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#246 – Tendências em produto e design: oportunidades e desafios para 2024

#246 – Tendências em produto e design: oportunidades e desafios para 2024

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Alexandre Loriggio: Querendo ou não, boa parte dos stakeholders fica longe do usuário, demora pra entender que na verdade o usuário, o cliente, é quem tá de fato trazendo o resultado pra empresa. Então isso é muito importante a gente citar, por isso que talvez seja a grande tendência para 2024, vindo até de um posicionamento do Google, pra mostrar pra grandes stakeholders. 

Diulia: E aí, pessoal? Aqui é a Diulia e comigo o Pedro, como é de costume. E aí, Pedro?  

Pedro: Olá, pessoal. Tudo bem? Mais um episódio, né? Vamos lá.  

Diulia: Pois é. E é um episódio de começo de ano, né? A gente vai falar sobre tendências e junto com a gente tá com o Alê, figurinha repetida do episódio do ano passado. Então, já dá até pra saber de que que são as tendências, né? E aí, Alê, tudo bem? 

Alexandre Loriggio: E aí pessoal, é bom tá de volta?  

Pedro: Aqui na DTI é assim né, a gente vai falar de produto, chama a Alê. 

Diulia: É. Então a gente vai falar hoje sobre tendências para 2024 em produto e design e assim, a gente viu que teve uma grande mudança em Product Design em 2023, a gente até já tinha cantado algumas pedras no episódio do início de 2023. E assim, se até 2022 tinha uma grande abertura para a entrada de novas pessoas no mercado e também para testes que traziam grandes discoveries e uma inovação mais radical e disruptiva, de repente deu uma freada gigantesca e as empresas começaram a ser mais criteriosas com seus investimentos e com isso a atuação estratégica de product design ficou um pouco mais restrita. Isso se dá em parte pelas restrições que realmente existem na parte de inovação e em parte pelos medos que as empresas passam a ter de investir e encontrar novos meios de atuação que fujam do que já existe. Agora, chegando a 2024, qual vai ser o cenário? A gente está vendo aí no mundo guerra, estamos vendo crise climática e o crescimento da inteligência artificial, entre outras, várias coisas que estão acontecendo. E a gente vai conversar um pouquinho aqui sobre como é que esses fatores influenciam no fazer produto e design, como é que mudam essas disciplinas e essas atuações. Então, para poder começar, nada melhor do que a gente falar do mercado, falar um pouquinho mais amplo sobre o cenário geral e a gente tem que considerar que a gente ainda tem um poder de compra reduzido e as empresas precisam justificar também porque de serem escolhidas. E além disso, dentro das empresas a gente tem um cenário de ver onde que fica melhor colocar o investimento. Como é que vocês veem, gente, para 2024 esse cenário e como é que isso impacta o fazer produto? 

Pedro: Eu acho que é importante a gente começar falando que nesse momento falar de tendência no produto e design, eu acho que já não é nem tanta tendência mais, né? O impacto já tá sendo sentido, né? Assim, eu acho que quem quiser ouvir o episódio que a gente fez de tendências lá no início de 2023, tudo tá valendo ainda. Eu acho que com algumas exceções, algumas nuances novas, alguns exemplos práticos já estão rolando. Mas os impactos nas áreas de produto e design, de todo esse cenário de mercado que a gente está falando, eles já estão sendo sentidos nesse momento. A gente falou muito ao longo do ano do fim do romantismo com o produto e tal. Esse romantismo que foi indo embora, ele foi abrindo espaço para um pragmatismo maior, mais foco em eficiência, foco em crescimento, etc. A mudança um pouco que os profissionais passaram ao longo desse ano, menos diversificação da função de produtos e demais. Então, até para a gente não, a ideia aqui não é repetir tudo isso, mas a gente tentar trazer uma análise um pouco mais nova do que a gente imagina que vai acontecer em 2024, possíveis gaps, quais que são as necessidades que devem aparecer. Impossível não falar de inteligência artificial. Eu acho que a gente falou de inteligência artificial em todos os últimos episódios, às vezes até quando o tema não é inteligência artificial, mas o papel dela nesse contexto tá enorme em todos os pilares, né? Então, quando a gente fez o episódio de engenharia também, tendências pra engenharia de tecnologia, a gente falou de inteligência artificial também. Nesse cenário que a Diulia descreveu aí, né, a palavra sustentabilidade tem aparecido também com uma certa força, mas vamos lá, né? Eu acho que vamos ouvir a opinião aí do nosso presado convidado, Alê. Alê, falei alguma bobagem? Ou é isso mesmo, né? As tendências, na verdade, são coisas que já estão rolando, mas que a gente está vendo intensificar aí para 2024. 

