essa escola existe até hoje, e eu sou muito grata. Passei dos seis aos 12 anos lá e aprendi japonês e como qualquer outra língua a gente esquece. Então, eu fui para outra escola, perdi o japonês, sei falar algumas, sei cantar umas músicas, coisa de criança, sabe. Mas não me peça para falar japonês. Bom, daí o inglês foi a coisa do tipo vamos para o inglês, porque todo mundo sabe que o inglês é o que a gente mais precisa no mercado de trabalho e para a vida como um todo. E aos 16 anos de idade eu fui morar nos Estados Unidos, fui fazer o high school lá, morei lá por um ano. E isso vem de um sonho do meu pai, muito grande. Porque quando ele começou, inclusive na área de tecnologia, ele teve que aprender inglês quando adulto e ele sofreu muito, assim, muito, para aprender o inglês quando adulto.  

Marcelo: Sei como é que é. 

Giovana: Pois é, muita gente sofre isso, não é? E ele falou assim: “olha, minha filha não vai sofrer isso.” E ele guardou os 100 reais por mês, toda vez, desde que eu nasci, para que eu pudesse morar fora, e eu fui na cara e na coragem. Morei numa fazenda, um negócio super diferente e tal. E de novo abriu minha cabeça. Então, isso foi muito legal. E voltando para o Brasil, eu fui fazer faculdade. Eu fiz faculdade de administração de empresas, na FGV, em São Paulo. E durante a faculdade, também lá, eles dão bastante incentivo para fazer intercâmbio e foi quando a doida aqui decidiu ir para a China. Quem decide ir para a China, com 20 anos de idade. Todo mundo indo para a Europa curtir a vida, todo mundo indo lá para os Estados Unidos e tal. E eu falei: “não, não, não, não, não, eu quero conhecer o que é essa tal de China aí, porque a gente ouve tanto e eu quero ver com os meus próprios olhos.” Desde que eu tinha morado nos Estados Unidos, eu queria sair da minha zona de conforto. 

Marcelo: Foi em que ano? Só para o pessoal situar aqui. 

Giovana: Foi em 2012, 2012 eu fui para a China. Decidi ir para a China um ano antes, ou seja, 2011, tinha 20 anos de idade. E fui, foi numa faculdade também muito legal de international business lá por seis meses. E, de novo, abri minha cabeça, porque eu tive ali contato com gente de países que eu nunca nem imaginava que eu ia ter, então, tipo, países como Rússia, Tailândia, Filipinas, que aqui, infelizmente, no Brasil ou mesmo que a gente vá para as américas, acaba que a gente tem pouco contato com essas culturas. Então, enfim, me abriu a cabeça para caramba, foi super difícil. Comecei a aprender o mandarim aqui no Brasil, ainda. E quando fui para lá fazia aula todo dia e saí de lá conseguindo carregar uma conversa bem básica, sabe? Mas tudo com muita determinação, muita coragem, muita cara de pau e esse tipo de coisa. E quando eu voltei para o Brasil, me formei, eu fui me encaminhando mais por um caminho de inovação. Então, nesse caminho de inovação, obviamente, o que apareceu, lá no ano de, mais ou menos, 2014, era quando estavam começando a falar de Lean startup, aqui no Brasil. Estavam começando a falar de agilismo e teve um professor meu, que foi inclusive meu professor de TCC, ele era um professor da Espanha e ele estava vindo para o Brasil. Ele começou a trazer em uma aula a questão do Lean startup. E quando eu li eu me apaixonei, eu me apaixonei: “caraca, é muito legal esse negócio de prototipar, de testar, de não ter que esperar tanto para acontecer alguma coisa. E eu fiquei assim: “não, o que eu quero fazer da vida é um dia ter meu negócio e começar a testar as coisas.” 

Marcelo: Isso no Brasil, você diz. 

Giovana: Isso no Brasil, mesmo. 

Marcelo: Isso no Brasil.  

Giovana: Já tinha voltado, já tinha voltado. E foi quando começou essa história do Lean startup e tudo. Bom, pelo menos, pelo que eu ouço falar da maioria das pessoas, começaram a falar. Eu me formei e passei num trainee, na Heinz, de catchup, quem conhece catchup. Eu fiz aquele management programs, que você passa por diversos treinamentos e fui parar na área do marketing, na inovação. Foi quando começou também a abrir essa questão do tipo: “gente, vamos parar de demorar tanto para fazer alguma coisa.” E eu já trazia o conceito de Lean startup, ninguém nunca tinha ouvido falar, não pelo menos ali na minha área, da Heinz e tal. E depois disso, eu fui para a GE-General Eletric e foi quando meu chefe de lá, na minha seleção, assim, no meu processo seletivo, ele pegou e falou assim: “me fala o que você acha de Scrum, me fala o que você acha de métodos ágeis e eu quero que você me faça uma apresentação de como que a gente pode aplicar isso na GE.” 

Marcelo: Que legal. 

Giovana: E eu: “legal”. Fui pesquisar e já sabia um pouquinho por conta desse meu professor, que eu tinha falado, uns dois, três anos atrás. E ele falou: “Ah, legal.” Pesquisei, me apaixonei mais ainda e foi quando a gente começou a aplicar algumas coisas ali na GE. E eu não sei se vocês sabem, se vocês já ouviram falar disso, mas, na época, então, de novo, lá 2014, 2015, a GE tinha contratado o Eric Ries, que é quem escreveu o livro. 

Marcelo: Pai, não é? 

Giovana: Exatamente, mas, eles contrataram o Eric Ries porque eles queriam aplicar Lean startup de alguma forma nos negócios. E dentro da GE tinha um nome, trocaram o nome para passworks. Mas eu achei muito legal eu estar voltando para a minha história porque me abriu muitas portas. E foi a porta que me abriu para ir para Singapura, porque essa questão de estar em inovação, ter participado desses tipos de projeto, eu consegui essa vaga em Singapura, que era para abrir um digital hub, que eles queriam fazer com que uma empresa, também, centenária, que é a Yara, que é uma empresa de agronegócio, ela virasse, começasse a ter essa coisa do ágil e começasse a ter essa coisa do digital. Então, abriram um Digito hub lá em Singapura, no Brasil e na Alemanha e eu fui a segunda pessoa a ser empregada nesse hub, que depois virou mais de quinhentas pessoas. Então, foi uma experiência de intra empreendedorismo, que a gente chama. 

Marcelo: Mas é um hub da Yara, então. 

Giovana: Um hub da Yara, exatamente. Uma hub da Yara, que chamava Digital Hub Yara Singapura. Foi uma experiência de empreendedorismo que eu tive que ir lá do zero, contratar os desenvolvedores, contratar todo mundo, os designers, POs, todo mundo. E, com o tempo, eu mesma fui pegando projetos para mim e, basicamente, comecei a entrar mais nesse mundo de tecnologia mesmo. Me apaixonei e consegui criar um produto do zero, em que a gente chegou a três milhões de downloads no sudeste asiático, para pequenos fazendeiros. Então, fui assim, fui fazer várias entrevistas com pequenos fazendeiros, ali, na Índia, na Tailândia, na China e foi uma experiência, assim… 

Marcelo: Mágica. 

Giovana: Não dá para explicar, quando eu olho pra trás: “nossa, caraca, não acredito que vivi isso.” Sabe? E lá em Singapura mesmo, fui fazer o mestrado, aproveitei que eu estava lá fora, falei: “não, espera aí, deixa eu aproveitar esse momento para me qualificar aqui fora e tal.” E fui fazer um mestrado em inovação, em Singapura, enquanto eu estava trabalhando ainda lá. E nesse mestrado eu falei: “não, eu quero fazer alguma coisa que seja minha, que eu quero.” Aquela minha velha história do sonho de empreender e tudo mais. Mas: “Tá, mas o que eu quero empreender?” E você começa uma lista de coisas. E eu comecei a ver que uma das coisas que eu mais amava era o inglês e que eu estava ajudando muita gente por tabela. Então, muita gente vinha morar, nunca tinha morado fora e vinha lá e eu era a pessoa, a primeira a ajudar todo mundo com as dificuldades do inglês, com as dificuldades de morar fora e eu sempre ajudava. Já era o terceiro país, eu já tinha morado no terceiro país. E eu percebi que muita gente tinha umas coisas em comum sobre fazer inglês por vários e vários anos e quando chegava fora, ainda assim penava, ainda assim não conseguia falar. “Legal, a gente tem que inovar aqui.” E peguei tudo que eu tinha aprendido de métodos ágeis, de discovery, de diversas coisas, falei: “espera aí, vou usar meu mestrado para ser super prática.” E coloquei a mão na massa e falei: “espera aí, vamos ver o que dá para a gente inovar aqui no inglês.” E foi quando eu juntei o inglês e os métodos ágeis como uma solução. Só para explicar o que é a minha empresa hoje. Eu sei que tua introdução foi mais no sentido do empreendedorismo, a gente tem que ser rápido e tal, a gente tem que adaptar e tal. Mas, na verdade, eu tenho o ágil dentro da minha metodologia do inglês. 

