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os agilistas

#228 Como priorizar métricas de negócio, de produto e de uso?

#228 Como priorizar métricas de negócio, de produto e de uso?

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Diulia: E aí, pessoal, tudo joia? A gente está, hoje, em mais um episódio dos Agilistas. Estou aqui de novo, a Diulia, e, junto comigo, de praxe, a gente tem o Pedro. E aí, Pedro, tudo bem? 

Pedro: Olá, pessoal. Prazer em estar aqui de novo. 

Diulia: E o tema de hoje é um tema que eu acho que… foi você que levantou esse tema, Pedro? 

Pedro: Com certeza, foi. Muito provavelmente, fui eu, Diulia, porque a gente está vendo todos os clientes superanimados com esse tema, onde a gente não está sendo puxado, é a gente que está puxando falar de métricas. 

Diulia: É, exatamente. Pois é, eu te perguntei isso porque eu sei que você lida diretamente com clientes e com produtos. Até introduzindo um pouquinho o que é o tema de hoje em si: a gente vai falar sobre o acompanhamento de indicadores, indicadores que realmente ajudam a gente a ter uma visão da geração de valor, só que a gente vai fazer isso de uma maneira diferente. A gente, ao invés de falar de uma forma mais teórica… a gente até já teve um episódio, que é o Data-Informed, que é o 218, ele não chama exatamente assim, mas é justamente como que a gente baseia as nossas tomadas de decisão, a gente fala muito sobre isso, mas hoje a gente queria um papo bem mais prático e, para isso, a gente tem convidadas especiais aqui. Queria que vocês se apresentassem para a gente, a Clara e a Dani. 

Clara: Oi, gente. Eu sou a Clara, eu sou PO aqui na dti e estou há oito meses. É a primeira vez que eu estou participando dos Agilistas, e espero poder compartilhar muito com vocês a nossa experiência. 

Daniele: Oi, pessoal. Eu sou a Daniele, eu sou SM na dti, eu estou aqui tem um ano e cinco meses. Eu já participei de um episódio dos Enzimas, mas é a primeira vez que eu estou aqui nos Agilistas, e queria agradecer o convite. Espero que a gente tenha um papo bom hoje e que todo mundo consiga tirar algum ensinamento. 

Diulia: Legal demais. Qual era o tema do Enzimas? 

Daniele: Era sobre trabalho em equipe, pensando em uma equipe mais multidisciplinar, como sessão de QA, PO , ou tendo todos os papéis dentro do time. 

Diulia: Sensacional. Eu acho que a gente até vai falar um pouco disso hoje de novo, não é? 

Pedro: Com certeza. 

Diulia: Que isso é um dos fatores cruciais do próprio time. Mas, e aí? Quando a gente fala com relação… “vamos conversar sobre indicadores, sobre métricas”, do que a gente está falando, Pedro? 

Pedro: Olha, é aquilo que a gente estava conversando antes, Diulia. Parece que cada conversa prévia que a gente faz, a gente consegue quase gravar um outro episódio antes de gravar o episódio. 

Diulia: É, exatamente. 

Pedro: Mas, a gente está falando, na verdade, em como quantificar o sucesso. Eu acho que existem muitos times de produto que trabalho naquele feeling do sucesso, o feeling de que as coisas estão indo bem, muitas vezes orientados a feedbacks, mas, às vezes, de uma forma até não muito estruturada, ou não muito orientada por dados. E a gente precisa desse quantificador da estratégia. Igual eu falei, nesse cenário, hoje, 2023, mais apertado do que nos anos anteriores, quando isso não está sendo pedido da gente diretamente, nós estamos fazendo o possível para a gente levar e aumentar a maturidade dos times e mostrar o resultado, em falar de sucesso além do feeling, só de que as coisas estão indo bem, mas mostrar mesmo, provar com indicadores, gestão visual, e realmente falar de resultado. Então, a métrica nada mais é do que isso, um quantificador da estratégia para a gente poder, realmente, provar o sucesso. E aí a gente está aqui com a Dani e com a Clara para falar de sucesso, então, vamos trazer um case de sucesso. Essa que é a ideia. E aí queria começar perguntando para vocês, primeiramente: quando a gente fala de produtos digitais, o que vocês entendem que é sucesso? 

Clara: Produto de sucesso, eu acho que é um pouco complexo de a gente falar, justamente que a gente está referenciando produtos digitais. Para mim, quando você atinge o sucesso é na hora que o produto, ele está performando da melhor forma possível e dentro daquele planejado. A partir de objetivos que você vai traçando, você consegue, a partir das métricas, ver se realmente está chegando lá. Para mim, quando você chega no objetivo que você quer é quando você tem esse sucesso. 

Pedro: Legal. Dando até um outro passo aqui, antes de a gente voltar a falar do sucesso, Clara, você está atuando como PO, e Dani como Scrum Master, não é isso? 

Daniele: Isso. 

Pedro: E como que está estruturado o restante do time? Qual é o tamanho do time hoje, como é que vocês estão organizados? 

Daniele: Hoje, o nosso time atende o cliente, nós somos compostos por sete pessoas: eu, como SM, a Clara, como PO, e a gente também tem no time um desenvolvedor iOS, um desenvolvedor Android, dois QAs e um designer. Pode até parecer um time grande, mas a gente já foi muito maior do que isso. No início, o nosso cliente, ele atendia duas redes de restaurante, então, a princípio, a gente ia atender essas duas redes. Em um certo ponto, eles decidiram vender uma delas, então, não fazia sentido a gente manter o time que a gente tinha, que era mais de dez pessoas na época, não lembro ao certo quantos que a gente tinha, mas éramos muitos, e aí ocorreu essa divisão por conta do cliente, por uma mudança de estratégia que eles tiveram. 

Diulia: Mas, eu acho que isso é, inclusive, uma reflexão muito legal. A gente tem, dentro do Marketing, dentro de Comunicação, um conceito muito bem estabelecido de métricas de vaidade, e, às vezes, a gente pode ficar com a impressão de que crescer o time, ter um time muito grande, ou muitas pessoas dedicadas para poder atender um cenário, isso, por si só, é um indicador de sucesso, de que “a gente está crescendo, então, é porque está dando certo”, mas, por um alinhamento estratégico, por uma tomada de decisão, pode ser necessário que o time que está dedicado seja menor, sem que isso signifique que está dando errado. É realmente um posicionamento e um ajuste com o que é viável para aquele momento, para aquele cenário. 

Clara: É, eu acho que isso entra muito no momento atual que a gente está passando hoje, que a gente está entrando em sustentação, e quando a gente escuta sustentação, a gente acha que para tudo, não vamos mais desenvolver o aplicativo, não vamos fazer nada… 

Pedro: Parece que é o início da morte do produto quando falam em sustentação. 

Clara: Exatamente. 

Diulia: Agora, ele vive em aparelhos. 

Clara: É. Quando a gente passou essa notícia para o time, a primeira reação foi: ferrou, acabou. Eles perderam um pouco a esperança no produto, e aí, na verdade, a nossa sustentação, na verdade, a gente só vai atuar com o time reduzido e a gente vai priorizar outros fatores, que, no caso, vão ser os bugs, mas a gente vai continuar fazendo o discovery normalmente, a gente vai encontrar oportunidades. Então, entra muito nisso, a gente tem um preconceito com algumas nomenclaturas, e, na verdade, eu acho que é uma adaptação à realidade, sabe? 

Diulia: Não, faz super sentido. E aí, Dani? A Clarinha já falou um pouquinho sobre critério de sucesso, o que significa sucesso. E, para você, o que significa o sucesso? 

Daniele: Complementando o que a Clara falou, eu acho que muitas vezes também, as pessoas pensam que, só porque um produto tem um review muito alto, várias pessoas falando bem, significa que ele é um produto de sucesso. Mas, eu acho que vai um pouquinho além disso. Para mim, um produto digital de sucesso seria aquele que atende às necessidades e às expectativas do usuário oferecendo uma experiência satisfatória, que seja fácil de ele utilizar e ele performar as atividades que ele precisa. Eu acho também que precisa ter um bom desempenho técnico ali. Por exemplo, no nosso cenário, que ali é uma questão de aplicativo, não pode ser um aplicativo muito pesado, não pode ser um aplicativo que vai consumir tanta bateria assim, e eu acho também que ele precisa estar muito bem alinhado com o seu objetivo de negócio. Qual é o objetivo do meu aplicativo? Eu quero aumentar a receita? Eu estou conseguindo aumentar a minha receita com o uso daquele aplicativo? Ou então: eu quero engajar mais os meus usuários, eu estou conseguindo engajar? Eu estou conseguindo manter esse pessoal aqui dentro? Então, eu acho que vai muito além só de ter uma nota boa, um review bom. Acho que tem várias coisas por trás disso. 

Diulia: Legal demais. 

Pedro: Super. No fim, o produto que performa bem por si só, mas tem que impactar os negócios também, não é, Dani? 

Daniele: Exatamente. 

Pedro: Vocês conseguem contar um pouquinho para a gente sobre qual é a ideia inicial por trás do produto? 

Daniele: Eu vou começar, e a Clara vai complementando. O nosso produto, ele é um aplicativo para a gente fazer pedidos em uma grande rede de restaurante dos Estados Unidos. Ele surgiu, na época, com o intuito de aumentar a adesão digital do nosso cliente. Quando a gente começou a atuar, na verdade, ele era um produto que já existia. Chegou uma MVP para a gente, e, desde então, a gente vem trabalhando no redesign não só das telas, mas também dos fluxos, a ponto que o usuário consiga fazer um pedido no menor tempo possível e que seja atrativo para ele olhar aquilo que está sendo mostrado na tela. A gente fez todo um trabalho com os designers, questão de escolha de cor e tudo mais, tudo para fazer com que o usuário se sentisse bem usando o nosso aplicativo. E como é um aplicativo específico, acho que a maior barreira que a gente tinha era a questão de porque eu vou usar esse aplicativo do restaurante e não um aplicativo que tenha vários restaurantes e que eu consiga fazer o pedido por lá também. Então, tudo que a gente vem trabalhando é justamente para fazer com que o usuário use o nosso, e não outros, não peça por outros aplicativos. 

