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os agilistas

#244 – Antecipando o futuro: as mudanças do agilismo em 2023 rumo a 2024

#244 – Antecipando o futuro: as mudanças do agilismo em 2023 rumo a 2024

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Vinícius: Tem uma tese que eles chamam tese da internet morta, que é tipo assim, já mais ou menos 70%, já é assim, entendeu? O conteúdo da internet já é feito por BOT. E aí, tipo assim, as marcas às vezes pagam pelos patrocínios lá, mas na verdade é um BOT interagindo com o outro, então assim, não tá pagando por nada. 

Pedro Rangel: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindos ao último episódio dos agilistas do ano de 2023. Eu sou Pedro Rangel, hoje estamos os quatro rostos do podcast pra fazer a última conversa do ano, que vai ser de certa forma uma retrospectiva e também trazer algumas mensagens aí pro ano de 2024. Então, vamos lá, né? Aos cumprimentos. Diulia, tudo bem? 

Diulia: E aí, Pedro. E aí, gente, tudo bem?  

Pedro Rangel: Vinição.  

Vinícius: E aí, pessoal, tudo bem? Vamos lá.  

Pedro Rangel: E Szuster. 

Szuster: Bom dia, boa tarde, boa noite para todos.  

Pedro Rangel: Isso aí. Para a gente começar a esquentar os motores aqui, fazendo uma breve retrospectiva desse ano, que foi um ano intenso, de acordo com o Spotify, o nosso episódio mais ouvido de 2023 foi o 135 Inovação quatro ponto zero, e teve nove vezes mais reproduções do que a média dos nossos episódios. Foi um episódio gravado em 2021 e a gente sabe que o cenário de mercado de tecnologia lá em 2021 não era o mesmo de hoje, mais de dois anos depois. Inclusive, acho que se falava mais em transformação digital do que eficiência digital ainda, que foi o assunto mais quente aí, o tema mais quente dentro dos agilistas ao longo desse ano. Estão pensando agora, dois anos depois, 2023, inclusive de acordo com notícias recentes, mais de três mil startups faliram ao longo desses últimos dois anos. Aquelas empresas techs de alto crescimento que todo mundo dava dinheiro para o jovenzinho de vinte e poucos anos fazer lá na garagem dele. Isso não está acontecendo mais. Existe expectativa que o mercado volte a andar com alguns IPO em 2024, mas a confiança está muito mais depositada nas startups mais experientes. Quase não são startups mais, né?  

Szuster: As scale-ups.  

Pedro Rangel: É, as scale-ups, exatamente. Então, o pessoal falando da Shein, Reddit aí, né? Então, assim, os nomes menos conhecidos não estão trazendo muita atenção mais. Aí, a primeira reflexão que eu queria puxar é essa, né? Então, como que as empresas devem fazer pra equilibrar os riscos atrelados à inovação com a prudência e fazer o negócio prosperar sem desperdício, né? E é o que se quer hoje, né? Essa própria lista de IPO, intenções de IPO, estão mostrando que os venture capital estão buscando inovação sim, mas com um pouco de segurança, um pouco de previsibilidade, né? E, Szuster, como é que a gente pode refletir em cima desses dados aí?  

Szuster: Acho que a primeira pergunta, na verdade, é por que esse episódio foi o mais assistido, o mais ouvido. Como é que é desse ano, né? É um episódio de 2021, né?  

Pedro Rangel: É, dois anos depois.  

Szuster: Assim, que tem tudo a ver com a sua pergunta. Eu fico imaginando, né? Que é até especulativo, né? Que é assim, quando fala em inovação, a gente tem mania de pensar inovação sempre como algo muito, tipo, que as coisas de professor Pardal, né? Para quem é mais, não sei se professor Pardal, as pessoas entendem. Na minha época, professor Pardal era o que inventava as coisas, né? Como que um excesso de criatividade, coisas revolucionárias, disruptivas, mas inovação não é necessariamente isso. Então, fico pensando que o mundo mudou muito no sentido de que tem pouco dinheiro, igual você disse. Os recursos estão muito mais escassos e como o dinheiro não está sobrando, você não tem mais aquele ambiente onde você podia investir em 200 mil lugares e algum ia dar certo. Eu lembro que eu li alguns artigos mostrando que é muito interessante como é que as coisas mudam rápido. Eu lembro de ler artigo onde o algoritmo que esses ventures capital tinham para investir era como se fosse assim, se ele está tendo uma taxa de sucesso grande, grande no sentido assim, se várias empresas estão indo relativamente bem, ele estava fazendo errado o negócio. Porque na verdade é como se você tinha que achar uns poucos unicórnios. E para você achar uns poucos unicórnios, você tinha que errar muito. 

Pedro Rangel: Já contava-se como uma perda de ganho.  

Szuster: É, se você estava acertando empresas medianas, significava que você não estava tendo ousadia, daí como é que a cultura do tempo muda, não é? E eu lembro de ter lido exatamente um artigo disso. O bonito era você ser completamente doido e ficar tentando acertar para poder achar um Google, um novo Google ou uma coisa desse tipo. Mas assim, divagações à parte, eu imagino que, apesar do dinheiro ter ficado mais curto, a incerteza não muda, né? E aí, as empresas têm necessidade de inovar tanto para poder continuar atendendo melhor aos clientes e a competição continua muito grande, quanto também para atingir a eficiência digital. Então, acho que o grande motivo é a necessidade de você ter uma cultura de experimentação, etc., não muda. E isso é curioso, porque a gente já falou isso outras vezes, né? É claro que quem escuta o podcast sabe disso e pode achar que é um viés nosso, já que somos agilistas, né? Mas isso é mais ainda o que a gente acredita como agilismo, né? Porque o agilismo sempre surgiu nesse contexto de você ter um mundo incerto onde você quer fazer experimentação e onde o recurso é escasso. E você tem que aprender rápido. O Lean Startup surgiu nesse contexto, nunca foi. Eu posso gastar à vontade, vamos ver o que acontece. Na verdade, sempre foi, qual a forma mais pragmática que eu tenho de fazer a experimentação. Então, acho que o desafio continua sendo esse, isso que é curioso. O desafio continua sendo esse porque, em meio a isso tudo, quando você falou, né, o desafio, as empresas querem ter uma estabilidade, elas querem apostar em eficiência e sempre tendem a colocar essas coisas como forças opostas, né? Sempre fica parecendo que você criar uma cultura de inovação você necessariamente não vai poder ser eficiente. É claro que existe um certo, você vai ter que admitir mais desperdício, se você quer ter chance de ter experimentação, você vai ter que aceitar um certo desperdício, até em termos de recursos, para ter mais resiliência, etc. Mas não quer dizer que você não vá viver num ambiente de restrição, sabe? Eu acho que é sobre isso que a gente pode falar, eu tenho certeza que o Vinição, ele vai dar um jeito de misturar o … com isso. Será que os ouvintes vão contar, Vinição, a sua evolução? Ser um cara bravo para ser um cara mindfulness.  

Vinícius: Imagina alguém criar uma tirinha. Assim, só fugindo um pouquinho da pergunta, mas ainda dentro desse assunto que a gente está tratando. É um troço meio chato, porque todo mundo já fica falando isso o tempo todo de, ah, mas 2023 foi um ano que foi o ano que realmente todo mundo começou a usar. Tem aquelas curvas de adoção, realmente foi um negócio meio assustador, eu acho que em três meses, se não me engano, em três meses ele atingiu o mesmo número de usuários que o Instagram, que tinha sido mais rápido, ou o TikTok, se eu não me engano, que levou mais tempo que isso. Acho que levou oito meses, alguma coisa do tipo, para atingir, acho que não sei quantos milhões de usuários, numa métrica que eles usam de comparação. Eu estou falando da OpenAI. Tem algumas outras curvas também, eu não vou lembrar. Depois eu posso até procurar e colocar no episódio lá, citação referente a essas coisas. Mas tem umas métricas também de curva de adoção. Alguns vários livros que eu já li, eles citam isso. E atualmente, isso também vai encurtando, mas a curva de adoção, se eu não me engano, ela é de mais ou menos dez anos atualmente. Por exemplo, quando inventaram o celular, o primeiro celular, o primeiro smartphone, por exemplo, não foi uma adoção imediata, foi um negócio que demorou, tipo, dez anos, eu acho, pra chegar num número.  

Szuster: O Roundy demorou uns vinte anos. 

Vinícius: E aí, a IA surgiu agora. Então assim, a adoção ainda vai ser muito assustadora. Isso aí não precisa ter muita previsão em relação a isso. E aí, 2024 vai ser um ano que vai ter muita, talvez essas curvas de adoção comecem a, eu falei esse negócio de dez anos porque assim, falou assim: “ah, inventou e não aconteceu nada ainda”. Mas você vê que as invenções agora, por exemplo, o OpenAI tem uma API. Então, parece um mecanismo de inovação aberta. Eu fui em São Paulo essa semana e vi lá uma apresentação, por exemplo, da Microsoft, coisas muito simples, já são meio assustadoras, sabe? Do tipo assim, porque são assustadoras no sentido assim, não é nem uma grande inovação não, mas você já vê essas coisas, o tanto que vai impactar nos próximos meses no dia a dia, por exemplo, tem uma ferramenta lá do Teams, por exemplo, que quando você acessa um vídeo, por exemplo, que foi divulgado pela empresa, ele cria um histograma falando assim que momento, não é bem um histograma, mas um gráfico em que o momento cada pessoa falou. Aí você vê, por exemplo, o impacto de atenção das pessoas. A pessoa já não presta muita atenção nas coisas, eles vão olhar e falar assim, nessa reunião estava o CEO e estava não sei quem, ele vai só filtrar, tipo assim, que hora que o cara falou, eu vou ouvir só àquela hora que o cara falou, entendeu? 

Szuster: Que desgraça, hein, cara? 

Vinícius: É, não, isso é. 

Szuster: O pessoal já não tem, a pessoa já acelera os áudios, agora vai pegar o vídeo, só vai no, daqui a pouco vai ter resumo, né? Esse vídeo aqui.  

Diulia: Só decupagem. 

Vinícius: É, não, já tem. Isso já tem. Eles vão lançar.  

Diulia: Já tem a transcrição.  

Szuster: Tem uns que falam que são pessimistas, né? Falam que o Teams vai chegara conclusão, que tinha nada naquele vídeo. 

Vinícius: Então meu ponto assim, eu até desviei um pouco, mas eu queria falar realmente disso. Tipo, eu acho que 2024 vai ser um ano que essas ferramentas tudo vão incorporar, essas tecnologias que foram inventadas.  

Szuster: É mais propício ainda a inovação que você está dizendo.  

Vinícius: É. A inovação, mas eu queria ressaltar um pouco que a gente está entrando no ano novo também, o tanto de mal que essas coisas podem causar de forma para a saúde humana, vamos falar assim. 

Pedro Rangel: É, eu vi uma reportagem da Época Negócio falando que sete a cada, eu não sei bem como eles chegam nesse número, mas sete a cada dez empresas brasileiras têm planos de adoção de inteligência artificial ao longo do ano que vem. Eu acho que, além disso de maneira geral, fazendo um link acho que o que eu vi foi no Gartner, que as empresas também estão mais propensas à adoção de novas tecnologias em geral. Então isso pra elas pode significar mais inovação também de qualquer forma.  

Szuster: Só empresa não. Pessoalmente, assim, parece que você vai, acho que nem parece, todo mundo vai ter esses agentes para ele mesmo. Esse Gemini do Google. O vídeo, eu não sei se era verdade o vídeo que eu vi, mas assim, vocês viram esse vídeo que circulou do Gemini? Porque ele é multimodal, o que chama.  

Pedro Rangel: Gemini é só para explicar é tecnologia core lá do Google. 