Alexandre Loriggio: Eu vejo no mesmo formato, eu acho que foi um ano difícil para a maioria das indústrias, dos mercados aí, então a redução de investimento em inovação, a gente viu uma presença forte nessa eficiência, então a busca por resultado aparece muito mais forte, então o espaço para errar diminui, então, as empresas estão com menos espaço para fazer grandes testes sem estar tão certo do resultado. Então, a gente vê aí algo que a gente já tinha falado sobre a redução de papéis de produto. Então, a gente vai focar e ter papéis mais focados, talvez mais, não necessariamente focados, mas mais generalistas que vão fazer mais coisas, não papéis tão focados em uma única parte. A gente vai ver movimentos desse tipo. Vejo também a gente com decisões mais direcionadas para resultados mais claros, né, com menos incertezas. Eu acho que esse grande momento de incerteza que o mercado tá passando vai refletir bastante no mundo aí de produto e design.  

Pedro: Um movimento que eu vejo inclusive até em alguns nossos clientes, né, eu acho que ao longo dos últimos anos tinha uma disposição muito maior para experimentar, olhando pelo prisma do design thinking assim, parecia que a coisa tava divergindo muito e agora eu tenho essa impressão de que tá convergindo um pouco mais, ao invés de abraçar o mundo ou de querer fazer coisas disruptivas e experimentar um monte de coisa nova, as empresas tão voltando a dar mais ênfase no seu core business, né? E e até quando usa inovação, usando ela pra potencializar o que é já de fato o core business, né? Então, tipo assim, todo mundo queria fazer super app, né? Um tempo atrás, agora a gente, pelo menos eu na minha limitada capacidade aqui, gerente de ponta, eu tô vendo, eu tô ouvindo menos essa palavra, né? Então, assim, e tô vendo também as pessoas de produto, essa aqui talvez seja uma, tô assumindo de forma um pouco mais ousada, mas eu até tenho conversado muito isso com a Lê, como eu tô vendo as pessoas de produtos se aproximarem das de operação também, sabe? Então, tô vendo cada vez menos o time ter os dois papéis tão claramente definidos, o Scrum Master, que hoje em dia eu já tô querendo me recusar a chamar de scrum master mais porque ele não é uma pessoa que fica dedicada a falar só de scrum, muito menos a falar só de framework, né? Eu acho que isso morreu, né? A pessoa especialista em determinado framework, mas elas estão convergindo um pouco mais até porque a pessoa de produto ela também tem que tá de olho se tudo que ela tá fazendo não tá fazendo com desperdício, né? Porque a gente falou lá, deficiência, etc. Então, tem que cuidar das pessoas do time, então, assim, também cuidar um pouco da operação de certa forma, um pouco diferente, eu acho, do que vinha sendo o papel de produto até aqui, né? 

