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os agilistas

#224 Como a MRV simplificou a conquista da casa própria com a transformação digital

#224 Como a MRV simplificou a conquista da casa própria com a transformação digital

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Lucas Junqueira: A gente com certeza pode afirmar que o produto está na rua, teve muitos aprendizados, mas já é de sucesso também e hoje a gente já está em um outro momento de evolução dessa plataforma e até das nossas teses de transformação digital, hoje de fato já tendo toda a operação e toda a experiência do cliente, dentro dessa jornada que eu comentei. 

Pedro Rangel: Fala pessoal, esse é mais um episódio dos Agilistas, a nossa comunidade formada por pessoas que acreditam e vivem o agilismo. Eu sou o Pedro Rangel, aqui na minha frente Diulia, tudo bem Diulia?  

Diulia Almada: E aí pessoal, tudo bem?  

Pedro Rangel: Tudo joia. Em 2019, a gente gravou o episódio 46, chamado “O Futuro da Moradia”, com o Reinaldo Sima, que é o CTO da MRV, a MRV a maior construtora da América Latina. Naquele episódio o Reinaldo falou sobre o futuro da moradia, como construir uma plataforma digital para a MRV, o futuro dos produtos da MRV. 

Diulia Almada: E é um episódio incrível, vale dizer que apesar de ser de 2019, continua super atual e muito válido.  

Pedro Rangel: E vale a pena demais, isso aí. Hoje 3 anos depois a gente vai dar sequência nesse tema aqui, com o Maurício, o Lucas e a Manu, esse episódio é muito nostálgico pra mim porque eu estava lá no iniciozinho, até meados de 2020 e aí eu vou deixar a galera se apresentar. Então falem um pouquinho sobre vocês aí, fiquem à vontade. 

Lucas Junqueira: Fala pessoal, bom dia. Obrigado aí primeiramente pelo convite, meu nome é Lucas Junqueira, sou o gestor responsável pela área de produtos digitais hoje na MRV, estou há 8 anos na companhia e sempre envolvido nesses temas de inovação, transformação digital e todos os produtos que a gente vem desenvolvendo aí nos últimos ano. Não tenho um background de técnico, sou engenheiro de produção de formação, mas sempre muito voltado aí para essa estrutura de inovação, projetos, produtos, fui construindo minha carreira e minha experiência nessa linha e estamos aí com o Maurício aqui hoje também, para contar um pouquinho para vocês dessa nossa jornada aí na plataforma habitacional da MRV.  

Maurício Gontijo: Beleza? Bom pessoal, bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Maurício Gontijo e estou aí na MRV há pouco mais de uma década, eu peguei toda a transição dessa evolução desse nosso produto, que hoje compõe esse ecossistema comercial, então desde toda a estruturação do nosso monolito, pequenininho, até agora, toda essa plataforma robusta que nós temos. Fiz toda a transição, desde desenvolvedor, hoje sou um ex-dev em atividade, passei por analista de negócio, PO e hoje estou aí como líder de produto nessa frente. E muito feliz, porque o meu propósito de vida conecta com um propósito da empresa, que é construir sonhos que transformam o mundo. Enfim, e hoje aqui a gente vai dar uma palavrinha aí sobre o que aconteceu durante todo esse período. 

Diulia Almada: É bom que tem uma longa jornada e que com certeza consigo pegar várias fases, vários momentos de transição. 

Maurício Gontijo: Exatamente. 

Pedro Rangel: Bem-vindos. Fala aí, Manu. 

Emmanuelle Quites: Eu vou copiar porque eu vim aqui só para falar bom dia, boa tarde, boa noite, é uma honra estar aqui. Eu sou Emmanuelle Quites, realmente todo mundo me conhece como Manu, Emmanuelle é só minha mãe lá em casa quando vai xingar e eu estou aqui na DTI tem 4 anos e 4 anos de MRV também, então eu posso falar que eu vivi de perto a transformação digital na MRV, inclusive no episódio anterior o Reinaldo fala da questão das baias, de sala isolada, eu cheguei e estava assim, então eu vi de perto tudo o que aconteceu e o quanto a mudança foi significativa, então eu posso falar aqui e estou aqui para poder contribuir um pouquinho, trabalho lá já em vários squads, como squad líder lá, então tem uma história grande aí com a MRV, é um prazer estar aqui.  

Pedro Rangel: Obrigado, Manu, bem-vinda também. Lucas, você falou que você não tem um background técnico, mas eu tenho certeza que você conversa um tecniquês com a galera quando precisa. 

Lucas Junqueira: Sim, com certeza.  

Pedro Rangel: Isso é importante. Conta para a gente aí um pouquinho como é que é esse ecossistema digital da MRV hoje, como que ele evoluiu?  

Lucas Junqueira: Acho que o primeiro ponto importante para a gente ressaltar aqui é que a gente organizou a plataforma por fluxo de valor, então todas as nossas jornadas estão representando a nossa cadeia de valor ali do negócio e a gente construiu os produtos para endereçar a cada uma das etapas nessa jornada, muito voltado para a experiência do cliente, então respeitando o ciclo de vida do cliente dentro da companhia, a gente foi construindo esse ecossistema, seguindo esses passos também, do cliente. Então a gente hoje tem mais de 20 squads ativas dentro desse ecossistema e os principais marcos passam pela jornada do comercial, desde o momento ali da prospecção, com toda a jornada do marketing digital também e passando por toda a experiência de compra, depois a gente passa por um momento que é bem específico do nosso negócio, porque o cliente compra, passou as unidades e espera pela construção, ele compra na planta, então a gente tem toda uma jornada de acompanhamento até a espera da concretização daquele sonho. E quando a gente efetivamente entrega as chaves ali, a gente abre uma outra jornada, que é um mundo de possibilidades, que é a jornada do conviver, onde o cliente já vai usufruir efetivamente do nosso produto físico, que é o apartamento, também tendo um produto digital, com várias funcionalidades e facilidades para o dia a dia dele. 

Pedro Rangel: É legal que o Reinaldo falou isso lá no episódio de 2019, que a gente não desliga mais o cliente depois que entrega as chaves, a jornada não acaba aí, não é isso?  

Maurício Gontijo: É isso aí. 

Pedro Rangel: Após a entrega de chaves é um oceano azul ainda dentro do negócio MRV, que vem expandindo pra outras linhas de produto e de experiência, que também utilizam a plataforma. Então a gente tem o marketplace, algumas funcionalidades relacionadas à gestão do condomínio em si, para facilitar a vida do condômino e do síndico, e é um ambiente ainda pouco explorado pelo mercado e já é um diferencial que a gente entrega enquanto MRV. 

Diulia Almada: Incrível. Como uma pessoa apaixonada por design serviço, apaixonada por uma visão holística, o olho até brilha. 

Pedro Rangel: É gostoso falar disso, não é? 

Diulia Almada: É muito bom, quando o trabalho é enxergado de uma maneira realmente a abraçar tanto os produtos digitais, mas também abraçar toda a cadeia de valor que existe ao redor, todas as pessoas que atuam na MRV, elas são parte da experiência que os clientes têm, então é muito legal que vocês tenham esse olhar bem amplo. 

Pedro Rangel: Legal, gente. Como eu citei aqui já a fala do Reinaldo em 2019, o que a gente pode citar aí de principais mudanças daquele episódio gravado 3 anos atrás para agora? 

Lucas Junqueira: Acho que a principal mudança é que naquele momento a gente ainda estava em construção de muita coisa e hoje já é a realidade, a gente com certeza pode afirmar que o produto está na rua, teve muitos aprendizados, mas já é de sucesso também e hoje a gente já está em um outro momento de evolução dessa plataforma e até das nossas teses de transformação digital, evoluindo ainda mais aquele conceito que a gente formou lá atrás, mas hoje de fato já tendo toda a operação e toda a experiência do cliente dentro dessa jornada que eu comentei. 

Pedro Rangel: Lá em 2019 foi dado um spoiler e aí agora o filme saiu. 

Maurício Gontijo: Talvez até para trazer um pouco de histórico, para ver como é que foi essa transformação, lá em 2019, quando a gente fez a nossa mesa, que a gente chama, que foi uma contratação que nós fizemos, a gente definiu o que seria essa jornada e aí a partir dessa nova jornada do nosso cliente, a gente fez toda a construção como materializar isso, como tangibilizar isso. Então nós partimos, depois que a gente conseguiu definir essa jornada, fomos para dentro de casa, definimos as nossas missões, a missão do ecossistema como um todo e depois todo o seu desdobramento, pensamos nas OKRs para a gente conseguir atingir os nossos objetivos, nos preparando para esse novo passo que era esperado aí pela companhia. E nesse momento, nós precisamos olhar para dentro de casa, onde a gente só tinha estruturas de monolitos e falar: “como que nós vamos conseguir atender, tanto quanto negócio como tecnologicamente, essa nova jornada?” e nós partimos para definir quais seriam as nossas estruturas enquanto times, nós, diferentemente do passado, definimos squads por domínios de negócio, então a gente fez toda uma segregação para a gente ter os times especializados por domínio de negócio, nós trouxemos da área de negócio as pessoas para comporem o time, então nosso time deixou de ser um time TI provedor e agora todos passaram a fazer parte desse ecossistema e isso foi um ganho muito expressivo para a gente, porque o conhecimento estava dentro de casa, não tinha mais a TI no negócio, nós passamos a ser um todo. E depois de todas essas estruturações dos times, a definição dos nossos OKRs e as missões, a gente então passou a definir o nosso MVP, que seria ali o nosso start e iniciar os trabalhos. E durante esse trabalho, nós fizemos algumas pesquisas, nós trouxemos a ponta de negócio e trouxemos clientes, para a gente entender e ver se aquela jornada efetivamente pararia de pé e definimos o nosso MVP. E a partir daí foi o trabalho que durou alguns meses, porque a gente entendeu que o mínimo viável precisava ser uma jornada mínima ponta a ponta, e aí a gente efetivamente trabalhou em cima disso. E aí até fazendo um parênteses aqui, com relação a essa estruturação dos times que a gente está falando, a gente está num momento onde a gente tem bastante diversidade nos nossos times e uma pluralidade de papéis, perfis e etc., então antigamente nós não tínhamos por exemplo as figuras fixas mesmo nos times, de designers, de UX research, pessoas pesquisadoras, então isso também deu uma composição muito forte e deu muito mais valor no trabalho que a gente estava fazendo, isso efetivamente foi uma mudança de patamar para a gente enquanto maturidade, para a gente construir o nosso produto digital. E trazendo um pouco do desafio que eu falei, nós temos hoje por exemplo, em algumas squads, pessoas júnior em transição de carreira, tem 48, 50 anos, trabalhando com tech líder que tem 23. Então assim, são culturas diferentes, momentos diferentes de vida e a gente tem um grande desafio, eu falo até um pouco inteligência emocional ali, pegando Daniel Goleman ali, para pegar todo esse pessoal e conseguir se conversar, ficar em um ambiente tranquilo, em um ambiente amigável, mesmo tendo essas diferenças, então isso também é um desafio nosso ali do dia a dia, para fazer com que a esteira flua de uma maneira fluida, fica aí meio redundante. 