Szuster: É um modelo que eles prometem suplantar os outros e ele é multimodal. Então no vídeo que circulou, eu não sei se eles pegaram só os melhores momentos do vídeo, mas é impressionante. Você fica mostrando coisas para o vídeo.  

Pedro Rangel: Ele aponta no mapa e a inteligência institucional responde que você está apontando para o país.  

Szuster: Ele mostra um patinho, cara, ele mostra um patinho e pergunta: você acha que boia? Mas isso é uma pergunta para uma inteligência genérica, aí a inteligência responde assim: “eu não sei de que material é feito para saber a densidade”. Aí ele aperta, porque eu falo, se for verdade aqui, eu sou desconfiado. Ele aperta o patinho, o patinho faz um barulhinho. Aí a inteligência fala assim: “ah, é um patinho de borracha, não tem ar, então ele boia”. 

Pedro Rangel: Ele pinta o patinho de azul, aí parece um pato, mas não é uma cor natural para um pato. 

Diulia: É, mas é muito louco.  

Szuster: E lá tem uns micro, desculpa, só porque tem, eu lembrei agora do micromodelo, né? Parece que, eu falo assim, daqui a pouco você vai ter um modelo desse indexando as suas coisas, entendendo os seus negócios e te compreendendo assim. Aí assim, pensando nesse tema, isso vai mudar completamente a sua produtividade pessoal, mas vai mudar o seu comportamento, pode ter consequência para a sua saúde mental, né? Igual o Vinição está falando. E imagina para as empresas dentro de um ecossistema desse. Aquele negócio que, parece que eu dou um tempão, que mostra, desde sempre mostra que a inovação aparece muito quando você tem esse tanto de coisas conectando uma com a outra, a chance de surgir coisas novas é absurdamente grande. A gente viu até na pandemia, isso aconteceu com vacina.  

Vinícius: A famosa apresentação dos vidros que mostra o lugar, Burano. 

Szuster: É, do Murano, da invenção, que mostra como é que as invenções só aconteceram ao longo da história, como é que isso foi sendo acelerado. Agora, né? Porque agora, além de você ter muita conexão, você tem uma inteligência que te gera 400 mil hipóteses, possibilidades, é bem, parece que nós estamos vivendo um negócio muito diferente mesmo. 

Diulia: E é uma inovação muito compartilhada, né? Se a gente for olhar como a gente lidava com inovação 20, 30, 40 anos atrás, hoje está na mão de muito mais pessoas. Um começa, aí abre uma API, aí um monte de gente pode interagir com aquilo, pode desenvolver desdobramentos daquela inteligência. Então, acho que isso também mostra de um impacto. Eu ia comentar que assim, coisas muito mais óbvias e que já estão na rotina, agora que eu tô nesse período de readequação, só para dar um contexto, eu tive um filho, então a rotina muda, né? E aí coisas do tipo.  

Szuster: Muda, sério? 

Diulia: Nossa, levemente. Então assim, hoje a Alexa é metade da minha memória. Ela que me lembra que tem que jogar o lixo reciclável no dia lá específico. Ela que já está conectada com a televisão, com o robozinho aspirador. O robô aspirador sabe a hora que ele vai começar a passar, como ele vai passar em cada cômodo. Então, assim, já libera de uma série de atividades que antes tomariam ou trariam uma carga mental ali de está limpo, não está, como é que está a rotina, tem que levar tal coisa, tem que fazer. Você deixa de pensar em uma série de coisas que antes você tinha que pensar e as coisas acontecem. 

Szuster: Então, isso que eu acho assustador, o nosso episódio está tomando o rumo diferente. É isso que eu acho assustador.  

Vinícius: Controla aí, Pedro.  

Szuster: Não, eu acho assustador pra caramba isso, porque isso pode tomar o rumo para o bem ou para o mal, né? Mas acho que o Vinição estava tipo, isso pode ser visto otimisticamente como te retirando certas, e, sei lá, sobra tempo para você curtir sua filha, curtir as pessoas, né? E etc. Ou sobra tempo para você ser mais ainda manipulado pelos algoritmos e ter sua atenção mais manipulada ainda pelas outras coisas, sabe? 

Diulia: Eu confesso que eu tenho medo da Alexa. Ela está sabendo muito de mim e cada vez mais. É muita informação.  

Vinícius: Tem um lançamento do Netflix que fala um pouco sobre isso. Não vou ficar falando muito aqui, não para não dar spoiler.  

Szuster: Que filme que é? 

Diulia: Qual que é o nome? 

Vinícius: É o filme com a Julia Roberts.  

Pedro Rangel: O Mundo Depois de Nós, eu vi. É um negócio meio instaurado no caos. 

Vinícius: Deixa eu só complementar um negócio que você falou, por exemplo, esse Gemini. 

Szuster: Estamos subvertendo o episódio.  

Pedro Rangel: Não, não tá ótimo.  

Vinícius: Eu não sei como é que pronuncia esse, é Gemini, Gemini, Gemini, não sei.  

Pedro Rangel: Eu falo Gemini, não sei se tá certo.  

Vinícius: Um ponto que eu acho que ele até falou ali, mas não deu tanta ênfase, mas pode ser uma coisa bem diferente é que ele tem alguns modelos reduzidos, ele chegou a falar disso, mas que funcionam sem rede, que são embutidos no hardware. Então isso traz uma novidade muito, para pra pensar, porque tipo assim.  

Szuster: O seu assistente que está andando. 

Vinícius: Não, não, digo assim, ele pode ser embutido no hardware sem precisar de conexão com rede. Ele é um modelo mais reduzido porque ele opera num.  

Szuster: Ele já está pré-carregado ali, né?  

Vinícius: Então você não precisa de conectividade, entendeu? Isso aí, imagina assim o potencial.  

Szuster: Você deve comprar uns modelinhos específicos treinados nos assuntos.  

Vinícius: É, tipo assim, um modelo meio pra geladeira, um modelo meio pra.  

Szuster: Não, sabe uma coisa que eu, já que nós estamos aqui viajando, tinha vontade de, eu era doido para ter um assistente desse que me indicasse quando eu estou querendo estudar um assunto, ficasse me botando noa trilhos assim, sabe? Leia isso aqui agora, vê isso, sabe? Um que se fosse confiável, né? O problema é que sempre tem essa história, né, do você não saber se tem algum interesse de patrocínio por trás, mas entende o que eu falo? Eu e Vinição, a gente ainda é muito interessado, né, em budismo, mindfulness, esse tipo de coisa, vamos supor, né? Mas eu, por exemplo, sou meio caótico, eu leio um negócio, eu vou ler outro, aí não sei o quê. Imagine uma assistente que eu pudesse ir conversando e me, tipo vai te colocando o trilho assim, sabe? Agora lê isso que vai ser bom. Aí a partir de uma dúvida que você tem, ele fala, ó, tal livro, explora isso muito bem, ou tal vídeo fala muito sobre isso, já pensou o quê? E assim, já pensou.  

Diulia: E cada vez mais necessário, né? Porque a gente tem encaminhado na direção contrária que é um monte de conteúdo, o tempo todo, de assuntos extremamente diversos, tudo superficial, muita coisa inclusive criada por inteligência artificial. O YouTube, por exemplo, está como série de canais que as imagens são criadas por inteligência artificial, o áudio é criado por inteligência artificial. Na prática, tem alguém ali por trás, mas o roteiro não foi feito por essa pessoa, a pessoa só deu aquele ajuste ali, a gravação do áudio foi feita por uma voz de inteligência artificial, não foi pela pessoa, e as imagens foram geradas. Também não foram gravadas de cara.  

Szuster: Estão ganhando o quê? Só para apertar o botão mesmo.  

Diulia: É, só para poder gerar a visualização e aí a pessoa conseguir ganhar com aquilo. Então, assim.  

Szuster: Daqui a uns dias vocês não gravar o podcast mais não, né? 

Pedro Rangel: Já tem influencers que são inteligência artificial, que não são uma pessoa de verdade.  

Vinícius: Os caras chamam, tem uma tese que eles chamam de tese da internet morta, que é tipo assim, já mais ou menos 70% já é assim, entendeu? Do conteúdo da internet já é feito por BOT. E aí as marcas às vezes pagam pelos patrocínios lá, mas na verdade é um BOT interagindo com o outro. Então assim, não tá pagando por nada. Porque assim, um BOT fica gerando, mas tem também outros BOTs que ficam meio que respondendo e tal, pra aumentar o engajamento. Mas é tudo, entendeu? Não tem nenhum ser humano olhando. Chama de teoria da internet morta. Ninguém interagindo com aquele negócio ali. 

Pedro Rangel: Eu vi umas coisas meio, como é que eu posso dizer, meio estranhas recentemente sobre o mercado do pós-morte já também, que é as pessoas criando uma consciência baseada no aprendizado do que a pessoa foi em vida para continuar tendo contato com a pessoa depois que ela parte. 

Diulia: Tipo aquela série do Amazon Prime?  

Pedro Rangel: É, o Upload. É tipo aquilo. Mas é assustador, né? Aquela série eu tenho um relacionamento de amor e ódio com ela. Ela é super legal, mas eu fico pensando, pelo amor de deus, não pode chegar nisso. 

Szuster: Mas tem um episódio do Black Mirror que é assim, já viu?  

Diulia: Tem, tem.  

Pedro Rangel: Black Mirror também que é assustador pra caramba. Eu fico pensando, pelo amor de deus, não pode chegar nisso.  

F2: É, vira e mexe eu lembro de Black Mirror. Falo, nossa, tá acontecendo.  

Pedro Rangel: Isso não deve ser nada saudável, né? Pelo amor de deus. Estou emitindo uma opinião aqui, mas é isso. 

Diulia: Acho que é importante morrer também.  

Pedro Rangel: Sim, faz parte do ciclo da vida. Vai eternizar todo mundo?  

Diulia: A gente já deixa as coisas para depois, sabendo que vai morrer. Imagina se a gente soubesse que não ia morrer.  

Vinícius: Eu tinha, rapidinho, eu só lembrei um negócio aqui. Eu tinha falado dessa questão da curva de adoção antes. Um bom exemplo que é, eu falei desse negócio do Gemini, aí tem gente que aposta que agora sim vai ser o ano da internet das coisas. É um assunto que, tipo assim, de quanto tempo que a gente ouve falar, e não consolidou ainda.  

Szuster: Você fala por causa desses micromodelos aí? Para poder embutir mais inteligência em cada dispositivo?  

Vinícius: Então assim, a gente fala agora sim, você vê que demora. Por quanto tempo que a gente já ouve falar de internet das coisas, e a gente não vê no dia a dia assim, sei lá, tem uma casa ou outra que tem uma automação e tal, mas assim, para você, lá em casa, por exemplo, para você conectar algumas coisas a Alexa, putz, é um negócio assim, tem hora que você até desiste. 

Diulia: É, eu comprei ela para poder conectar a câmera que fica no berço. Ela mesmo, até hoje eu não consegui conectar. O resto da casa inteira eu não consegui conectar.  

Vinícius: É muito complicado você pensar assim, a gente que já é do mundo da tecnologia já pena para fazer, imagina uma pessoa mais idosa.  

Szuster: Isso você está mais revelando sobre sua idade do que isso. Eu acho que meus meninos conectam isso.  

Vinícius: Tem uns negócios que são complicados. 

Diulia: É. Eu acho que uma coisa que ficou muito forte esse ano também foi, assim, a gente viu uma retração de recurso, da abertura das pessoas para poder inovar, o que não quer dizer que não dá para ter cultura de experimentação, que igual você comentou, Szuster, a experimentação ela essencialmente é para ser simples, para ser rápida, para ser de baixo custo, senão é só desperdício mesmo de recurso. Mas para o próximo ano que vai vir, como vocês acham que, vocês acham que a gente vai caminhar por um pouco mais de maturidade entre o cenário que a gente tinha que era de muita oportunidade, de muito recurso, agora a retração a gente está caminhando por um meio de caminho? A gente deve continuar nesse cenário mais de retração e de mais cuidado com o investimento? Como é que vocês veem? 