Marcelo: Você aprende inglês usando. 

Giovana: Exato. 

Marcelo: Interessante, tem uma esperança para mim, então. 

Giovana: É, a maioria das pessoas falam isso, tem esperança. E resumindo, basicamente o que eu percebi é que a gente podia usar a questão do ágil, de que a gente não precisa esperar muito tempo para testar alguma coisa no mercado, para fazer exatamente assim com o inglês. Então, como funciona? A cada 45 dias, os meus alunos, todos os meus alunos vão falar com um nativo, independente do nível. A gente vai tacar eles na fogueira, a gente vai fazer eles se virarem e a gente vai ver como que volta a reação do mercado, de verdade. Por que? Porque muitas pessoas faltavam isso, já tinha estudado várias vezes na escola, sempre confortável com professor, mas não tinham basicamente uma situação da vida real para elas treinarem. Então, o que a gente faz, a gente faz um Sprint de 45 dias, onde a gente, basicamente, como se fosse o ambiente de produção, onde a gente vai lá, a gente testa tudo que a gente precisa testar, ainda no ambiente seguro, que é o professor brasileiro, que é o professor que está ali sempre com você. E depois de 45 dias, a gente vai lá e fala assim: “tá, agora você aprendeu tudo isso, então, bora testar, bora testar na vida real.” E a gente coloca o nosso aluno para falar com um nativo que não fala nada de português, não está aqui no Brasil, nunca nem veio para o Brasil, muitas vezes. E depois disso, o modelo vai melhorando. Mas, depois disso, eu percebi que a gente precisava, ainda, complementar isso e o que a gente colocou foi uma retrospectiva no final, onde a gente grava essa aula com o nativo; o professor brasileiro volta e foca na questão do reforço positivo, que a gente chama. Muitas vezes, as provas, elas pegam e falam tudo que você fez de errado, mas no ágil, a gente tem muito essa questão da retrospectiva, que a gente vai e a gente fala: “mas, o que deu certo, vamos olhar o que deu certo, também?” E é exatamente isso que a gente faz, a gente assiste a aula do nativo com o aluno e a gente pega e fala: ”então, aluno, deixa eu te contar, você conseguiu fazer isso e isso, que há 45 dias atrás você não estava conseguindo fazer.” 

Marcelo: Só uma curiosidade, tem um script específico, você bota o aluno para conversar com um nativo… 

Giovana: Tem. 

Marcelo: …com um determinado objetivo e… 

Giovana: Sim. 

Marcelo: …grava aquilo, depois olha? 

Giovana: Exatamente. A gente tem um negócio chamado can-do, que é a parte mais pedagógica do negócio, que eu também tive que aprender, que é o seguinte: sempre que você está fazendo um curso de qualquer coisa, você tem como se fosse degraus, onde você vai aumentando suas habilidades e no inglês não deixa de ser diferente. Então, imagina que quando você começa no nível básico, tem certas coisas que você consegue conversar e depois, quando você consegue atinge o nível intermediário, você tem outras coisas que você consegue conversar. Então, basicamente, a gente tem um script onde a gente fala: “ei, neste nível, o aluno deve conseguir fazer x, y e z.” A gente passa para o nativo e fala: “Ei, teste x, y e z com o aluno.”. Claro que às vezes sai do contexto a história, a conversa, mas, o objetivo é esse: vamos falar sobre uma coisa básica e vamos mostrar progresso aos pouquinhos, ao invés de pegar e falar assim: “na minha primeira aula eu vou falar sobre economia.”  Não, você ainda é um bebezinho em inglês, você não consegue falar sobre economia. E isso é muito legal, porque o que acaba acontecendo, a gente vê progresso. É exatamente o que o ágil pede.  

VINÍCIUS PAIVA: Modelo ágil. 

Giovana: Exatamente, a gente vê progresso aos pouquinhos. 

VINÍCIUS PAIVA: Vocês, então, assim, no modelo de negócios de vocês, vocês fazem a interação com o nativo.  

Giovana: Sim. 

VINÍCIUS PAIVA: Ele vai, igual você falou, esse nativo também é um professor, é uma pessoa qualquer? 

Giovana: Também é um professor, a gente faz todo um processo seletivo. Porque, assim, no começo eu achava que podia ser qualquer pessoa, sabe, mas, depois de alguns testes, porque a gente faz vários testes para implementar algo no mercado. Mas, depois de alguns testes, eu percebi que essa conversa a pessoa precisa saber como conduzir, não pode ser qualquer pessoa, principalmente quando você está no início. Quando você está mais avançado, até que vai você com qualquer pessoa, só sendo isso. Mas o que eu aprendi também, com o tempo, é que o seguinte: não é porque a gente sabe o português, sabe falar o português, que a gente sabe ensinar o português. Então, é bem isso, a gente pega professores que sabem de fato ensinar o inglês, mesmo sendo um nativo, mas, o contexto que tem por trás é que ele não sabe falar português; então, você vai ter que se virar. Você não tem que esperar o avançado para fazer isso. 

VINÍCIUS PAIVA: E na hora que você está vendendo o curso, vamos falar assim, fazendo a propaganda, tipo assim, o principal diferencial é esse aspecto do ágil. Você vende isso, fala: “ah, aqui…” 

Giovana: Sim. Tanto é que assim, hoje, depois de um tempo, eu pivotei um pouco meu público para. Assim, faz cinco meses eu estou muito focada no público de tech, porque, essa conversa que eu estou tendo com vocês não é todo mundo que consegue entender, só o público de tech, quem conhece a ágil por trás, assim. 

Marcelo: É mais fácil você convencer o pessoal do tech. 

Giovana: Muito, sabe, muito. Tanto é que, assim, nos últimos seis meses quando eu comecei a, já tinha um público de tech, naturalmente, até pelos meus contatos, pelas pessoas que eu conheço e tudo mais. Mas eu focava muito também em pessoas que moravam fora, porque eu tinha muito contato de pessoas que moram fora, tanto é que a gente tem alunos em mais de dez países, que foi indo no boca a boca, e é tudo brasileiro, só que mora em outros países e precisa do inglês. E há um tempo atrás, eu falei: “nossa, está muito mais simples de explicar para quem conhece o ágil, o que tem por trás.”  Porque uma coisa é uma inspiração, que eu acredito piamente que está dando muito resultado, que pedagogicamente falando está sendo muito legal. Outra coisa é eu explicar para alguém que já conhece o ágil e: “caraca, era isso que eu precisava também no inglês.” Sabe? Então, sim, o nosso pitch de vendas hoje, tanto é que eu treinei. Hoje em dia, a gente tem aulas experimentais com os professores, treinei os professores para entenderem o que é o método ágil. Dou treinamento para os professores para eles entenderem o que é método ágil. Então, uma pessoa que não entende nada com tecnologia, hoje consegue fazer o pitch de como que a gente une esses dois mundos. 

Marcelo: Muito bacana. Eu fico imaginando, eu que adoro o agilismo, você tem uma identificação com o método. 

Giovana: Sim. 

Marcelo: E, assim, você junta várias teorias pelo que você diz, essa questão do reforço positivo. 

Giovana: Exato. 

Marcelo: Eu, as pessoas têm muito medo de falar inglês, a gente observa muito isso. E o fato de você falar, de tempos em tempos, já vai desmistificando isso um pouco, vai tirando alguns tabus, você vai vendo que você é capaz. Eu falo porque hoje aqui na DTI, a gente faz parte de um grupo internacional e tem muito contato internacional. E a gente sente isso, muitas pessoas, você fala assim: “você fala inglês, dá para você participar lá de um projeto internacional?”; “Ah, eu não falo inglês tão bem.” Você faz uma reunião, a pessoa fala. 

Giovana: É. 

Marcelo: Só que ela tem uma auto avaliação, uma régua muito alta ou medo, eu não sei, deve ser exatamente com isso que você se defronta, não? 