Diulia: Eu acho que isso é das grandes mudanças que a gente vai ter, já está tendo na verdade, né? Que é essa questão de que aquele papel que estava em alta em 2020, 2021, que cresceu, que é justamente desse cenário em que as empresas estavam muito dispostas a, é quase como se fosse uma caça, né? A nova iniciativa que já vai gerar milhões, essa inovação que vai trazer uma grande virada dentro dos negócios. As empresas agora estão muito menos dispostas a isso, é meio tipo, ó, o que a gente está fazendo já está dando algum resultado, já está sendo positivo, então vamos apostar em melhorar o que a gente já tem, assim, é um cenário que eu acho que até um pouco do, o Szuster costuma brincar, né, do Oba-Oba e do epa-epa. É um cenário em que a gente está sempre buscando o equilíbrio, no final das contas. Uma hora solta demais, uma hora aperta demais para poder ver e talvez em 2024 a gente tenha um pouco mais de equilíbrio nesse sentido, de que a gente veio de um cenário de muita abundância, um cenário de muita freada, talvez em 2024 a gente tenha um pouquinho mais de maturidade, assim, dentro dos aprendizados que já aconteceram, né? Mas claro que com muita mudança ainda porque, igual você comentou, Pedro, acho que é um ano de desdobramento, assim, eu acho que 2021 para 22 e 23 foram anos de quebra, principalmente 22 para 23, mas agora eu acho que 24 ainda vai trazer esse dobramento de 2023 porque eu acho que diz desse amadurecimento. E aí, realmente, preocupar com o framework, seguir exatamente aquele passo, daquele jeito que a metodologia fala, provavelmente não vai ser a melhor abordagem. A gente tem visto que o foco na prática, no entendimento da leitura de cenário tem sido muito mais relevante do que ficar apegado a, bom, livro tal fala que tem que ser desse ou daquele jeito que a gente sabe que na realidade as necessidades são múltiplas e a gente precisa adequar para o cenário. E além disso, o Alê falou desses papéis que estão se agrupando e tornando um único e então acho que esses limites do que significa o papel de produto, do que significa o papel de design, porque as duas vertentes criaram muitos especialistas, vai ser mais difícil profissionais especialistas trabalhando um conjunto assim, acho que justamente por essa restrição de investimento, e também atuar de uma maneira muito especialista. Acho que quem está no mercado, quer um especialista que já conseguiu uma grande relevância sensacional, mas inclusive para poder fazer essa virada de atuação agora está mais restrito, mais difícil para poder conseguir. 

Pedro: Legal. 

Alexandre Loriggio: Só completando essa fala, Diulia, é uma coisa que eu gosto muito de citar quando eu falo sobre papel de produto e geralmente liderança de produto. Você tem que usar o livro guia, o livro teórico como guia. Então, assim, se você tentar usar o que o Mark Kagan escreveu lá no mundo, do Vale do Silício para startup, no Brasil, na empresa que usa hierarquia para construir produtos, você vai se frustrar muito. Então assim, a gente vê no Brasil uma tendência da pessoa de produto ser alguém generalista, que precisa saber um pouco de tudo e aplicar o conhecimento de produto para construir o produto. Então isso está se fortalecendo cada vez mais. Eu acho que é importante a gente saber aonde nós estamos tateando aqui no Brasil, na indústria que você está. Se você está em uma startup, talvez você consiga aplicar a metodologia um pouco mais by the book. Agora, se você está em uma empresa mais tradicional, as coisas mudam muito esse cenário.  

Pedro: Concordo Alê. 

Diulia: Muito bem colocado. 

Pedro: Eu acho inclusive que aqui na DTI, a gente ao longo, como a gente tem uma base de clientes mais tradicionais, é até porque eles não precisariam da gente se já tivessem nascido no digital. Eu acho que a gente tem construído uma base de conhecimento muito grande, muito forte em produtos nesse sentido, adaptando a literatura para os cenários um pouco mais realistas. Isso é bem legal. Como a gente falou ali no início, que não tem como fugir de falar de inteligência artificial para 2024, eu queria começar trazendo aqui um post que eu vi na semana passada, que é super apocalíptico, acho que é só legal para esquentar um pouco as coisas. Não estou dizendo que eu concordo, é para a gente comentar. Mas o CEO da Hugging Face, que é uma empresa grande, uma dessas bem emergentes em tecnologia, código aberto para inteligência artificial também, aí ele postou assim: “seis predições para inteligência artificial em 2024”. É super apocalíptico. Primeiro, alguma companhia de inteligência artificial hypada vai falir ou ser adquirida por um preço ridiculamente baixo, primeira predição dele. Segunda, modelos de larga linguagem de código aberto, open source, vão atingir o nível dos melhores modelos de closed source. Vários avanços em inteligência artificial para vídeo, biologia e química. A gente vai falar muito mais sobre o custo monetário e ambiental de inteligência artificial. Acho que tá aí o ponto menos apocalíptico que eu mais concordei. Alguma mídia muito popular vai ser majoritariamente gerada por inteligência artificial. Isso eu acho até que já tá acontecendo, né? Tipo, já tem influências que são inteligência artificial, não são nenhuma pessoa de verdade. E a última aqui, que eu não sei nem se eu entendi muito bem, mas vão ter milhões e milhões de construtores de inteligência artificial que vão levar a um grande aumento do desemprego. Essa aqui é a parte mais apocalíptica que eu achei, porque muitas vezes quando as pessoas falam de novas tecnologias, né, sempre tem um pouco dessa automação vai roubar o cargo de não sei quem, etc. Mas também muitas vezes falam mais balanceado com o fato de que vão surgir novas posições também, já ele aqui foi super apocalíptico. Eu achei interessante porque esse cara teve milhões de visualizações aqui, então ele como CEO também fez essa postagem bem polêmica aqui. Mas eu queria só realmente aqui, eu coloquei isso aqui só realmente para a gente aquecer o assunto de inteligência artificial, trazer uma coisa nova também, que a gente já falou em vários episódios. Mas queria ver de vocês também algumas conclusões aí, do que vocês acham de inteligência artificial nos produtos para o próximo ano. 