Szuster: Eu não sou nenhum futurólogo, mas pelo que eu leio, acho que vai ser um clima de pessimismo ainda, não é? Assim, acredito eu, porque tem muita guerra acontecendo, muito conflito, ainda inflação alta em um tanto lugar, eu acho que ainda não tá, eu não sei quanto tempo, assim, na verdade, o que eu acho quando eu leio essas coisas é que ninguém sabe de nada, porque quando você lê, o pessoal fala sempre do que aconteceu, já viu? Está todo mundo falando uma coisa. 

Vinícius: É difícil ter alguém que realmente. 

Szuster: É, assim, eu lembro que eu li na The Economist falando: “ah, era a era do”, acho que eu cheguei a falar aqui no podcast, eles chamavam até pouco tempo atrás, do ponto de vista financeiro, a era, eles chamavam, acho que era TINA, T-I-N-A, que é there is no alternative para investimento, sabe? Tipo assim, você não tinha alternativa nenhuma de investimento seguro, vamos dizer, estável. Então, todo mundo botava dinheiro em fundos que acabavam botando dinheiro nas startups e esse tipo de coisa, por isso que o dinheiro estava tão líquido, entendeu? Aí, agora, tem uma outra sigla bonita, there is an alternative, um negócio assim, entendeu? Que é tipo, é, mas você fala assim, parece uma descrição que tá acontecendo, então assim, de repente é como se fosse assim, até você convencer, o dinheiro nosso, o dinheiro que todo mundo coloca em algum lugar, até te convencer a tirar o dinheiro agora de alguma coisa segura, que está dando um juros bom, pra você inventar de colocar no negócio arriscado que no fundo é o que vai fazer o dinheiro botar de novo, né? Por que você vai fazer isso, entende? Com juros ainda altos, então não parece, né? Agora, eu não sou, longe de ser especialista, ou de o assunto que eu mais gosto, sabe? Mas eu acho que ainda estamos longe de voltar esse clima de otimismo. E é uma preocupação que eu tenho é que a gente vê essa tecnologia toda amadurecendo desse jeito, assim, avançando, mas você não vê as organizações avançando tanto, é tão engraçado, do ponto de vista. 

Pedro Rangel: Isso é um bom ponto.  

Szuster: Sabe, tanto do ponto de vista humano quanto do ponto de vista organizacional, é impressionante, é um descompasso, você não vê a estrutura.  

Vinícius: Essa curva de adoção que eu falei, se fosse olhar no setor, nas grandes empresas, deve ser muito mais lenta ainda. 

Szuster: É muito doido, você não vê. A gente se defende aqui, a gente, a Benha, a McKinsey, todo mundo defende que as empresas deviam ter uma estrutura um pouco mais orgânica, para facilitar a inovação, ser mais orientado ao fluxo de serviço, etc., etc. E a gente sabe que vai em todo lugar, o tanto que isso ainda é difícil. E eu fico pensando o tanto que isso.  

Vinícius: Parece até o utópico, assim, até certo ponto.  

Szuster: Não, parece até que talvez vai ficar mais difícil, paradoxalmente, com essa tecnologia, porque vai enganar, você vai fazer um tanto de coisa ali.  

Vinícius: Você pode ficar fazendo umas firulas. 

Szuster: É, você pode inventar um tanto de modo, um tanto de coisa pode ser criada, não sei o quê, não sei o quê, no fundo você não tem gente mesmo colaborando ali por trás e mudando isso tudo da empresa e líder ficando menos vaidoso e nada disso acontecendo, sabe?  

Vinícius: Isso aí parece meio difícil de, nenhuma tecnologia vai superar isso. 

Szuster: É, tem gente que fala isso muito, né? O ser humano, não sei se é uma visão muito pessimista, mas é como se a sociedade como cultura, como organização, como que um trata o outro, esse tipo de coisa, ela não evoluiu no mesmo, se tivesse um jeito de medir uma curva assim, sabe? Pessoas são mais individualistas, se importam menos com as outras, e esse tipo de coisa parece que te faz ficar mais, você vai precisando menos ainda dos outros, né? 

Pedro Rangel: Tem um cara que falou isso.  

Szuster: Se a pessoa não der valor às outras pessoas, tipo, isso que você falou, eu, minha vida fica na alexa, as coisas aparecem, vão brotar na minha casa, você vai interagir com quem, né? Não precisa nem interagir com os outros mais, né? É meio doido pensar assim, se você quiser você fica o dia inteiro, as coisas vão brotando, é tudo programadinho, e ainda ficam te avisando na hora de você fazer as coisas. Eu sei lá, eu posso estar ficando antigo, né gente? Eu tô com 50 anos, né? Então eu fico assim, às vezes eu tô de outra geração, né? Eu fico muito, eu fico parecendo aqueles caras que, eu saio de tudo que é rede social. Eu ganhei umas Alexa de aniversário, tava na moda Alexa, eu nem ligo a Alexa. Sabe aquele negócio? Quero nem saber, sabe? Eu prefiro ter que lembrar das minhas coisas. Mas eu falo, pode ser que eu esteja velho, né? Porque sempre a gente também tem um choque de geração, sempre. Quem nasce numa nova época está acostumado com uma coisa. Eu fico olhando praquilo eu falo, cara, eu não quero isso pra mim não, me lembra a hora que eu tenho que não sei o quê. Eu lembro, sabe? Ou eu esqueço, mas assim não. 

Diulia: Mas isso é uma coisa que realmente, assim, o ter menos contato com pessoas, acho que vai gerando uma, eu estava comentando hoje, o episódio vai para vários lugares, mas eu estava comentando hoje sobre a confiança de testar coisas na prática do dia a dia mesmo assim, né? Mais uma vez, experiência agora de mãe recente. É bizarro, tem consultor pra tudo. Tem consultor de alimentação, consultor de sono, consultor de como você vai educar ali, fazer uma abordagem essa, aquilo, aquilo outra, gente, mas como é que pessoas faziam antigamente, não está todo mundo vivendo? No sentido de parece que tem uma verdade que fica encapsulada em algum lugar, que ela não está acessível, que só essa verdade que vai trazer. E eu acho que muito porque as pessoas estão divididas em silos, elas não estão trocando, elas não estão vendo como é que o vizinho está fazendo, como é que a família está fazendo, como é que era. E acaba perdendo esse fator humano. 

Szuster: Existe uma insegurança, não é? Parece, não é? Tipo assim, a pessoa parece que tem que ser perfeita assim. Você tem que ser perfeita na amamentação, né? Se o menino estiver engordando ali.  

Diulia: Eu, ultimamente, estou com raiva de conteúdo de YouTube, de Instagram, que é assim, cinco itens que você não pode deixar de considerar. Você fazia isso errado. Essas coisas assim, extremamente sensacionalistas e que parecem que estão sempre lutando por engajamento e que é pra você estar ali de novo, de novo, de novo, a qualquer custo, até alguns perfis de sites de notícia mesmo, a forma como trazem as informações estão cada vez mais muito pelo engajamento, então você vai ver o título, está extremamente distorcido, quando você vai ler a reportagem, você fala, não, espera aí.  

Szuster: É irritante, né? Você sempre parece ser trouxa, né? Você clica lá. É o tal do survey nesse capitalismo, que é esse capitalismo, assim, o tempo todo o modelo de negócio da internet toda capturar sua atenção. E usar toda a falha que estiver no seu cérebro é isso, né? E tudo que puder usar, aí fica lá, você fica lá igual um trouxa. Por isso que eu falo assim, como a gente não consegue lutar contra isso, eu sou radical, eu prefiro não ficar exposto a isso, entendeu? Eu fico tentando me expor controladamente a isso, porque não adianta você pensar assim, eu tomo cuidado, você não toma, entendeu? Se você entrar num tanto de grupo, num tanto de coisa, você é capturado porque a gente cai na armadilha. 

Vinícius: Eu estou cada vez mais assim também. Eu estava lendo, por exemplo, que eles, eu já tinha lido porque eu gosto de ver algumas entrevistas do Harari, por exemplo. Ele é autor, né? Ele, por exemplo, ele não tem celular. Aquele ator, esqueci o nome dele. 

Szuster: Não tem celular, bicho? Será que ele só tem, não, deve ter um telefone sem ser a Smart, ou nem?  

Vinícius: É tipo assim, o marido dele tem o celular. 

Szuster: Então ele sacaneia com o marido dele.  

Vinícius: Ele até explicou, ele falou que precisa. Ele até brincou, falou assim, eu sou muito privilegiado porque eu realmente não preciso de ter, acho que ele até falava, ser escravo disso, entendeu? Tem um chefe que é o meu celular. Aí ele não tem, aquele ator, esse que é o nome dele, que fez o Oppenheimer, o Peaky Blinders, por exemplo, ele não tem também. Eu acho que foi o Harari mesmo que falou que se chegasse uma civilização alienígena aqui na Terra e perguntasse assim para eles: “qual é o ser dominante?” Aí ele ia falar: “o celular”. Tem gente que tem mais de um. É dominante. Eu acho até que tem alguns movimentos de correção, dá para ser minimamente otimista, mas eu não acho que vai ser ano que vem ainda. Por exemplo, você vê que quando cai na grande mídia essas coisas, você vê que está chegando, está batendo na porta. Acho que foi no final de semana passado, eu vi que estava passando uma reportagem no Fantástico sobre saúde mental infantil por causa de uso excessivo de celular, falando que várias empresas, várias pessoas estavam fazendo ações coletivas lá nos Estados Unidos contra algumas empresas para ter mais controle sobre isso e igual o Szuster falou, só para tentar também ter uma visão um pouquinho também que pode, como ele falou, é muito imprevisível, eu concordo. Tem algumas coisas que parecem que estão melhorando um pouquinho, talvez não no sentido de ter um capitalismo talvez melhor, mas pensando em curto prazo do que a gente está conversando aqui em investimentos e tal. Os juros ainda estão muito altos, mas teve movimentos de redução, tanto aqui quanto nos Estados Unidos. Então pode ser que essa sequência seja mais. 

Pedro Rangel: Mais promissora. 

Vinícius: É, seja um pouco mais promissora, o pessoal invista mais. Espero que comecem a investir com mais sabedoria também, embora acho que é meio. 

Szuster: Fala assim, eu acho que não vai voltar o que era, parece que é absurdo.  

Vinícius: Mas o que era também era muito distorcido.  

Szuster: Talvez fosse uma distorção mesmo, mas a necessidade de investir não acaba, porque justamente por isso, os negócios continuam super ameaçados e cheios de incertezas. Você não pode também só cruzar o braço e ficar quieto. 

Diulia: É. Tem o livro Design para o Mundo Complexo, do Rafael Cardoso, ele traz um questionamento, que é tipo, o que pesa mais? É a tradição, ou é o desejo, é a informação, é a inovação? E ele vai trazer uma reflexão sobre como que a gente utiliza coisas do passado para poder fazer as coisas para o futuro e como que para você se manter a mesma coisa você necessariamente tem que se movimentar, porque se você não se movimentar, você já passa a ser só uma parte de algo do passado. Vai surgindo coisas novas ao redor e você vai ficando para trás.  

Szuster: É tipo eu mesmo que falei agora.  