Giovana: Sim. 100%, tanto é que antes de eu entrar na solução, que é a solução que eu encontrei para ajudar as pessoas com o inglês foi com o ágil. Mas, não significa que eu comecei ali, eu comecei pela dor, eu comecei entendendo quais eram as dores do meu cliente, do meu potencial cliente. E eu fiz mais de 30 entrevistas para entender quais eram os padrões de dor e era assim, Marcelo, o que eu ouvia: “poxa, eu falo muito bem com meu professor brasileiro, mas quando chega um gringo na minha frente, eu travo.” E essa frase era quase, assim, eu podia copiar e colar para as pessoas, podia copiar e colar, sabe. E na verdade, tinha muita coisa psicológica, tinha muita coisa, um super bloqueio. Talvez o brasileiro também venha com uma certa síndrome do vira lata, que a gente se acha pior muitas vezes do que o gringo, um medo. Eu não sei o que é que o mercado, como um todo, colocou de medo. O mercado como um todo, quando eu digo isso, é o mercado de escolas de inglês, eu sinto que se criou um tabu, que as pessoas foram educadas quase que para ter, todo mundo tem esse medo, é muito triste. E eu olhei, eu falei : “não, o que a gente precisa fazer é exatamente desmistificar esse medo, porque o pulo do gato para eu entender que era o medo que eu precisa ir em direção, foi quando eu fiz uma aula teste com um professor e um aluno, porque eu queria observar para ver como era uma aula, aprender esse tipo de coisa, e o aluno chegou para mim, aluno não, aluna, porque é pior ainda, se vocês acham que o brasileiro se coloca para baixo, a mulher se coloca para baixo mil vezes mais. As mulheres pegavam e falavam assim: “eu sou um básico.” Daí, eu ia lá e falava para o teacher: “ei, dê um aula de básico.” Quando chegava lá, a pessoa era um avançado. Você fala: “espera aí, o que essa pessoa está achando, porque ela está tão insegura com falar que ela é um avançado, qual o problema de falar que é um avançado.” E você percebia que era medo. Então assim, enquanto eu estava em Singapura, eu observava muitas amigas pegando, falando que não falavam inglês. E quando, às vezes, eu ouvia de ladinho, num contexto diferente …, sabe. E era o medo, era o medo, muitas vezes até do outro brasileiro que está do lado, que a tem medo do outro brasileiro que se julga. Então, a gente desmistifica muito essa parte do medo, sabe. 

VINÍCIUS PAIVA: É muito legal isso que você está falando, porque os métodos hoje em dia de terapias, que são quase todos baseados em exposição, os mais modernos de TCC de …, essas coisas. Então, o que você faz é uma exposição ali mais controlada. Então, assim, bem interessante mesmo. Então, você trata um aspecto que é muito relevante que não é o aprendizado em si, só. 

Giovana: É. 

VINÍCIUS PAIVA: Mas, também o uso, por causa desse impedimento de postura, assim, tipo… 

Giovana: Síndrome do impostor. Tanto é que é muito interessante, eu tenho uma aluna que, não sei, eu fiz terapia durante muito tempo da minha vida, e continuo fazendo, e acho que todo mundo deveria fazer. Eu digo que praticamente a aula antes do nativo é como se fosse uma terapia, porque a gente vai lá para ouvir o aluno para que. Assim, só para vocês entenderem o método, o que é a aula antes de falar com um nativo. Eu criei um método, é uma aula bem especial e ela começa assim, a aula: “aluno, me diz, de zero a dez, quão confiante você está para a sua conversa com o gringo.”  E o aluno, vamos supor, ele chega e fala que ele está um cinco. E tem todo um aspecto da aula que o professor faz para mostrar para ele que sabe muito mais do que aquele cinco, para que ele fique muito mais confiante. E isso tudo quando, tanto é que eu tenho uma parceria com uma psicóloga das expatriadas, porque ela amou esse modelo, porque ela percebeu que muita gente ia atrás dela, quando estava sendo expatriada, por medo de falar inglês. E a gente fez uma parceria porque a gente ajuda muito. Tem certas coisas que tem que ser tratadas em terapia, mas tem certas coisas que é só um método e um professor muito qualificado para poder tirar aquele medo do aluno. E o que a gente faz, só par você entender. No início, quando eu estava começando, eu falava assim: “ah, taca o aluno na fogueira.” Porque eu sempre fui dessas. Quando eu fui lá para a China, eu, tipo, era esse tipo de pessoa: “Ai, vou falar.” Imagina gente, na China, uma mulher de 20 anos, tipo, entendeu? Assim, era cara de pau, ia lá, falava. Mas, eu percebi que a maioria das pessoas não tem essa coragem mesmo, sabe, tem medo, tem receio. E o que eu faço nessa aula, o meu objetivo com essa aula é; eu faço, não, hoje meus teachers fazem; injetar coragem nas pessoas, é mostrar que elas podem. E que dentro da casa delas, imagina a gente aqui. Dentro da casa delas, sem nenhum, num ambiente super controlado, que foi uma das coisas que a psicóloga falou pra mim: “nossa, mas tem conceitos de psicologia, de ambiente controlado” e não sei o quê. A gente consegue tirar esse medo e mostrar que não é um bicho de sete cabeças falar com um nativo. 

Marcelo: Muito interessante porque você cria um círculo virtuoso. Eu vou te falar, eu acho a ideia, assim, ser tanto usuário, no método, como para ir melhorando a empresa, que é super interessante. Eu falo assim, eu acho que faz tanta falta em várias ofertas de serviço, essa parte psicológica, sabe. Eu falo, assim, sei lá, emagrecimento, por exemplo, poxa, as nutricionistas que me desculpem, mas todo mundo consegue na internet pegar uma recomendação nutricional, não é. Claro, você pode questões a mais,  pode questões a menos, sabe. Mas, parece que falta criar esse círculo virtuoso. Mas, o que eu queria te perguntar é isso, quando você tenta criar um círculo virtuoso, eliminando esse medo desde o início, para a pessoa se sentir capaz. Existe uma análise crítica, então, dessa aula e é sempre bem personalizado, os passos seguintes? Cada aluno segue uma trajetória bem particular? Se você começar, mesmo vários alunos começarem pelo básico ali, cada aluno vai seguindo uma trajetória bem distinta? A partir do feedback que você consegue dar essa atenção?    

Giovana: Agora eu vou colocar meu chapéu de negócio. Sendo bem sincera, era muito o que eu queria, no começo. Mas, toda vez que você vai para uma coisa extremamente personalizada, custa muito caro. E o meu intuito não é fazer uma empresa para de novo pessoas de privilégio. É claro que, sendo bem sincera, não é caridade. É a minha empresa e a gente tem um super modelo de negócio. Mas, eu quero impactar mais pessoas. Então, por esse motivo, a gente tem dois modelos: o modelo individual, que você tem uma aula particular e realmente você consegue ir mais para o personalizado. Mas, a maioria hoje, o que as pessoas podem pagar, é realmente pela aula em grupo. O que eu fiz para manter a qualidade dentro dessa aula em grupo. São no máximo quatro pessoas na sala de aula; então, assim, mais do que isso eu já percebi que estava afetando a qualidade. Então, são até quatro pessoas na sala de aula. Diferente da maioria desses lugares que você vai ter aula em grupo e vão entochar oito pessoas, dez pessoas na sala de aula. E quando a gente é adulto, a gente não quer mais isso; criança, adolescente, beleza. E o que acontece, como que eu consigo fazer ele ser personalizado e ao mesmo tempo rentável como negócio. A aula com um nativo é individual e o feedback é individual. Depois disso, a gente vai entrar como se fosse num caminho, assim, razoavelmente parecido. 

Marcelo: Entendi, tira um divisor comum ali e segue. 

Giovana: Exato. E, assim, a gente, a cada 45 dias, a gente revisita isso e mostra para o aluno que ele está apto a seguir naquele caminho, porque vai ter gente que vai se desenvolver um pouco mais devagar, vai ter gente que vai se desenvolver um pouco mais rápido, depende muito da dedicação, como tudo na vida. Então, é assim, querer eu acho que a gente até conseguiria, mas iria custar muito caro seguir nesse formato e a gente tem conseguido impactar muita gente desse jeito. A gente tem mudado a relação do adulto com o inglês, porque tem muita gente vindo com trauma. Tem muita gente vindo, do tipo: “odeio o inglês.” E a gente tem diversos depoimentos muito legais, que pegam e falam assim: “gente, vocês mudaram a minha relação com o inglês. Hoje eu gosto do inglês, hoje eu sinto prazer, hoje eu consegui tal e tal coisa por causa disso” E é muito gostoso ouvir impactando tanta gente. Às vezes, parece que não é tanto, mas para muitas pessoas essa diferença do método está fazendo assim, está mudando realmente a relação deles com o inglês, então é muito legal. Não sei se eu te respondi. 

Marcelo: Sim. Eu acho interessante porque de fato parece uma ideia muito interessante, porque eu falo assim, se a pessoa vai perdendo o medo de praticar, ela pode de fato entrar no círculo virtuoso. Se a pessoa ficar a vida inteira esperando o dia. O que eu observo em muitas pessoas é isso, eu fico esperando o dia que eu vou ser fluente e na verdade você vai ganhar fluência praticando e com coragem de conversar com alguém, não é? Eu sempre brinco com o pessoal, quando a gente conversa com um gringo, por exemplo, ele pode estar falando do jeito que for, que a gente prazerosamente conversa com a pessoa.  