Diulia Almada: E acredito que é muito importante ter esse tipo de diversidade dentro da estrutura, porque também até quando a gente fala do produto físico que é entregue, é um mundo de clientes também, com diversos tipos de perfis, com diversos tipos de necessidades, então é legal que a gente tenha diversos tipos de pessoas também construindo as soluções, para que a gente possa ter um olhar mais múltiplo. 

Emmanuelle Quites: E é isso até que eu ia comentar, porque por exemplo, no time que eu estou atualmente tem uma pessoa cega e isso faz muita diferença. Como a Diulia disse, na entrega do produto, a gente aprende muito, então a diversidade é muito importante na formação dos times tanto, tanto no que a gente chama de hard skills, com em outros tipos de skills, isso faz toda a diferença na entrega e eu como squad líder, considerado uma liderança no time, é importante estar engajado nisso, é importante entender esse funcionamento. Então é legal trazer esse ponto e um outro que eu queria puxar é a pandemia, a gente teve uma pandemia no meio do caminho. 

Pedro Rangel: Quase que a gente esqueceu esse detalhe. 

Emmanuelle Quites: Que é aprender a trabalhar também no físico que a gente estava ali, ainda mais a MRV que passou essa transformação física também, local de trabalho, para um trabalho remoto e teve esse outro grande desafio durante a transformação. Então é por isso que a gente tem que ser ágil mesmo na essência, porque aprender a trabalhar com as diversidades que aparecem porque vai acontecer. 

Lucas Junqueira: E foi legal você mencionar isso, Manu, porque eu acho que vale a pena a gente contar essa historinha de como é que foi a tangibilização até dessas entregas que a gente comentou durante a pandemia. A gente de fato, acho que igual a maioria das grandes empresas, teve que acelerar muita coisa, mas a gente contou também com o momento muito oportuno, em que o MVP já estava no ar, bem no início ali antes da pandemia, em janeiro a gente já estava testando, aí em março começou tudo a acelerar e aí a gente montou todo o nosso plano de escala de rollout já considerando não só a mudança que teria para os colaboradores que estavam trabalhando, mas também para o nosso time de vendas na ponta, espalhado para o Brasil inteiro, em como utilizar o produto nesse novo formato, como que o cliente iria receber ou não uma mudança, por exemplo, de assinar a sua maior aquisição de vida, a compra de um imóvel, de forma digital. E a gente já tinha toda a estrutura preparada na plataforma e dentro do mês ainda a gente virou para mais de 90% das vendas sendo possível ser assinada de forma digital. Um outro caso emblemático, a gente tem um cenário também dentro da nossa estrutura, que é a aprovação de crédito do cliente. Ele precisa, junto a uma instituição financeira, conseguir um financiamento para o imóvel e naturalmente requer informações, documentações e a gente, já de novo dentro do produto, conseguiu virar a chave a nível Brasil para disponibilizar uma solução em 24 horas depois do início da pandemia, para os corretores coletarem toda essa documentação do cliente de forma digital e conseguir, mesmo com as lojas fechadas, seguirem no processo de compra.  

Maurício Gontijo: E aí eu até gostaria de fazer um parênteses, outro parênteses, com relação a essa fala do Lucas, trazendo dois pontos: um é o que o Reinaldo reforça muito, que é a questão da nossa vocação e destreza digital, então querendo ou não, a gente não precisou da pandemia para estar com isso, a gente já estava olhando para frente e a gente conseguiu, coincidentemente, cair e estar no time certo para a gente conseguir reagir rápido. E o outro ponto foi na nossa estruturação que a gente pensou da nossa plataforma, como eu disse, a gente saiu de uma visão de monolitos e a gente foi para uma visão de micro serviços, indo mais no tecniquês, e essa de separação de micro serviços tendo seu domínio específico, essa modularização, ela fez com que a gente tenha conseguido fazer reagir rápido nessas 24 horas que o Lucas trouxe, se a gente tivesse em outros tempos com o nosso monolito, a gente ia ter uma dificuldade grande em conseguir fazer algo do tipo. Então toda essa estruturação de times olhando pra jornada e técnica também junto, tecnológica, indo para a estruturação de micro serviços, é o que nos proporcionou conseguir reagir tão rápido em tempos de pandemia.  

Pedro Rangel: O Lucas comentou do MVP, acho que seria legal porque assim, você passou uma ideia muito forte de que vocês tinham muito firmemente uma hipótese a ser validada com o lançamento do MVP, uma ou mais de uma até, que a jornada era uma jornada complexa, uma jornada de compra e conseguiu validar isso, certo? 

Lucas Junqueira: Sim. A nossa missão era simplificar drasticamente a conquista da casa própria, então não necessariamente querendo transformar essa compra em uma jornada totalmente self-service, pelo cliente, mas que ele pudesse de fato participar daquela jornada junto com os corretores, junto com a nossa força de vendas, que é essencial para a manutenção do negócio, mas que também trouxesse facilidades, agilidade e transparência, para essa experiência que ele estava tendo ali no momento da compra. Então a gente conseguiu validar isso, tanto com um time de corretores, quanto com os primeiros clientes que passaram por essa experiência lá no início de 2020 e aí depois o MVP realmente foi tendo vários ciclos de growth e chegamos onde estamos hoje. 

Pedro Rangel: Esse desafio, essa missão de simplificar drasticamente a conquista da casa própria eu imagino que foi o resultado daquela mesa que o Maurício citou, com a inserção do design.  

Maurício Gontijo: Exatamente. 

Pedro Rangel: E aí quando aberto esse desafio, a MRV convergiu “beleza, é isso que a gente quer”, qual foi o primeiro passo? “Agora a gente tem que desenhar o MVP”, o que foi passo seguinte? 

Lucas Junqueira: A gente focou bastante nessa jornada comercial, mas a gente já tinha o produto também cobrindo as outras etapas da jornada que eu comentei. E aí a gente já tinha experimentado alguns processos de imersão, de discovery, formando uma estrutura até proprietária, eu diria, do nosso jeito de fazer e aí naturalmente a gente aplicou isso também para esse momento do comercial. Então fizemos todos os setups dos times, empoderamento dos POs, a turma que veio do negócio que o Maurício comentou, entendendo o que seria aquele papel, recebendo treinamentos, entendimento do que seria aquele momento que a gente iria entrar, a definição dos OKRs estratégicos, que é um outro ponto importante de a gente mencionar, todos os times têm os OKRs voltados para os desafios e para a estratégia de negócio, então as squads têm sim um controle, principalmente no time de engenharia ali, de delivery, das métricas técnicas também, mas o OKR do time tem que ser sempre pautado, essa é uma premissa que a gente decidiu, em um resultado de negócio. Então a gente construiu isso lá atrás junto com a missão de cada um desses times, fizemos os desdobramentos dessa jornada, porque ela ainda estava em um nível ali do product discovery macro, e aí cada um dos times foi entrando dentro dessas experiências, para a gente construir esse MVP. 

Diulia Almada: É muito legal ver como é que é um equilíbrio entre traçar definições e estar aberto para o aprendizado ao mesmo tempo, conseguir equilibrar ali o que a gente consegue fazer no nível macro, de descoberta, igual você comentou da questão do product discovery e o que vai ser no dia a dia, o que vai ter que ser na adaptação, ao aprender com o que está sendo colocado em produção, muito bom. 

Pedro Rangel: E o sucesso não está no feeling, você falou aí de acompanhar os OKRs, definir OKR desde o início, eu lembro disso, a cultura estava lá já, eu imagino que seja muito mais evoluído, OKR não é um negócio que pega de primeira, normalmente leva realmente vários ciclos para ganhar tração. E como que vocês identificam, medem o sucesso hoje da plataforma? 

Maurício Gontijo: A gente tem dentro do nosso planejamento estratégico da empresa a visão dos drivers estratégicos que os executivos estão contratando com toda a companhia, então a gente vem de fato descendo todos esses drivers estratégicos até o nível do times, então por exemplo, se a gente for comentar até um dos assuntos que a nossa presidência abordou no último MRV Day, a gente tem um compromisso com o mercado, de recuperação de margem bruta, durante esse ano agora de 2023. As squads que estão envolvidas, principalmente dentro do comercial, com esse resultado de entrega ali de margem bruta, tem os seus OKRs todos voltados para essa entrega, para mexer nesse ponteiro, então a gente faz todo o desdobramento em um ciclo tri a tri, mas sempre pautado nesse driver estratégico. 

Emmanuelle Quites: E é importante falar que isso não está no nível de diretoria, porque isso realmente é repassado para toda a estrutura, do negócio à TI, porque quando a gente vai, eu ouço muito isso lá, pegar uma demanda e fazer, qual drive estratégico está atendendo e qual que vai ser o ganho dessa demanda. Então faz todos os times pensarem que você está trabalhando com um propósito e alinhado com o propósito da empresa, então isso é bem importante citar porque acontece de fato. 

Pedro Rangel: E você vê isso nos times? Porque assim, hoje eu percebo, uma mudança de alguns anos para trás para hoje, eu vejo no desenvolvedores uma sede por entender o porquê está fazendo as coisas, você percebe isso lá? 

Emmanuelle Quites: Percebo claramente. E assim, isso de perguntar o porquê você está fazendo, todo mundo quer saber, ninguém quer “faz isso”, “por quê?”, “porque tem que fazer”. Então se você está alinhado com a empresa, com drive estratégico, tem isso bem definido, o time faz a entrega, vamos dizer, até com mais empolgação, porque você sabe que está ali por trás e aí quando traz os drivers de negócio igual vocês falaram, as métricas e você vê, aí o Maurício pode até falar, nas reviews que a gente faz, e vê os números ali e como você impactou o cliente, é muito legal mesmo, gratificante, então você ver esse impacto, ninguém quer fazer algo por fazer, então isso é bem, bem legal.  