Diulia: O episódio que a gente fez um tempo atrás sobre o que realmente virou tendência e o que não virou tendência, a gente até discutiu um pouquinho disso, de que a gente já tinha falado da inteligência artificial lá no começo e que aí eu até toquei a pedra de que assim, eu acho que, para 2024, a gente vai estar ganhando mais intimidade com a inteligência artificial. Agora, em 2023, a gente entrou em contato. Então, está aquele negócio assim, né? Você entra no chat GPT, você entra em outras ferramentas, assim, porque está surgindo ferramenta para caramba. E aí você vai e fala, o que dá para fazer aqui? Aí você vai lá, pede para gerar uma imagem sua, você vai ali e pede para poder gerar um texto. Então a gente tá meio que falando, não, pera aê, a gente tá meio aprendendo, se letrando na inteligência artificial pra poder a gente ver como é que dá pra realmente utilizar pra coisa que vai gerar impacto na nossa rotina. Já tem muito uso, a gente já tá lidando com a inteligência artificial todo dia, mas acho que esse uso em larga escala vai crescer bastante em 2024. E aí é natural, né? Assim, acho que o uso para atividades simples da rotina vai começar a ficar mais vigente, assim, mais corriqueiro. E ao mesmo tempo, acho que as empresas vão começar a colocar isso como diferencial, já vem colocando meio que assim, a gente utiliza a inteligência artificial. É com qualidade, a gente sabe o que a gente está fazendo, aí já é outros 500, e talvez seja um dos pontos em que as empresas vão estar mais abertas à experimentação, porque já que é um negócio que tá aquele boom, nossa, a gente precisa ter, é aquele negócio assim né, não, o fulano está fazendo, vamos fazer também. Então talvez seja do cenário de restrição, onde as pessoas estejam mais dispostas a falar, não vamos botar um dinheirinho ali, porque eu acho que daqui o resultado vai gerar um benefício muito grande lá na frente. 2024 vai ser esse ano, assim, de aproximação, sabe? Da inteligência artificial com a rotina prática das empresas. 

Pedro: E várias empresas estão testando coisas, estão mostrando o que estão fazendo e as outras vão correndo atrás. Eu acho que eu citei essa pesquisa também nos outros episódios da Época Negócios, que sete em cada dez empresas brasileiras vão investir em IA, inteligência artificial, em 2024. E o que eu não citei ainda, que pode ser um dado novo legal de falar aqui, que o foco de adoção da inteligência pelas empresas está em temas que tocam a transformação da forma de se relacionar com seus clientes, com 13% dizendo que vão aplicar a tecnologia para dar suporte ao atendimento. Em outros usos, 8% pretendem incrementar com foco na inteligência de mercado, 7% em campanhas de marketing, 7% em gestão financeira contábil ou fiscal, 6% nas atividades de vendas, 4% análise de crédito e os outros são gestão de fornecedor, gerenciamento de risco, etc. Mas assim, é muito legal que tá super, a capilaridade enorme do uso de aplicações, e a cada dia surgem mais coisas ainda onde a gente vai poder aplicar.  