Giovana: Exato.  

Marcelo: E quando a gente é o gringo, a gente quer ser perfeito. 

Giovana: É um perfeccionismo que, de novo, eu sei que eu fico voltando para isso, mas para mim, o ágil quebrou esses preconceitos, para mim, porque aquelas coisas: “ah, você é perfeccionista…” Mas, eu sempre queria fazer tudo extremamente perfeito antes de ir lá. Eu sofria muito com isso e com o ágil eu fui percebendo que ei, espera aí, a gente pode colocar as coisas aos poucos para ir testando e aos poucos vai ficando melhor. Não adianta você ir lá e você achar que você é perfeito. Então, assim, de repente, o que acontece, é uma pessoa testando o inglês ali; testando, não; aprendendo o inglês por um, dois, três, quatro, cinco anos e ela pode chegar exatamente na frente do nativo e não conseguir. Achar que ela está perfeita: “eu estou perfeita na minha aula, estou falando muito bem.” E chega na vida real o negócio não funciona, que é exatamente o que o ágil fala: “ei, e se você chegar lá e não é nada do que o seu cliente quer? E se você chegar lá e não é nada do que você planejou, do que você achou que ia ter?” Então, vai aos pouquinhos, vai aos pouquinhos. E o resultado é muito legal, é muito legal de ver. Isso eu aplico para a minha vida toda, eu falo da escola, mas, juro, para tudo que eu faço hoje em dia mudou a relação para mim, porque eu meio que me libertei do perfeccionismo, sabe, tipo: “vamos lá, vamos fazer as coisas e vamos ver a reação antes de planejar um negócio mirabolante e tudo mais.” É muito legal. 

Marcelo: Muito legal. Espero que traga uma reflexão dessas para os nossos ouvintes também. Assim, eu gosto demais desse conceito. E é engraçado porque existe uma tendência de perfeccionismo, de excesso de planejamento embutido na nossa cultura mesmo, sabe? De não querer fracassar, de não querer se expor, com medo de virar um fracasso. E é engraçado porque o inglês realmente é bem waterfall, se for pensar o jeito … é bem waterfall. Alguém já tem lá a prescrição do método, você segue aquilo dez anos. E às vezes, a pessoa vai ficar dez, é uma loucura quando penso desse jeito, a pessoa vai ficar dez anos na sala de aula. 

Giovana: Sim. 

Marcelo: Só falando inglês ali com os colegas. E um dia você solta ele para poder treinar. Mas, assim, como sempre a gente tem vários outros aspectos da vida, acho que a reflexão que a gente pode fechar o episódio é essa aí, tem vários outros aspectos, vários outros aprendizados, várias outras experiências. 

Giovana: É. 

Marcelo: E a gente, o que eu vejo é cheio de tabu e não tira proveito do aprendizado contínuo, contato com a realidade para poder ter um aprendizado contínuo. Muito obrigado, foi uma conversa muito bacana, bem empolgante, colocar o ágil numa forma de aprendizado para poder melhorar a vida das pessoas, muito legal. 

VINÍCIUS PAIVA: Também achei bem legal, prazer em te conhecer. Acho que foi bem legal, eu fiquei realmente surpreso, porque eu achei diferente de outros que a gente já trouxe aqui, porque o produto envolve uma abordagem. Achei bem diferente, bem interessante mesmo. 

Giovana: Legal. Fico feliz de ter agregado de alguma forma. Se eu consegui ajudar de alguma forma os ouvintes aqui a tirar um pouco desse tabu do perfeccionismo, seja com o inglês, seja com o que for, dá para mostrar como que a gente pode aplicar o ágil em qualquer coisa. Eu diria, literalmente, em qualquer coisa da nossa vida, qualquer aspecto. E fica também uma mensagem para qualquer escola ou qualquer projeto de educação. Eu realmente acho que a gente pode sair do modelo waterfall, no modelo de educação no geral, e colocar mais coisas em prática, porque o mundo é feito disso. Então, seja na faculdade; então, por exemplo, na faculdade quando eu estava fazendo aula e, poxa, me botaram para fazer um projeto de consultoria dentro de uma empresa de verdade, aquilo ali foi o divisor de águas na minha faculdade. 

VINÍCIUS PAIVA: Falta muito isso no Brasil. 

Giovana: Eu acho que falta, mas eu não sei se é só no Brasil. Assim, se, sendo uma pessoa que estudou, eu vou ser bem sincera, eu fiquei, assim, aquém com o meu mestrado em Singapura, vou te dizer. A FGV e o curso que eu fiz aqui, assim, dá de dez a zero, dez a zero no conteúdo que eu tinha lá. Tanto é que é assim, muito conteúdo repetitivo que eu já tinha tido há dez a zero, entendeu? Então, assim, às vezes, eu acho que a gente também tem isso de pegar e falar: “lá fora é melhor, lá fora isso, lá fora aquilo.” Não, aqui também tem muita coisa boa, só que eu ainda acho que no geral, o ambiente de educação, seria muito legal se a gente colocasse mais essa coisa da prática, para que a gente possa aprender na realidade, tanto é que é por isso que o nosso slogan chama Inglês da Vida Real, porque não adianta você estar lá falando com o seu teacher. Tem aluno que não quer trocar de teacher.  E a gente fala: “gente, mas na vida real você não ficar falando com o seu teacher, entendeu? Então para que que você quer falar só com o seu teacher.” 

Marcelo: Essa ideia é daquelas da categoria. Para a gente é tão óbvio que tem que ser assim. Depois que você fala, você fica assim. Sabe aquele tipo de ideia que: “cara, é tão óbvio que não pode ficar só com um.” Eu falo assim, que você fica pensando: cara, como que você pode escolher um método que você fica meses, anos sem para valer e fica nessa zona de conforto de conversar com a mesma pessoa sempre. 

Giovana: Pois é. 

Marcelo: Ou seja, isso é o, pensamento em antifragilidade, você está criando um aluno extremamente frágil, que só opera em determinadas condições, não varia nada, nem o professor, nem a sequência. Interessante essa antifragilidade, essas stressor que você vai colocando no caminho, que vão fazendo o aluno se desenvolver bem mais do que no dia a dia. Bacana demais viu, Giovana, muito bacana. 

Giovana: Gente, muito, muito obrigada pelo convite e, enfim, vamos continuando um bate papo e ajudando essa comunidade do ágil, no geral, porque tem muita coisa nova, muita coisa boa para a gente desenvolver com esse método, seja na área de tech, ou seja, em qualquer área como um exemplo de como a gente consegue evoluir.  

Marcelo: É isso. Grande abraço. 

VINÍCIUS PAIVA: Grande abraço, prazer 

Giovana: Abraço. 