Maurício Gontijo: E hoje a gente tem tornado uma vitrine mais aberta, então a gente quer que todo mundo tenha acesso a isso, os times por completo sabem que nós estamos sempre trabalhando em cima dos drivers de margem bruta, novas vendas, volume de vendas, geração de caixa e a gente faz o exercício muito forte, que às vezes a gente é um pouco ansioso, chega uma iniciativa talvez um pouco top-down, sempre acaba acontecendo, só que ainda assim a gente provoca os times: qual é o porquê que a gente está fazendo isso aqui? É isso que você trouxe, a  parte de data driven, então “pessoal, qual é o retorno que a gente vai ter aqui?”, a gente está em um momento em que a gente tem que efetivamente escolher as coisas que nós vamos atuar, para dar o devido o retorno para empresa, então a gente até brincou que quando a gente fez uma review agora comemorativa de 100 sprints da nossa plataforma, o produto é infinito, o produto nunca acaba, então nessas 100 sprints a gente falou que a gente tem a fundação da casa, então mais de 90% das vendas MRV já são por esse produto, a gente tem algumas exceções ainda que não entram lá. Nesse momento que a gente tem essa fundação, a gente agora não está na hora por exemplo de fazer firulas, digamos assim, então não é a hora de criar uma piscina ou fazer coisas do tipo, a gente está no momento de tornar essa máquina mais eficiente e a eficiência conecta muito com os pilares da empresa. Então a gente provoca isso junto ao time, “então essa iniciativa que você está trazendo, ela efetivamente está conectada?” e aí a gente trabalha em cima, busca dados e a gente toma a decisão ou não se a gente vai fazer a atuação, sempre lembrando que, pegando um pouco da fala do Lucas, a gente está tentando sempre ao máximo fazer os nossos planejamentos por trimestres, para a gente ter uma visibilidade e um mínimo de previsibilidade junto aos sponsors, coisas novas que surgem. A não ser que seja uma coisa muito emergencial, que também a gente sabe o que acontece, a gente tenta sempre também blindar o time para que ele saiba o que ele vai estar atuando durante o próximo ciclo. 

Lucas Junqueira: Só trazendo um outro fato interessante aqui, para a gente compartilhar, pode servir de inspiração aí para o resto na turma. Nessa vitrine que você comentou que a gente faz dentro do times, trazendo a visibilidade ali nas reviews, a gente começou a fazer esse ano também um outro nível de mobilização com os executivos, em uma ideia que o Reinaldo teve, em alusão aos nossos porquinhos lá da infância, vocês lembram quando a gente juntava as moedinhas e chegava aquela ansiedade de quebrar o porquinho e ver tudo o que você juntou? A gente está, nesse ciclos tri a tri, deixando os nossos dashboards estratégicos, o quanto que a gente de fato está contribuindo com as entregas na plataforma. Então fechou a sprint, fechou o ciclos, quanto que eu estou contribuindo em pontos percentuais para essa margem bruta que eu comentei, como é que está a nossa eficiência no funil de vendas com o volume de vendas que a gente está trazendo ou não pelos canais digitais. Enfim, tudo vai compondo esse porquinho, para a gente sedimentar esse caminho que as entregas vão ajudando em relação ao negócio. 

Pedro Rangel: Muito legal a referência. 

Diulia Almada: Eu achei muito legal e eu estava reparando antes das analogias que eles usam é tudo analogia de construção, a fundação, todos.  

Emmanuelle Quites: Para ver que o negócio está bem alinhado. E só tem um ponto que o Maurício trouxe sobre as demandas emergenciais, que isso eu que estou ali no dia a dia sei que é uma dor do time, mas lembrando, vocês podem até falar um pouco do framework de TI, que esse framework dá diretrizes para quando isso acontece, então os times estão bem alinhados porque ninguém fica: “e agora? Chegou uma demanda, o que eu faço, vai seguir para o outro item?”, então esse framework ajudou os times a conseguir esse direcionamento. 

Maurício Gontijo: Perfeito, Manu. Esse framework, um nível de maturidade muito grande que a gente alcançou também desde o ano passado até agora, onde a gente conseguiu, aí de novo muito com aquele conceito de dar a nossa cara, com todos os aprendizados que a gente já pegou de experiência, de mercado, com parceiros e de outras metodologias ou ferramentais que existem, e a gente consolidou ele no nosso framework de TI, que pega todo o ciclo de gestão de demandas da TI. Então não só produto, mas todo o nosso service desk, todo o nosso time de suporte ou de data analytics, enfim, os times de produtos, está todo mundo coberto por esse framework de TI, que rege essa nossa forma de pegar as demandas estratégicas, fazer a primeira seleção ali junto com os sponsors do que que realmente vai contribuir para esses drivers que a gente está comentando, depois entra na nossa esteira de upstream que a gente chama, que é de descoberta para a gente refinar, fazer ali os desdobramentos junto com os times nas imersões, com todos os ferramentais que a gente usa. E aí sim, a gente gera o ponto de compromisso entre todos os times, para descer para o downstream, para a gente entrar efetivamente ali no ciclo de delivery, junto com as sprints e aí isso tudo está amarrado nesse planejamento integrado, regido pelo framework de TI, que realmente traz essa segurança para o time, de qualquer movimento estar bem alinhado com os compromissos que já tinham ou não sido acordados. 

Pedro Rangel: Esse framework rege a priorização de uma maneira geral? 

Lucas Junqueira: Sim, também. 

Maurício Gontijo: E até abrindo um pouco, vamos falar assim, puxando a sardinha, uma parte que eu estou totalmente imerso, que é a parte da fase do upstream, essa foi uma parte muito importante para a gente, enquanto a dinâmica de trabalho com um produto digital. Nesse sentido, a gente fez um fórum dentro de casa, também multidisciplinar e aí a gente conseguiu definir o nosso próprio tool kit, digamos assim, como se fosse o nosso próprio framework. E nesse framework, o que a gente fez? A gente pegou tudo de melhor, ou que era mais aderente, para o nosso contexto MRV. Então a gente pegou parte do conceito de design sprint, pegamos um pouco lá do Caroli no Lean Inception, pegamos um pouco de FLAPS Model lá com o Andy Barbosa, a fórmula da eficácia lá do Alisson Vale, fomos juntando tudo, fomos pegando algumas ferramentais enquanto priorização, Muscle, Buy a Feature, então nós fomos montando todo um arcabouço, digamos assim, e nós estruturamos de tal maneira que, quando chega algo novo para a gente, aí já começando com o Simon Sinek lá, que é o Comece Pelo Porquê, a gente já faz toda uma triagem e a partir dessa triagem, a gente encaixa: ok, é uma prioridade? Sim. Ok, já sabemos em quais drivers estratégicos ela está vinculada? OK. Aí a gente parte para a fase do problema/product discovery e aí a gente começa a utilizar todo esse ferramental. E nós montamos uma estruturação de tal maneira que a gente tem como se fossem planos que poderiam ser contratados, fazendo até uma alusão onde você vai contratar um produto que você tem… 

Lucas Junqueira: Basic, premium. 

Maurício Gontijo: Exatamente. Então a gente dimensionou de tal maneira que se for uma iniciativa muito gigantesca, já tem até um checklist e é totalmente nova, a gente pega o nosso maior, que é o serviço completo de descoberta, já temos o produto conhecido e é uma nova iniciativa, a gente tem o outro e cada um leva entre X dias, X semanas, a depender do que a gente vai fazer, mas o importante nesse contexto como um todo, na fase de upstream, foi a gente deixar de pular a etapa de entendimento do problema. Então a gente até entende a ansiedade muitas vezes da própria área de negócio, que ela fala assim: “eu já sei o que eu quero, é só fazer isso”. 

Pedro Rangel: Cara, a gente fala disso incansavelmente aqui, não é, Diulia? 

Diulia Almada: Eu estou assim: “gente, ninguém está obrigando eles a falarem essas coisas”. A gente não colocou um script na mão deles com as respostas. É muito legal ver o trabalho convergindo para esse tipo de aprendizado, no sentido de não “vamos pegar o design sprint e vamos fazer as nossas necessidades caberem no design sprint” ou “pegar o Lean Inception e fazer caber no Lean Inception”, vocês aprendem com o que já existe no mercado, aprendem com as necessidades de vocês e a partir disso, propõem modelos que com certeza são evolutivos também, no sentido de que a necessidade vai evoluindo com o tempo, isso é maravilhoso.  

Maurício Gontijo: Exatamente. E a gente fala que tudo que a gente tem lá, que a gente trabalha hoje, está na versão beta, porque a gente está aprendendo e constantemente gerando novas versões, à medida que você faz uma imersão com o time, você aprende: “precisava ter envolvido mais pessoas, envolvido menos pessoas, essa dinâmica deixou alguém distraído, o que a gente pode fazer para otimizar?”, a gente revisita e adequa. Então a gente está infinitamente em versão beta também, com relação a isso. O que não funciona, e eu acredito que isso é para qualquer empresa, by the book. Então a gente pega o que tem de melhor e adapta, a gente tentar trabalhar em cima do by the book, a gente sempre vai para alguns locais onde a gente depois não consegue convergir, que é o que você falou. Então assim, é por isso que eu gosto de pegar, a gente pega as melhores práticas e adapta pro nosso contexto e é isso que tem feito com que a gente consiga ter uma fluidez no nosso trabalho. 

Lucas Junqueira: Always beta. 

Pedro Rangel: Tem um grande apego a frameworks, a metodologias, como elas são escritas, não é?  

Maurício Gontijo: Exatamente. 

Diulia Almada: E nem são as que vocês criam, mesmo elas, por estarem sempre em beta.  

Lucas Junqueira: A gente revisa. É a geração de valor, se não estiver gerando valor… e esse é um ponto importante para a gente vincular com o framework, uma métrica que a gente até então não considerava e que agora é importante para a gente, que é a métrica de descarte. Por mais que a gente tente sempre ser o mais assertivo com esse framework, se não tiver algum nível de descarte também, a gente está errando, seja por demorar demais para fazer alguma coisa ou insistir, porque a persistência é diferente da insistência, a gente pode persistir em alcançar o objetivo, mas de uma forma diferente, mas não tem aquela insistência também, se deu errado a gente descartar, ou até antes de evoluir para o downstream, que a gente comentou, já tem um descarte no upstream daquela hipótese. 

Maurício Gontijo: Até porque, pegando a frase emblemática do Peter Drucker, que é: “não há nada tão inútil do que fazer com grande eficiência aquilo não deve ser feito”. 

Pedro Rangel: O Maurício está cheio das referências, vamos ter que listar tudo no episódio. 

Diulia Almada: Vai ter que fazer um post com todas as referências, para as pessoas conseguirem pegar. Mas incrível e é muito legal quando a gente vê que é legítimo dentro do processo. Vocês comentaram sobre a questão da jornada, dos fluxos e como que vocês conseguem acompanhar os resultados de negócio, acompanhar as métricas, para poder, igual você comentou tem inclusive métrica de descarte, como que é a frequência de acompanhamento, quem que está envolvido nesse acompanhamento?  

Pedro Rangel: Aproveita e traz uns números impactantes depois aí. 

Lucas Junqueira: Todo o time está envolvido nesse acompanhamento, seja para gerar os insumos necessários, para gerar os dashboards, seja para acompanhar, mas está tudo muito pautado naqueles OKRs que a gente falou, e mais recentemente nos nossos de porquinho, nós estamos acompanhando lá o porquinho enchendo. E aí falando um pouco desses números macro, com essa operação toda que a gente já está na plataforma, a gente tem que imaginar que já foram mais 50 mil vendas, por exemplo, realizadas por essa plataforma, dá um VGV acima de 10, 11 bi.  