Clara: Só complementando, é porque uma das dores do cliente era porque ele tinha lançado um MVP, e a adesão não foi a esperada. Eles investiram muito no desenvolvimento do aplicativo, e eles não sabia o que estava errado. E a gente acredita que, lá no início, quando a gente estava revisitando, vendo como funcionava o aplicativo, era que a experiência do usuário não estava sendo o foco. Eles meio que construíram e falaram: “acho que é assim”, sabe? O achismo. Eles não fizeram, de fato, um estudo para ver como que os usuários deles iriam receber isso. Foi daí que a gente partiu, tanto que a Dani comentou do redesign, da melhora de fluxo, é porque tudo isso se originou por conta dessa dor do cliente. 

Pedro: O desafio começou a partir do insucesso, na verdade. 

Clara: Do insucesso, exatamente. 

Diulia: E é legal pensar que o insucesso inicial não desmotivou eles a só largarem a solução. Entenderam que realmente era um MVP que precisava evoluir. 

Clara: Exatamente. Eu acho que a pandemia ajudou muito nisso, porque foi bem nessa época. Eles lançaram o aplicativo, se não me engano, foi em 2020, e depois veio a pandemia, e eles viram que eles precisavam mais ainda do aplicativo porque as pessoas não estavam indo às lojas. 

Pedro: Não digitalizar não era uma opção. 

Clara: Exatamente. 

Pedro: Pode terdado errado a primeira vez, vamos tentar de novo, de outra forma. 

Clara: É, eu acho que eles tiveram esse clique de que eles precisavam investir nos canais digitais para ter, realmente, esses clientes vindo no restaurante, senão, eles poderiam quebrar. E eles têm muitas unidades, muitas lojas espalhadas, então, eles precisavam priorizar isso. Imagina fechar um tanto de loja? Não era viável. 

Diulia: É, nossa. 

Clara: Então, era melhor investir no aplicativo para dar certo do que acabar fechando as lojas porque não estava vendendo. 

Diulia: Só uma curiosidade: vocês falaram de redesign, usuário, e aí a minha mão coça, eu já começo a ficar… vocês comentaram que o fluxo não estava da melhor maneira, que tinha uma série de ajustes que precisavam ser feitos. Como é que vocês fizeram, ainda mais tendo um cenário em que vocês comentaram, uma rede dos Estados Unidos? Como é que vocês conseguiram melhorar esse fluxo, entender o que, de fato, geraria valor para esse usuário, entender como é que esse usuário se comportaria? Vocês conseguiram ter contato? Como é que vocês fizeram? 

Clara: Vou até dar créditos aqui, porque o Vini foi um grande impulsionador, o Luiz também, na época em que era o PO, também. Então, eles fizeram um discovery, basicamente, fizeram tipo um mapeamento do app para ver como estava, como funcionava, e eles impulsionaram com o discovery. Eles foram investigando com os outros, fazendo um benchmark, vendo como os concorrentes estavam fazendo. Eles chegaram em um fluxo que poderia ser o utilizado, e aí eles fizeram o recrutamento de pessoas. Primeiro, teve um recrutamento, se não me engano, interno, aqui na dti, a gente rolou com as pessoas daqui, depois, o Luiz tinha uns amigos nos Estados Unidos, e acabou que ele conseguiu entrar em contato com essas pessoas, e eles participaram de um teste também, de usabilidade. Depois disso tudo, quando a gente mostrou os resultados para o cliente e mostrou que fazia sentido recrutar uns usuários finais, que, de fato, iam usar o app, foi muito bacana. E eu entrei justamente nessa época que eles estavam fazendo entrevistas com os usuários finais, e foi muito bacana porque eles usaram o aplicativo, deram o feedback, sabe? Acho que foi mais ou menos isso, a partir de um discovery, que a gente conseguiu recortar pessoas, e saiu, de fato, o que a gente estava esperando. E eu falo de fato porque a gente reanalizou as métricas, a gente olhou para as métricas e falou: realmente, com base nessas entrevistas e tudo mais, a gente chegou no tempo que a gente estava estimando, o tempo que a gente conseguiu ter com os testes e tudo mais. Foi muito bacana. Acho que, quando a gente viu os resultados, a gente falou: “gente, a gente conseguiu”, sabe? Foi muito bacana. Acho que o Luiz, na época, já tinha saído, e eu mandei para ele, falei: “Luiz, olha isso, é seu filho também”, porque, querendo ou não, gente, a gente está aqui, construindo, a gente acaba tendo… 

Pedro: O time fica orgulhoso, com certeza. 

Clara: É. 

Diulia: Muito legal. 

Pedro: A gente comentou que, na verdade, vocês conseguiram inverter, a partir de todo esse processo de discovery inicial, contato com o usuário final superimportante, a gente já falou disso em mil outros episódios, não é, Diulia? E aí você falou de algumas métricas. O que é o principal, hoje, que vocês fazem para identificar o sucesso que se mantém? Qual é a principal métrica, o que é o principal que vocês acompanham? 

Clara: Varia muito com o objetivo que você está olhando e tal, mas a gente usa muito taxa de conversão; também engajamento, é uma coisa que a gente olha; feedback do usuário é muito pouco, mas a gente ainda consegue porque o nosso cliente, ele tem como se fosse um costumer service, então, ele tem feedback desse cliente, a gente recebe isso também, acaba sendo uma métrica para a gente; a gente também tem o tempo mediano de conversão, então, a gente tem o mapeamento das telas, a gente consegue ver se o usuário fez o esperado; a gente olha também taxa de clique, que é uma coisa importante dentro do app, então, a gente consegue colocar vários gatilhos ali para ver. Acho que, no mais, é isso. A gente rodeia muito nisso porque é o que a gente consegue, realmente, tirar de dentro do app. 

Pedro: Bacana, várias métricas de produto. 

Clara: Sim. 

Pedro: E de uso. 

Clara: É. 

Pedro: Legal. E hoje, vocês conseguem acompanhar alguma métrica de negócio também? Tem acesso a alguma, vamos dizer? 

Clara: Não na forma que eu esperava. Eu queria que fosse mais transparente, mais claro para a gente. (Acaba que isso) [00:16:49] fica com o cliente. A gente revisita essa métrica anualmente, e eles mostram os resultados para a gente. A que a gente tem um contato, que eles mostram para a gente é a North Star que, basicamente, é um tíquete médio do app. Ano passado, por exemplo, eles compartilharam com a gente que, analisando de janeiro até outubro de 2022, a gente teve um aumento de 15% nessa métrica. E isso é muito bom, muito positivo e tudo mais. E o mais legal é que o cliente compartilha com a gente, é como se ele realmente fizesse parte do time que estaria ali, desenvolvendo. Na nossa realidade, acaba que, realmente, a gente é um timezão, sabe? O cliente é nosso parceiro também, ele está ali, colaborando o tempo inteiro. É muito legal quando a gente recebe uma notícia boa, e ele ainda dá um up nessa notícia. Muito legal. 

Pedro: Superlegal. Às vezes, a informação não vem na frequência que a gente gostaria, às vezes, por diversos motivos, o próprio negócio tem lá suas razões ou receios para não compartilhar, mas, quando vem um cheiro de um resultado realmente executivo, impactando receita, tíquete médio, é realmente muito empolgante para o time. E você compartilha isso com todo mundo, todo mundo tem acesso? 

Clara: Eu compartilho tudo com o time. A gente tem a reunião oficial, que é revisão de métricas, que a gente tem a cada 15 dias, mas, quando é uma notícia dessa, eu não seguro, não, eu conto, eu falo: “gente, olha isso”. É porque o time quer ver também o resultado, a gente não pode ficar segurando, tipo: “na próxima revisão de métricas, eu conto”. Não, é um resultado agora: “gente, olha isso”. E o bom é que dá uma impulsionada no time. Eu falo: “nossa, a gente realmente está gerando valor para o cliente, e o cliente está vendo”. 

Pedro: Legal demais. E uma pergunta, essa, talvez, vá mais para a Dani, um pouco mais técnica: quando vocês chegaram, já era possível obter todas essas métricas? Vocês tiveram algum esforço para poder implantar ferramenta, como é que foi isso? 

Daniele: Eu lembro que, no início, a gente começou a colocar alguns eventos dentro do app, então, dependendo da ação que o usuário fazia, a gente ia lá e coletava. A partir disso que a gente começou a fazer essa medição. 

Pedro: Está certo. Legal. Mas, já existia alguma coisa na ferramenta anterior? 

Daniele: Já existia, a gente só adicionou mais coisas. Eu não consigo lembrar ao certo quais eram os que a gente tinha na época, mas a gente adicionou muito mais. 

Pedro: É, eu imagino até que, com o discovery, vocês revelaram a necessidade de acompanhar coisas novas e tal. 

Daniele: Isso. 

Clara: E a gente ainda tinha aquela falha entre as plataformas, os eventos estavam sendo engatilhados de forma diferente, então, no primeiro momento, a gente quis ver quais eventos estavam sendo engatilhados da forma correta. No primeiro momento, não foi assim: já vamos olhar para o dado. Não, a gente olhou, primeiro, se eles estavam acontecendo de fato, da forma que a gente queria, e aí a gente teve que passar para uns ajustes. A gente não recebeu ele limpo, não, a gente teve que dar um polidinha. 

Pedro: Aquela bola quadrada, não é? É assim. 

Clara: É. 

Diulia: Só para a curiosidade que eu sei que o pessoal normalmente tem, que a gente sempre recorta para um viés muito prático as conversas que a gente vai tendo com os convidados: como é que vocês mediam? Tinha alguma ferramenta de acompanhamento, era fora das ferramentas, através apenas de discovery? Vocês têm alguma ferramenta de monitoramento que vocês acompanham, onde vocês colocam esses eventos? Como é que é? 

Clara: No caso, ferramenta dos eventos? No caso, a gente fez o mapeamento. A gente usou o Miro, e aí a gente fez tipo um fluxograma de como é o comportamento do aplicativo. Dentro dele, a gente coloca onde são os gatilhos desses eventos, então, todo mundo do time consegue ter acesso. Mas, antes… aí é com a Dani. 

Daniele: Bom, hoje, a gente consegue olhar essas métricas e também esses eventos dentro do …, que é onde a gente consegue ler ali. Tudo que a gente tira, a gente tira de lá. Quando a Clara vai fazer essa reunião de métricas com a gente, geralmente, ela traz os prints, ela determina lá o período e tudo mais, e aí a gente consegue ver as mudanças nos dados ali. 