Giovana: Espera, vamos ver o que dá para a gente inovar aqui no inglês e foi quando eu juntei o inglês e os métodos ágeis como uma solução.  Marcelo: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio de Agilistas. A gente estava sumido né, Vinição? Agora estamos voltando, vamos fazer um teste depois, ver se a gente faz sucesso ou não, se o nosso episódio vai ser ouvido ou não. Tudo bom Vinição?   VINÍCIUS PAIVA: Pessoal, tudo bem, vamos lá. Acho que o pessoal não vai nem lembrar da gente.  Marcelo: Então, já vou apresentar nossa convidada, gente. Hoje nós vamos falar de um tema bastante interessante, que é um tema relacionado a empreendedorismo, como montar uma empresa. Como diz, um novo negócio. Mas, empreendedorismo tem tudo a ver com agilismo. Você tem que conseguir fazer experimentações. Tem que conseguir mudar de rumo em curto prazo; tem que conseguir aprender rápido. Então, nós temos uma história bastante interessante para contar aqui. Nossa convidada vai se apresentar, está em Singapura, nesse momento. Eu vou até perguntar para ela que horas que é lá agora, se nós estamos de madrugada, nós estamos num horário bom. Nossa convidada é a Giovana Claro. Tudo bem, Giovana?  Giovana: Tudo bom. Primeiro, obrigada pelo convite. E só uma correção, não estou mais em Singapura, voltei para o Brasil.  Marcelo: Ah, então está fácil.  Giovana: Se fosse em Singapura, não íamos estar falando provavelmente esse horário, porque lá acho que são quatro da manhã. Então, enfim, eu voltei faz um ano, exatamente porque a empresa cresceu tanto aqui no Brasil que eu precisei voltar. Não estava dando, por conta do fuso.  Marcelo: Que interessante, mas que bom. Engraçado, porque o tempo todo achei que estava te incomodando, porque você estava em Singapura. Eu mandava as mensagens, assim: “nossa, será que ela…” Então, se apresente, conta um pouquinho sobre seu background, até chegar aí EHeadset, sobre a qual falaremos.  Giovana: Vamos lá. Bom, queria começar falando que eu tenho duas grandes paixões. Uma, ela veio ali desde pequenininha, que é realmente o inglês, novas culturas. Muitos lugares que a gente vai fazer de repente uma entrevista, a gente começa ali, pela faculdade, aquela coisa do que é mais relevante na tua vida. Mas eu acho que o mais relevante da minha vida foi quando, aos seis anos de idade, meus pais me colocaram numa escola japonesa e quem não está me olhando aqui, porque o podcast a gente não vê o rostinho das pessoas, mas eu não tenho nada de asiática. E as pessoas ficam: “Por que você foi para uma escola, por que os teus pais quiseram te colocar numa escola asiática?” E eu diria que lá foi a porta que me abriu para o mundo, porque lá eu tinha aula de japonês, eu tinha aula de inglês, eu tinha aula de espanhol. E era uma cultura completamente diferente, assim, de muita disciplina, de muita coisa muito legal que a gente já conhece um pouco dos asiáticos. Foi ali que eu comecei a ganhar a minha primeira paixão sobre idiomas, sobre culturas e tudo mais. Nem eu sabia onde isso tudo ia me levar.  Marcelo: Desculpa, sabe, eu já fiquei curioso. Você falava japonês na aula? Eram aulas em japonês, você aprendia japonês.  Giovana: Não eram todas, a gente tinha aula de japonês também. Então, como a gente tem aulas de inglês, por exemplo, as crianças vão lá e tem uma aula de inglês, na escola; eu tinha aula de espanhol, de inglês e de japonês. Metade da escola era de filhos de japoneses que tinham vindo para o Brasil. Então, assim, a gente tinha muito contato com a cultura, sabe.   Marcelo: Isso em São Paulo?  Giovana: No ABC, em São Bernardo, é São Paulo, estado de São Paulo. Essa escola existe até hoje, e eu sou muito grata. Passei dos seis aos 12 anos lá e aprendi japonês e como qualquer outra língua a gente esquece. Então, eu fui para outra escola, perdi o japonês, sei falar algumas, sei cantar umas músicas, coisa de criança, sabe. Mas não me peça para falar japonês. Bom, daí o inglês foi a coisa do tipo vamos para o inglês, porque todo mundo sabe que o inglês é o que a gente mais precisa no mercado de trabalho e para a vida como um todo. E aos 16 anos de idade eu fui morar nos Estados Unidos, fui fazer o high school lá, morei lá por um ano. E isso vem de um sonho do meu pai, muito grande. Porque quando ele começou, inclusive na área de tecnologia, ele teve que aprender inglês quando adulto e ele sofreu muito, assim, muito, para aprender o inglês quando adulto.   Marcelo: Sei como é que é.  Giovana: Pois é, muita gente sofre isso, não é? E ele falou assim: “olha, minha filha não vai sofrer isso.” E ele guardou os 100 reais por mês, toda vez, desde que eu nasci, para que eu pudesse morar fora, e eu fui na cara e na coragem. Morei numa fazenda, um negócio super diferente e tal. E de novo abriu minha cabeça. Então, isso foi muito legal. E voltando para o Brasil, eu fui fazer faculdade. Eu fiz faculdade de administração de empresas, na FGV, em São Paulo. E durante a faculdade, também lá, eles dão bastante incentivo para fazer intercâmbio e foi quando a doida aqui decidiu ir para a China. Quem decide ir para a China, com 20 anos de idade. Todo mundo indo para a Europa curtir a vida, todo mundo indo lá para os Estados Unidos e tal. E eu falei: “não, não, não, não, não, eu quero conhecer o que é essa tal de China aí, porque a gente ouve tanto e eu quero ver com os meus próprios olhos.” Desde que eu tinha morado nos Estados Unidos, eu queria sair da minha zona de conforto.  Marcelo: Foi em que ano? Só para o pessoal situar aqui.  Giovana: Foi em 2012, 2012 eu fui para a China. Decidi ir para a China um ano antes, ou seja, 2011, tinha 20 anos de idade. E fui, foi numa faculdade também muito legal de international business lá por seis meses. E, de novo, abri minha cabeça, porque eu tive ali contato com gente de países que eu nunca nem imaginava que eu ia ter, então, tipo, países como Rússia, Tailândia, Filipinas, que aqui, infelizmente, no Brasil ou mesmo que a gente vá para as américas, acaba que a gente tem pouco contato com essas culturas. Então, enfim, me abriu a cabeça para caramba, foi super difícil. Comecei a aprender o mandarim aqui no Brasil, ainda. E quando fui para lá fazia aula todo dia e saí de lá conseguindo carregar uma conversa bem básica, sabe? Mas tudo com muita determinação, muita coragem, muita cara de pau e esse tipo de coisa. E quando eu voltei para o Brasil, me formei, eu fui me encaminhando mais por um caminho de inovação. Então, nesse caminho de inovação, obviamente, o que apareceu, lá no ano de, mais ou menos, 2014, era quando estavam começando a falar de Lean startup, aqui no Brasil. Estavam começando a falar de agilismo e teve um professor meu, que foi inclusive meu professor de TCC, ele era um professor da Espanha e ele estava vindo para o Brasil. Ele começou a trazer em uma aula a questão do Lean startup. E quando eu li eu me apaixonei, eu me apaixonei: “caraca, é muito legal esse negócio de prototipar, de testar, de não ter que esperar tanto para acontecer alguma coisa. E eu fiquei assim: “não, o que eu quero fazer da vida é um dia ter meu negócio e começar a testar as coisas.”  Marcelo: Isso no Brasil, você diz.  Giovana: Isso no Brasil, mesmo.  Marcelo: Isso no Brasil.   Giovana: Já tinha voltado, já tinha voltado. E foi quando começou essa história do Lean startup e tudo. Bom, pelo menos, pelo que eu ouço falar da maioria das pessoas, começaram a falar. Eu me formei e passei num trainee, na Heinz, de catchup, quem conhece catchup. Eu fiz aquele management programs, que você passa por diversos treinamentos e fui parar na área do marketing, na inovação. Foi quando começou também a abrir essa questão do tipo: “gente, vamos parar de demorar tanto para fazer alguma coisa.” E eu já trazia o conceito de Lean startup, ninguém nunca tinha ouvido falar, não pelo menos ali na minha área, da Heinz e tal. E depois disso, eu fui para a GE-General Eletric e foi quando meu chefe de lá, na minha seleção, assim, no meu processo seletivo, ele pegou e falou assim: “me fala o que você acha de Scrum, me fala o que você acha de métodos ágeis e eu quero que você me faça uma apresentação de como que a gente pode aplicar isso na GE.”  Marcelo: Que legal.  Giovana: E eu: “legal”. Fui pesquisar e já sabia um pouquinho por conta desse meu professor, que eu tinha falado, uns dois, três anos atrás. E ele falou: “Ah, legal.” Pesquisei, me apaixonei mais ainda e foi quando a gente começou a aplicar algumas coisas ali na GE. E eu não sei se vocês sabem, se vocês já ouviram falar disso, mas, na época, então, de novo, lá 2014, 2015, a GE tinha contratado o Eric Ries, que é quem escreveu o livro.  Marcelo: Pai, não é?  