Maurício Gontijo: O fechamento de março agora, é provável que a gente vai bater na trave aí de 11 bi em valor geral de vendas, desde o lançamento da plataforma. 

Lucas Junqueira: Exato. E isso só na etapa do comercial, se a gente pega aquelas outras jornadas do acompanhar e do conviver, a gente tem os nossos controles de acessibilidade da plataforma, são mais de 215 mil acessos únicos por mês no pós-venda, a gente tem as nossas métricas de take rate e de GMV dentro do marketplace, representatividade das conversas pela Mia, que é o nosso bot com a inteligência artificial. Enfim, como são muitos times e essa jornada é bem extensa, a gente tem os OKRs por time, a gente vai controlando exatamente e seguindo o fluxo dessa jornada também. 

Maurício Gontijo: Eu acho que é legal também a gente falar, porque a gente puxa muito a sardinha para a parte de produto e a gente fica no OKR, que é muito negócio, mas toda essa estruturação que a gente fez também trouxe uma maturidade de engenharia muito grande para a gente, do DevSecOps. Então a gente também estrou nesse momento a parte do que a gente chama de selos de arquitetura, e nesse selos de arquitetura, durante toda essa esteira de upstream/downstream, os times seguem uma cartilha que eles mesmo definiram enquanto engenharia, que são nossos critérios de qualidade enquanto privacidade, enquanto dados, segurança e a própria estruturação em si de DevOps, que é a de distribuição das releases. Então a gente atingiu uma maturidade muito legal, muito legal, eu que venho aí há 10 anos, eu posso dizer que em algum momento no passado eu, Maurício, publiquei uma release copiando e colando da minha máquina e hoje a gente tem uma estruturação muito consistente. Toda essa parte que a gente falou também com relação à segurança, a nossa equipe é absurda de especialista, é muito legal, os nossos arquitetos sempre pensando em eficiência e eles nos provocam às vezes, enquanto que a gente está levando solução e trazendo “olha, a gente poderia fazer assim, assim, assado”, que a gente poderia ser por exemplo mais performático, evitar uma vulnerabilidade. Então isso é muito legal, que é o time realmente todo mundo participando dessa construção do produto, não temos mais aqueles silos, o pessoal que está na caverna, que recebe e depois que devolve, então está todo mundo junto nesse ecossistema. Eu acho que isso é o que faz com que a gente tenha sucesso no nosso produto. 

Pedro Rangel: Falou de todas as disciplinas. 

Diulia Almada: Eu acho que está muito inspirador, com certeza, acho que para quem está ouvindo já vai sair com milhares de insights. E aí só para poder ajudar a estimular essas pessoas também a testarem e a correrem atrás, aprenderem com os cenários que vão aparecer, porque todo o caminho, a gente tem falado aqui sobre os aprendizados, o espaço, vocês comentaram sobre a questão do beta, nesse caminho tiveram erros também? Tiveram momentos que vocês olharam e falaram: “é isso” e aí depois vocês perceberam que não? Só para poder ajudar essas pessoas também a se confortarem e falar: “não, espera aí, então vou testar, não necessariamente vou brilhar desde o primeiro momento, mas nisso também tem aprendizado”. 

Lucas Junqueira: Não, com certeza tiveram erros e a gente tem que aceitá-los e aprender com eles. A gente pode trazer alguns exemplos, de funcionalidades que a gente imaginou, mesmo fazendo um discovery muito multidisciplinar, mas que na hora que chega na operação de vendas, que tem um cenário espalhado em 160 cidades do Brasil, não vai funcionar da mesma forma no Sul com o Nordeste, o Norte e o Sudeste. Então alguns aprendizados nesse sentido, de talvez ter uma personalização ou explorar um pouco mais alguns testes AB antes de tentar cravar um dos caminhos, por mais, de novo, que o discovery tenha tentado cobrir essa visão do usuário, a gente teve nesses momentos, mas acho que teve um importante, que a gente conseguiu até desmistificar um pouco até no nível executivo, que foi parar de fazer a visão anual de roadmap, de entregas da plataforma, porque o cenário estava muito mutável. E aí a gente percebeu que a gente estava tendo muito discovery estocado, não reaproveitável depois com a mudança de cenário, e aí a gente trouxe uma pegada muito mais próxima ali dos tris, não é, Maurício? 

Maurício Gontijo: Isso. Realmente esse eu acho que foi um grandíssimo aprendizado para a gente enquanto produto, quando nós tivemos esse desafio de montar esse roadmap anual, nós ficamos algumas semanas, talvez umas duas, 3, tentando consolidar, trazendo o time, tentando fazer estimativas para métricas de PMG, tentando trazer experiência e etc., mas a gente sabe que a gente está em um ambiente ali no comercial que é muito marketing mais comercial, e é muito dinâmico, a gente tem campanhas durante o ano, então a gente tentar ter essa previsibilidade de 1 ano é ilusório. Porém, a gente conseguiu responder para a empresa enquanto essa visão anual, mas na prática mês a mês ele era revisitado, só que o que acontece com isso? Quem foi lá e tirou uma fotografia do roadmap e colocou debaixo da mesa, quando puxava, gerava uma ansiedade muito grande, por quê? A gente já havia repactuado com outras prioridades e, naturalmente, a prioridade daquela pessoa que estava com uma ansiedade, ela está só se estendendo. Então depois disso, a gente ainda assim neste ano trabalhou, eu diria que o time fez um milagre, que conseguiu entregar grande parte ainda, apesar dos mais 50 itens que entraram nesse ano, porém no ano seguinte a gente falou: “pessoal, precisamos aprender”. Não faz sentido a gente fazer um roadmap anual, a gente sabe que é muito dinâmico o nosso trabalho, vamos começar a olhar por trimestre, que é a menor granularidade, que dá um certo conforto para ambos os lados e se a gente porventura precisar reagir, vai ser muito mais fácil repactuar as coisas. Então a gente agora vem rodando tri a tri, os desafios continuam muito grandes, mas eu tenho observado que o time está muito mais confortável enquanto essa visão, gera menos ansiedade no time, gera menos ansiedade nos sponsors e a gente consegue cumprir mais o que a gente definiu enquanto entregas. Então foi um aprendizado muito grande, pessoal, por favor, não façam roadmap anual. 

Pedro Rangel: Roadmap não é um cronograma de projeto. 

Maurício Gontijo: Exatamente. 

Pedro Rangel: Então essa lição é ótimo. Acho que estamos caminhando para o final já, vocês já falaram muitas coisas muito legais, muito importantes, mas talvez só para a gente resumir para a galera, o que vocês consideram, de tudo que vocês falaram, talvez escolhe 1 ou 2, fatores críticos de sucesso para cumprir aquela missão da plataforma que você citaram lá? 

Lucas Junqueira: Eu diria que é foco e disciplina, voltado sempre para a geração de resultado para o negócio, fazendo o produto mais simples possível, tanto no nível de experimentação quanto no nível de usabilidade depois, para a gente ter o máximo de aderência e engajamento de todas as pessoas usuárias. 

Maurício Gontijo: E talvez conectando aqui com o Lucas e olhando para o meu lado, onde eu fico muito próximo na orquestração junto aos times, aí novamente, Pedro, para você tomar nota, pegando lá a frase do Marty Cagan, de times missionários e não mercenários, então no final são as pessoas, no final são as pessoas. Então o que eu entendo? A gente tendo pessoas que estão devidamente ali engajadas, pessoas que a gente consegue fazer com que elas tenham sentimento de dono daquele produto que ela está trabalhando e que a gente não precise, aí eu vou falar muito até no meu caso, eu não precise empurrar, então sejam pessoas que eu precise talvez até segurar um pouco: “calma”, é isso que faz acontecer. Então são as pessoas. Então se a gente tiver as pessoas certas, com vontade, a gente consegue atingir todos esses objetivos. 

Emmanuelle Quites: E isso eu quero só reafirmar, tudo isso até que o Lucas e o Maurício disseram é verdade, o time está muito mais engajado, essa parte de ansiedade é uma realidade, o time fica mesmo, então esse aprendizado, eu que vivi e vivo no dia a dia, essa parte do aprendizado aí é uma realidade, realmente a gente viu mudança do ano passado, do final para agora, as mudanças e é tentando, o aprendizado é realmente contínuo, a transformação digital é contínua, não tem uma regra, tudo que está falando aqui são insights. Até quando citei do framework, é um direcionamento, então esse ponto é bem importante. E eu só queria frisar assim que eu realmente me sinto parte e como parceiro, eu me sinto MRV, porque a gente é envolvido nas ações da MRV, nos cafés com conteúdo, no MRV Day, parece bobo, mas festa de final de ano os parceiros também participam, então realmente eu me sinto MRV e eu acho que isso é muito importante para essa transformação também, não ter uma diferenciação de é uma parceria ou de pessoa ser MRV, queria só frisar que é legal. 

Lucas Junqueira: É todo mundo sangue verde. 

Emmanuelle Quites: É todo mundo um time, um time missionário, isso é legal.  

Pedro Rangel: Eu mesmo ficava mais na MRV do que na própria DIT na época, todos os dias estava lá, isso é muito importante mesmo. 

Emmanuelle Quites: É um time único mesmo e, como diz o Maurício, missionário, então isso é bem legal.  

Pedro Rangel: Adorei o papo, galera. Tem algum ponto, alguma coisa que tenha ficado de fora, que vocês acham que vale a pena de comentar?  

Maurício Gontijo: Tem muita coisa da plataforma que ficou de fora, dá para a gente fazer capítulos aqui contando um pouquinho das outras jornadas também, a gente comentou muito aqui sobre o comercial, mas só queria agradecer de novo pelo convite, pelo papo e é sempre bom a gente relembrar tudo que a gente passou e hoje ver esses resultados, com esse timaço que a gente tem de fato, muito bacana. 

Diulia Almada: Pois é, a gente deu uma tarefa simples para eles, que é resumir a plataforma, resumir os últimos 4 anos. É muita coisa realmente para poder falar, eu acredito que inclusive abre as portas aí para a gente poder fazer outros episódios, falar de outros temas, outros aprendizados que vocês tiveram, Muitíssimo obrigada, gente. 

Pedro Rangel: Foi muito rico, foram várias referências que foram citadas, inclusive para os nossos ouvintes aí, se quiserem deixar algum comentário ou pergunta em qualquer dos nossos canais, a gente traz eles aqui de novo se precisar, a gente responde nos nossos conteúdos e é isso, galera, muito obrigado, sejam sempre bem-vindos aqui aos Agilistas e até a próxima.  

Lucas Junqueira: Obrigado, pessoal. 

Maurício Gontijo: Valeu demais aí pelo convite, até a próxima, pessoal.  

Emmanuelle Quites: Obrigada. Até pessoal,  

Diulia Almada: Até, gente. 