Diulia: Quando a gente fala de empresas mais tradicionais, porque a gente fala até, por exemplo, de grandes concessionários de energia ou, enfim, empresas que têm um negócio muito estabelecido que é aquilo hoje, era aquilo ontem, vai ser aquilo grande parte de amanhã, mas ainda assim precisa ter alguma alteração para poder se adaptar para o novo cenário e ter a mesma relevância que elas tinham. Então acho que isso é uma coisa que traz essa necessidade da inovação, assim, por mais que seja incremental, por mais que as pessoas ainda tenham medo, que talvez não vão abrir mão de, né, assim, colocar aquele dinheiro ali num lugar seguro, que vai render um juros bacana e tal, mas aquela, a inovação voltado para as empresas, né, ela precisa acontecer, nem que seja para poder, assim, manter a velocidade, manter o dia a dia ali. 

Pedro Rangel: Pra existir, né? Tem um cara que eu sigo, ele chama John Cutler, ele é diretor de produto da Toast lá dos Estados Unidos e ele tem uma newsletter que chama The Beautiful Mess, é legal o texto dele que é meio caótico mesmo, ele fala que fazer produto digital é uma bela bagunça. E de fato é um pouco, né? A gente tenta organizar essa bagunça aí. Inclusive eu queria eu queria até palestrar sobre isso. Na Geo Trends, uma coisa que ele falou um pouquinho caótico, um pouquinho pessimista também. Algumas pessoas falam: “você é doido, você vai lá na Geo Trends falar sobre isso”. No ano em que tá todo mundo falando de eficiência, que ele falando que justamente que é importante permitir deliberadamente algumas ineficiências pra abrir espaço pra inovação. Então ele fala que é importante ser estrategicamente ineficiente. Então se você lê só esse pedaço meio isolado, você acha que o cara é meio louco assim. Só que o texto dele era um pouco pessimista, porque ele estava falando que as pessoas, que as empresas estão buscando eficiência absoluta. Então pode ser que isso vá na contramão. É aquele paradoxo que você falou ali no início.  

Diulia: O que eu comentei do ter consultor, de ter aquela verdade absoluta, isso tudo fala também de uma busca por eficiência até na vida pessoal. Você não pode errar em lugar nenhum. 

Szuster: O problema é essa visão binária que a gestão muitas vezes tem. É uma coisa impressionante a dificuldade em conviver com a ambiguidade. Ou você está lá com uma verba gigante partindo tão de frente e vamos botar para quebrar. Ou então você está no outro oposto falando assim, agora se o cara quiser, tiver que viajar para um lugar tem que pedir 77 autorizações, sabe? Eu falo assim, é muito curioso. Eu entendo o sentimento de um CEO, por exemplo, quando ele vai lá e cria uma dificuldade enorme para gastar dinheiro. Porque ele quer mostrar para a empresa que tem que ter austeridade. Não estou nem dizendo, dá para entender o princípio por trás disso. Mas eu acho muito curioso. Por isso que eu falei que acho que as organizações não evoluem organizacionalmente no sentido de confiar mais nas pessoas, na responsabilidade das pessoas e mudar um pouco o objetivo do sistema, acreditar que as pessoas vão perseguir aquilo, entendeu? Então fica sempre as pessoas meio mecanicistas, sabe? Ou você, em vez de tentar criar um clima de austeridade, mas ainda permitir que tem esses bolsões de inovação e que as pessoas gastem com um certo critério ali e aprendam, você fica alternando entre quase que querer uma inovação controlada, botando muito dinheiro de vez em quando, ou então não permitir mais nada porque agora é eficiência. É um negócio muito, assim se a empresa fosse um organismo vivo idealmente, pode ser meio utópico, mas se a empresa fosse um time de times, esses times tivessem propósito e perseguissem os objetivos e fosse sentindo e respondendo, é como se a empresa fosse automaticamente se adaptando. Agora eu vou gastar menos. É claro que você continua tendo que ter um comando, que tem uma visão um pouquinho diferente de quem está dentro, que sinaliza isso. Não estou dizendo que essa sinalização não é importante, mas o tanto sinal é muito mais que uma sinalização, um controle absoluto. E aí esse controle para mim gera essa maluquice aí, sabe? O pessoal brinca, né? As fases de oba-oba e epa-epa. Você sai de um oba-oba para um epa-epa.  

Pedro Rangel: Conhecemos bem.  

Szuster: Sabe, é muito curioso, né? Você está numa fase que tudo é permitido, que também não tem muito sentido, entende? Para uma fase que nada mais é permitido. Parece que fica ligando e desligando.  

Diulia: E parece que o grande desafio é conseguir ter coerência, né? Nesses dois cenários, normalmente quando tem muito recurso, aí tem muito desperdício porque não tem direcionamento para que a autonomia faça sentido e as pessoas consigam experimentar, consigam inovar ali, mas tendo a visão de onde a empresa quer chegar como um todo. E a gente vai vendo uma série de iniciativas que nascem e morrem, uma iniciativa que é concorrente com a outra, que é de um outro setor, porque as pessoas não se conversam ou não têm uma clareza do que precisa ser feito. E aí, pelo outro lado, quando a gente tem essa escassez de recursos, aí vem uma necessidade de controle, tipo reflexa. 

Szuster: É, você vai de uma época em que tinha dez iniciativos iguais, eu nem precisava.  

Pedro Rangel: E hoje, às vezes, precisa tirar 10% da capacidade do time ali para experimentar algumas coisas. Com inteligência artificial, às vezes, inclusive, né? Tá super na moda aí e a gente já tem uma maior dificuldade de conseguir. Mas é isso. Vamos caminhar pro final? 

Diulia: Vamos, a gente achou que não ia ter tanto assunto. 

Szuster: Quero ver como que vai ser o título desse episódio.  

Pedro Rangel: Aí o Mike que se vira para achar o título. Problema da redação. Viagem de fim de ano o nome do episódio.  

Szuster: Só plantou a sementinha. Faz a sua prece agora.  

Vinícius: É o Pedro, o Pedro não tá sabendo organizar.  

Pedro Rangel: Eu perdi totalmente o fio do episódio. Vai chamar viagem de fim de ano.  

Diulia: É, viagem de fim de ano. 

Pedro Rangel: Mas é isso, alguma reflexão final aí para o último episódio do ano, para preparar o pessoal para o ano que vem?  

Vinícius: Assim, eu queria só ressaltar o que eu falei lá, né? Que o pessoal tenha mais um voto, né? Que o pessoal tenha sabedoria em usar essas coisas novas que estão surgindo para que não destoe muito da nossa essência. Até para aproveitar que está fechando, eu tô vendo o que eu nunca vi. O pessoal agora só fica lançando uns filmes grandes, uns filmes de três horas. Então eu vejo igual série. Eu vejo, eu e minha esposa, a gente vê 40 minutos.  

Szuster: Você vai vendo aos pouquinhos? Parcelas. Essa geração nova.  

Vinícius: Tem um filme, eu prometo que não vou dar spoiler, mas achei bem interessante, que acho que diz muito sobre esse voto que eu estou fazendo, que, se não me engano, o filme chama O Assassino da Lua das Flores.  

Szuster: Ah, do Scorsese. Eu estou a fim de ver esse filme. 

Vinícius: Ele conta a história de uma sociedade indígena nos Estados Unidos.  

Szuster: Já está no streaming?  

Vinícius: Tá. Acho que está na Apple. E ele conta que essa sociedade indígena tinha uma vida muito harmoniosa, tinha uma vida em comunidade bacana. E de repente, acho que era no estado do Missouri, nos Estados Unidos. E aí eles descobriram petróleo onde eles viviam. E aí foi, na época lá, ele colocou lá umas legendas no filme falando que eles foram o povo com a maior renda per capita dos Estados Unidos por causa disso. Mas isso foi uma certa desgraça para eles porque, por uma série de motivos, vou citar só um aqui que ilustra bem tudo que eu falei, porque eles mudaram a alimentação deles, por exemplo, porque começaram a ficar diabéticos. Era uma coisa que não existia na sociedade deles. Vários outros problemas, só pra não ficar dando spoiler aqui. Eu acho que a mesma coisa já está acontecendo a gente por causa redes sociais, por causa do celular. A gente está descobrindo umas, isso está fazendo com que a gente tenha doenças que não existiam antes. Tivemos várias séries de doenças mentais e tal. E isso com a IA pode piorar ainda mais. Então que a gente tenha sabedoria pra implementar essas tecnologias novas aí. 

Pedro Rangel: Perfeito. É, e antes da gente encerrar também, é só fazer um comentário aqui, né? Que o episódio de fim de ano do ano passado foi o episódio que o Szuster e o Vinição anunciaram que eu e a Diulia estávamos chegando no podcast. Então, agora, um ano depois, como a gente tá aqui hoje, eu vou entender que deu certo. 

Vinícius: Mas vocês estão saindo. 

Pedro Rangel: Não, sem novos anúncios por enquanto, mas aproveitar para agradecer publicamente também.  

Szuster: Você deu um frio no coração de quem gosta de você.  

Pedro Rangel: Não, a gente continua pro que ano que vem, tem bastante coisa para falar ainda, mas a gente queria agradecer mesmo a confiança de vocês estarem dividindo os microfones com a gente, que foi um ano bem intenso, e mais de 30 episódios eu e a Diulia gravamos. 

Diulia: Sim de muito aprendizado.  

Vinícius: Vocês são bem mais disciplinados.  

Szuster: Fale para você, Vinicius. Eu sou super disciplinado.  

Diulia: Acho que dá até para a gente poder linkar isso um pouco, porque esse movimento desse compromisso que a gente teve de participar dos episódios e de estar estudando fez com que a gente tivesse contato com uma série de conteúdos, que a gente se movimentasse. Então acho que diz dessas metas e a gente tá aí o final de ano, né? Todo mundo faz diversas metas e tem a ironia de ser aquelas metas que a gente faz, guarda, fecha e esquece. Mas como a gente teve esse desafio, e foi um desafio que tava sempre muito ligado à prática, e que convidava a gente a sempre estar se reinventando e estar ali presente e aprendendo. Eu posso dizer por mim, hoje tenho muito mais conhecimento sobre as práticas do mercado, sobre todo o cenário que a gente tem hoje no mercado de tecnologia. 

Pedro Rangel: Tive que ler muito, né? Para poder fazer citações igual eles fazem. Não tem condição. Então pelo menos um livro por mês. Acho que foi o ano que eu mais li. Nos últimos anos.  

Diulia: A gente falava, né? Quando a gente entrou e falou, nossa, mas como é que a gente vai fazer? Eles citam livros assim, ó? Eles falam as coisas.  

Szuster: Hoje em dia é só você pegar o Chat GPT. 

Pedro Rangel: Não. Para não atrofiar, nós fizemos compromisso de não usar chat GPT para fazer pauta.  

Szuster: Eu também uso essa política. Se não você começa a entrar na cilada.  

Diulia: É, depois você já nem sabe mais utilizar aquelas informações.  

Pedro Rangel: Mas é isso. Foi um ano de grandes participações aqui no podcast. A gente fez três sequências de episódios sobre tendências, eficiência digital, inteligência artificial também, a gente falou para caramba. A gente alcançou ouvintes em mais de 31 países. Eu nem sabia disso. Fui saber ontem.  

Diulia: A gente fica aqui falando, né? 

Pedro Rangel: É. E aqui no Brasil, os estados que mais destacaram foram São Paulo e Minas Gerais, nossa casa mesmo, né? Então, agradecer a todo mundo aí que acompanhou a gente mais esse ano e a gente vai fazer uma pausa, né? No início do ano aí pra recarregar as energias, mas a gente volta dia oito de janeiro com conteúdos novos aí em todos os canais. Então, sigam os agilistas pra não perder nada e preparem pra nossa série de tendências que vai sair em janeiro e a gente se vê no próximo episódio. 

Diulia: E feliz natal para todo mundo, não é? 

Vinícius: Abraço. 