Pedro: Legal, legal. 

Diulia: Legal. Uma coisa: a gente, no começo, falou da importância de ter métricas e, aqui, a gente citou tanto métricas de negócio, quanto métricas de produto, quanto métricas de uso. Vocês conseguem, rapidinho, só diferenciar esses três tipos de métricas para quem está ouvindo e, às vezes, não tem tanto contato? Uma quer dizer a outra em algum nível, talvez, não, as três são separadas, elas conversam. Só porque, às vezes, a pessoa quer começar a medir alguma coisa, e aí ouve as três e fala: “eu tenho que escolher uma? Tem uma que é mais importante? Começo por alguma?”. Como é que essas três acontecem? 

Clara: Eu acho que elas são muito correlacionadas, não tem como destrinchar e falar: essa é isso, essa é aquilo. Eu enxergo muito que elas são… vamos dizer patamares. A métrica de uso é a que você tem contato mais direto, é uma coisa que você consegue, por exemplo, estabelecer para a sua feature. Ali, é uma métrica de uso, que você consegue ter, eu acho que uma resposta mais rápida. Às vezes, é um fluxo pequeno do app, não é uma coisa grande, sabe? E a métrica de produto, eu enxergo como se fosse o segundo patamar, que é o conjunto ali de métricas de uso que você usa para atingir determinada métrica. E a métrica de negócio é ainda maior, é um conjunto dessas métricas de produto para você chegar em uma métrica de negócio, que seria o que a gente falou da adoção digital. Então, a gente tem uma métrica de negócio também que está relacionada com a adoção digital. Acho que é isso. No meu ponto de vista, seria essa a diferença. Ao mesmo tempo, não tem uma diferença assim tão nítida, acho que por isso que causa essa confusão. 

Diulia: É. E a gente estava até conversando antes de começar a gravar sobre o fato de que a gente tem esses tipos de métricas, algumas são mais disponíveis, umas já são mais acompanhadas. Por exemplo, as métricas de uso, você pode ter insights que você não estava esperando ali, e aí você vai precisar correlacionar os dados para poder chegar em algum ponto de conclusão. As de produto, você já está acompanhando um pouco mais porque elas já estão um pouco mais relacionadas com os objetivos do time, já é um recorte mais definido, assim: “isso a gente precisa acompanhar para poder ter uma visão”. E a de negócio, o que a gente estava comentando é que, às vezes, é até um pouco difícil de a gente virar e falar: isso daqui é sucesso do app. Porque a gente começa a envolver outras áreas também, não é? 

Clara: Outras equipes, igual a gente falou aqui, do Marketing. A gente tinha muito próximo o time de Growth também, que eles estavam fazendo ações para alavancar o app também, então, realmente, a de negócios, sim, você tem uma noção, mas você não sabe se, de fato, foi você mesmo que impactou. Fica meio nebuloso. 

Pedro: É mais difícil de rastrear com as ações do time ou do produto, não é? 

Clara: É. 

Diulia: Aí as de produto acabam ajudando um pouquinho nisso, que você fala: “não, espera aí, em algum nível, a gente está caminhando corretamente aqui, está fazendo sentido”. 

Pedro: Voltando um pouquinho para o case, vocês comentaram que, hoje, entrou em uma fase mais de sustentação, a gente está priorizando mais manter e, talvez, fazer pequenas melhorias, mas, no momento da rampagem do produto mesmo, como que vocês decidiam o que priorizar? Porque eu imagino que, quando vocês receberam a bola quadrada do app que falhou primeiro, já fizeram o discovery e, sei lá, levantaram muitas coisas que precisavam ser feitas, não é? Como que vocês decidiam o que priorizar? 

Clara: A gente, hoje, tem algumas ferramentas para dar uma direcionada, mas a que eu mais uso, particularmente, é aquela matriz de esforço e impacto. O mais interessante é: a gente enxergou as oportunidades, mas aí é interessante você fazer um levantamento técnico para ver: vai demandar muito esforço de desenvolvimento? Aí você vai comparando: o que vai impactar mais o usuário? Aí você vai colocando nessa matriz, e você tem uma visualização muito boa do que você pode já atacar e o que ainda vai precisar de um refinamento um pouco mais demorado e tudo mais, e aí você vai meio que enxergando isso. O mais importante é: o que vai impactar muito o usuário, mas o desenvolvimento vai ter um esforço mínimo? Vamos atacar esse primeiro. 

Pedro: A capacidade de priorizar é um grande diferencial para ser realmente produtivo. E quanto tempo que durou, gente, desde que vocês pegaram, até o lançamento do aplicativo novo? 

Clara: A gente sempre estava ali, apitando, melhorando os pontos no app e tudo mais, mas a primeira entrega, de fato, que teve o redesign, que foi uma das maiores, foi no final do ano passado. Então, foi uma coisa que demorou, a gente está atuando desde outubro de 2021, e foi quase no outro ano que a gente, de fato, conseguiu sair com o redesign. 

Pedro: O redesign foi, vamos dizer, a entrega mais bruta… 

Clara: Mais bruta. 

Pedro: … mas, vocês já estavam fazendo outras redesignações. 

Clara: Outras entregas, sim. 

Pedro: Legal. 

Clara: Por exemplo, acho que a primeira foi a melhora no fluxo do app, que era de escolher o método de entrega. Ele não estava muito bem alocado, então, foi a primeira coisa que a gente mudou no fluxo. Eu considerei essa entrega muito grande. 

Pedro: Sim, uma grande release, o redesign. 

Clara: É. 

Pedro: Legal. Deu para cortar o mato alto antes, não é? 

Clara: Sim. 

Pedro: Já tinha coisa latente, doendo, que dava, sei lá, para fazer uns quick wins. 

Clara: É. 

Diulia: Mas aí, Dani, essa solução que a gente comentou, do MVP, que não estava caminhando tão bem, ela estava no ar desde o começo, em algum momento, eles definiram que iam tirar um pouco do ar para poder começar a fazer os ajustes? Como é que foi essa evolução? Vocês comentaram que tiveram algumas releases ao longo do processo – e essa release maior – mas, o tempo todo, a solução estava disponível? 

Daniele: O app, ele esteve o tempo todo em produção, a gente nunca tirou o app do ar para fazer nenhum tipo de melhoria. E uma abordagem que a gente adotou para que não ficasse: toda semana tem uma release nova… porque a gente sabe que é meio chato você ter que ficar atualizando aplicativo ali, toda semana e tudo mais, então, a gente adotou uma abordagem de fazer uma release a cada três sprints. Então, a gente não tinha uma entrega no final de duas semanas, as nossas entregas eram feitas a partir de um mês e meio, justamente para que a gente tivesse uma quantidade boa de coisas para a gente poder publicar, que fosse ter um grande impacto no usuário e também que não fosse nada chato para ele ter que ficar atualizando o app a cada duas semanas para que ele conseguisse ter aquela melhoria. 

Diulia: É uma eterna busca de equilíbrio, não é? A gente sabe que vai gerar valor para o usuário, mas, ao mesmo tempo, a gente sabe que vai ter a curva de aprendizado, a gente sabe que vai ter atualização da ferramenta, então, por mais que a gente acredite que vai gerar valor, a gente tem que tentar minimizar o transtorno que a gente gera. Realmente, é um equilibrar de pratinhos para poder conseguir fazer isso. Eu vou aproveitar e vou seguir, Dani, já que a gente estava falando dessa lógica: o que vocês consideram que foram fatores críticos de sucesso para vocês poderem concluir essa missão de vocês, dessa grande virada para esse momento mais de acompanhamento? 

Daniele: Pensando mais no nível do time de desenvolvimento, eu diria que foi a questão de a gente conseguir manter o time motivado. Eu acho que trazer esses resultados que o cliente mostrava para a gente, deixar tudo muito transparente para o time dá um up, a gente fica feliz em ver que aquilo que a gente está fazendo está dando resultado. Eu acho, também, que criar um ambiente em que a gente pode testar e errar, porque uma coisa que foi muito legal nesse projeto foi que a gente conseguiu testar várias coisas, igual a Clara comentou. A gente conseguiu trazer usuários finais para poder testar o app, tivemos vários discoveries, através deles, conseguimos várias oportunidades. Então, a gente conseguir ter um ambiente que seja seguro para que a gente faça esse tipo de coisa, se a gente errar, a gente errou rápido, então, é rápido de a gente consertar, e a gente prepara uma nova estratégia, em uma nova abordagem. Eu acho que esses dois fatores, para mim, são essenciais. E, também, muito da questão da nossa comunicação com o cliente. A gente sempre foi muito transparente com eles, sempre fomos muito abertos e também sempre trouxemos ele muito para o nosso lado. Sempre foi tudo muito conversado, sempre foi tudo muito bem explicado com eles, questão de proposta. Uma coisa que eu acho legal que a gente faz, a gente sempre teve tudo muito visual, para que não fosse só aquela coisa falada, mas que eles conseguissem ver também o que a gente estava propondo. A gente tinha algumas reuniões de… eu esqueci agora qual era o nome da reunião, mas, nessas reuniões, a gente trazia as ideias dos designers, a gente trazia o protótipo, mostrava para eles o que a gente estava pensando em fazer, e ali a gente começava a discutir isso. Eu acho que tudo isso ajudou para que a gente tivesse sucesso hoje. 

Pedro: Legal. Eu sou superfã também de fazer representação visual para tudo que a gente vai… tentar vender uma ideia, desenhando é muito mais fácil. 

Clara: É. 

Diulia: É porque, na cabeça de cada um, eu costumo brincar, normalmente, quando vai fazer algum processo de ideação, se eu falar sorvete, você, Pedro, vai imaginar um sorvete, a Clara vai imaginar outro sorvete, a Dani vai imaginar outro que tenha a ver com o que a gente reconhece de sorvete, às vezes, uma memória afetiva… 

Pedro: Com os nossos vieses, cada um com o seu. 

Diulia: É. Aquele sorvete gostoso, que você fala: “nossa, esse daqui, que saudade”. Agora, a gente está gravando antes do almoço, já vai dar aquele gatilho da sobremesa. 

Pedro: Já rolou. 