Lucas Junqueira: A gente com certeza pode afirmar que o produto está na rua, teve muitos aprendizados, mas já é de sucesso também e hoje a gente já está em um outro momento de evolução dessa plataforma e até das nossas teses de transformação digital, hoje de fato já tendo toda a operação e toda a experiência do cliente, dentro dessa jornada que eu comentei.  Pedro Rangel: Fala pessoal, esse é mais um episódio dos Agilistas, a nossa comunidade formada por pessoas que acreditam e vivem o agilismo. Eu sou o Pedro Rangel, aqui na minha frente Diulia, tudo bem Diulia?   Diulia Almada: E aí pessoal, tudo bem?   Pedro Rangel: Tudo joia. Em 2019, a gente gravou o episódio 46, chamado “O Futuro da Moradia”, com o Reinaldo Sima, que é o CTO da MRV, a MRV a maior construtora da América Latina. Naquele episódio o Reinaldo falou sobre o futuro da moradia, como construir uma plataforma digital para a MRV, o futuro dos produtos da MRV.  Diulia Almada: E é um episódio incrível, vale dizer que apesar de ser de 2019, continua super atual e muito válido.   Pedro Rangel: E vale a pena demais, isso aí. Hoje 3 anos depois a gente vai dar sequência nesse tema aqui, com o Maurício, o Lucas e a Manu, esse episódio é muito nostálgico pra mim porque eu estava lá no iniciozinho, até meados de 2020 e aí eu vou deixar a galera se apresentar. Então falem um pouquinho sobre vocês aí, fiquem à vontade.  Lucas Junqueira: Fala pessoal, bom dia. Obrigado aí primeiramente pelo convite, meu nome é Lucas Junqueira, sou o gestor responsável pela área de produtos digitais hoje na MRV, estou há 8 anos na companhia e sempre envolvido nesses temas de inovação, transformação digital e todos os produtos que a gente vem desenvolvendo aí nos últimos ano. Não tenho um background de técnico, sou engenheiro de produção de formação, mas sempre muito voltado aí para essa estrutura de inovação, projetos, produtos, fui construindo minha carreira e minha experiência nessa linha e estamos aí com o Maurício aqui hoje também, para contar um pouquinho para vocês dessa nossa jornada aí na plataforma habitacional da MRV.   Maurício Gontijo: Beleza? Bom pessoal, bom dia, boa tarde, boa noite. Meu nome é Maurício Gontijo e estou aí na MRV há pouco mais de uma década, eu peguei toda a transição dessa evolução desse nosso produto, que hoje compõe esse ecossistema comercial, então desde toda a estruturação do nosso monolito, pequenininho, até agora, toda essa plataforma robusta que nós temos. Fiz toda a transição, desde desenvolvedor, hoje sou um ex-dev em atividade, passei por analista de negócio, PO e hoje estou aí como líder de produto nessa frente. E muito feliz, porque o meu propósito de vida conecta com um propósito da empresa, que é construir sonhos que transformam o mundo. Enfim, e hoje aqui a gente vai dar uma palavrinha aí sobre o que aconteceu durante todo esse período.  Diulia Almada: É bom que tem uma longa jornada e que com certeza consigo pegar várias fases, vários momentos de transição.  Maurício Gontijo: Exatamente.  Pedro Rangel: Bem-vindos. Fala aí, Manu.  Emmanuelle Quites: Eu vou copiar porque eu vim aqui só para falar bom dia, boa tarde, boa noite, é uma honra estar aqui. Eu sou Emmanuelle Quites, realmente todo mundo me conhece como Manu, Emmanuelle é só minha mãe lá em casa quando vai xingar e eu estou aqui na DTI tem 4 anos e 4 anos de MRV também, então eu posso falar que eu vivi de perto a transformação digital na MRV, inclusive no episódio anterior o Reinaldo fala da questão das baias, de sala isolada, eu cheguei e estava assim, então eu vi de perto tudo o que aconteceu e o quanto a mudança foi significativa, então eu posso falar aqui e estou aqui para poder contribuir um pouquinho, trabalho lá já em vários squads, como squad líder lá, então tem uma história grande aí com a MRV, é um prazer estar aqui.   Pedro Rangel: Obrigado, Manu, bem-vinda também. Lucas, você falou que você não tem um background técnico, mas eu tenho certeza que você conversa um tecniquês com a galera quando precisa.  Lucas Junqueira: Sim, com certeza.   Pedro Rangel: Isso é importante. Conta para a gente aí um pouquinho como é que é esse ecossistema digital da MRV hoje, como que ele evoluiu?   Lucas Junqueira: Acho que o primeiro ponto importante para a gente ressaltar aqui é que a gente organizou a plataforma por fluxo de valor, então todas as nossas jornadas estão representando a nossa cadeia de valor ali do negócio e a gente construiu os produtos para endereçar a cada uma das etapas nessa jornada, muito voltado para a experiência do cliente, então respeitando o ciclo de vida do cliente dentro da companhia, a gente foi construindo esse ecossistema, seguindo esses passos também, do cliente. Então a gente hoje tem mais de 20 squads ativas dentro desse ecossistema e os principais marcos passam pela jornada do comercial, desde o momento ali da prospecção, com toda a jornada do marketing digital também e passando por toda a experiência de compra, depois a gente passa por um momento que é bem específico do nosso negócio, porque o cliente compra, passou as unidades e espera pela construção, ele compra na planta, então a gente tem toda uma jornada de acompanhamento até a espera da concretização daquele sonho. E quando a gente efetivamente entrega as chaves ali, a gente abre uma outra jornada, que é um mundo de possibilidades, que é a jornada do conviver, onde o cliente já vai usufruir efetivamente do nosso produto físico, que é o apartamento, também tendo um produto digital, com várias funcionalidades e facilidades para o dia a dia dele.  Pedro Rangel: É legal que o Reinaldo falou isso lá no episódio de 2019, que a gente não desliga mais o cliente depois que entrega as chaves, a jornada não acaba aí, não é isso?   Maurício Gontijo: É isso aí.  Pedro Rangel: Após a entrega de chaves é um oceano azul ainda dentro do negócio MRV, que vem expandindo pra outras linhas de produto e de experiência, que também utilizam a plataforma. Então a gente tem o marketplace, algumas funcionalidades relacionadas à gestão do condomínio em si, para facilitar a vida do condômino e do síndico, e é um ambiente ainda pouco explorado pelo mercado e já é um diferencial que a gente entrega enquanto MRV.  Diulia Almada: Incrível. Como uma pessoa apaixonada por design serviço, apaixonada por uma visão holística, o olho até brilha.  Pedro Rangel: É gostoso falar disso, não é?  Diulia Almada: É muito bom, quando o trabalho é enxergado de uma maneira realmente a abraçar tanto os produtos digitais, mas também abraçar toda a cadeia de valor que existe ao redor, todas as pessoas que atuam na MRV, elas são parte da experiência que os clientes têm, então é muito legal que vocês tenham esse olhar bem amplo.  Pedro Rangel: Legal, gente. Como eu citei aqui já a fala do Reinaldo em 2019, o que a gente pode citar aí de principais mudanças daquele episódio gravado 3 anos atrás para agora?  Lucas Junqueira: Acho que a principal mudança é que naquele momento a gente ainda estava em construção de muita coisa e hoje já é a realidade, a gente com certeza pode afirmar que o produto está na rua, teve muitos aprendizados, mas já é de sucesso também e hoje a gente já está em um outro momento de evolução dessa plataforma e até das nossas teses de transformação digital, evoluindo ainda mais aquele conceito que a gente formou lá atrás, mas hoje de fato já tendo toda a operação e toda a experiência do cliente dentro dessa jornada que eu comentei.  Pedro Rangel: Lá em 2019 foi dado um spoiler e aí agora o filme saiu.  Maurício Gontijo: Talvez até para trazer um pouco de histórico, para ver como é que foi essa transformação, lá em 2019, quando a gente fez a nossa mesa, que a gente chama, que foi uma contratação que nós fizemos, a gente definiu o que seria essa jornada e aí a partir dessa nova jornada do nosso cliente, a gente fez toda a construção como materializar isso, como tangibilizar isso. Então nós partimos, depois que a gente conseguiu definir essa jornada, fomos para dentro de casa, definimos as nossas missões, a missão do ecossistema como um todo e depois todo o seu desdobramento, pensamos nas OKRs para a gente conseguir atingir os nossos objetivos, nos preparando para esse novo passo que era esperado aí pela companhia. E nesse momento, nós precisamos olhar para dentro de casa, onde a gente só tinha estruturas de monolitos e falar: “como que nós vamos conseguir atender, tanto quanto negócio como tecnologicamente, essa nova jornada?” e nós partimos para definir quais seriam as nossas estruturas enquanto times, nós, diferentemente do passado, definimos squads por domínios de negócio, então a gente fez toda uma segregação para a gente ter os times especializados por domínio de negócio, nós trouxemos da área de negócio as pessoas para comporem o time, então nosso time deixou de ser um time TI provedor e agora todos passaram a fazer parte desse ecossistema e isso foi um ganho muito expressivo para a gente, porque o conhecimento estava dentro de casa, não tinha mais a TI no negócio, nós passamos a ser um todo. E depois de todas essas estruturações dos times, a definição dos nossos OKRs e as missões, a gente então passou a definir o nosso MVP, que seria ali o nosso start e iniciar os trabalhos. E durante esse trabalho, nós fizemos algumas pesquisas, nós trouxemos a ponta de negócio e trouxemos clientes, para a gente entender e ver se aquela jornada efetivamente pararia de pé e definimos o nosso MVP. E a partir daí foi o trabalho que durou alguns meses, porque a gente entendeu que o mínimo viável precisava ser uma jornada mínima ponta a ponta, e aí a gente efetivamente trabalhou em cima disso. E aí até fazendo um parênteses aqui, com relação a essa estruturação dos times que a gente está falando, a gente está num momento onde a gente tem bastante diversidade nos nossos times e uma pluralidade de papéis, perfis e etc., então antigamente nós não tínhamos por exemplo as figuras fixas mesmo nos times, de designers, de UX research, pessoas pesquisadoras, então isso também deu uma composição muito forte e deu muito mais valor no trabalho que a gente estava fazendo, isso efetivamente foi uma mudança de patamar para a gente enquanto maturidade, para a gente construir o nosso produto digital. E trazendo um pouco do desafio que eu falei, nós temos hoje por exemplo, em algumas squads, pessoas júnior em transição de carreira, tem 48, 50 anos, trabalhando com tech líder que tem 23. Então assim, são culturas diferentes, momentos diferentes de vida e a gente tem um grande desafio, eu falo até um pouco inteligência emocional ali, pegando Daniel Goleman ali, para pegar todo esse pessoal e conseguir se conversar, ficar em um ambiente tranquilo, em um ambiente amigável, mesmo tendo essas diferenças, então isso também é um desafio nosso ali do dia a dia, para fazer com que a esteira flua de uma maneira fluida, fica aí meio redundante.  