Szuster: Abraço 

Pedro Rangel: Obrigado, pessoal.  

Vinícius: Tem uma tese que eles chamam tese da internet morta, que é tipo assim, já mais ou menos 70%, já é assim, entendeu? O conteúdo da internet já é feito por BOT. E aí, tipo assim, as marcas às vezes pagam pelos patrocínios lá, mas na verdade é um BOT interagindo com o outro, então assim, não tá pagando por nada.  Pedro Rangel: Bom dia, boa tarde, boa noite. Bem-vindos ao último episódio dos agilistas do ano de 2023. Eu sou Pedro Rangel, hoje estamos os quatro rostos do podcast pra fazer a última conversa do ano, que vai ser de certa forma uma retrospectiva e também trazer algumas mensagens aí pro ano de 2024. Então, vamos lá, né? Aos cumprimentos. Diulia, tudo bem?  Diulia: E aí, Pedro. E aí, gente, tudo bem?   Pedro Rangel: Vinição.   Vinícius: E aí, pessoal, tudo bem? Vamos lá.   Pedro Rangel: E Szuster.  Szuster: Bom dia, boa tarde, boa noite para todos.   Pedro Rangel: Isso aí. Para a gente começar a esquentar os motores aqui, fazendo uma breve retrospectiva desse ano, que foi um ano intenso, de acordo com o Spotify, o nosso episódio mais ouvido de 2023 foi o 135 Inovação quatro ponto zero, e teve nove vezes mais reproduções do que a média dos nossos episódios. Foi um episódio gravado em 2021 e a gente sabe que o cenário de mercado de tecnologia lá em 2021 não era o mesmo de hoje, mais de dois anos depois. Inclusive, acho que se falava mais em transformação digital do que eficiência digital ainda, que foi o assunto mais quente aí, o tema mais quente dentro dos agilistas ao longo desse ano. Estão pensando agora, dois anos depois, 2023, inclusive de acordo com notícias recentes, mais de três mil startups faliram ao longo desses últimos dois anos. Aquelas empresas techs de alto crescimento que todo mundo dava dinheiro para o jovenzinho de vinte e poucos anos fazer lá na garagem dele. Isso não está acontecendo mais. Existe expectativa que o mercado volte a andar com alguns IPO em 2024, mas a confiança está muito mais depositada nas startups mais experientes. Quase não são startups mais, né?   Szuster: As scale-ups.   Pedro Rangel: É, as scale-ups, exatamente. Então, o pessoal falando da Shein, Reddit aí, né? Então, assim, os nomes menos conhecidos não estão trazendo muita atenção mais. Aí, a primeira reflexão que eu queria puxar é essa, né? Então, como que as empresas devem fazer pra equilibrar os riscos atrelados à inovação com a prudência e fazer o negócio prosperar sem desperdício, né? E é o que se quer hoje, né? Essa própria lista de IPO, intenções de IPO, estão mostrando que os venture capital estão buscando inovação sim, mas com um pouco de segurança, um pouco de previsibilidade, né? E, Szuster, como é que a gente pode refletir em cima desses dados aí?   Szuster: Acho que a primeira pergunta, na verdade, é por que esse episódio foi o mais assistido, o mais ouvido. Como é que é desse ano, né? É um episódio de 2021, né?   Pedro Rangel: É, dois anos depois.   Szuster: Assim, que tem tudo a ver com a sua pergunta. Eu fico imaginando, né? Que é até especulativo, né? Que é assim, quando fala em inovação, a gente tem mania de pensar inovação sempre como algo muito, tipo, que as coisas de professor Pardal, né? Para quem é mais, não sei se professor Pardal, as pessoas entendem. Na minha época, professor Pardal era o que inventava as coisas, né? Como que um excesso de criatividade, coisas revolucionárias, disruptivas, mas inovação não é necessariamente isso. Então, fico pensando que o mundo mudou muito no sentido de que tem pouco dinheiro, igual você disse. Os recursos estão muito mais escassos e como o dinheiro não está sobrando, você não tem mais aquele ambiente onde você podia investir em 200 mil lugares e algum ia dar certo. Eu lembro que eu li alguns artigos mostrando que é muito interessante como é que as coisas mudam rápido. Eu lembro de ler artigo onde o algoritmo que esses ventures capital tinham para investir era como se fosse assim, se ele está tendo uma taxa de sucesso grande, grande no sentido assim, se várias empresas estão indo relativamente bem, ele estava fazendo errado o negócio. Porque na verdade é como se você tinha que achar uns poucos unicórnios. E para você achar uns poucos unicórnios, você tinha que errar muito.  Pedro Rangel: Já contava-se como uma perda de ganho.   Szuster: É, se você estava acertando empresas medianas, significava que você não estava tendo ousadia, daí como é que a cultura do tempo muda, não é? E eu lembro de ter lido exatamente um artigo disso. O bonito era você ser completamente doido e ficar tentando acertar para poder achar um Google, um novo Google ou uma coisa desse tipo. Mas assim, divagações à parte, eu imagino que, apesar do dinheiro ter ficado mais curto, a incerteza não muda, né? E aí, as empresas têm necessidade de inovar tanto para poder continuar atendendo melhor aos clientes e a competição continua muito grande, quanto também para atingir a eficiência digital. Então, acho que o grande motivo é a necessidade de você ter uma cultura de experimentação, etc., não muda. E isso é curioso, porque a gente já falou isso outras vezes, né? É claro que quem escuta o podcast sabe disso e pode achar que é um viés nosso, já que somos agilistas, né? Mas isso é mais ainda o que a gente acredita como agilismo, né? Porque o agilismo sempre surgiu nesse contexto de você ter um mundo incerto onde você quer fazer experimentação e onde o recurso é escasso. E você tem que aprender rápido. O Lean Startup surgiu nesse contexto, nunca foi. Eu posso gastar à vontade, vamos ver o que acontece. Na verdade, sempre foi, qual a forma mais pragmática que eu tenho de fazer a experimentação. Então, acho que o desafio continua sendo esse, isso que é curioso. O desafio continua sendo esse porque, em meio a isso tudo, quando você falou, né, o desafio, as empresas querem ter uma estabilidade, elas querem apostar em eficiência e sempre tendem a colocar essas coisas como forças opostas, né? Sempre fica parecendo que você criar uma cultura de inovação você necessariamente não vai poder ser eficiente. É claro que existe um certo, você vai ter que admitir mais desperdício, se você quer ter chance de ter experimentação, você vai ter que aceitar um certo desperdício, até em termos de recursos, para ter mais resiliência, etc. Mas não quer dizer que você não vá viver num ambiente de restrição, sabe? Eu acho que é sobre isso que a gente pode falar, eu tenho certeza que o Vinição, ele vai dar um jeito de misturar o … com isso. Será que os ouvintes vão contar, Vinição, a sua evolução? Ser um cara bravo para ser um cara mindfulness.   Vinícius: Imagina alguém criar uma tirinha. Assim, só fugindo um pouquinho da pergunta, mas ainda dentro desse assunto que a gente está tratando. É um troço meio chato, porque todo mundo já fica falando isso o tempo todo de, ah, mas 2023 foi um ano que foi o ano que realmente todo mundo começou a usar. Tem aquelas curvas de adoção, realmente foi um negócio meio assustador, eu acho que em três meses, se não me engano, em três meses ele atingiu o mesmo número de usuários que o Instagram, que tinha sido mais rápido, ou o TikTok, se eu não me engano, que levou mais tempo que isso. Acho que levou oito meses, alguma coisa do tipo, para atingir, acho que não sei quantos milhões de usuários, numa métrica que eles usam de comparação. Eu estou falando da OpenAI. Tem algumas outras curvas também, eu não vou lembrar. Depois eu posso até procurar e colocar no episódio lá, citação referente a essas coisas. Mas tem umas métricas também de curva de adoção. Alguns vários livros que eu já li, eles citam isso. E atualmente, isso também vai encurtando, mas a curva de adoção, se eu não me engano, ela é de mais ou menos dez anos atualmente. Por exemplo, quando inventaram o celular, o primeiro celular, o primeiro smartphone, por exemplo, não foi uma adoção imediata, foi um negócio que demorou, tipo, dez anos, eu acho, pra chegar num número.   Szuster: O Roundy demorou uns vinte anos.  Vinícius: E aí, a IA surgiu agora. Então assim, a adoção ainda vai ser muito assustadora. Isso aí não precisa ter muita previsão em relação a isso. E aí, 2024 vai ser um ano que vai ter muita, talvez essas curvas de adoção comecem a, eu falei esse negócio de dez anos porque assim, falou assim: “ah, inventou e não aconteceu nada ainda”. Mas você vê que as invenções agora, por exemplo, o OpenAI tem uma API. Então, parece um mecanismo de inovação aberta. Eu fui em São Paulo essa semana e vi lá uma apresentação, por exemplo, da Microsoft, coisas muito simples, já são meio assustadoras, sabe? Do tipo assim, porque são assustadoras no sentido assim, não é nem uma grande inovação não, mas você já vê essas coisas, o tanto que vai impactar nos próximos meses no dia a dia, por exemplo, tem uma ferramenta lá do Teams, por exemplo, que quando você acessa um vídeo, por exemplo, que foi divulgado pela empresa, ele cria um histograma falando assim que momento, não é bem um histograma, mas um gráfico em que o momento cada pessoa falou. Aí você vê, por exemplo, o impacto de atenção das pessoas. A pessoa já não presta muita atenção nas coisas, eles vão olhar e falar assim, nessa reunião estava o CEO e estava não sei quem, ele vai só filtrar, tipo assim, que hora que o cara falou, eu vou ouvir só àquela hora que o cara falou, entendeu?  Szuster: Que desgraça, hein, cara?  Vinícius: É, não, isso é.  Szuster: O pessoal já não tem, a pessoa já acelera os áudios, agora vai pegar o vídeo, só vai no, daqui a pouco vai ter resumo, né? Esse vídeo aqui.   Diulia: Só decupagem.  Vinícius: É, não, já tem. Isso já tem. Eles vão lançar.   Diulia: Já tem a transcrição.   Szuster: Tem uns que falam que são pessimistas, né? Falam que o Teams vai chegara conclusão, que tinha nada naquele vídeo.  Vinícius: Então meu ponto assim, eu até desviei um pouco, mas eu queria falar realmente disso. Tipo, eu acho que 2024 vai ser um ano que essas ferramentas tudo vão incorporar, essas tecnologias que foram inventadas.   Szuster: É mais propício ainda a inovação que você está dizendo.   Vinícius: É. A inovação, mas eu queria ressaltar um pouco que a gente está entrando no ano novo também, o tanto de mal que essas coisas podem causar de forma para a saúde humana, vamos falar assim.  Pedro Rangel: É, eu vi uma reportagem da Época Negócio falando que sete a cada, eu não sei bem como eles chegam nesse número, mas sete a cada dez empresas brasileiras têm planos de adoção de inteligência artificial ao longo do ano que vem. Eu acho que, além disso de maneira geral, fazendo um link acho que o que eu vi foi no Gartner, que as empresas também estão mais propensas à adoção de novas tecnologias em geral. Então isso pra elas pode significar mais inovação também de qualquer forma.   Szuster: Só empresa não. Pessoalmente, assim, parece que você vai, acho que nem parece, todo mundo vai ter esses agentes para ele mesmo. Esse Gemini do Google. O vídeo, eu não sei se era verdade o vídeo que eu vi, mas assim, vocês viram esse vídeo que circulou do Gemini? Porque ele é multimodal, o que chama.   Pedro Rangel: Gemini é só para explicar é tecnologia core lá do Google.  Szuster: É um modelo que eles prometem suplantar os outros e ele é multimodal. Então no vídeo que circulou, eu não sei se eles pegaram só os melhores momentos do vídeo, mas é impressionante. Você fica mostrando coisas para o vídeo.   