Diulia: Mas, realmente, quando a gente leva para o pensamento visual, fica muito mais tangível de qual é o universo que a gente está realmente tratando, não é? 

Pedro: É. 

Diulia: Legal demais. 

Pedro: E você, Clara, tem alguma lição aprendida, um conselho final que você daria, que talvez te ajude em outros produtos futuros, ou outras pessoas de outros times de produto? 

Clara: Eu acho que o ponto crucial, que a Dani até comentou, que é a comunicação com o cliente. Para mim, isso é o que mais impacta na hora que você está ali, desenvolvendo, porque, hoje em dia, a gente tem uma confiança tão grande do cliente que ele não… ele questiona, obviamente, porque ninguém aceita assim tão fácil, mas eles entendem o que a gente está fazendo, confiam no nosso trabalho, e a gente teve até um episódio que a gente implementou um teste A/B – foi a primeira vez que a gente fez e tudo mais – e acabou que o cliente não estava muito acreditando, mas ele falou: “faz aí, vamos ver”. E aí, foi até nessa semana, eu não mostrei o resultado para ele e mostrei que, realmente, fazendo um teste A/B, ele teria um resultado bom. Ele poderia ter duas possibilidades ali, e o que a gente propôs como sendo o B, realmente, impactaria no produto. E eles ficaram chocados, adoraram isso. Então, ter essa transparência com o cliente, sabe? Falar: olha, aposta em mim, sério mesmo, porque vai dar certo. E eu mostrei dados também, não foi só boca a boca. 

Pedro: Confia em mim cegamente. 

Clara: Não, não. 

Diulia: Fecha os olhos e vamos lá… 

Clara: É, a gente tem um embasamento aqui, mas confia que, a partir disso, disso e disso, a gente vai conseguir. E foi muito legal, não é, Dani? Na reunião, eles falaram: “nossa, me manda isso, que eu quero mostrar para o time aqui, interno”, sabe? 

Pedro: O negócio já viraliza, não é? É muito legal esse momento. 

Clara: Exatamente. 

Diulia: Uma coisa que vocês comentaram, mas eu não sei se é impressão ou se, realmente, era uma parte do time, a gente não chegou a entrar nesse detalhe antes. Pelo que vocês comentam os testes que vocês faziam eram testes rápidos e relativamente, entre aspas, baratos, no sentido de até quando tinha essa curva de conseguir provar que o teste em si gerava valor, igual você está comentando desse teste A/B, imagino que o discovery também não pôde demorar mil anos para poder sair, para que pudessem identificar: que beleza, esses insights foram realmente valiosos. Imagino que vocês foram tendo que mostrar que o processo fazia muito sentido, para que o cliente também, tanto fizesse parte do processo, mas também compreendesse a forma como o time se organizava e o que time priorizava. 

Clara: A gente explicava muito bem os nossos processos internos para eles, e aí a gente tinha uma reunião de pré-refinamento, que é onde a gente mostrava justamente o que a gente estava ali, bolando. Então, às vezes, está na fase de um discovery, a gente deixava isso claro para eles e também explicava os porquês. Às vezes, eles opinavam, falavam. Pela questão cultural também, eles opinavam em algumas coisas, por exemplo: “aqui, não vai funcionar isso”. E a gente escutava isso porque a gente não pode tornar a nossa verdade como única, então, a gente considerava o contexto que a gente estava e levava isso em consideração no desenvolvimento também. Acho que foi por isso que foi encaminhando. Hoje, está tudo fluindo de uma forma boa e leve, e aí o time inteiro percebe isso. Por isso que fica o time inteiro também querendo dar o máximo para o produto, porque as coisas estão funcionando e a gente está tendo resultado a partir disso. 

Diulia: Sensacional. 

Pedro: Show, gente. 

Diulia: É. E aí, para a gente poder encerrar, a gente sempre, igual eu comentei, tem esse viés mais prático, então, começando por você, Dani: para um time que não tem nenhum tipo de medição hoje, não tem acompanhamento de métricas, o que poderia ser um primeiro passo? Por onde seria interessante começar para que, no futuro, desse para poder isso fazer parte do dia a dia e da rotina deles? 

Daniele: Eu acho que o time precisaria olhar primeiro para si, ver o quanto eles conseguem entregar pelas métricas de time mesmo: qual é a capacidade do meu time, qual é a velocidade que eu consigo entregar uma história, qual é o nível de satisfação do pessoal que está dentro do meu time. Porque eu acho que, através disso, a gente consegue planejar muito bem as coisas que a gente consegue entregar, e a partir do momento que a gente planeja bem, que a gente vê aquilo surtindo efeito, aí eu acho que aumenta a motivação, a galera vê ali tudo que está acontecendo e, consequentemente, o produto vai ficando melhor e a gente consegue inserir as novas métricas, a gente consegue começar a olhar mais para o produto. Porque não adianta nada eu querer olhar para o produto sendo que eu não sei qual é a saúde do meu time, eu não sei como ele está se sentindo desenvolvendo aquilo ali. Então, para mim, eu acho que eu começaria olhando primeiro para o time, para depois olhar para o produto, porque sem time, não existe produto, sem as pessoas fazendo. Eu acho que é isso. Eu acho que a Clara vai discordar um pouquinho, eu acho que ela vai puxar mais a cordinha para o produto, não é? Aqui é meio que a SM falando com a PO. 

Pedro: Nós temos dois pilares muito bem representados aqui. Você está olhando super para operações, e todos os pilares têm a sua importância, e a Clara vai prezar mais pelo de produto. E é isso, a gente precisa de vocês duas mesmo, dentro do time, para ter esse equilíbrio. 

Diulia: É. Até uma curiosidade, o Pedro estava doido para ter SM aqui, não é? Que a gente tem chamado… 

Pedro: É, eu falo: “poxa, a gente convida um monte de designer, PO, tal”. Adoro vocês, tá? … Mas, a minha raiz é Scrum Master também, eu também era Scrum Master. Eu gosto de conversar um pouco com o pessoal de operações também, porque a gente está sempre falando do comece pelo porquê, e o pessoal de produto se sente muito bem representado, e eu fico: e nós, de operações, onde é que a gente fica? 

Diulia: É, o trabalho de operações, ele chega a ser um pouco… a gente fala no design, por exemplo, que o bom design é invisível, e acho que essa frase replica muito para operações porque a operação que funciona redondinha, o negócio flui de uma maneira que é muito harmônica, muito orgânica, e, sendo assim, fica meio invisível também, parece muito natural. 

Pedro: Na verdade, operações é guardiã dos outros pilares também. Na verdade, operação rodando certinho, com maestria, quer dizer que os outros três também estão saudáveis. 

Diulia: Exatamente. A gente, normalmente, tem muita facilidade, a gente fez até os episódios de tendências um tempo atrás, de falar de uma maneira mais tangível do pilar de produto, de design e de engenharia, mas, se não tiver operações abraçando tudo e fazendo com que as coisas fiquem orquestradas e bem-alinhadas, nossa, o negócio quebra demais da conta. 

Pedro: De fato. E não mentiu, não é, Dani? Não existe produto sem time, porém, também não existe time sem produto. 

Daniele: … 

Pedro: Não, mas está certinho. É o ovo ou a galinha isso aí, então, é isso mesmo. Vamos fechar com a da Clara, então. Qual é a dica de ouro? 

Clara: Olha, a Dani já falou do time, mas eu acho que, também, a gente tem que se preocupar: como que eu vou mensurar essa minha geração de valor? Como que eu vou realmente mostrar para o cliente que eu estou ali, desenvolvendo uma coisa que é significante? Então, eu investiria na parte de dados, igual ao do aplicativo. A gente não tem contato com o cliente final, como que a gente conseguiria desenvolver um aplicativo se a gente não tivesse essa base de dados? Eu não consigo imaginar. Se a gente não tivesse acesso a tantos dados assim, a gente ia muito no achismo. Poderia funcionar? Claro, poderia, mas não teria um fundamento ali. Então, eu investiria nessa base de dados para aí você ter uns insights e tudo mais e gerar também demandas para o time. É o que você comentou, não existe time sem produto, e nem produto sem um time. Por isso que a gente é a dupla dinâmica aqui, a Dani vai priorizar, realmente, o time, e eu vou olhar: beleza, e aí? O que o time vai fazer agora? 

Pedro: Legal. E é isso. Aproveitando o gancho da Clara, escutem todos os episódios que a gente tem gravados sobre dados, decisões baseadas em dados. É isso, tem bastante conteúdo. E é isso, vamos fechar, não é, Diulia? Adorei o papo. 

Diulia: É. Dava para poder ficar falando aqui muito mais tempo, não é? 

Pedro: Sim. 

Diulia: Ainda mais por ser um tema que está tão atual, tão relevante. Mas, foi maravilhoso, gente. 

Pedro: Foi ótimo. 

Diulia:  É muito bom falar sobre um tema que está tão relevante, mas com um case prático, que aí a gente consegue, de fato, inspirar as pessoas de uma maneira que toque em um lugar diferente, porque você começa a falar: “nossa, é possível”; “nossa, eles tiveram essa dificuldade”; “nossa, eles conseguiram encontrar um caminho”. Muito legal, parabéns pelo trabalho de vocês. 

Pedro: Parabéns pelo sucesso, transmitam os nossos parabéns para todo mundo do time também, a galera do cliente. Com certeza, está sendo uma parceria maravilhosa. E, se a gente não tiver perguntado qualquer coisa que os nossos ouvintes gostariam de ouvir, a gente traz as meninas aqui de novo, não tem problema. 

Diulia: É. 

Pedro: Podem mandar para a gente as perguntas, seja pelo Instagram, no @osagilistas. 

Diulia: Seja pelo LinkedIn também. 

Pedro: LinkedIn, é, qualquer dos nossos canais, que a gente responde em algum dos nossos conteúdos. E tem também a nossa newsletter mensal, não deixem de se inscrever, vocês vão receber, é uma leitura superbacana, cinco minutos, uma vez por mês, garanto que é muito bom. E é isso, obrigado, pessoal. Adoramos receber vocês aqui nos Agilistas. 

Diulia: Voltem mais. Foi a primeira vez das duas, voltem mais, fiquem à vontade, a casa é de vocês. 

Daniele: Tchau, obrigada. 

Pedro: É isso, até a próxima. 