Giovana: Exatamente, mas, eles contrataram o Eric Ries porque eles queriam aplicar Lean startup de alguma forma nos negócios. E dentro da GE tinha um nome, trocaram o nome para passworks. Mas eu achei muito legal eu estar voltando para a minha história porque me abriu muitas portas. E foi a porta que me abriu para ir para Singapura, porque essa questão de estar em inovação, ter participado desses tipos de projeto, eu consegui essa vaga em Singapura, que era para abrir um digital hub, que eles queriam fazer com que uma empresa, também, centenária, que é a Yara, que é uma empresa de agronegócio, ela virasse, começasse a ter essa coisa do ágil e começasse a ter essa coisa do digital. Então, abriram um Digito hub lá em Singapura, no Brasil e na Alemanha e eu fui a segunda pessoa a ser empregada nesse hub, que depois virou mais de quinhentas pessoas. Então, foi uma experiência de intra empreendedorismo, que a gente chama.  Marcelo: Mas é um hub da Yara, então.  Giovana: Um hub da Yara, exatamente. Uma hub da Yara, que chamava Digital Hub Yara Singapura. Foi uma experiência de empreendedorismo que eu tive que ir lá do zero, contratar os desenvolvedores, contratar todo mundo, os designers, POs, todo mundo. E, com o tempo, eu mesma fui pegando projetos para mim e, basicamente, comecei a entrar mais nesse mundo de tecnologia mesmo. Me apaixonei e consegui criar um produto do zero, em que a gente chegou a três milhões de downloads no sudeste asiático, para pequenos fazendeiros. Então, fui assim, fui fazer várias entrevistas com pequenos fazendeiros, ali, na Índia, na Tailândia, na China e foi uma experiência, assim…  Marcelo: Mágica.  Giovana: Não dá para explicar, quando eu olho pra trás: “nossa, caraca, não acredito que vivi isso.” Sabe? E lá em Singapura mesmo, fui fazer o mestrado, aproveitei que eu estava lá fora, falei: “não, espera aí, deixa eu aproveitar esse momento para me qualificar aqui fora e tal.” E fui fazer um mestrado em inovação, em Singapura, enquanto eu estava trabalhando ainda lá. E nesse mestrado eu falei: “não, eu quero fazer alguma coisa que seja minha, que eu quero.” Aquela minha velha história do sonho de empreender e tudo mais. Mas: “Tá, mas o que eu quero empreender?” E você começa uma lista de coisas. E eu comecei a ver que uma das coisas que eu mais amava era o inglês e que eu estava ajudando muita gente por tabela. Então, muita gente vinha morar, nunca tinha morado fora e vinha lá e eu era a pessoa, a primeira a ajudar todo mundo com as dificuldades do inglês, com as dificuldades de morar fora e eu sempre ajudava. Já era o terceiro país, eu já tinha morado no terceiro país. E eu percebi que muita gente tinha umas coisas em comum sobre fazer inglês por vários e vários anos e quando chegava fora, ainda assim penava, ainda assim não conseguia falar. “Legal, a gente tem que inovar aqui.” E peguei tudo que eu tinha aprendido de métodos ágeis, de discovery, de diversas coisas, falei: “espera aí, vou usar meu mestrado para ser super prática.” E coloquei a mão na massa e falei: “espera aí, vamos ver o que dá para a gente inovar aqui no inglês.” E foi quando eu juntei o inglês e os métodos ágeis como uma solução. Só para explicar o que é a minha empresa hoje. Eu sei que tua introdução foi mais no sentido do empreendedorismo, a gente tem que ser rápido e tal, a gente tem que adaptar e tal. Mas, na verdade, eu tenho o ágil dentro da minha metodologia do inglês.  Marcelo: Você aprende inglês usando.  Giovana: Exato.  Marcelo: Interessante, tem uma esperança para mim, então.  Giovana: É, a maioria das pessoas falam isso, tem esperança. E resumindo, basicamente o que eu percebi é que a gente podia usar a questão do ágil, de que a gente não precisa esperar muito tempo para testar alguma coisa no mercado, para fazer exatamente assim com o inglês. Então, como funciona? A cada 45 dias, os meus alunos, todos os meus alunos vão falar com um nativo, independente do nível. A gente vai tacar eles na fogueira, a gente vai fazer eles se virarem e a gente vai ver como que volta a reação do mercado, de verdade. Por que? Porque muitas pessoas faltavam isso, já tinha estudado várias vezes na escola, sempre confortável com professor, mas não tinham basicamente uma situação da vida real para elas treinarem. Então, o que a gente faz, a gente faz um Sprint de 45 dias, onde a gente, basicamente, como se fosse o ambiente de produção, onde a gente vai lá, a gente testa tudo que a gente precisa testar, ainda no ambiente seguro, que é o professor brasileiro, que é o professor que está ali sempre com você. E depois de 45 dias, a gente vai lá e fala assim: “tá, agora você aprendeu tudo isso, então, bora testar, bora testar na vida real.” E a gente coloca o nosso aluno para falar com um nativo que não fala nada de português, não está aqui no Brasil, nunca nem veio para o Brasil, muitas vezes. E depois disso, o modelo vai melhorando. Mas, depois disso, eu percebi que a gente precisava, ainda, complementar isso e o que a gente colocou foi uma retrospectiva no final, onde a gente grava essa aula com o nativo; o professor brasileiro volta e foca na questão do reforço positivo, que a gente chama. Muitas vezes, as provas, elas pegam e falam tudo que você fez de errado, mas no ágil, a gente tem muito essa questão da retrospectiva, que a gente vai e a gente fala: “mas, o que deu certo, vamos olhar o que deu certo, também?” E é exatamente isso que a gente faz, a gente assiste a aula do nativo com o aluno e a gente pega e fala: ”então, aluno, deixa eu te contar, você conseguiu fazer isso e isso, que há 45 dias atrás você não estava conseguindo fazer.”  Marcelo: Só uma curiosidade, tem um script específico, você bota o aluno para conversar com um nativo…  Giovana: Tem.  Marcelo: …com um determinado objetivo e…  Giovana: Sim.  Marcelo: …grava aquilo, depois olha?  Giovana: Exatamente. A gente tem um negócio chamado can-do, que é a parte mais pedagógica do negócio, que eu também tive que aprender, que é o seguinte: sempre que você está fazendo um curso de qualquer coisa, você tem como se fosse degraus, onde você vai aumentando suas habilidades e no inglês não deixa de ser diferente. Então, imagina que quando você começa no nível básico, tem certas coisas que você consegue conversar e depois, quando você consegue atinge o nível intermediário, você tem outras coisas que você consegue conversar. Então, basicamente, a gente tem um script onde a gente fala: “ei, neste nível, o aluno deve conseguir fazer x, y e z.” A gente passa para o nativo e fala: “Ei, teste x, y e z com o aluno.”. Claro que às vezes sai do contexto a história, a conversa, mas, o objetivo é esse: vamos falar sobre uma coisa básica e vamos mostrar progresso aos pouquinhos, ao invés de pegar e falar assim: “na minha primeira aula eu vou falar sobre economia.”  Não, você ainda é um bebezinho em inglês, você não consegue falar sobre economia. E isso é muito legal, porque o que acaba acontecendo, a gente vê progresso. É exatamente o que o ágil pede.   VINÍCIUS PAIVA: Modelo ágil.  Giovana: Exatamente, a gente vê progresso aos pouquinhos.  VINÍCIUS PAIVA: Vocês, então, assim, no modelo de negócios de vocês, vocês fazem a interação com o nativo.   Giovana: Sim.  VINÍCIUS PAIVA: Ele vai, igual você falou, esse nativo também é um professor, é uma pessoa qualquer?  Giovana: Também é um professor, a gente faz todo um processo seletivo. Porque, assim, no começo eu achava que podia ser qualquer pessoa, sabe, mas, depois de alguns testes, porque a gente faz vários testes para implementar algo no mercado. Mas, depois de alguns testes, eu percebi que essa conversa a pessoa precisa saber como conduzir, não pode ser qualquer pessoa, principalmente quando você está no início. Quando você está mais avançado, até que vai você com qualquer pessoa, só sendo isso. Mas o que eu aprendi também, com o tempo, é que o seguinte: não é porque a gente sabe o português, sabe falar o português, que a gente sabe ensinar o português. Então, é bem isso, a gente pega professores que sabem de fato ensinar o inglês, mesmo sendo um nativo, mas, o contexto que tem por trás é que ele não sabe falar português; então, você vai ter que se virar. Você não tem que esperar o avançado para fazer isso.  VINÍCIUS PAIVA: E na hora que você está vendendo o curso, vamos falar assim, fazendo a propaganda, tipo assim, o principal diferencial é esse aspecto do ágil. Você vende isso, fala: “ah, aqui…”  Giovana: Sim. Tanto é que assim, hoje, depois de um tempo, eu pivotei um pouco meu público para. Assim, faz cinco meses eu estou muito focada no público de tech, porque, essa conversa que eu estou tendo com vocês não é todo mundo que consegue entender, só o público de tech, quem conhece a ágil por trás, assim.  Marcelo: É mais fácil você convencer o pessoal do tech.  