Pedro Rangel: Ele aponta no mapa e a inteligência institucional responde que você está apontando para o país.   Szuster: Ele mostra um patinho, cara, ele mostra um patinho e pergunta: você acha que boia? Mas isso é uma pergunta para uma inteligência genérica, aí a inteligência responde assim: “eu não sei de que material é feito para saber a densidade”. Aí ele aperta, porque eu falo, se for verdade aqui, eu sou desconfiado. Ele aperta o patinho, o patinho faz um barulhinho. Aí a inteligência fala assim: “ah, é um patinho de borracha, não tem ar, então ele boia”.  Pedro Rangel: Ele pinta o patinho de azul, aí parece um pato, mas não é uma cor natural para um pato.  Diulia: É, mas é muito louco.   Szuster: E lá tem uns micro, desculpa, só porque tem, eu lembrei agora do micromodelo, né? Parece que, eu falo assim, daqui a pouco você vai ter um modelo desse indexando as suas coisas, entendendo os seus negócios e te compreendendo assim. Aí assim, pensando nesse tema, isso vai mudar completamente a sua produtividade pessoal, mas vai mudar o seu comportamento, pode ter consequência para a sua saúde mental, né? Igual o Vinição está falando. E imagina para as empresas dentro de um ecossistema desse. Aquele negócio que, parece que eu dou um tempão, que mostra, desde sempre mostra que a inovação aparece muito quando você tem esse tanto de coisas conectando uma com a outra, a chance de surgir coisas novas é absurdamente grande. A gente viu até na pandemia, isso aconteceu com vacina.   Vinícius: A famosa apresentação dos vidros que mostra o lugar, Burano.  Szuster: É, do Murano, da invenção, que mostra como é que as invenções só aconteceram ao longo da história, como é que isso foi sendo acelerado. Agora, né? Porque agora, além de você ter muita conexão, você tem uma inteligência que te gera 400 mil hipóteses, possibilidades, é bem, parece que nós estamos vivendo um negócio muito diferente mesmo.  Diulia: E é uma inovação muito compartilhada, né? Se a gente for olhar como a gente lidava com inovação 20, 30, 40 anos atrás, hoje está na mão de muito mais pessoas. Um começa, aí abre uma API, aí um monte de gente pode interagir com aquilo, pode desenvolver desdobramentos daquela inteligência. Então, acho que isso também mostra de um impacto. Eu ia comentar que assim, coisas muito mais óbvias e que já estão na rotina, agora que eu tô nesse período de readequação, só para dar um contexto, eu tive um filho, então a rotina muda, né? E aí coisas do tipo.   Szuster: Muda, sério?  Diulia: Nossa, levemente. Então assim, hoje a Alexa é metade da minha memória. Ela que me lembra que tem que jogar o lixo reciclável no dia lá específico. Ela que já está conectada com a televisão, com o robozinho aspirador. O robô aspirador sabe a hora que ele vai começar a passar, como ele vai passar em cada cômodo. Então, assim, já libera de uma série de atividades que antes tomariam ou trariam uma carga mental ali de está limpo, não está, como é que está a rotina, tem que levar tal coisa, tem que fazer. Você deixa de pensar em uma série de coisas que antes você tinha que pensar e as coisas acontecem.  Szuster: Então, isso que eu acho assustador, o nosso episódio está tomando o rumo diferente. É isso que eu acho assustador.   Vinícius: Controla aí, Pedro.   Szuster: Não, eu acho assustador pra caramba isso, porque isso pode tomar o rumo para o bem ou para o mal, né? Mas acho que o Vinição estava tipo, isso pode ser visto otimisticamente como te retirando certas, e, sei lá, sobra tempo para você curtir sua filha, curtir as pessoas, né? E etc. Ou sobra tempo para você ser mais ainda manipulado pelos algoritmos e ter sua atenção mais manipulada ainda pelas outras coisas, sabe?  Diulia: Eu confesso que eu tenho medo da Alexa. Ela está sabendo muito de mim e cada vez mais. É muita informação.   Vinícius: Tem um lançamento do Netflix que fala um pouco sobre isso. Não vou ficar falando muito aqui, não para não dar spoiler.   Szuster: Que filme que é?  Diulia: Qual que é o nome?  Vinícius: É o filme com a Julia Roberts.   Pedro Rangel: O Mundo Depois de Nós, eu vi. É um negócio meio instaurado no caos.  Vinícius: Deixa eu só complementar um negócio que você falou, por exemplo, esse Gemini.  Szuster: Estamos subvertendo o episódio.   Pedro Rangel: Não, não tá ótimo.   Vinícius: Eu não sei como é que pronuncia esse, é Gemini, Gemini, Gemini, não sei.   Pedro Rangel: Eu falo Gemini, não sei se tá certo.   Vinícius: Um ponto que eu acho que ele até falou ali, mas não deu tanta ênfase, mas pode ser uma coisa bem diferente é que ele tem alguns modelos reduzidos, ele chegou a falar disso, mas que funcionam sem rede, que são embutidos no hardware. Então isso traz uma novidade muito, para pra pensar, porque tipo assim.   Szuster: O seu assistente que está andando.  Vinícius: Não, não, digo assim, ele pode ser embutido no hardware sem precisar de conexão com rede. Ele é um modelo mais reduzido porque ele opera num.   Szuster: Ele já está pré-carregado ali, né?   Vinícius: Então você não precisa de conectividade, entendeu? Isso aí, imagina assim o potencial.   Szuster: Você deve comprar uns modelinhos específicos treinados nos assuntos.   Vinícius: É, tipo assim, um modelo meio pra geladeira, um modelo meio pra.   Szuster: Não, sabe uma coisa que eu, já que nós estamos aqui viajando, tinha vontade de, eu era doido para ter um assistente desse que me indicasse quando eu estou querendo estudar um assunto, ficasse me botando noa trilhos assim, sabe? Leia isso aqui agora, vê isso, sabe? Um que se fosse confiável, né? O problema é que sempre tem essa história, né, do você não saber se tem algum interesse de patrocínio por trás, mas entende o que eu falo? Eu e Vinição, a gente ainda é muito interessado, né, em budismo, mindfulness, esse tipo de coisa, vamos supor, né? Mas eu, por exemplo, sou meio caótico, eu leio um negócio, eu vou ler outro, aí não sei o quê. Imagine uma assistente que eu pudesse ir conversando e me, tipo vai te colocando o trilho assim, sabe? Agora lê isso que vai ser bom. Aí a partir de uma dúvida que você tem, ele fala, ó, tal livro, explora isso muito bem, ou tal vídeo fala muito sobre isso, já pensou o quê? E assim, já pensou.   Diulia: E cada vez mais necessário, né? Porque a gente tem encaminhado na direção contrária que é um monte de conteúdo, o tempo todo, de assuntos extremamente diversos, tudo superficial, muita coisa inclusive criada por inteligência artificial. O YouTube, por exemplo, está como série de canais que as imagens são criadas por inteligência artificial, o áudio é criado por inteligência artificial. Na prática, tem alguém ali por trás, mas o roteiro não foi feito por essa pessoa, a pessoa só deu aquele ajuste ali, a gravação do áudio foi feita por uma voz de inteligência artificial, não foi pela pessoa, e as imagens foram geradas. Também não foram gravadas de cara.   Szuster: Estão ganhando o quê? Só para apertar o botão mesmo.   Diulia: É, só para poder gerar a visualização e aí a pessoa conseguir ganhar com aquilo. Então, assim.   Szuster: Daqui a uns dias vocês não gravar o podcast mais não, né?  Pedro Rangel: Já tem influencers que são inteligência artificial, que não são uma pessoa de verdade.   Vinícius: Os caras chamam, tem uma tese que eles chamam de tese da internet morta, que é tipo assim, já mais ou menos 70% já é assim, entendeu? Do conteúdo da internet já é feito por BOT. E aí as marcas às vezes pagam pelos patrocínios lá, mas na verdade é um BOT interagindo com o outro. Então assim, não tá pagando por nada. Porque assim, um BOT fica gerando, mas tem também outros BOTs que ficam meio que respondendo e tal, pra aumentar o engajamento. Mas é tudo, entendeu? Não tem nenhum ser humano olhando. Chama de teoria da internet morta. Ninguém interagindo com aquele negócio ali.  Pedro Rangel: Eu vi umas coisas meio, como é que eu posso dizer, meio estranhas recentemente sobre o mercado do pós-morte já também, que é as pessoas criando uma consciência baseada no aprendizado do que a pessoa foi em vida para continuar tendo contato com a pessoa depois que ela parte.  Diulia: Tipo aquela série do Amazon Prime?   Pedro Rangel: É, o Upload. É tipo aquilo. Mas é assustador, né? Aquela série eu tenho um relacionamento de amor e ódio com ela. Ela é super legal, mas eu fico pensando, pelo amor de deus, não pode chegar nisso.  Szuster: Mas tem um episódio do Black Mirror que é assim, já viu?   Diulia: Tem, tem.   Pedro Rangel: Black Mirror também que é assustador pra caramba. Eu fico pensando, pelo amor de deus, não pode chegar nisso.   F2: É, vira e mexe eu lembro de Black Mirror. Falo, nossa, tá acontecendo.   Pedro Rangel: Isso não deve ser nada saudável, né? Pelo amor de deus. Estou emitindo uma opinião aqui, mas é isso.  Diulia: Acho que é importante morrer também.   Pedro Rangel: Sim, faz parte do ciclo da vida. Vai eternizar todo mundo?   Diulia: A gente já deixa as coisas para depois, sabendo que vai morrer. Imagina se a gente soubesse que não ia morrer.   Vinícius: Eu tinha, rapidinho, eu só lembrei um negócio aqui. Eu tinha falado dessa questão da curva de adoção antes. Um bom exemplo que é, eu falei desse negócio do Gemini, aí tem gente que aposta que agora sim vai ser o ano da internet das coisas. É um assunto que, tipo assim, de quanto tempo que a gente ouve falar, e não consolidou ainda.   Szuster: Você fala por causa desses micromodelos aí? Para poder embutir mais inteligência em cada dispositivo?   Vinícius: Então assim, a gente fala agora sim, você vê que demora. Por quanto tempo que a gente já ouve falar de internet das coisas, e a gente não vê no dia a dia assim, sei lá, tem uma casa ou outra que tem uma automação e tal, mas assim, para você, lá em casa, por exemplo, para você conectar algumas coisas a Alexa, putz, é um negócio assim, tem hora que você até desiste.  Diulia: É, eu comprei ela para poder conectar a câmera que fica no berço. Ela mesmo, até hoje eu não consegui conectar. O resto da casa inteira eu não consegui conectar.   Vinícius: É muito complicado você pensar assim, a gente que já é do mundo da tecnologia já pena para fazer, imagina uma pessoa mais idosa.   Szuster: Isso você está mais revelando sobre sua idade do que isso. Eu acho que meus meninos conectam isso.   Vinícius: Tem uns negócios que são complicados.  Diulia: É. Eu acho que uma coisa que ficou muito forte esse ano também foi, assim, a gente viu uma retração de recurso, da abertura das pessoas para poder inovar, o que não quer dizer que não dá para ter cultura de experimentação, que igual você comentou, Szuster, a experimentação ela essencialmente é para ser simples, para ser rápida, para ser de baixo custo, senão é só desperdício mesmo de recurso. Mas para o próximo ano que vai vir, como vocês acham que, vocês acham que a gente vai caminhar por um pouco mais de maturidade entre o cenário que a gente tinha que era de muita oportunidade, de muito recurso, agora a retração a gente está caminhando por um meio de caminho? A gente deve continuar nesse cenário mais de retração e de mais cuidado com o investimento? Como é que vocês veem?  