Clara: Obrigada, gente, foi maravilhoso, gente.

Diulia: E aí, pessoal, tudo joia? A gente está, hoje, em mais um episódio dos Agilistas. Estou aqui de novo, a Diulia, e, junto comigo, de praxe, a gente tem o Pedro. E aí, Pedro, tudo bem?  Pedro: Olá, pessoal. Prazer em estar aqui de novo.  Diulia: E o tema de hoje é um tema que eu acho que… foi você que levantou esse tema, Pedro?  Pedro: Com certeza, foi. Muito provavelmente, fui eu, Diulia, porque a gente está vendo todos os clientes superanimados com esse tema, onde a gente não está sendo puxado, é a gente que está puxando falar de métricas.  Diulia: É, exatamente. Pois é, eu te perguntei isso porque eu sei que você lida diretamente com clientes e com produtos. Até introduzindo um pouquinho o que é o tema de hoje em si: a gente vai falar sobre o acompanhamento de indicadores, indicadores que realmente ajudam a gente a ter uma visão da geração de valor, só que a gente vai fazer isso de uma maneira diferente. A gente, ao invés de falar de uma forma mais teórica… a gente até já teve um episódio, que é o Data-Informed, que é o 218, ele não chama exatamente assim, mas é justamente como que a gente baseia as nossas tomadas de decisão, a gente fala muito sobre isso, mas hoje a gente queria um papo bem mais prático e, para isso, a gente tem convidadas especiais aqui. Queria que vocês se apresentassem para a gente, a Clara e a Dani.  Clara: Oi, gente. Eu sou a Clara, eu sou PO aqui na dti e estou há oito meses. É a primeira vez que eu estou participando dos Agilistas, e espero poder compartilhar muito com vocês a nossa experiência.  Daniele: Oi, pessoal. Eu sou a Daniele, eu sou SM na dti, eu estou aqui tem um ano e cinco meses. Eu já participei de um episódio dos Enzimas, mas é a primeira vez que eu estou aqui nos Agilistas, e queria agradecer o convite. Espero que a gente tenha um papo bom hoje e que todo mundo consiga tirar algum ensinamento.  Diulia: Legal demais. Qual era o tema do Enzimas?  Daniele: Era sobre trabalho em equipe, pensando em uma equipe mais multidisciplinar, como sessão de QA, PO , ou tendo todos os papéis dentro do time.  Diulia: Sensacional. Eu acho que a gente até vai falar um pouco disso hoje de novo, não é?  Pedro: Com certeza.  Diulia: Que isso é um dos fatores cruciais do próprio time. Mas, e aí? Quando a gente fala com relação… “vamos conversar sobre indicadores, sobre métricas”, do que a gente está falando, Pedro?  Pedro: Olha, é aquilo que a gente estava conversando antes, Diulia. Parece que cada conversa prévia que a gente faz, a gente consegue quase gravar um outro episódio antes de gravar o episódio.  Diulia: É, exatamente.  Pedro: Mas, a gente está falando, na verdade, em como quantificar o sucesso. Eu acho que existem muitos times de produto que trabalho naquele feeling do sucesso, o feeling de que as coisas estão indo bem, muitas vezes orientados a feedbacks, mas, às vezes, de uma forma até não muito estruturada, ou não muito orientada por dados. E a gente precisa desse quantificador da estratégia. Igual eu falei, nesse cenário, hoje, 2023, mais apertado do que nos anos anteriores, quando isso não está sendo pedido da gente diretamente, nós estamos fazendo o possível para a gente levar e aumentar a maturidade dos times e mostrar o resultado, em falar de sucesso além do feeling, só de que as coisas estão indo bem, mas mostrar mesmo, provar com indicadores, gestão visual, e realmente falar de resultado. Então, a métrica nada mais é do que isso, um quantificador da estratégia para a gente poder, realmente, provar o sucesso. E aí a gente está aqui com a Dani e com a Clara para falar de sucesso, então, vamos trazer um case de sucesso. Essa que é a ideia. E aí queria começar perguntando para vocês, primeiramente: quando a gente fala de produtos digitais, o que vocês entendem que é sucesso?  Clara: Produto de sucesso, eu acho que é um pouco complexo de a gente falar, justamente que a gente está referenciando produtos digitais. Para mim, quando você atinge o sucesso é na hora que o produto, ele está performando da melhor forma possível e dentro daquele planejado. A partir de objetivos que você vai traçando, você consegue, a partir das métricas, ver se realmente está chegando lá. Para mim, quando você chega no objetivo que você quer é quando você tem esse sucesso.  Pedro: Legal. Dando até um outro passo aqui, antes de a gente voltar a falar do sucesso, Clara, você está atuando como PO, e Dani como Scrum Master, não é isso?  Daniele: Isso.  Pedro: E como que está estruturado o restante do time? Qual é o tamanho do time hoje, como é que vocês estão organizados?  Daniele: Hoje, o nosso time atende o cliente, nós somos compostos por sete pessoas: eu, como SM, a Clara, como PO, e a gente também tem no time um desenvolvedor iOS, um desenvolvedor Android, dois QAs e um designer. Pode até parecer um time grande, mas a gente já foi muito maior do que isso. No início, o nosso cliente, ele atendia duas redes de restaurante, então, a princípio, a gente ia atender essas duas redes. Em um certo ponto, eles decidiram vender uma delas, então, não fazia sentido a gente manter o time que a gente tinha, que era mais de dez pessoas na época, não lembro ao certo quantos que a gente tinha, mas éramos muitos, e aí ocorreu essa divisão por conta do cliente, por uma mudança de estratégia que eles tiveram.  Diulia: Mas, eu acho que isso é, inclusive, uma reflexão muito legal. A gente tem, dentro do Marketing, dentro de Comunicação, um conceito muito bem estabelecido de métricas de vaidade, e, às vezes, a gente pode ficar com a impressão de que crescer o time, ter um time muito grande, ou muitas pessoas dedicadas para poder atender um cenário, isso, por si só, é um indicador de sucesso, de que “a gente está crescendo, então, é porque está dando certo”, mas, por um alinhamento estratégico, por uma tomada de decisão, pode ser necessário que o time que está dedicado seja menor, sem que isso signifique que está dando errado. É realmente um posicionamento e um ajuste com o que é viável para aquele momento, para aquele cenário.  Clara: É, eu acho que isso entra muito no momento atual que a gente está passando hoje, que a gente está entrando em sustentação, e quando a gente escuta sustentação, a gente acha que para tudo, não vamos mais desenvolver o aplicativo, não vamos fazer nada…  Pedro: Parece que é o início da morte do produto quando falam em sustentação.  Clara: Exatamente.  Diulia: Agora, ele vive em aparelhos.  Clara: É. Quando a gente passou essa notícia para o time, a primeira reação foi: ferrou, acabou. Eles perderam um pouco a esperança no produto, e aí, na verdade, a nossa sustentação, na verdade, a gente só vai atuar com o time reduzido e a gente vai priorizar outros fatores, que, no caso, vão ser os bugs, mas a gente vai continuar fazendo o discovery normalmente, a gente vai encontrar oportunidades. Então, entra muito nisso, a gente tem um preconceito com algumas nomenclaturas, e, na verdade, eu acho que é uma adaptação à realidade, sabe?  Diulia: Não, faz super sentido. E aí, Dani? A Clarinha já falou um pouquinho sobre critério de sucesso, o que significa sucesso. E, para você, o que significa o sucesso?  Daniele: Complementando o que a Clara falou, eu acho que muitas vezes também, as pessoas pensam que, só porque um produto tem um review muito alto, várias pessoas falando bem, significa que ele é um produto de sucesso. Mas, eu acho que vai um pouquinho além disso. Para mim, um produto digital de sucesso seria aquele que atende às necessidades e às expectativas do usuário oferecendo uma experiência satisfatória, que seja fácil de ele utilizar e ele performar as atividades que ele precisa. Eu acho também que precisa ter um bom desempenho técnico ali. Por exemplo, no nosso cenário, que ali é uma questão de aplicativo, não pode ser um aplicativo muito pesado, não pode ser um aplicativo que vai consumir tanta bateria assim, e eu acho também que ele precisa estar muito bem alinhado com o seu objetivo de negócio. Qual é o objetivo do meu aplicativo? Eu quero aumentar a receita? Eu estou conseguindo aumentar a minha receita com o uso daquele aplicativo? Ou então: eu quero engajar mais os meus usuários, eu estou conseguindo engajar? Eu estou conseguindo manter esse pessoal aqui dentro? Então, eu acho que vai muito além só de ter uma nota boa, um review bom. Acho que tem várias coisas por trás disso.  Diulia: Legal demais.  Pedro: Super. No fim, o produto que performa bem por si só, mas tem que impactar os negócios também, não é, Dani?  Daniele: Exatamente.  Pedro: Vocês conseguem contar um pouquinho para a gente sobre qual é a ideia inicial por trás do produto?  Daniele: Eu vou começar, e a Clara vai complementando. O nosso produto, ele é um aplicativo para a gente fazer pedidos em uma grande rede de restaurante dos Estados Unidos. Ele surgiu, na época, com o intuito de aumentar a adesão digital do nosso cliente. Quando a gente começou a atuar, na verdade, ele era um produto que já existia. Chegou uma MVP para a gente, e, desde então, a gente vem trabalhando no redesign não só das telas, mas também dos fluxos, a ponto que o usuário consiga fazer um pedido no menor tempo possível e que seja atrativo para ele olhar aquilo que está sendo mostrado na tela. A gente fez todo um trabalho com os designers, questão de escolha de cor e tudo mais, tudo para fazer com que o usuário se sentisse bem usando o nosso aplicativo. E como é um aplicativo específico, acho que a maior barreira que a gente tinha era a questão de porque eu vou usar esse aplicativo do restaurante e não um aplicativo que tenha vários restaurantes e que eu consiga fazer o pedido por lá também. Então, tudo que a gente vem trabalhando é justamente para fazer com que o usuário use o nosso, e não outros, não peça por outros aplicativos.  