Diulia Almada: E acredito que é muito importante ter esse tipo de diversidade dentro da estrutura, porque também até quando a gente fala do produto físico que é entregue, é um mundo de clientes também, com diversos tipos de perfis, com diversos tipos de necessidades, então é legal que a gente tenha diversos tipos de pessoas também construindo as soluções, para que a gente possa ter um olhar mais múltiplo.  Emmanuelle Quites: E é isso até que eu ia comentar, porque por exemplo, no time que eu estou atualmente tem uma pessoa cega e isso faz muita diferença. Como a Diulia disse, na entrega do produto, a gente aprende muito, então a diversidade é muito importante na formação dos times tanto, tanto no que a gente chama de hard skills, com em outros tipos de skills, isso faz toda a diferença na entrega e eu como squad líder, considerado uma liderança no time, é importante estar engajado nisso, é importante entender esse funcionamento. Então é legal trazer esse ponto e um outro que eu queria puxar é a pandemia, a gente teve uma pandemia no meio do caminho.  Pedro Rangel: Quase que a gente esqueceu esse detalhe.  Emmanuelle Quites: Que é aprender a trabalhar também no físico que a gente estava ali, ainda mais a MRV que passou essa transformação física também, local de trabalho, para um trabalho remoto e teve esse outro grande desafio durante a transformação. Então é por isso que a gente tem que ser ágil mesmo na essência, porque aprender a trabalhar com as diversidades que aparecem porque vai acontecer.  Lucas Junqueira: E foi legal você mencionar isso, Manu, porque eu acho que vale a pena a gente contar essa historinha de como é que foi a tangibilização até dessas entregas que a gente comentou durante a pandemia. A gente de fato, acho que igual a maioria das grandes empresas, teve que acelerar muita coisa, mas a gente contou também com o momento muito oportuno, em que o MVP já estava no ar, bem no início ali antes da pandemia, em janeiro a gente já estava testando, aí em março começou tudo a acelerar e aí a gente montou todo o nosso plano de escala de rollout já considerando não só a mudança que teria para os colaboradores que estavam trabalhando, mas também para o nosso time de vendas na ponta, espalhado para o Brasil inteiro, em como utilizar o produto nesse novo formato, como que o cliente iria receber ou não uma mudança, por exemplo, de assinar a sua maior aquisição de vida, a compra de um imóvel, de forma digital. E a gente já tinha toda a estrutura preparada na plataforma e dentro do mês ainda a gente virou para mais de 90% das vendas sendo possível ser assinada de forma digital. Um outro caso emblemático, a gente tem um cenário também dentro da nossa estrutura, que é a aprovação de crédito do cliente. Ele precisa, junto a uma instituição financeira, conseguir um financiamento para o imóvel e naturalmente requer informações, documentações e a gente, já de novo dentro do produto, conseguiu virar a chave a nível Brasil para disponibilizar uma solução em 24 horas depois do início da pandemia, para os corretores coletarem toda essa documentação do cliente de forma digital e conseguir, mesmo com as lojas fechadas, seguirem no processo de compra.   Maurício Gontijo: E aí eu até gostaria de fazer um parênteses, outro parênteses, com relação a essa fala do Lucas, trazendo dois pontos: um é o que o Reinaldo reforça muito, que é a questão da nossa vocação e destreza digital, então querendo ou não, a gente não precisou da pandemia para estar com isso, a gente já estava olhando para frente e a gente conseguiu, coincidentemente, cair e estar no time certo para a gente conseguir reagir rápido. E o outro ponto foi na nossa estruturação que a gente pensou da nossa plataforma, como eu disse, a gente saiu de uma visão de monolitos e a gente foi para uma visão de micro serviços, indo mais no tecniquês, e essa de separação de micro serviços tendo seu domínio específico, essa modularização, ela fez com que a gente tenha conseguido fazer reagir rápido nessas 24 horas que o Lucas trouxe, se a gente tivesse em outros tempos com o nosso monolito, a gente ia ter uma dificuldade grande em conseguir fazer algo do tipo. Então toda essa estruturação de times olhando pra jornada e técnica também junto, tecnológica, indo para a estruturação de micro serviços, é o que nos proporcionou conseguir reagir tão rápido em tempos de pandemia.   Pedro Rangel: O Lucas comentou do MVP, acho que seria legal porque assim, você passou uma ideia muito forte de que vocês tinham muito firmemente uma hipótese a ser validada com o lançamento do MVP, uma ou mais de uma até, que a jornada era uma jornada complexa, uma jornada de compra e conseguiu validar isso, certo?  Lucas Junqueira: Sim. A nossa missão era simplificar drasticamente a conquista da casa própria, então não necessariamente querendo transformar essa compra em uma jornada totalmente self-service, pelo cliente, mas que ele pudesse de fato participar daquela jornada junto com os corretores, junto com a nossa força de vendas, que é essencial para a manutenção do negócio, mas que também trouxesse facilidades, agilidade e transparência, para essa experiência que ele estava tendo ali no momento da compra. Então a gente conseguiu validar isso, tanto com um time de corretores, quanto com os primeiros clientes que passaram por essa experiência lá no início de 2020 e aí depois o MVP realmente foi tendo vários ciclos de growth e chegamos onde estamos hoje.  Pedro Rangel: Esse desafio, essa missão de simplificar drasticamente a conquista da casa própria eu imagino que foi o resultado daquela mesa que o Maurício citou, com a inserção do design.   Maurício Gontijo: Exatamente.  Pedro Rangel: E aí quando aberto esse desafio, a MRV convergiu “beleza, é isso que a gente quer”, qual foi o primeiro passo? “Agora a gente tem que desenhar o MVP”, o que foi passo seguinte?  Lucas Junqueira: A gente focou bastante nessa jornada comercial, mas a gente já tinha o produto também cobrindo as outras etapas da jornada que eu comentei. E aí a gente já tinha experimentado alguns processos de imersão, de discovery, formando uma estrutura até proprietária, eu diria, do nosso jeito de fazer e aí naturalmente a gente aplicou isso também para esse momento do comercial. Então fizemos todos os setups dos times, empoderamento dos POs, a turma que veio do negócio que o Maurício comentou, entendendo o que seria aquele papel, recebendo treinamentos, entendimento do que seria aquele momento que a gente iria entrar, a definição dos OKRs estratégicos, que é um outro ponto importante de a gente mencionar, todos os times têm os OKRs voltados para os desafios e para a estratégia de negócio, então as squads têm sim um controle, principalmente no time de engenharia ali, de delivery, das métricas técnicas também, mas o OKR do time tem que ser sempre pautado, essa é uma premissa que a gente decidiu, em um resultado de negócio. Então a gente construiu isso lá atrás junto com a missão de cada um desses times, fizemos os desdobramentos dessa jornada, porque ela ainda estava em um nível ali do product discovery macro, e aí cada um dos times foi entrando dentro dessas experiências, para a gente construir esse MVP.  Diulia Almada: É muito legal ver como é que é um equilíbrio entre traçar definições e estar aberto para o aprendizado ao mesmo tempo, conseguir equilibrar ali o que a gente consegue fazer no nível macro, de descoberta, igual você comentou da questão do product discovery e o que vai ser no dia a dia, o que vai ter que ser na adaptação, ao aprender com o que está sendo colocado em produção, muito bom.  Pedro Rangel: E o sucesso não está no feeling, você falou aí de acompanhar os OKRs, definir OKR desde o início, eu lembro disso, a cultura estava lá já, eu imagino que seja muito mais evoluído, OKR não é um negócio que pega de primeira, normalmente leva realmente vários ciclos para ganhar tração. E como que vocês identificam, medem o sucesso hoje da plataforma?  Maurício Gontijo: A gente tem dentro do nosso planejamento estratégico da empresa a visão dos drivers estratégicos que os executivos estão contratando com toda a companhia, então a gente vem de fato descendo todos esses drivers estratégicos até o nível do times, então por exemplo, se a gente for comentar até um dos assuntos que a nossa presidência abordou no último MRV Day, a gente tem um compromisso com o mercado, de recuperação de margem bruta, durante esse ano agora de 2023. As squads que estão envolvidas, principalmente dentro do comercial, com esse resultado de entrega ali de margem bruta, tem os seus OKRs todos voltados para essa entrega, para mexer nesse ponteiro, então a gente faz todo o desdobramento em um ciclo tri a tri, mas sempre pautado nesse driver estratégico.  Emmanuelle Quites: E é importante falar que isso não está no nível de diretoria, porque isso realmente é repassado para toda a estrutura, do negócio à TI, porque quando a gente vai, eu ouço muito isso lá, pegar uma demanda e fazer, qual drive estratégico está atendendo e qual que vai ser o ganho dessa demanda. Então faz todos os times pensarem que você está trabalhando com um propósito e alinhado com o propósito da empresa, então isso é bem importante citar porque acontece de fato.  Pedro Rangel: E você vê isso nos times? Porque assim, hoje eu percebo, uma mudança de alguns anos para trás para hoje, eu vejo no desenvolvedores uma sede por entender o porquê está fazendo as coisas, você percebe isso lá?  Emmanuelle Quites: Percebo claramente. E assim, isso de perguntar o porquê você está fazendo, todo mundo quer saber, ninguém quer “faz isso”, “por quê?”, “porque tem que fazer”. Então se você está alinhado com a empresa, com drive estratégico, tem isso bem definido, o time faz a entrega, vamos dizer, até com mais empolgação, porque você sabe que está ali por trás e aí quando traz os drivers de negócio igual vocês falaram, as métricas e você vê, aí o Maurício pode até falar, nas reviews que a gente faz, e vê os números ali e como você impactou o cliente, é muito legal mesmo, gratificante, então você ver esse impacto, ninguém quer fazer algo por fazer, então isso é bem, bem legal.   