Szuster: Eu não sou nenhum futurólogo, mas pelo que eu leio, acho que vai ser um clima de pessimismo ainda, não é? Assim, acredito eu, porque tem muita guerra acontecendo, muito conflito, ainda inflação alta em um tanto lugar, eu acho que ainda não tá, eu não sei quanto tempo, assim, na verdade, o que eu acho quando eu leio essas coisas é que ninguém sabe de nada, porque quando você lê, o pessoal fala sempre do que aconteceu, já viu? Está todo mundo falando uma coisa.  Vinícius: É difícil ter alguém que realmente.  Szuster: É, assim, eu lembro que eu li na The Economist falando: “ah, era a era do”, acho que eu cheguei a falar aqui no podcast, eles chamavam até pouco tempo atrás, do ponto de vista financeiro, a era, eles chamavam, acho que era TINA, T-I-N-A, que é there is no alternative para investimento, sabe? Tipo assim, você não tinha alternativa nenhuma de investimento seguro, vamos dizer, estável. Então, todo mundo botava dinheiro em fundos que acabavam botando dinheiro nas startups e esse tipo de coisa, por isso que o dinheiro estava tão líquido, entendeu? Aí, agora, tem uma outra sigla bonita, there is an alternative, um negócio assim, entendeu? Que é tipo, é, mas você fala assim, parece uma descrição que tá acontecendo, então assim, de repente é como se fosse assim, até você convencer, o dinheiro nosso, o dinheiro que todo mundo coloca em algum lugar, até te convencer a tirar o dinheiro agora de alguma coisa segura, que está dando um juros bom, pra você inventar de colocar no negócio arriscado que no fundo é o que vai fazer o dinheiro botar de novo, né? Por que você vai fazer isso, entende? Com juros ainda altos, então não parece, né? Agora, eu não sou, longe de ser especialista, ou de o assunto que eu mais gosto, sabe? Mas eu acho que ainda estamos longe de voltar esse clima de otimismo. E é uma preocupação que eu tenho é que a gente vê essa tecnologia toda amadurecendo desse jeito, assim, avançando, mas você não vê as organizações avançando tanto, é tão engraçado, do ponto de vista.  Pedro Rangel: Isso é um bom ponto.   Szuster: Sabe, tanto do ponto de vista humano quanto do ponto de vista organizacional, é impressionante, é um descompasso, você não vê a estrutura.   Vinícius: Essa curva de adoção que eu falei, se fosse olhar no setor, nas grandes empresas, deve ser muito mais lenta ainda.  Szuster: É muito doido, você não vê. A gente se defende aqui, a gente, a Benha, a McKinsey, todo mundo defende que as empresas deviam ter uma estrutura um pouco mais orgânica, para facilitar a inovação, ser mais orientado ao fluxo de serviço, etc., etc. E a gente sabe que vai em todo lugar, o tanto que isso ainda é difícil. E eu fico pensando o tanto que isso.   Vinícius: Parece até o utópico, assim, até certo ponto.   Szuster: Não, parece até que talvez vai ficar mais difícil, paradoxalmente, com essa tecnologia, porque vai enganar, você vai fazer um tanto de coisa ali.   Vinícius: Você pode ficar fazendo umas firulas.  Szuster: É, você pode inventar um tanto de modo, um tanto de coisa pode ser criada, não sei o quê, não sei o quê, no fundo você não tem gente mesmo colaborando ali por trás e mudando isso tudo da empresa e líder ficando menos vaidoso e nada disso acontecendo, sabe?   Vinícius: Isso aí parece meio difícil de, nenhuma tecnologia vai superar isso.  Szuster: É, tem gente que fala isso muito, né? O ser humano, não sei se é uma visão muito pessimista, mas é como se a sociedade como cultura, como organização, como que um trata o outro, esse tipo de coisa, ela não evoluiu no mesmo, se tivesse um jeito de medir uma curva assim, sabe? Pessoas são mais individualistas, se importam menos com as outras, e esse tipo de coisa parece que te faz ficar mais, você vai precisando menos ainda dos outros, né?  Pedro Rangel: Tem um cara que falou isso.   Szuster: Se a pessoa não der valor às outras pessoas, tipo, isso que você falou, eu, minha vida fica na alexa, as coisas aparecem, vão brotar na minha casa, você vai interagir com quem, né? Não precisa nem interagir com os outros mais, né? É meio doido pensar assim, se você quiser você fica o dia inteiro, as coisas vão brotando, é tudo programadinho, e ainda ficam te avisando na hora de você fazer as coisas. Eu sei lá, eu posso estar ficando antigo, né gente? Eu tô com 50 anos, né? Então eu fico assim, às vezes eu tô de outra geração, né? Eu fico muito, eu fico parecendo aqueles caras que, eu saio de tudo que é rede social. Eu ganhei umas Alexa de aniversário, tava na moda Alexa, eu nem ligo a Alexa. Sabe aquele negócio? Quero nem saber, sabe? Eu prefiro ter que lembrar das minhas coisas. Mas eu falo, pode ser que eu esteja velho, né? Porque sempre a gente também tem um choque de geração, sempre. Quem nasce numa nova época está acostumado com uma coisa. Eu fico olhando praquilo eu falo, cara, eu não quero isso pra mim não, me lembra a hora que eu tenho que não sei o quê. Eu lembro, sabe? Ou eu esqueço, mas assim não.  Diulia: Mas isso é uma coisa que realmente, assim, o ter menos contato com pessoas, acho que vai gerando uma, eu estava comentando hoje, o episódio vai para vários lugares, mas eu estava comentando hoje sobre a confiança de testar coisas na prática do dia a dia mesmo assim, né? Mais uma vez, experiência agora de mãe recente. É bizarro, tem consultor pra tudo. Tem consultor de alimentação, consultor de sono, consultor de como você vai educar ali, fazer uma abordagem essa, aquilo, aquilo outra, gente, mas como é que pessoas faziam antigamente, não está todo mundo vivendo? No sentido de parece que tem uma verdade que fica encapsulada em algum lugar, que ela não está acessível, que só essa verdade que vai trazer. E eu acho que muito porque as pessoas estão divididas em silos, elas não estão trocando, elas não estão vendo como é que o vizinho está fazendo, como é que a família está fazendo, como é que era. E acaba perdendo esse fator humano.  Szuster: Existe uma insegurança, não é? Parece, não é? Tipo assim, a pessoa parece que tem que ser perfeita assim. Você tem que ser perfeita na amamentação, né? Se o menino estiver engordando ali.   Diulia: Eu, ultimamente, estou com raiva de conteúdo de YouTube, de Instagram, que é assim, cinco itens que você não pode deixar de considerar. Você fazia isso errado. Essas coisas assim, extremamente sensacionalistas e que parecem que estão sempre lutando por engajamento e que é pra você estar ali de novo, de novo, de novo, a qualquer custo, até alguns perfis de sites de notícia mesmo, a forma como trazem as informações estão cada vez mais muito pelo engajamento, então você vai ver o título, está extremamente distorcido, quando você vai ler a reportagem, você fala, não, espera aí.   Szuster: É irritante, né? Você sempre parece ser trouxa, né? Você clica lá. É o tal do survey nesse capitalismo, que é esse capitalismo, assim, o tempo todo o modelo de negócio da internet toda capturar sua atenção. E usar toda a falha que estiver no seu cérebro é isso, né? E tudo que puder usar, aí fica lá, você fica lá igual um trouxa. Por isso que eu falo assim, como a gente não consegue lutar contra isso, eu sou radical, eu prefiro não ficar exposto a isso, entendeu? Eu fico tentando me expor controladamente a isso, porque não adianta você pensar assim, eu tomo cuidado, você não toma, entendeu? Se você entrar num tanto de grupo, num tanto de coisa, você é capturado porque a gente cai na armadilha.  Vinícius: Eu estou cada vez mais assim também. Eu estava lendo, por exemplo, que eles, eu já tinha lido porque eu gosto de ver algumas entrevistas do Harari, por exemplo. Ele é autor, né? Ele, por exemplo, ele não tem celular. Aquele ator, esqueci o nome dele.  Szuster: Não tem celular, bicho? Será que ele só tem, não, deve ter um telefone sem ser a Smart, ou nem?   Vinícius: É tipo assim, o marido dele tem o celular.  Szuster: Então ele sacaneia com o marido dele.   Vinícius: Ele até explicou, ele falou que precisa. Ele até brincou, falou assim, eu sou muito privilegiado porque eu realmente não preciso de ter, acho que ele até falava, ser escravo disso, entendeu? Tem um chefe que é o meu celular. Aí ele não tem, aquele ator, esse que é o nome dele, que fez o Oppenheimer, o Peaky Blinders, por exemplo, ele não tem também. Eu acho que foi o Harari mesmo que falou que se chegasse uma civilização alienígena aqui na Terra e perguntasse assim para eles: “qual é o ser dominante?” Aí ele ia falar: “o celular”. Tem gente que tem mais de um. É dominante. Eu acho até que tem alguns movimentos de correção, dá para ser minimamente otimista, mas eu não acho que vai ser ano que vem ainda. Por exemplo, você vê que quando cai na grande mídia essas coisas, você vê que está chegando, está batendo na porta. Acho que foi no final de semana passado, eu vi que estava passando uma reportagem no Fantástico sobre saúde mental infantil por causa de uso excessivo de celular, falando que várias empresas, várias pessoas estavam fazendo ações coletivas lá nos Estados Unidos contra algumas empresas para ter mais controle sobre isso e igual o Szuster falou, só para tentar também ter uma visão um pouquinho também que pode, como ele falou, é muito imprevisível, eu concordo. Tem algumas coisas que parecem que estão melhorando um pouquinho, talvez não no sentido de ter um capitalismo talvez melhor, mas pensando em curto prazo do que a gente está conversando aqui em investimentos e tal. Os juros ainda estão muito altos, mas teve movimentos de redução, tanto aqui quanto nos Estados Unidos. Então pode ser que essa sequência seja mais.  Pedro Rangel: Mais promissora.  Vinícius: É, seja um pouco mais promissora, o pessoal invista mais. Espero que comecem a investir com mais sabedoria também, embora acho que é meio.  Szuster: Fala assim, eu acho que não vai voltar o que era, parece que é absurdo.   Vinícius: Mas o que era também era muito distorcido.   Szuster: Talvez fosse uma distorção mesmo, mas a necessidade de investir não acaba, porque justamente por isso, os negócios continuam super ameaçados e cheios de incertezas. Você não pode também só cruzar o braço e ficar quieto.  Diulia: É. Tem o livro Design para o Mundo Complexo, do Rafael Cardoso, ele traz um questionamento, que é tipo, o que pesa mais? É a tradição, ou é o desejo, é a informação, é a inovação? E ele vai trazer uma reflexão sobre como que a gente utiliza coisas do passado para poder fazer as coisas para o futuro e como que para você se manter a mesma coisa você necessariamente tem que se movimentar, porque se você não se movimentar, você já passa a ser só uma parte de algo do passado. Vai surgindo coisas novas ao redor e você vai ficando para trás.   Szuster: É tipo eu mesmo que falei agora.   Diulia: Quando a gente fala de empresas mais tradicionais, porque a gente fala até, por exemplo, de grandes concessionários de energia ou, enfim, empresas que têm um negócio muito estabelecido que é aquilo hoje, era aquilo ontem, vai ser aquilo grande parte de amanhã, mas ainda assim precisa ter alguma alteração para poder se adaptar para o novo cenário e ter a mesma relevância que elas tinham. Então acho que isso é uma coisa que traz essa necessidade da inovação, assim, por mais que seja incremental, por mais que as pessoas ainda tenham medo, que talvez não vão abrir mão de, né, assim, colocar aquele dinheiro ali num lugar seguro, que vai render um juros bacana e tal, mas aquela, a inovação voltado para as empresas, né, ela precisa acontecer, nem que seja para poder, assim, manter a velocidade, manter o dia a dia ali.  