Giovana: Muito, sabe, muito. Tanto é que, assim, nos últimos seis meses quando eu comecei a, já tinha um público de tech, naturalmente, até pelos meus contatos, pelas pessoas que eu conheço e tudo mais. Mas eu focava muito também em pessoas que moravam fora, porque eu tinha muito contato de pessoas que moram fora, tanto é que a gente tem alunos em mais de dez países, que foi indo no boca a boca, e é tudo brasileiro, só que mora em outros países e precisa do inglês. E há um tempo atrás, eu falei: “nossa, está muito mais simples de explicar para quem conhece o ágil, o que tem por trás.”  Porque uma coisa é uma inspiração, que eu acredito piamente que está dando muito resultado, que pedagogicamente falando está sendo muito legal. Outra coisa é eu explicar para alguém que já conhece o ágil e: “caraca, era isso que eu precisava também no inglês.” Sabe? Então, sim, o nosso pitch de vendas hoje, tanto é que eu treinei. Hoje em dia, a gente tem aulas experimentais com os professores, treinei os professores para entenderem o que é o método ágil. Dou treinamento para os professores para eles entenderem o que é método ágil. Então, uma pessoa que não entende nada com tecnologia, hoje consegue fazer o pitch de como que a gente une esses dois mundos.  Marcelo: Muito bacana. Eu fico imaginando, eu que adoro o agilismo, você tem uma identificação com o método.  Giovana: Sim.  Marcelo: E, assim, você junta várias teorias pelo que você diz, essa questão do reforço positivo.  Giovana: Exato.  Marcelo: Eu, as pessoas têm muito medo de falar inglês, a gente observa muito isso. E o fato de você falar, de tempos em tempos, já vai desmistificando isso um pouco, vai tirando alguns tabus, você vai vendo que você é capaz. Eu falo porque hoje aqui na DTI, a gente faz parte de um grupo internacional e tem muito contato internacional. E a gente sente isso, muitas pessoas, você fala assim: “você fala inglês, dá para você participar lá de um projeto internacional?”; “Ah, eu não falo inglês tão bem.” Você faz uma reunião, a pessoa fala.  Giovana: É.  Marcelo: Só que ela tem uma auto avaliação, uma régua muito alta ou medo, eu não sei, deve ser exatamente com isso que você se defronta, não?  Giovana: Sim. 100%, tanto é que antes de eu entrar na solução, que é a solução que eu encontrei para ajudar as pessoas com o inglês foi com o ágil. Mas, não significa que eu comecei ali, eu comecei pela dor, eu comecei entendendo quais eram as dores do meu cliente, do meu potencial cliente. E eu fiz mais de 30 entrevistas para entender quais eram os padrões de dor e era assim, Marcelo, o que eu ouvia: “poxa, eu falo muito bem com meu professor brasileiro, mas quando chega um gringo na minha frente, eu travo.” E essa frase era quase, assim, eu podia copiar e colar para as pessoas, podia copiar e colar, sabe. E na verdade, tinha muita coisa psicológica, tinha muita coisa, um super bloqueio. Talvez o brasileiro também venha com uma certa síndrome do vira lata, que a gente se acha pior muitas vezes do que o gringo, um medo. Eu não sei o que é que o mercado, como um todo, colocou de medo. O mercado como um todo, quando eu digo isso, é o mercado de escolas de inglês, eu sinto que se criou um tabu, que as pessoas foram educadas quase que para ter, todo mundo tem esse medo, é muito triste. E eu olhei, eu falei : “não, o que a gente precisa fazer é exatamente desmistificar esse medo, porque o pulo do gato para eu entender que era o medo que eu precisa ir em direção, foi quando eu fiz uma aula teste com um professor e um aluno, porque eu queria observar para ver como era uma aula, aprender esse tipo de coisa, e o aluno chegou para mim, aluno não, aluna, porque é pior ainda, se vocês acham que o brasileiro se coloca para baixo, a mulher se coloca para baixo mil vezes mais. As mulheres pegavam e falavam assim: “eu sou um básico.” Daí, eu ia lá e falava para o teacher: “ei, dê um aula de básico.” Quando chegava lá, a pessoa era um avançado. Você fala: “espera aí, o que essa pessoa está achando, porque ela está tão insegura com falar que ela é um avançado, qual o problema de falar que é um avançado.” E você percebia que era medo. Então assim, enquanto eu estava em Singapura, eu observava muitas amigas pegando, falando que não falavam inglês. E quando, às vezes, eu ouvia de ladinho, num contexto diferente …, sabe. E era o medo, era o medo, muitas vezes até do outro brasileiro que está do lado, que a tem medo do outro brasileiro que se julga. Então, a gente desmistifica muito essa parte do medo, sabe.  VINÍCIUS PAIVA: É muito legal isso que você está falando, porque os métodos hoje em dia de terapias, que são quase todos baseados em exposição, os mais modernos de TCC de …, essas coisas. Então, o que você faz é uma exposição ali mais controlada. Então, assim, bem interessante mesmo. Então, você trata um aspecto que é muito relevante que não é o aprendizado em si, só.  Giovana: É.  VINÍCIUS PAIVA: Mas, também o uso, por causa desse impedimento de postura, assim, tipo…  Giovana: Síndrome do impostor. Tanto é que é muito interessante, eu tenho uma aluna que, não sei, eu fiz terapia durante muito tempo da minha vida, e continuo fazendo, e acho que todo mundo deveria fazer. Eu digo que praticamente a aula antes do nativo é como se fosse uma terapia, porque a gente vai lá para ouvir o aluno para que. Assim, só para vocês entenderem o método, o que é a aula antes de falar com um nativo. Eu criei um método, é uma aula bem especial e ela começa assim, a aula: “aluno, me diz, de zero a dez, quão confiante você está para a sua conversa com o gringo.”  E o aluno, vamos supor, ele chega e fala que ele está um cinco. E tem todo um aspecto da aula que o professor faz para mostrar para ele que sabe muito mais do que aquele cinco, para que ele fique muito mais confiante. E isso tudo quando, tanto é que eu tenho uma parceria com uma psicóloga das expatriadas, porque ela amou esse modelo, porque ela percebeu que muita gente ia atrás dela, quando estava sendo expatriada, por medo de falar inglês. E a gente fez uma parceria porque a gente ajuda muito. Tem certas coisas que tem que ser tratadas em terapia, mas tem certas coisas que é só um método e um professor muito qualificado para poder tirar aquele medo do aluno. E o que a gente faz, só par você entender. No início, quando eu estava começando, eu falava assim: “ah, taca o aluno na fogueira.” Porque eu sempre fui dessas. Quando eu fui lá para a China, eu, tipo, era esse tipo de pessoa: “Ai, vou falar.” Imagina gente, na China, uma mulher de 20 anos, tipo, entendeu? Assim, era cara de pau, ia lá, falava. Mas, eu percebi que a maioria das pessoas não tem essa coragem mesmo, sabe, tem medo, tem receio. E o que eu faço nessa aula, o meu objetivo com essa aula é; eu faço, não, hoje meus teachers fazem; injetar coragem nas pessoas, é mostrar que elas podem. E que dentro da casa delas, imagina a gente aqui. Dentro da casa delas, sem nenhum, num ambiente super controlado, que foi uma das coisas que a psicóloga falou pra mim: “nossa, mas tem conceitos de psicologia, de ambiente controlado” e não sei o quê. A gente consegue tirar esse medo e mostrar que não é um bicho de sete cabeças falar com um nativo.  Marcelo: Muito interessante porque você cria um círculo virtuoso. Eu vou te falar, eu acho a ideia, assim, ser tanto usuário, no método, como para ir melhorando a empresa, que é super interessante. Eu falo assim, eu acho que faz tanta falta em várias ofertas de serviço, essa parte psicológica, sabe. Eu falo, assim, sei lá, emagrecimento, por exemplo, poxa, as nutricionistas que me desculpem, mas todo mundo consegue na internet pegar uma recomendação nutricional, não é. Claro, você pode questões a mais,  pode questões a menos, sabe. Mas, parece que falta criar esse círculo virtuoso. Mas, o que eu queria te perguntar é isso, quando você tenta criar um círculo virtuoso, eliminando esse medo desde o início, para a pessoa se sentir capaz. Existe uma análise crítica, então, dessa aula e é sempre bem personalizado, os passos seguintes? Cada aluno segue uma trajetória bem particular? Se você começar, mesmo vários alunos começarem pelo básico ali, cada aluno vai seguindo uma trajetória bem distinta? A partir do feedback que você consegue dar essa atenção?     Giovana: Agora eu vou colocar meu chapéu de negócio. Sendo bem sincera, era muito o que eu queria, no começo. Mas, toda vez que você vai para uma coisa extremamente personalizada, custa muito caro. E o meu intuito não é fazer uma empresa para de novo pessoas de privilégio. É claro que, sendo bem sincera, não é caridade. É a minha empresa e a gente tem um super modelo de negócio. Mas, eu quero impactar mais pessoas. Então, por esse motivo, a gente tem dois modelos: o modelo individual, que você tem uma aula particular e realmente você consegue ir mais para o personalizado. Mas, a maioria hoje, o que as pessoas podem pagar, é realmente pela aula em grupo. O que eu fiz para manter a qualidade dentro dessa aula em grupo. São no máximo quatro pessoas na sala de aula; então, assim, mais do que isso eu já percebi que estava afetando a qualidade. Então, são até quatro pessoas na sala de aula. Diferente da maioria desses lugares que você vai ter aula em grupo e vão entochar oito pessoas, dez pessoas na sala de aula. E quando a gente é adulto, a gente não quer mais isso; criança, adolescente, beleza. E o que acontece, como que eu consigo fazer ele ser personalizado e ao mesmo tempo rentável como negócio. A aula com um nativo é individual e o feedback é individual. Depois disso, a gente vai entrar como se fosse num caminho, assim, razoavelmente parecido.  