Maurício Gontijo: E hoje a gente tem tornado uma vitrine mais aberta, então a gente quer que todo mundo tenha acesso a isso, os times por completo sabem que nós estamos sempre trabalhando em cima dos drivers de margem bruta, novas vendas, volume de vendas, geração de caixa e a gente faz o exercício muito forte, que às vezes a gente é um pouco ansioso, chega uma iniciativa talvez um pouco top-down, sempre acaba acontecendo, só que ainda assim a gente provoca os times: qual é o porquê que a gente está fazendo isso aqui? É isso que você trouxe, a  parte de data driven, então “pessoal, qual é o retorno que a gente vai ter aqui?”, a gente está em um momento em que a gente tem que efetivamente escolher as coisas que nós vamos atuar, para dar o devido o retorno para empresa, então a gente até brincou que quando a gente fez uma review agora comemorativa de 100 sprints da nossa plataforma, o produto é infinito, o produto nunca acaba, então nessas 100 sprints a gente falou que a gente tem a fundação da casa, então mais de 90% das vendas MRV já são por esse produto, a gente tem algumas exceções ainda que não entram lá. Nesse momento que a gente tem essa fundação, a gente agora não está na hora por exemplo de fazer firulas, digamos assim, então não é a hora de criar uma piscina ou fazer coisas do tipo, a gente está no momento de tornar essa máquina mais eficiente e a eficiência conecta muito com os pilares da empresa. Então a gente provoca isso junto ao time, “então essa iniciativa que você está trazendo, ela efetivamente está conectada?” e aí a gente trabalha em cima, busca dados e a gente toma a decisão ou não se a gente vai fazer a atuação, sempre lembrando que, pegando um pouco da fala do Lucas, a gente está tentando sempre ao máximo fazer os nossos planejamentos por trimestres, para a gente ter uma visibilidade e um mínimo de previsibilidade junto aos sponsors, coisas novas que surgem. A não ser que seja uma coisa muito emergencial, que também a gente sabe o que acontece, a gente tenta sempre também blindar o time para que ele saiba o que ele vai estar atuando durante o próximo ciclo.  Lucas Junqueira: Só trazendo um outro fato interessante aqui, para a gente compartilhar, pode servir de inspiração aí para o resto na turma. Nessa vitrine que você comentou que a gente faz dentro do times, trazendo a visibilidade ali nas reviews, a gente começou a fazer esse ano também um outro nível de mobilização com os executivos, em uma ideia que o Reinaldo teve, em alusão aos nossos porquinhos lá da infância, vocês lembram quando a gente juntava as moedinhas e chegava aquela ansiedade de quebrar o porquinho e ver tudo o que você juntou? A gente está, nesse ciclos tri a tri, deixando os nossos dashboards estratégicos, o quanto que a gente de fato está contribuindo com as entregas na plataforma. Então fechou a sprint, fechou o ciclos, quanto que eu estou contribuindo em pontos percentuais para essa margem bruta que eu comentei, como é que está a nossa eficiência no funil de vendas com o volume de vendas que a gente está trazendo ou não pelos canais digitais. Enfim, tudo vai compondo esse porquinho, para a gente sedimentar esse caminho que as entregas vão ajudando em relação ao negócio.  Pedro Rangel: Muito legal a referência.  Diulia Almada: Eu achei muito legal e eu estava reparando antes das analogias que eles usam é tudo analogia de construção, a fundação, todos.   Emmanuelle Quites: Para ver que o negócio está bem alinhado. E só tem um ponto que o Maurício trouxe sobre as demandas emergenciais, que isso eu que estou ali no dia a dia sei que é uma dor do time, mas lembrando, vocês podem até falar um pouco do framework de TI, que esse framework dá diretrizes para quando isso acontece, então os times estão bem alinhados porque ninguém fica: “e agora? Chegou uma demanda, o que eu faço, vai seguir para o outro item?”, então esse framework ajudou os times a conseguir esse direcionamento.  Maurício Gontijo: Perfeito, Manu. Esse framework, um nível de maturidade muito grande que a gente alcançou também desde o ano passado até agora, onde a gente conseguiu, aí de novo muito com aquele conceito de dar a nossa cara, com todos os aprendizados que a gente já pegou de experiência, de mercado, com parceiros e de outras metodologias ou ferramentais que existem, e a gente consolidou ele no nosso framework de TI, que pega todo o ciclo de gestão de demandas da TI. Então não só produto, mas todo o nosso service desk, todo o nosso time de suporte ou de data analytics, enfim, os times de produtos, está todo mundo coberto por esse framework de TI, que rege essa nossa forma de pegar as demandas estratégicas, fazer a primeira seleção ali junto com os sponsors do que que realmente vai contribuir para esses drivers que a gente está comentando, depois entra na nossa esteira de upstream que a gente chama, que é de descoberta para a gente refinar, fazer ali os desdobramentos junto com os times nas imersões, com todos os ferramentais que a gente usa. E aí sim, a gente gera o ponto de compromisso entre todos os times, para descer para o downstream, para a gente entrar efetivamente ali no ciclo de delivery, junto com as sprints e aí isso tudo está amarrado nesse planejamento integrado, regido pelo framework de TI, que realmente traz essa segurança para o time, de qualquer movimento estar bem alinhado com os compromissos que já tinham ou não sido acordados.  Pedro Rangel: Esse framework rege a priorização de uma maneira geral?  Lucas Junqueira: Sim, também.  Maurício Gontijo: E até abrindo um pouco, vamos falar assim, puxando a sardinha, uma parte que eu estou totalmente imerso, que é a parte da fase do upstream, essa foi uma parte muito importante para a gente, enquanto a dinâmica de trabalho com um produto digital. Nesse sentido, a gente fez um fórum dentro de casa, também multidisciplinar e aí a gente conseguiu definir o nosso próprio tool kit, digamos assim, como se fosse o nosso próprio framework. E nesse framework, o que a gente fez? A gente pegou tudo de melhor, ou que era mais aderente, para o nosso contexto MRV. Então a gente pegou parte do conceito de design sprint, pegamos um pouco lá do Caroli no Lean Inception, pegamos um pouco de FLAPS Model lá com o Andy Barbosa, a fórmula da eficácia lá do Alisson Vale, fomos juntando tudo, fomos pegando algumas ferramentais enquanto priorização, Muscle, Buy a Feature, então nós fomos montando todo um arcabouço, digamos assim, e nós estruturamos de tal maneira que, quando chega algo novo para a gente, aí já começando com o Simon Sinek lá, que é o Comece Pelo Porquê, a gente já faz toda uma triagem e a partir dessa triagem, a gente encaixa: ok, é uma prioridade? Sim. Ok, já sabemos em quais drivers estratégicos ela está vinculada? OK. Aí a gente parte para a fase do problema/product discovery e aí a gente começa a utilizar todo esse ferramental. E nós montamos uma estruturação de tal maneira que a gente tem como se fossem planos que poderiam ser contratados, fazendo até uma alusão onde você vai contratar um produto que você tem…  Lucas Junqueira: Basic, premium.  Maurício Gontijo: Exatamente. Então a gente dimensionou de tal maneira que se for uma iniciativa muito gigantesca, já tem até um checklist e é totalmente nova, a gente pega o nosso maior, que é o serviço completo de descoberta, já temos o produto conhecido e é uma nova iniciativa, a gente tem o outro e cada um leva entre X dias, X semanas, a depender do que a gente vai fazer, mas o importante nesse contexto como um todo, na fase de upstream, foi a gente deixar de pular a etapa de entendimento do problema. Então a gente até entende a ansiedade muitas vezes da própria área de negócio, que ela fala assim: “eu já sei o que eu quero, é só fazer isso”.  Pedro Rangel: Cara, a gente fala disso incansavelmente aqui, não é, Diulia?  Diulia Almada: Eu estou assim: “gente, ninguém está obrigando eles a falarem essas coisas”. A gente não colocou um script na mão deles com as respostas. É muito legal ver o trabalho convergindo para esse tipo de aprendizado, no sentido de não “vamos pegar o design sprint e vamos fazer as nossas necessidades caberem no design sprint” ou “pegar o Lean Inception e fazer caber no Lean Inception”, vocês aprendem com o que já existe no mercado, aprendem com as necessidades de vocês e a partir disso, propõem modelos que com certeza são evolutivos também, no sentido de que a necessidade vai evoluindo com o tempo, isso é maravilhoso.   Maurício Gontijo: Exatamente. E a gente fala que tudo que a gente tem lá, que a gente trabalha hoje, está na versão beta, porque a gente está aprendendo e constantemente gerando novas versões, à medida que você faz uma imersão com o time, você aprende: “precisava ter envolvido mais pessoas, envolvido menos pessoas, essa dinâmica deixou alguém distraído, o que a gente pode fazer para otimizar?”, a gente revisita e adequa. Então a gente está infinitamente em versão beta também, com relação a isso. O que não funciona, e eu acredito que isso é para qualquer empresa, by the book. Então a gente pega o que tem de melhor e adapta, a gente tentar trabalhar em cima do by the book, a gente sempre vai para alguns locais onde a gente depois não consegue convergir, que é o que você falou. Então assim, é por isso que eu gosto de pegar, a gente pega as melhores práticas e adapta pro nosso contexto e é isso que tem feito com que a gente consiga ter uma fluidez no nosso trabalho.  Lucas Junqueira: Always beta.  Pedro Rangel: Tem um grande apego a frameworks, a metodologias, como elas são escritas, não é?   Maurício Gontijo: Exatamente.  Diulia Almada: E nem são as que vocês criam, mesmo elas, por estarem sempre em beta.   Lucas Junqueira: A gente revisa. É a geração de valor, se não estiver gerando valor… e esse é um ponto importante para a gente vincular com o framework, uma métrica que a gente até então não considerava e que agora é importante para a gente, que é a métrica de descarte. Por mais que a gente tente sempre ser o mais assertivo com esse framework, se não tiver algum nível de descarte também, a gente está errando, seja por demorar demais para fazer alguma coisa ou insistir, porque a persistência é diferente da insistência, a gente pode persistir em alcançar o objetivo, mas de uma forma diferente, mas não tem aquela insistência também, se deu errado a gente descartar, ou até antes de evoluir para o downstream, que a gente comentou, já tem um descarte no upstream daquela hipótese.  Maurício Gontijo: Até porque, pegando a frase emblemática do Peter Drucker, que é: “não há nada tão inútil do que fazer com grande eficiência aquilo não deve ser feito”.  Pedro Rangel: O Maurício está cheio das referências, vamos ter que listar tudo no episódio.  Diulia Almada: Vai ter que fazer um post com todas as referências, para as pessoas conseguirem pegar. Mas incrível e é muito legal quando a gente vê que é legítimo dentro do processo. Vocês comentaram sobre a questão da jornada, dos fluxos e como que vocês conseguem acompanhar os resultados de negócio, acompanhar as métricas, para poder, igual você comentou tem inclusive métrica de descarte, como que é a frequência de acompanhamento, quem que está envolvido nesse acompanhamento?   Pedro Rangel: Aproveita e traz uns números impactantes depois aí.  Lucas Junqueira: Todo o time está envolvido nesse acompanhamento, seja para gerar os insumos necessários, para gerar os dashboards, seja para acompanhar, mas está tudo muito pautado naqueles OKRs que a gente falou, e mais recentemente nos nossos de porquinho, nós estamos acompanhando lá o porquinho enchendo. E aí falando um pouco desses números macro, com essa operação toda que a gente já está na plataforma, a gente tem que imaginar que já foram mais 50 mil vendas, por exemplo, realizadas por essa plataforma, dá um VGV acima de 10, 11 bi.   Maurício Gontijo: O fechamento de março agora, é provável que a gente vai bater na trave aí de 11 bi em valor geral de vendas, desde o lançamento da plataforma.  