Pedro Rangel: Pra existir, né? Tem um cara que eu sigo, ele chama John Cutler, ele é diretor de produto da Toast lá dos Estados Unidos e ele tem uma newsletter que chama The Beautiful Mess, é legal o texto dele que é meio caótico mesmo, ele fala que fazer produto digital é uma bela bagunça. E de fato é um pouco, né? A gente tenta organizar essa bagunça aí. Inclusive eu queria eu queria até palestrar sobre isso. Na Geo Trends, uma coisa que ele falou um pouquinho caótico, um pouquinho pessimista também. Algumas pessoas falam: “você é doido, você vai lá na Geo Trends falar sobre isso”. No ano em que tá todo mundo falando de eficiência, que ele falando que justamente que é importante permitir deliberadamente algumas ineficiências pra abrir espaço pra inovação. Então ele fala que é importante ser estrategicamente ineficiente. Então se você lê só esse pedaço meio isolado, você acha que o cara é meio louco assim. Só que o texto dele era um pouco pessimista, porque ele estava falando que as pessoas, que as empresas estão buscando eficiência absoluta. Então pode ser que isso vá na contramão. É aquele paradoxo que você falou ali no início.   Diulia: O que eu comentei do ter consultor, de ter aquela verdade absoluta, isso tudo fala também de uma busca por eficiência até na vida pessoal. Você não pode errar em lugar nenhum.  Szuster: O problema é essa visão binária que a gestão muitas vezes tem. É uma coisa impressionante a dificuldade em conviver com a ambiguidade. Ou você está lá com uma verba gigante partindo tão de frente e vamos botar para quebrar. Ou então você está no outro oposto falando assim, agora se o cara quiser, tiver que viajar para um lugar tem que pedir 77 autorizações, sabe? Eu falo assim, é muito curioso. Eu entendo o sentimento de um CEO, por exemplo, quando ele vai lá e cria uma dificuldade enorme para gastar dinheiro. Porque ele quer mostrar para a empresa que tem que ter austeridade. Não estou nem dizendo, dá para entender o princípio por trás disso. Mas eu acho muito curioso. Por isso que eu falei que acho que as organizações não evoluem organizacionalmente no sentido de confiar mais nas pessoas, na responsabilidade das pessoas e mudar um pouco o objetivo do sistema, acreditar que as pessoas vão perseguir aquilo, entendeu? Então fica sempre as pessoas meio mecanicistas, sabe? Ou você, em vez de tentar criar um clima de austeridade, mas ainda permitir que tem esses bolsões de inovação e que as pessoas gastem com um certo critério ali e aprendam, você fica alternando entre quase que querer uma inovação controlada, botando muito dinheiro de vez em quando, ou então não permitir mais nada porque agora é eficiência. É um negócio muito, assim se a empresa fosse um organismo vivo idealmente, pode ser meio utópico, mas se a empresa fosse um time de times, esses times tivessem propósito e perseguissem os objetivos e fosse sentindo e respondendo, é como se a empresa fosse automaticamente se adaptando. Agora eu vou gastar menos. É claro que você continua tendo que ter um comando, que tem uma visão um pouquinho diferente de quem está dentro, que sinaliza isso. Não estou dizendo que essa sinalização não é importante, mas o tanto sinal é muito mais que uma sinalização, um controle absoluto. E aí esse controle para mim gera essa maluquice aí, sabe? O pessoal brinca, né? As fases de oba-oba e epa-epa. Você sai de um oba-oba para um epa-epa.   Pedro Rangel: Conhecemos bem.   Szuster: Sabe, é muito curioso, né? Você está numa fase que tudo é permitido, que também não tem muito sentido, entende? Para uma fase que nada mais é permitido. Parece que fica ligando e desligando.   Diulia: E parece que o grande desafio é conseguir ter coerência, né? Nesses dois cenários, normalmente quando tem muito recurso, aí tem muito desperdício porque não tem direcionamento para que a autonomia faça sentido e as pessoas consigam experimentar, consigam inovar ali, mas tendo a visão de onde a empresa quer chegar como um todo. E a gente vai vendo uma série de iniciativas que nascem e morrem, uma iniciativa que é concorrente com a outra, que é de um outro setor, porque as pessoas não se conversam ou não têm uma clareza do que precisa ser feito. E aí, pelo outro lado, quando a gente tem essa escassez de recursos, aí vem uma necessidade de controle, tipo reflexa.  Szuster: É, você vai de uma época em que tinha dez iniciativos iguais, eu nem precisava.   Pedro Rangel: E hoje, às vezes, precisa tirar 10% da capacidade do time ali para experimentar algumas coisas. Com inteligência artificial, às vezes, inclusive, né? Tá super na moda aí e a gente já tem uma maior dificuldade de conseguir. Mas é isso. Vamos caminhar pro final?  Diulia: Vamos, a gente achou que não ia ter tanto assunto.  Szuster: Quero ver como que vai ser o título desse episódio.   Pedro Rangel: Aí o Mike que se vira para achar o título. Problema da redação. Viagem de fim de ano o nome do episódio.   Szuster: Só plantou a sementinha. Faz a sua prece agora.   Vinícius: É o Pedro, o Pedro não tá sabendo organizar.   Pedro Rangel: Eu perdi totalmente o fio do episódio. Vai chamar viagem de fim de ano.   Diulia: É, viagem de fim de ano.  Pedro Rangel: Mas é isso, alguma reflexão final aí para o último episódio do ano, para preparar o pessoal para o ano que vem?   Vinícius: Assim, eu queria só ressaltar o que eu falei lá, né? Que o pessoal tenha mais um voto, né? Que o pessoal tenha sabedoria em usar essas coisas novas que estão surgindo para que não destoe muito da nossa essência. Até para aproveitar que está fechando, eu tô vendo o que eu nunca vi. O pessoal agora só fica lançando uns filmes grandes, uns filmes de três horas. Então eu vejo igual série. Eu vejo, eu e minha esposa, a gente vê 40 minutos.   Szuster: Você vai vendo aos pouquinhos? Parcelas. Essa geração nova.   Vinícius: Tem um filme, eu prometo que não vou dar spoiler, mas achei bem interessante, que acho que diz muito sobre esse voto que eu estou fazendo, que, se não me engano, o filme chama O Assassino da Lua das Flores.   Szuster: Ah, do Scorsese. Eu estou a fim de ver esse filme.  Vinícius: Ele conta a história de uma sociedade indígena nos Estados Unidos.   Szuster: Já está no streaming?   Vinícius: Tá. Acho que está na Apple. E ele conta que essa sociedade indígena tinha uma vida muito harmoniosa, tinha uma vida em comunidade bacana. E de repente, acho que era no estado do Missouri, nos Estados Unidos. E aí eles descobriram petróleo onde eles viviam. E aí foi, na época lá, ele colocou lá umas legendas no filme falando que eles foram o povo com a maior renda per capita dos Estados Unidos por causa disso. Mas isso foi uma certa desgraça para eles porque, por uma série de motivos, vou citar só um aqui que ilustra bem tudo que eu falei, porque eles mudaram a alimentação deles, por exemplo, porque começaram a ficar diabéticos. Era uma coisa que não existia na sociedade deles. Vários outros problemas, só pra não ficar dando spoiler aqui. Eu acho que a mesma coisa já está acontecendo a gente por causa redes sociais, por causa do celular. A gente está descobrindo umas, isso está fazendo com que a gente tenha doenças que não existiam antes. Tivemos várias séries de doenças mentais e tal. E isso com a IA pode piorar ainda mais. Então que a gente tenha sabedoria pra implementar essas tecnologias novas aí.  Pedro Rangel: Perfeito. É, e antes da gente encerrar também, é só fazer um comentário aqui, né? Que o episódio de fim de ano do ano passado foi o episódio que o Szuster e o Vinição anunciaram que eu e a Diulia estávamos chegando no podcast. Então, agora, um ano depois, como a gente tá aqui hoje, eu vou entender que deu certo.  Vinícius: Mas vocês estão saindo.  Pedro Rangel: Não, sem novos anúncios por enquanto, mas aproveitar para agradecer publicamente também.   Szuster: Você deu um frio no coração de quem gosta de você.   Pedro Rangel: Não, a gente continua pro que ano que vem, tem bastante coisa para falar ainda, mas a gente queria agradecer mesmo a confiança de vocês estarem dividindo os microfones com a gente, que foi um ano bem intenso, e mais de 30 episódios eu e a Diulia gravamos.  Diulia: Sim de muito aprendizado.   Vinícius: Vocês são bem mais disciplinados.   Szuster: Fale para você, Vinicius. Eu sou super disciplinado.   Diulia: Acho que dá até para a gente poder linkar isso um pouco, porque esse movimento desse compromisso que a gente teve de participar dos episódios e de estar estudando fez com que a gente tivesse contato com uma série de conteúdos, que a gente se movimentasse. Então acho que diz dessas metas e a gente tá aí o final de ano, né? Todo mundo faz diversas metas e tem a ironia de ser aquelas metas que a gente faz, guarda, fecha e esquece. Mas como a gente teve esse desafio, e foi um desafio que tava sempre muito ligado à prática, e que convidava a gente a sempre estar se reinventando e estar ali presente e aprendendo. Eu posso dizer por mim, hoje tenho muito mais conhecimento sobre as práticas do mercado, sobre todo o cenário que a gente tem hoje no mercado de tecnologia.  Pedro Rangel: Tive que ler muito, né? Para poder fazer citações igual eles fazem. Não tem condição. Então pelo menos um livro por mês. Acho que foi o ano que eu mais li. Nos últimos anos.   Diulia: A gente falava, né? Quando a gente entrou e falou, nossa, mas como é que a gente vai fazer? Eles citam livros assim, ó? Eles falam as coisas.   Szuster: Hoje em dia é só você pegar o Chat GPT.  Pedro Rangel: Não. Para não atrofiar, nós fizemos compromisso de não usar chat GPT para fazer pauta.   Szuster: Eu também uso essa política. Se não você começa a entrar na cilada.   Diulia: É, depois você já nem sabe mais utilizar aquelas informações.   Pedro Rangel: Mas é isso. Foi um ano de grandes participações aqui no podcast. A gente fez três sequências de episódios sobre tendências, eficiência digital, inteligência artificial também, a gente falou para caramba. A gente alcançou ouvintes em mais de 31 países. Eu nem sabia disso. Fui saber ontem.   Diulia: A gente fica aqui falando, né?  Pedro Rangel: É. E aqui no Brasil, os estados que mais destacaram foram São Paulo e Minas Gerais, nossa casa mesmo, né? Então, agradecer a todo mundo aí que acompanhou a gente mais esse ano e a gente vai fazer uma pausa, né? No início do ano aí pra recarregar as energias, mas a gente volta dia oito de janeiro com conteúdos novos aí em todos os canais. Então, sigam os agilistas pra não perder nada e preparem pra nossa série de tendências que vai sair em janeiro e a gente se vê no próximo episódio.  Diulia: E feliz natal para todo mundo, não é?  Vinícius: Abraço.  Szuster: Abraço  Pedro Rangel: Obrigado, pessoal.  

Descrição

A palavra de 2023 foi “eficiência”, mas será que já temos a de 2024? Neste episódio especial, Marcelo Szuster, Vinicius Paiva, Diulia Almada e Pedro Rangel, todos da dti digital, se reuniram para fazer uma análise sobre os destaques de 2023 no mundo do agilismo com um olhar bem apurado para a inovação. Além disso, eles também trazem as primeiras análises para o cenário de 2024. Ficou curioso? Então, dá o play!

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