Clara: Só complementando, é porque uma das dores do cliente era porque ele tinha lançado um MVP, e a adesão não foi a esperada. Eles investiram muito no desenvolvimento do aplicativo, e eles não sabia o que estava errado. E a gente acredita que, lá no início, quando a gente estava revisitando, vendo como funcionava o aplicativo, era que a experiência do usuário não estava sendo o foco. Eles meio que construíram e falaram: “acho que é assim”, sabe? O achismo. Eles não fizeram, de fato, um estudo para ver como que os usuários deles iriam receber isso. Foi daí que a gente partiu, tanto que a Dani comentou do redesign, da melhora de fluxo, é porque tudo isso se originou por conta dessa dor do cliente.  Pedro: O desafio começou a partir do insucesso, na verdade.  Clara: Do insucesso, exatamente.  Diulia: E é legal pensar que o insucesso inicial não desmotivou eles a só largarem a solução. Entenderam que realmente era um MVP que precisava evoluir.  Clara: Exatamente. Eu acho que a pandemia ajudou muito nisso, porque foi bem nessa época. Eles lançaram o aplicativo, se não me engano, foi em 2020, e depois veio a pandemia, e eles viram que eles precisavam mais ainda do aplicativo porque as pessoas não estavam indo às lojas.  Pedro: Não digitalizar não era uma opção.  Clara: Exatamente.  Pedro: Pode terdado errado a primeira vez, vamos tentar de novo, de outra forma.  Clara: É, eu acho que eles tiveram esse clique de que eles precisavam investir nos canais digitais para ter, realmente, esses clientes vindo no restaurante, senão, eles poderiam quebrar. E eles têm muitas unidades, muitas lojas espalhadas, então, eles precisavam priorizar isso. Imagina fechar um tanto de loja? Não era viável.  Diulia: É, nossa.  Clara: Então, era melhor investir no aplicativo para dar certo do que acabar fechando as lojas porque não estava vendendo.  Diulia: Só uma curiosidade: vocês falaram de redesign, usuário, e aí a minha mão coça, eu já começo a ficar… vocês comentaram que o fluxo não estava da melhor maneira, que tinha uma série de ajustes que precisavam ser feitos. Como é que vocês fizeram, ainda mais tendo um cenário em que vocês comentaram, uma rede dos Estados Unidos? Como é que vocês conseguiram melhorar esse fluxo, entender o que, de fato, geraria valor para esse usuário, entender como é que esse usuário se comportaria? Vocês conseguiram ter contato? Como é que vocês fizeram?  Clara: Vou até dar créditos aqui, porque o Vini foi um grande impulsionador, o Luiz também, na época em que era o PO, também. Então, eles fizeram um discovery, basicamente, fizeram tipo um mapeamento do app para ver como estava, como funcionava, e eles impulsionaram com o discovery. Eles foram investigando com os outros, fazendo um benchmark, vendo como os concorrentes estavam fazendo. Eles chegaram em um fluxo que poderia ser o utilizado, e aí eles fizeram o recrutamento de pessoas. Primeiro, teve um recrutamento, se não me engano, interno, aqui na dti, a gente rolou com as pessoas daqui, depois, o Luiz tinha uns amigos nos Estados Unidos, e acabou que ele conseguiu entrar em contato com essas pessoas, e eles participaram de um teste também, de usabilidade. Depois disso tudo, quando a gente mostrou os resultados para o cliente e mostrou que fazia sentido recrutar uns usuários finais, que, de fato, iam usar o app, foi muito bacana. E eu entrei justamente nessa época que eles estavam fazendo entrevistas com os usuários finais, e foi muito bacana porque eles usaram o aplicativo, deram o feedback, sabe? Acho que foi mais ou menos isso, a partir de um discovery, que a gente conseguiu recortar pessoas, e saiu, de fato, o que a gente estava esperando. E eu falo de fato porque a gente reanalizou as métricas, a gente olhou para as métricas e falou: realmente, com base nessas entrevistas e tudo mais, a gente chegou no tempo que a gente estava estimando, o tempo que a gente conseguiu ter com os testes e tudo mais. Foi muito bacana. Acho que, quando a gente viu os resultados, a gente falou: “gente, a gente conseguiu”, sabe? Foi muito bacana. Acho que o Luiz, na época, já tinha saído, e eu mandei para ele, falei: “Luiz, olha isso, é seu filho também”, porque, querendo ou não, gente, a gente está aqui, construindo, a gente acaba tendo…  Pedro: O time fica orgulhoso, com certeza.  Clara: É.  Diulia: Muito legal.  Pedro: A gente comentou que, na verdade, vocês conseguiram inverter, a partir de todo esse processo de discovery inicial, contato com o usuário final superimportante, a gente já falou disso em mil outros episódios, não é, Diulia? E aí você falou de algumas métricas. O que é o principal, hoje, que vocês fazem para identificar o sucesso que se mantém? Qual é a principal métrica, o que é o principal que vocês acompanham?  Clara: Varia muito com o objetivo que você está olhando e tal, mas a gente usa muito taxa de conversão; também engajamento, é uma coisa que a gente olha; feedback do usuário é muito pouco, mas a gente ainda consegue porque o nosso cliente, ele tem como se fosse um costumer service, então, ele tem feedback desse cliente, a gente recebe isso também, acaba sendo uma métrica para a gente; a gente também tem o tempo mediano de conversão, então, a gente tem o mapeamento das telas, a gente consegue ver se o usuário fez o esperado; a gente olha também taxa de clique, que é uma coisa importante dentro do app, então, a gente consegue colocar vários gatilhos ali para ver. Acho que, no mais, é isso. A gente rodeia muito nisso porque é o que a gente consegue, realmente, tirar de dentro do app.  Pedro: Bacana, várias métricas de produto.  Clara: Sim.  Pedro: E de uso.  Clara: É.  Pedro: Legal. E hoje, vocês conseguem acompanhar alguma métrica de negócio também? Tem acesso a alguma, vamos dizer?  Clara: Não na forma que eu esperava. Eu queria que fosse mais transparente, mais claro para a gente. (Acaba que isso) [00:16:49] fica com o cliente. A gente revisita essa métrica anualmente, e eles mostram os resultados para a gente. A que a gente tem um contato, que eles mostram para a gente é a North Star que, basicamente, é um tíquete médio do app. Ano passado, por exemplo, eles compartilharam com a gente que, analisando de janeiro até outubro de 2022, a gente teve um aumento de 15% nessa métrica. E isso é muito bom, muito positivo e tudo mais. E o mais legal é que o cliente compartilha com a gente, é como se ele realmente fizesse parte do time que estaria ali, desenvolvendo. Na nossa realidade, acaba que, realmente, a gente é um timezão, sabe? O cliente é nosso parceiro também, ele está ali, colaborando o tempo inteiro. É muito legal quando a gente recebe uma notícia boa, e ele ainda dá um up nessa notícia. Muito legal.  Pedro: Superlegal. Às vezes, a informação não vem na frequência que a gente gostaria, às vezes, por diversos motivos, o próprio negócio tem lá suas razões ou receios para não compartilhar, mas, quando vem um cheiro de um resultado realmente executivo, impactando receita, tíquete médio, é realmente muito empolgante para o time. E você compartilha isso com todo mundo, todo mundo tem acesso?  Clara: Eu compartilho tudo com o time. A gente tem a reunião oficial, que é revisão de métricas, que a gente tem a cada 15 dias, mas, quando é uma notícia dessa, eu não seguro, não, eu conto, eu falo: “gente, olha isso”. É porque o time quer ver também o resultado, a gente não pode ficar segurando, tipo: “na próxima revisão de métricas, eu conto”. Não, é um resultado agora: “gente, olha isso”. E o bom é que dá uma impulsionada no time. Eu falo: “nossa, a gente realmente está gerando valor para o cliente, e o cliente está vendo”.  Pedro: Legal demais. E uma pergunta, essa, talvez, vá mais para a Dani, um pouco mais técnica: quando vocês chegaram, já era possível obter todas essas métricas? Vocês tiveram algum esforço para poder implantar ferramenta, como é que foi isso?  Daniele: Eu lembro que, no início, a gente começou a colocar alguns eventos dentro do app, então, dependendo da ação que o usuário fazia, a gente ia lá e coletava. A partir disso que a gente começou a fazer essa medição.  Pedro: Está certo. Legal. Mas, já existia alguma coisa na ferramenta anterior?  Daniele: Já existia, a gente só adicionou mais coisas. Eu não consigo lembrar ao certo quais eram os que a gente tinha na época, mas a gente adicionou muito mais.  Pedro: É, eu imagino até que, com o discovery, vocês revelaram a necessidade de acompanhar coisas novas e tal.  Daniele: Isso.  Clara: E a gente ainda tinha aquela falha entre as plataformas, os eventos estavam sendo engatilhados de forma diferente, então, no primeiro momento, a gente quis ver quais eventos estavam sendo engatilhados da forma correta. No primeiro momento, não foi assim: já vamos olhar para o dado. Não, a gente olhou, primeiro, se eles estavam acontecendo de fato, da forma que a gente queria, e aí a gente teve que passar para uns ajustes. A gente não recebeu ele limpo, não, a gente teve que dar um polidinha.  Pedro: Aquela bola quadrada, não é? É assim.  Clara: É.  Diulia: Só para a curiosidade que eu sei que o pessoal normalmente tem, que a gente sempre recorta para um viés muito prático as conversas que a gente vai tendo com os convidados: como é que vocês mediam? Tinha alguma ferramenta de acompanhamento, era fora das ferramentas, através apenas de discovery? Vocês têm alguma ferramenta de monitoramento que vocês acompanham, onde vocês colocam esses eventos? Como é que é?  Clara: No caso, ferramenta dos eventos? No caso, a gente fez o mapeamento. A gente usou o Miro, e aí a gente fez tipo um fluxograma de como é o comportamento do aplicativo. Dentro dele, a gente coloca onde são os gatilhos desses eventos, então, todo mundo do time consegue ter acesso. Mas, antes… aí é com a Dani.  Daniele: Bom, hoje, a gente consegue olhar essas métricas e também esses eventos dentro do …, que é onde a gente consegue ler ali. Tudo que a gente tira, a gente tira de lá. Quando a Clara vai fazer essa reunião de métricas com a gente, geralmente, ela traz os prints, ela determina lá o período e tudo mais, e aí a gente consegue ver as mudanças nos dados ali.  Pedro: Legal, legal.  