Lucas Junqueira: Exato. E isso só na etapa do comercial, se a gente pega aquelas outras jornadas do acompanhar e do conviver, a gente tem os nossos controles de acessibilidade da plataforma, são mais de 215 mil acessos únicos por mês no pós-venda, a gente tem as nossas métricas de take rate e de GMV dentro do marketplace, representatividade das conversas pela Mia, que é o nosso bot com a inteligência artificial. Enfim, como são muitos times e essa jornada é bem extensa, a gente tem os OKRs por time, a gente vai controlando exatamente e seguindo o fluxo dessa jornada também.  Maurício Gontijo: Eu acho que é legal também a gente falar, porque a gente puxa muito a sardinha para a parte de produto e a gente fica no OKR, que é muito negócio, mas toda essa estruturação que a gente fez também trouxe uma maturidade de engenharia muito grande para a gente, do DevSecOps. Então a gente também estrou nesse momento a parte do que a gente chama de selos de arquitetura, e nesse selos de arquitetura, durante toda essa esteira de upstream/downstream, os times seguem uma cartilha que eles mesmo definiram enquanto engenharia, que são nossos critérios de qualidade enquanto privacidade, enquanto dados, segurança e a própria estruturação em si de DevOps, que é a de distribuição das releases. Então a gente atingiu uma maturidade muito legal, muito legal, eu que venho aí há 10 anos, eu posso dizer que em algum momento no passado eu, Maurício, publiquei uma release copiando e colando da minha máquina e hoje a gente tem uma estruturação muito consistente. Toda essa parte que a gente falou também com relação à segurança, a nossa equipe é absurda de especialista, é muito legal, os nossos arquitetos sempre pensando em eficiência e eles nos provocam às vezes, enquanto que a gente está levando solução e trazendo “olha, a gente poderia fazer assim, assim, assado”, que a gente poderia ser por exemplo mais performático, evitar uma vulnerabilidade. Então isso é muito legal, que é o time realmente todo mundo participando dessa construção do produto, não temos mais aqueles silos, o pessoal que está na caverna, que recebe e depois que devolve, então está todo mundo junto nesse ecossistema. Eu acho que isso é o que faz com que a gente tenha sucesso no nosso produto.  Pedro Rangel: Falou de todas as disciplinas.  Diulia Almada: Eu acho que está muito inspirador, com certeza, acho que para quem está ouvindo já vai sair com milhares de insights. E aí só para poder ajudar a estimular essas pessoas também a testarem e a correrem atrás, aprenderem com os cenários que vão aparecer, porque todo o caminho, a gente tem falado aqui sobre os aprendizados, o espaço, vocês comentaram sobre a questão do beta, nesse caminho tiveram erros também? Tiveram momentos que vocês olharam e falaram: “é isso” e aí depois vocês perceberam que não? Só para poder ajudar essas pessoas também a se confortarem e falar: “não, espera aí, então vou testar, não necessariamente vou brilhar desde o primeiro momento, mas nisso também tem aprendizado”.  Lucas Junqueira: Não, com certeza tiveram erros e a gente tem que aceitá-los e aprender com eles. A gente pode trazer alguns exemplos, de funcionalidades que a gente imaginou, mesmo fazendo um discovery muito multidisciplinar, mas que na hora que chega na operação de vendas, que tem um cenário espalhado em 160 cidades do Brasil, não vai funcionar da mesma forma no Sul com o Nordeste, o Norte e o Sudeste. Então alguns aprendizados nesse sentido, de talvez ter uma personalização ou explorar um pouco mais alguns testes AB antes de tentar cravar um dos caminhos, por mais, de novo, que o discovery tenha tentado cobrir essa visão do usuário, a gente teve nesses momentos, mas acho que teve um importante, que a gente conseguiu até desmistificar um pouco até no nível executivo, que foi parar de fazer a visão anual de roadmap, de entregas da plataforma, porque o cenário estava muito mutável. E aí a gente percebeu que a gente estava tendo muito discovery estocado, não reaproveitável depois com a mudança de cenário, e aí a gente trouxe uma pegada muito mais próxima ali dos tris, não é, Maurício?  Maurício Gontijo: Isso. Realmente esse eu acho que foi um grandíssimo aprendizado para a gente enquanto produto, quando nós tivemos esse desafio de montar esse roadmap anual, nós ficamos algumas semanas, talvez umas duas, 3, tentando consolidar, trazendo o time, tentando fazer estimativas para métricas de PMG, tentando trazer experiência e etc., mas a gente sabe que a gente está em um ambiente ali no comercial que é muito marketing mais comercial, e é muito dinâmico, a gente tem campanhas durante o ano, então a gente tentar ter essa previsibilidade de 1 ano é ilusório. Porém, a gente conseguiu responder para a empresa enquanto essa visão anual, mas na prática mês a mês ele era revisitado, só que o que acontece com isso? Quem foi lá e tirou uma fotografia do roadmap e colocou debaixo da mesa, quando puxava, gerava uma ansiedade muito grande, por quê? A gente já havia repactuado com outras prioridades e, naturalmente, a prioridade daquela pessoa que estava com uma ansiedade, ela está só se estendendo. Então depois disso, a gente ainda assim neste ano trabalhou, eu diria que o time fez um milagre, que conseguiu entregar grande parte ainda, apesar dos mais 50 itens que entraram nesse ano, porém no ano seguinte a gente falou: “pessoal, precisamos aprender”. Não faz sentido a gente fazer um roadmap anual, a gente sabe que é muito dinâmico o nosso trabalho, vamos começar a olhar por trimestre, que é a menor granularidade, que dá um certo conforto para ambos os lados e se a gente porventura precisar reagir, vai ser muito mais fácil repactuar as coisas. Então a gente agora vem rodando tri a tri, os desafios continuam muito grandes, mas eu tenho observado que o time está muito mais confortável enquanto essa visão, gera menos ansiedade no time, gera menos ansiedade nos sponsors e a gente consegue cumprir mais o que a gente definiu enquanto entregas. Então foi um aprendizado muito grande, pessoal, por favor, não façam roadmap anual.  Pedro Rangel: Roadmap não é um cronograma de projeto.  Maurício Gontijo: Exatamente.  Pedro Rangel: Então essa lição é ótimo. Acho que estamos caminhando para o final já, vocês já falaram muitas coisas muito legais, muito importantes, mas talvez só para a gente resumir para a galera, o que vocês consideram, de tudo que vocês falaram, talvez escolhe 1 ou 2, fatores críticos de sucesso para cumprir aquela missão da plataforma que você citaram lá?  Lucas Junqueira: Eu diria que é foco e disciplina, voltado sempre para a geração de resultado para o negócio, fazendo o produto mais simples possível, tanto no nível de experimentação quanto no nível de usabilidade depois, para a gente ter o máximo de aderência e engajamento de todas as pessoas usuárias.  Maurício Gontijo: E talvez conectando aqui com o Lucas e olhando para o meu lado, onde eu fico muito próximo na orquestração junto aos times, aí novamente, Pedro, para você tomar nota, pegando lá a frase do Marty Cagan, de times missionários e não mercenários, então no final são as pessoas, no final são as pessoas. Então o que eu entendo? A gente tendo pessoas que estão devidamente ali engajadas, pessoas que a gente consegue fazer com que elas tenham sentimento de dono daquele produto que ela está trabalhando e que a gente não precise, aí eu vou falar muito até no meu caso, eu não precise empurrar, então sejam pessoas que eu precise talvez até segurar um pouco: “calma”, é isso que faz acontecer. Então são as pessoas. Então se a gente tiver as pessoas certas, com vontade, a gente consegue atingir todos esses objetivos.  Emmanuelle Quites: E isso eu quero só reafirmar, tudo isso até que o Lucas e o Maurício disseram é verdade, o time está muito mais engajado, essa parte de ansiedade é uma realidade, o time fica mesmo, então esse aprendizado, eu que vivi e vivo no dia a dia, essa parte do aprendizado aí é uma realidade, realmente a gente viu mudança do ano passado, do final para agora, as mudanças e é tentando, o aprendizado é realmente contínuo, a transformação digital é contínua, não tem uma regra, tudo que está falando aqui são insights. Até quando citei do framework, é um direcionamento, então esse ponto é bem importante. E eu só queria frisar assim que eu realmente me sinto parte e como parceiro, eu me sinto MRV, porque a gente é envolvido nas ações da MRV, nos cafés com conteúdo, no MRV Day, parece bobo, mas festa de final de ano os parceiros também participam, então realmente eu me sinto MRV e eu acho que isso é muito importante para essa transformação também, não ter uma diferenciação de é uma parceria ou de pessoa ser MRV, queria só frisar que é legal.  Lucas Junqueira: É todo mundo sangue verde.  Emmanuelle Quites: É todo mundo um time, um time missionário, isso é legal.   Pedro Rangel: Eu mesmo ficava mais na MRV do que na própria DIT na época, todos os dias estava lá, isso é muito importante mesmo.  Emmanuelle Quites: É um time único mesmo e, como diz o Maurício, missionário, então isso é bem legal.   Pedro Rangel: Adorei o papo, galera. Tem algum ponto, alguma coisa que tenha ficado de fora, que vocês acham que vale a pena de comentar?   Maurício Gontijo: Tem muita coisa da plataforma que ficou de fora, dá para a gente fazer capítulos aqui contando um pouquinho das outras jornadas também, a gente comentou muito aqui sobre o comercial, mas só queria agradecer de novo pelo convite, pelo papo e é sempre bom a gente relembrar tudo que a gente passou e hoje ver esses resultados, com esse timaço que a gente tem de fato, muito bacana.  Diulia Almada: Pois é, a gente deu uma tarefa simples para eles, que é resumir a plataforma, resumir os últimos 4 anos. É muita coisa realmente para poder falar, eu acredito que inclusive abre as portas aí para a gente poder fazer outros episódios, falar de outros temas, outros aprendizados que vocês tiveram, Muitíssimo obrigada, gente.  Pedro Rangel: Foi muito rico, foram várias referências que foram citadas, inclusive para os nossos ouvintes aí, se quiserem deixar algum comentário ou pergunta em qualquer dos nossos canais, a gente traz eles aqui de novo se precisar, a gente responde nos nossos conteúdos e é isso, galera, muito obrigado, sejam sempre bem-vindos aqui aos Agilistas e até a próxima.   Lucas Junqueira: Obrigado, pessoal.  Maurício Gontijo: Valeu demais aí pelo convite, até a próxima, pessoal.   Emmanuelle Quites: Obrigada. Até pessoal,   Diulia Almada: Até, gente. 

Descrição

Está passando por desafios na transformação digital da sua empresa?  Nesse episódio, recebemos Lucas Junqueira, Gestor de produtos digitais e Maurício Gontijo, Líder de produto, ambos da MRV, além de Emanuelle Quites, Scrum master na dti. Eles dividiram vários insights que tiveram durante a jornada de implementação da plataforma habitacional da maior construtora da América Latina. Bateu a curiosidade? Então dá o play! 

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