Marcelo: Entendi, tira um divisor comum ali e segue.  Giovana: Exato. E, assim, a gente, a cada 45 dias, a gente revisita isso e mostra para o aluno que ele está apto a seguir naquele caminho, porque vai ter gente que vai se desenvolver um pouco mais devagar, vai ter gente que vai se desenvolver um pouco mais rápido, depende muito da dedicação, como tudo na vida. Então, é assim, querer eu acho que a gente até conseguiria, mas iria custar muito caro seguir nesse formato e a gente tem conseguido impactar muita gente desse jeito. A gente tem mudado a relação do adulto com o inglês, porque tem muita gente vindo com trauma. Tem muita gente vindo, do tipo: “odeio o inglês.” E a gente tem diversos depoimentos muito legais, que pegam e falam assim: “gente, vocês mudaram a minha relação com o inglês. Hoje eu gosto do inglês, hoje eu sinto prazer, hoje eu consegui tal e tal coisa por causa disso” E é muito gostoso ouvir impactando tanta gente. Às vezes, parece que não é tanto, mas para muitas pessoas essa diferença do método está fazendo assim, está mudando realmente a relação deles com o inglês, então é muito legal. Não sei se eu te respondi.  Marcelo: Sim. Eu acho interessante porque de fato parece uma ideia muito interessante, porque eu falo assim, se a pessoa vai perdendo o medo de praticar, ela pode de fato entrar no círculo virtuoso. Se a pessoa ficar a vida inteira esperando o dia. O que eu observo em muitas pessoas é isso, eu fico esperando o dia que eu vou ser fluente e na verdade você vai ganhar fluência praticando e com coragem de conversar com alguém, não é? Eu sempre brinco com o pessoal, quando a gente conversa com um gringo, por exemplo, ele pode estar falando do jeito que for, que a gente prazerosamente conversa com a pessoa.   Giovana: Exato.   Marcelo: E quando a gente é o gringo, a gente quer ser perfeito.  Giovana: É um perfeccionismo que, de novo, eu sei que eu fico voltando para isso, mas para mim, o ágil quebrou esses preconceitos, para mim, porque aquelas coisas: “ah, você é perfeccionista…” Mas, eu sempre queria fazer tudo extremamente perfeito antes de ir lá. Eu sofria muito com isso e com o ágil eu fui percebendo que ei, espera aí, a gente pode colocar as coisas aos poucos para ir testando e aos poucos vai ficando melhor. Não adianta você ir lá e você achar que você é perfeito. Então, assim, de repente, o que acontece, é uma pessoa testando o inglês ali; testando, não; aprendendo o inglês por um, dois, três, quatro, cinco anos e ela pode chegar exatamente na frente do nativo e não conseguir. Achar que ela está perfeita: “eu estou perfeita na minha aula, estou falando muito bem.” E chega na vida real o negócio não funciona, que é exatamente o que o ágil fala: “ei, e se você chegar lá e não é nada do que o seu cliente quer? E se você chegar lá e não é nada do que você planejou, do que você achou que ia ter?” Então, vai aos pouquinhos, vai aos pouquinhos. E o resultado é muito legal, é muito legal de ver. Isso eu aplico para a minha vida toda, eu falo da escola, mas, juro, para tudo que eu faço hoje em dia mudou a relação para mim, porque eu meio que me libertei do perfeccionismo, sabe, tipo: “vamos lá, vamos fazer as coisas e vamos ver a reação antes de planejar um negócio mirabolante e tudo mais.” É muito legal.  Marcelo: Muito legal. Espero que traga uma reflexão dessas para os nossos ouvintes também. Assim, eu gosto demais desse conceito. E é engraçado porque existe uma tendência de perfeccionismo, de excesso de planejamento embutido na nossa cultura mesmo, sabe? De não querer fracassar, de não querer se expor, com medo de virar um fracasso. E é engraçado porque o inglês realmente é bem waterfall, se for pensar o jeito … é bem waterfall. Alguém já tem lá a prescrição do método, você segue aquilo dez anos. E às vezes, a pessoa vai ficar dez, é uma loucura quando penso desse jeito, a pessoa vai ficar dez anos na sala de aula.  Giovana: Sim.  Marcelo: Só falando inglês ali com os colegas. E um dia você solta ele para poder treinar. Mas, assim, como sempre a gente tem vários outros aspectos da vida, acho que a reflexão que a gente pode fechar o episódio é essa aí, tem vários outros aspectos, vários outros aprendizados, várias outras experiências.  Giovana: É.  Marcelo: E a gente, o que eu vejo é cheio de tabu e não tira proveito do aprendizado contínuo, contato com a realidade para poder ter um aprendizado contínuo. Muito obrigado, foi uma conversa muito bacana, bem empolgante, colocar o ágil numa forma de aprendizado para poder melhorar a vida das pessoas, muito legal.  VINÍCIUS PAIVA: Também achei bem legal, prazer em te conhecer. Acho que foi bem legal, eu fiquei realmente surpreso, porque eu achei diferente de outros que a gente já trouxe aqui, porque o produto envolve uma abordagem. Achei bem diferente, bem interessante mesmo.  Giovana: Legal. Fico feliz de ter agregado de alguma forma. Se eu consegui ajudar de alguma forma os ouvintes aqui a tirar um pouco desse tabu do perfeccionismo, seja com o inglês, seja com o que for, dá para mostrar como que a gente pode aplicar o ágil em qualquer coisa. Eu diria, literalmente, em qualquer coisa da nossa vida, qualquer aspecto. E fica também uma mensagem para qualquer escola ou qualquer projeto de educação. Eu realmente acho que a gente pode sair do modelo waterfall, no modelo de educação no geral, e colocar mais coisas em prática, porque o mundo é feito disso. Então, seja na faculdade; então, por exemplo, na faculdade quando eu estava fazendo aula e, poxa, me botaram para fazer um projeto de consultoria dentro de uma empresa de verdade, aquilo ali foi o divisor de águas na minha faculdade.  VINÍCIUS PAIVA: Falta muito isso no Brasil.  Giovana: Eu acho que falta, mas eu não sei se é só no Brasil. Assim, se, sendo uma pessoa que estudou, eu vou ser bem sincera, eu fiquei, assim, aquém com o meu mestrado em Singapura, vou te dizer. A FGV e o curso que eu fiz aqui, assim, dá de dez a zero, dez a zero no conteúdo que eu tinha lá. Tanto é que é assim, muito conteúdo repetitivo que eu já tinha tido há dez a zero, entendeu? Então, assim, às vezes, eu acho que a gente também tem isso de pegar e falar: “lá fora é melhor, lá fora isso, lá fora aquilo.” Não, aqui também tem muita coisa boa, só que eu ainda acho que no geral, o ambiente de educação, seria muito legal se a gente colocasse mais essa coisa da prática, para que a gente possa aprender na realidade, tanto é que é por isso que o nosso slogan chama Inglês da Vida Real, porque não adianta você estar lá falando com o seu teacher. Tem aluno que não quer trocar de teacher.  E a gente fala: “gente, mas na vida real você não ficar falando com o seu teacher, entendeu? Então para que que você quer falar só com o seu teacher.”  Marcelo: Essa ideia é daquelas da categoria. Para a gente é tão óbvio que tem que ser assim. Depois que você fala, você fica assim. Sabe aquele tipo de ideia que: “cara, é tão óbvio que não pode ficar só com um.” Eu falo assim, que você fica pensando: cara, como que você pode escolher um método que você fica meses, anos sem para valer e fica nessa zona de conforto de conversar com a mesma pessoa sempre.  Giovana: Pois é.  Marcelo: Ou seja, isso é o, pensamento em antifragilidade, você está criando um aluno extremamente frágil, que só opera em determinadas condições, não varia nada, nem o professor, nem a sequência. Interessante essa antifragilidade, essas stressor que você vai colocando no caminho, que vão fazendo o aluno se desenvolver bem mais do que no dia a dia. Bacana demais viu, Giovana, muito bacana.  Giovana: Gente, muito, muito obrigada pelo convite e, enfim, vamos continuando um bate papo e ajudando essa comunidade do ágil, no geral, porque tem muita coisa nova, muita coisa boa para a gente desenvolver com esse método, seja na área de tech, ou seja, em qualquer área como um exemplo de como a gente consegue evoluir.   Marcelo: É isso. Grande abraço.  VINÍCIUS PAIVA: Grande abraço, prazer  Giovana: Abraço. 

Descrição

Já pensou em usar o agilismo como método pedagógico para aprender inglês? Nesse episódio, os hosts Marcelo Szuster e Vinicius Paiva recebem Giovanna Claro, CEO da EHeadset, para contar mais sobre sobre o método de ensino da escola. Deu curiosidade? Dá o play!

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