Diulia: Legal. Uma coisa: a gente, no começo, falou da importância de ter métricas e, aqui, a gente citou tanto métricas de negócio, quanto métricas de produto, quanto métricas de uso. Vocês conseguem, rapidinho, só diferenciar esses três tipos de métricas para quem está ouvindo e, às vezes, não tem tanto contato? Uma quer dizer a outra em algum nível, talvez, não, as três são separadas, elas conversam. Só porque, às vezes, a pessoa quer começar a medir alguma coisa, e aí ouve as três e fala: “eu tenho que escolher uma? Tem uma que é mais importante? Começo por alguma?”. Como é que essas três acontecem?  Clara: Eu acho que elas são muito correlacionadas, não tem como destrinchar e falar: essa é isso, essa é aquilo. Eu enxergo muito que elas são… vamos dizer patamares. A métrica de uso é a que você tem contato mais direto, é uma coisa que você consegue, por exemplo, estabelecer para a sua feature. Ali, é uma métrica de uso, que você consegue ter, eu acho que uma resposta mais rápida. Às vezes, é um fluxo pequeno do app, não é uma coisa grande, sabe? E a métrica de produto, eu enxergo como se fosse o segundo patamar, que é o conjunto ali de métricas de uso que você usa para atingir determinada métrica. E a métrica de negócio é ainda maior, é um conjunto dessas métricas de produto para você chegar em uma métrica de negócio, que seria o que a gente falou da adoção digital. Então, a gente tem uma métrica de negócio também que está relacionada com a adoção digital. Acho que é isso. No meu ponto de vista, seria essa a diferença. Ao mesmo tempo, não tem uma diferença assim tão nítida, acho que por isso que causa essa confusão.  Diulia: É. E a gente estava até conversando antes de começar a gravar sobre o fato de que a gente tem esses tipos de métricas, algumas são mais disponíveis, umas já são mais acompanhadas. Por exemplo, as métricas de uso, você pode ter insights que você não estava esperando ali, e aí você vai precisar correlacionar os dados para poder chegar em algum ponto de conclusão. As de produto, você já está acompanhando um pouco mais porque elas já estão um pouco mais relacionadas com os objetivos do time, já é um recorte mais definido, assim: “isso a gente precisa acompanhar para poder ter uma visão”. E a de negócio, o que a gente estava comentando é que, às vezes, é até um pouco difícil de a gente virar e falar: isso daqui é sucesso do app. Porque a gente começa a envolver outras áreas também, não é?  Clara: Outras equipes, igual a gente falou aqui, do Marketing. A gente tinha muito próximo o time de Growth também, que eles estavam fazendo ações para alavancar o app também, então, realmente, a de negócios, sim, você tem uma noção, mas você não sabe se, de fato, foi você mesmo que impactou. Fica meio nebuloso.  Pedro: É mais difícil de rastrear com as ações do time ou do produto, não é?  Clara: É.  Diulia: Aí as de produto acabam ajudando um pouquinho nisso, que você fala: “não, espera aí, em algum nível, a gente está caminhando corretamente aqui, está fazendo sentido”.  Pedro: Voltando um pouquinho para o case, vocês comentaram que, hoje, entrou em uma fase mais de sustentação, a gente está priorizando mais manter e, talvez, fazer pequenas melhorias, mas, no momento da rampagem do produto mesmo, como que vocês decidiam o que priorizar? Porque eu imagino que, quando vocês receberam a bola quadrada do app que falhou primeiro, já fizeram o discovery e, sei lá, levantaram muitas coisas que precisavam ser feitas, não é? Como que vocês decidiam o que priorizar?  Clara: A gente, hoje, tem algumas ferramentas para dar uma direcionada, mas a que eu mais uso, particularmente, é aquela matriz de esforço e impacto. O mais interessante é: a gente enxergou as oportunidades, mas aí é interessante você fazer um levantamento técnico para ver: vai demandar muito esforço de desenvolvimento? Aí você vai comparando: o que vai impactar mais o usuário? Aí você vai colocando nessa matriz, e você tem uma visualização muito boa do que você pode já atacar e o que ainda vai precisar de um refinamento um pouco mais demorado e tudo mais, e aí você vai meio que enxergando isso. O mais importante é: o que vai impactar muito o usuário, mas o desenvolvimento vai ter um esforço mínimo? Vamos atacar esse primeiro.  Pedro: A capacidade de priorizar é um grande diferencial para ser realmente produtivo. E quanto tempo que durou, gente, desde que vocês pegaram, até o lançamento do aplicativo novo?  Clara: A gente sempre estava ali, apitando, melhorando os pontos no app e tudo mais, mas a primeira entrega, de fato, que teve o redesign, que foi uma das maiores, foi no final do ano passado. Então, foi uma coisa que demorou, a gente está atuando desde outubro de 2021, e foi quase no outro ano que a gente, de fato, conseguiu sair com o redesign.  Pedro: O redesign foi, vamos dizer, a entrega mais bruta…  Clara: Mais bruta.  Pedro: … mas, vocês já estavam fazendo outras redesignações.  Clara: Outras entregas, sim.  Pedro: Legal.  Clara: Por exemplo, acho que a primeira foi a melhora no fluxo do app, que era de escolher o método de entrega. Ele não estava muito bem alocado, então, foi a primeira coisa que a gente mudou no fluxo. Eu considerei essa entrega muito grande.  Pedro: Sim, uma grande release, o redesign.  Clara: É.  Pedro: Legal. Deu para cortar o mato alto antes, não é?  Clara: Sim.  Pedro: Já tinha coisa latente, doendo, que dava, sei lá, para fazer uns quick wins.  Clara: É.  Diulia: Mas aí, Dani, essa solução que a gente comentou, do MVP, que não estava caminhando tão bem, ela estava no ar desde o começo, em algum momento, eles definiram que iam tirar um pouco do ar para poder começar a fazer os ajustes? Como é que foi essa evolução? Vocês comentaram que tiveram algumas releases ao longo do processo – e essa release maior – mas, o tempo todo, a solução estava disponível?  Daniele: O app, ele esteve o tempo todo em produção, a gente nunca tirou o app do ar para fazer nenhum tipo de melhoria. E uma abordagem que a gente adotou para que não ficasse: toda semana tem uma release nova… porque a gente sabe que é meio chato você ter que ficar atualizando aplicativo ali, toda semana e tudo mais, então, a gente adotou uma abordagem de fazer uma release a cada três sprints. Então, a gente não tinha uma entrega no final de duas semanas, as nossas entregas eram feitas a partir de um mês e meio, justamente para que a gente tivesse uma quantidade boa de coisas para a gente poder publicar, que fosse ter um grande impacto no usuário e também que não fosse nada chato para ele ter que ficar atualizando o app a cada duas semanas para que ele conseguisse ter aquela melhoria.  Diulia: É uma eterna busca de equilíbrio, não é? A gente sabe que vai gerar valor para o usuário, mas, ao mesmo tempo, a gente sabe que vai ter a curva de aprendizado, a gente sabe que vai ter atualização da ferramenta, então, por mais que a gente acredite que vai gerar valor, a gente tem que tentar minimizar o transtorno que a gente gera. Realmente, é um equilibrar de pratinhos para poder conseguir fazer isso. Eu vou aproveitar e vou seguir, Dani, já que a gente estava falando dessa lógica: o que vocês consideram que foram fatores críticos de sucesso para vocês poderem concluir essa missão de vocês, dessa grande virada para esse momento mais de acompanhamento?  Daniele: Pensando mais no nível do time de desenvolvimento, eu diria que foi a questão de a gente conseguir manter o time motivado. Eu acho que trazer esses resultados que o cliente mostrava para a gente, deixar tudo muito transparente para o time dá um up, a gente fica feliz em ver que aquilo que a gente está fazendo está dando resultado. Eu acho, também, que criar um ambiente em que a gente pode testar e errar, porque uma coisa que foi muito legal nesse projeto foi que a gente conseguiu testar várias coisas, igual a Clara comentou. A gente conseguiu trazer usuários finais para poder testar o app, tivemos vários discoveries, através deles, conseguimos várias oportunidades. Então, a gente conseguir ter um ambiente que seja seguro para que a gente faça esse tipo de coisa, se a gente errar, a gente errou rápido, então, é rápido de a gente consertar, e a gente prepara uma nova estratégia, em uma nova abordagem. Eu acho que esses dois fatores, para mim, são essenciais. E, também, muito da questão da nossa comunicação com o cliente. A gente sempre foi muito transparente com eles, sempre fomos muito abertos e também sempre trouxemos ele muito para o nosso lado. Sempre foi tudo muito conversado, sempre foi tudo muito bem explicado com eles, questão de proposta. Uma coisa que eu acho legal que a gente faz, a gente sempre teve tudo muito visual, para que não fosse só aquela coisa falada, mas que eles conseguissem ver também o que a gente estava propondo. A gente tinha algumas reuniões de… eu esqueci agora qual era o nome da reunião, mas, nessas reuniões, a gente trazia as ideias dos designers, a gente trazia o protótipo, mostrava para eles o que a gente estava pensando em fazer, e ali a gente começava a discutir isso. Eu acho que tudo isso ajudou para que a gente tivesse sucesso hoje.  Pedro: Legal. Eu sou superfã também de fazer representação visual para tudo que a gente vai… tentar vender uma ideia, desenhando é muito mais fácil.  Clara: É.  Diulia: É porque, na cabeça de cada um, eu costumo brincar, normalmente, quando vai fazer algum processo de ideação, se eu falar sorvete, você, Pedro, vai imaginar um sorvete, a Clara vai imaginar outro sorvete, a Dani vai imaginar outro que tenha a ver com o que a gente reconhece de sorvete, às vezes, uma memória afetiva…  Pedro: Com os nossos vieses, cada um com o seu.  Diulia: É. Aquele sorvete gostoso, que você fala: “nossa, esse daqui, que saudade”. Agora, a gente está gravando antes do almoço, já vai dar aquele gatilho da sobremesa.  Pedro: Já rolou.  Diulia: Mas, realmente, quando a gente leva para o pensamento visual, fica muito mais tangível de qual é o universo que a gente está realmente tratando, não é?  Pedro: É.  Diulia: Legal demais.  Pedro: E você, Clara, tem alguma lição aprendida, um conselho final que você daria, que talvez te ajude em outros produtos futuros, ou outras pessoas de outros times de produto?  Clara: Eu acho que o ponto crucial, que a Dani até comentou, que é a comunicação com o cliente. Para mim, isso é o que mais impacta na hora que você está ali, desenvolvendo, porque, hoje em dia, a gente tem uma confiança tão grande do cliente que ele não… ele questiona, obviamente, porque ninguém aceita assim tão fácil, mas eles entendem o que a gente está fazendo, confiam no nosso trabalho, e a gente teve até um episódio que a gente implementou um teste A/B – foi a primeira vez que a gente fez e tudo mais – e acabou que o cliente não estava muito acreditando, mas ele falou: “faz aí, vamos ver”. E aí, foi até nessa semana, eu não mostrei o resultado para ele e mostrei que, realmente, fazendo um teste A/B, ele teria um resultado bom. Ele poderia ter duas possibilidades ali, e o que a gente propôs como sendo o B, realmente, impactaria no produto. E eles ficaram chocados, adoraram isso. Então, ter essa transparência com o cliente, sabe? Falar: olha, aposta em mim, sério mesmo, porque vai dar certo. E eu mostrei dados também, não foi só boca a boca.  Pedro: Confia em mim cegamente.  Clara: Não, não.  Diulia: Fecha os olhos e vamos lá…  Clara: É, a gente tem um embasamento aqui, mas confia que, a partir disso, disso e disso, a gente vai conseguir. E foi muito legal, não é, Dani? Na reunião, eles falaram: “nossa, me manda isso, que eu quero mostrar para o time aqui, interno”, sabe?  Pedro: O negócio já viraliza, não é? É muito legal esse momento.  Clara: Exatamente.  Diulia: Uma coisa que vocês comentaram, mas eu não sei se é impressão ou se, realmente, era uma parte do time, a gente não chegou a entrar nesse detalhe antes. Pelo que vocês comentam os testes que vocês faziam eram testes rápidos e relativamente, entre aspas, baratos, no sentido de até quando tinha essa curva de conseguir provar que o teste em si gerava valor, igual você está comentando desse teste A/B, imagino que o discovery também não pôde demorar mil anos para poder sair, para que pudessem identificar: que beleza, esses insights foram realmente valiosos. Imagino que vocês foram tendo que mostrar que o processo fazia muito sentido, para que o cliente também, tanto fizesse parte do processo, mas também compreendesse a forma como o time se organizava e o que time priorizava.  Clara: A gente explicava muito bem os nossos processos internos para eles, e aí a gente tinha uma reunião de pré-refinamento, que é onde a gente mostrava justamente o que a gente estava ali, bolando. Então, às vezes, está na fase de um discovery, a gente deixava isso claro para eles e também explicava os porquês. Às vezes, eles opinavam, falavam. Pela questão cultural também, eles opinavam em algumas coisas, por exemplo: “aqui, não vai funcionar isso”. E a gente escutava isso porque a gente não pode tornar a nossa verdade como única, então, a gente considerava o contexto que a gente estava e levava isso em consideração no desenvolvimento também. Acho que foi por isso que foi encaminhando. Hoje, está tudo fluindo de uma forma boa e leve, e aí o time inteiro percebe isso. Por isso que fica o time inteiro também querendo dar o máximo para o produto, porque as coisas estão funcionando e a gente está tendo resultado a partir disso.  Diulia: Sensacional.  Pedro: Show, gente.  Diulia: É. E aí, para a gente poder encerrar, a gente sempre, igual eu comentei, tem esse viés mais prático, então, começando por você, Dani: para um time que não tem nenhum tipo de medição hoje, não tem acompanhamento de métricas, o que poderia ser um primeiro passo? Por onde seria interessante começar para que, no futuro, desse para poder isso fazer parte do dia a dia e da rotina deles?  Daniele: Eu acho que o time precisaria olhar primeiro para si, ver o quanto eles conseguem entregar pelas métricas de time mesmo: qual é a capacidade do meu time, qual é a velocidade que eu consigo entregar uma história, qual é o nível de satisfação do pessoal que está dentro do meu time. Porque eu acho que, através disso, a gente consegue planejar muito bem as coisas que a gente consegue entregar, e a partir do momento que a gente planeja bem, que a gente vê aquilo surtindo efeito, aí eu acho que aumenta a motivação, a galera vê ali tudo que está acontecendo e, consequentemente, o produto vai ficando melhor e a gente consegue inserir as novas métricas, a gente consegue começar a olhar mais para o produto. Porque não adianta nada eu querer olhar para o produto sendo que eu não sei qual é a saúde do meu time, eu não sei como ele está se sentindo desenvolvendo aquilo ali. Então, para mim, eu acho que eu começaria olhando primeiro para o time, para depois olhar para o produto, porque sem time, não existe produto, sem as pessoas fazendo. Eu acho que é isso. Eu acho que a Clara vai discordar um pouquinho, eu acho que ela vai puxar mais a cordinha para o produto, não é? Aqui é meio que a SM falando com a PO.  Pedro: Nós temos dois pilares muito bem representados aqui. Você está olhando super para operações, e todos os pilares têm a sua importância, e a Clara vai prezar mais pelo de produto. E é isso, a gente precisa de vocês duas mesmo, dentro do time, para ter esse equilíbrio.  Diulia: É. Até uma curiosidade, o Pedro estava doido para ter SM aqui, não é? Que a gente tem chamado…  Pedro: É, eu falo: “poxa, a gente convida um monte de designer, PO, tal”. Adoro vocês, tá? … Mas, a minha raiz é Scrum Master também, eu também era Scrum Master. Eu gosto de conversar um pouco com o pessoal de operações também, porque a gente está sempre falando do comece pelo porquê, e o pessoal de produto se sente muito bem representado, e eu fico: e nós, de operações, onde é que a gente fica?  Diulia: É, o trabalho de operações, ele chega a ser um pouco… a gente fala no design, por exemplo, que o bom design é invisível, e acho que essa frase replica muito para operações porque a operação que funciona redondinha, o negócio flui de uma maneira que é muito harmônica, muito orgânica, e, sendo assim, fica meio invisível também, parece muito natural.  Pedro: Na verdade, operações é guardiã dos outros pilares também. Na verdade, operação rodando certinho, com maestria, quer dizer que os outros três também estão saudáveis.  Diulia: Exatamente. A gente, normalmente, tem muita facilidade, a gente fez até os episódios de tendências um tempo atrás, de falar de uma maneira mais tangível do pilar de produto, de design e de engenharia, mas, se não tiver operações abraçando tudo e fazendo com que as coisas fiquem orquestradas e bem-alinhadas, nossa, o negócio quebra demais da conta.  Pedro: De fato. E não mentiu, não é, Dani? Não existe produto sem time, porém, também não existe time sem produto.  Daniele: …  Pedro: Não, mas está certinho. É o ovo ou a galinha isso aí, então, é isso mesmo. Vamos fechar com a da Clara, então. Qual é a dica de ouro?  Clara: Olha, a Dani já falou do time, mas eu acho que, também, a gente tem que se preocupar: como que eu vou mensurar essa minha geração de valor? Como que eu vou realmente mostrar para o cliente que eu estou ali, desenvolvendo uma coisa que é significante? Então, eu investiria na parte de dados, igual ao do aplicativo. A gente não tem contato com o cliente final, como que a gente conseguiria desenvolver um aplicativo se a gente não tivesse essa base de dados? Eu não consigo imaginar. Se a gente não tivesse acesso a tantos dados assim, a gente ia muito no achismo. Poderia funcionar? Claro, poderia, mas não teria um fundamento ali. Então, eu investiria nessa base de dados para aí você ter uns insights e tudo mais e gerar também demandas para o time. É o que você comentou, não existe time sem produto, e nem produto sem um time. Por isso que a gente é a dupla dinâmica aqui, a Dani vai priorizar, realmente, o time, e eu vou olhar: beleza, e aí? O que o time vai fazer agora?  Pedro: Legal. E é isso. Aproveitando o gancho da Clara, escutem todos os episódios que a gente tem gravados sobre dados, decisões baseadas em dados. É isso, tem bastante conteúdo. E é isso, vamos fechar, não é, Diulia? Adorei o papo.  Diulia: É. Dava para poder ficar falando aqui muito mais tempo, não é?  Pedro: Sim.  Diulia: Ainda mais por ser um tema que está tão atual, tão relevante. Mas, foi maravilhoso, gente.  Pedro: Foi ótimo.  Diulia:  É muito bom falar sobre um tema que está tão relevante, mas com um case prático, que aí a gente consegue, de fato, inspirar as pessoas de uma maneira que toque em um lugar diferente, porque você começa a falar: “nossa, é possível”; “nossa, eles tiveram essa dificuldade”; “nossa, eles conseguiram encontrar um caminho”. Muito legal, parabéns pelo trabalho de vocês.  Pedro: Parabéns pelo sucesso, transmitam os nossos parabéns para todo mundo do time também, a galera do cliente. Com certeza, está sendo uma parceria maravilhosa. E, se a gente não tiver perguntado qualquer coisa que os nossos ouvintes gostariam de ouvir, a gente traz as meninas aqui de novo, não tem problema.  Diulia: É.  Pedro: Podem mandar para a gente as perguntas, seja pelo Instagram, no @osagilistas.  Diulia: Seja pelo LinkedIn também.  Pedro: LinkedIn, é, qualquer dos nossos canais, que a gente responde em algum dos nossos conteúdos. E tem também a nossa newsletter mensal, não deixem de se inscrever, vocês vão receber, é uma leitura superbacana, cinco minutos, uma vez por mês, garanto que é muito bom. E é isso, obrigado, pessoal. Adoramos receber vocês aqui nos Agilistas.  Diulia: Voltem mais. Foi a primeira vez das duas, voltem mais, fiquem à vontade, a casa é de vocês.  Daniele: Tchau, obrigada.  Pedro: É isso, até a próxima.  Clara: Obrigada, gente, foi maravilhoso, gente.

Descrição

Já se sentiu sobrecarregado(a) pela quantidade de dados gerados pelas métricas de um produto? De onde partir, como usá-os? Nesse episódio, recebemos Clara Mariano e Danielle Peixoto para dividirem as experiências que tiveram com métricas de negócio e de produto em um case em que atuaram como Product Owner e Scrum Master na dti. Bateu a curiosidade? Então dá o play! 

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