Diulia: E acho que esse ponto que você comentou, Pedro, essa variedade de temas, é justamente o que vai mudar tanto a prática do dia a dia no sentido de o que dá para fazer. A gente já falou sobre a questão de investimento e tal, mas descendo para a prática da pessoa de produto, da pessoa de design, e falando mais da pessoa de design especificamente, que é onde eu tenho mais lugar de fala, pensa só, a quantidade de iniciativa para poder tocar na parte de atendimento. A inteligência artificial pode fazer um trabalho sensacional com atendimento, mas quem é que está treinando o modelo? Quem é que está verificando se o que está sendo colocado realmente está condizente com o posicionamento da empresa? O que está retroalimentando para que a qualidade de fato, seja aderente para a necessidade. E nisso, assim, como a gente tem, o desatendimento talvez seja um dos mais óbvios da gente imaginar, a gente vinha tendo um investimento em writing, por exemplo, o que o profissional de writing agora muda com essa pegada agora da inteligência artificial, ou até o product designer mesmo, o mais generalista, como é que ele, assim, ah, eu não tenho skill de writing, não sou especialista em writing. Mas o que que eu preciso passar a saber sobre o tom de voz? O que eu preciso passar a saber desse universo que fala de posicionamento para utilizar a inteligência artificial de uma maneira que é condizente com a empresa em si? Então acho que vai ampliar um monte de possibilidade e isso vai fazer com que a gente tenha que ter uma velocidade e uma dinâmica de atuação que é diferente. 

Alexandre Loriggio: E assim, eu acho que uma coisa que vale a pena citar também, que já tá rolando com força, né, a parte de legislação da inteligência artificial. Então, isso pode mudar muito o rumo de várias aplicações no futuro, né. Então, assim, dependendo de como a legislação de como se pode utilizar a IA for votada, for ser implementada, a aplicação pode mudar muito, né. Então, eu vejo, assim, dois futuros, né, uma legislação muito restrita por medo do que pode acontecer e isso gerar, digamos, um atraso na evolução da implementação disso. E uma legislação um pouco mais branda, que aí talvez gere a mesma coisa que aconteceu com a eficiência digital, onde a transformação digital que virou eficiência digital. Todo mundo investindo muita grana em IA, sem saber muito bem o motivo, e depois de um tempo só se transformando numa eficiência com inteligência artificial. Então, eu entendo que IA vai ser futuro, não tem como fugir. A maioria das empresas vão trabalhar com IA no futuro, talvez não 2024, mas em breve. Não talvez da melhor forma já, mas eu imagino que o investimento vai só aumentar em diversos setores, em diversas aplicações, como o Pedro bem citou.  

Pedro: Eu queria citar, inclusive, uma referência, um texto, um artigo interessante que, na verdade é baseado num episódio do podcast deles também, mas é um podcast todo em inglês. Eu acho que vale a gente trazer pra cá algumas das principais conclusões que eles tiraram lá na Intercom, que é uma empresa tech grande, nome importante no Vale do Silício, que eles comentam que a primeira onda de poeira baixou, essa parte eu não sei se eu concordo, eu acho que a gente ainda tá no meio da poeira com a inteligência artificial, mas que é o momento ideal para refletir sobre o que essas mudanças significam para a estratégia e para os líderes do produto. Porque, inclusive, o Alê falando aí, eu ainda fiquei pensando, imagina quantos líderes de produto vão ter que começar a entender sobre legislação de inteligência artificial também, para saber se cabe, se não cabe, implementar aquilo ou não, quais são os riscos, os perigos, risco de exposição, etc.  

Alexandre Loriggio: Já está sendo discutido, né? No caso do UOL, que a gente implementou, o Arthur foi o cara que precisou entender a implementação do Chat GPT ali na busca. Já é algo que a gente precisa saber antes de implementar. Até saiu um meme aí do BOT da Chevrolet, que não estava usando a versão Enterprise do Chat GPT, que o cara pediu para ele fazer o script, sei lá, em Python e o Chat GPT da Chevrolet respondeu o negócio, porque não tá sendo bem implementada a parte legal da implementação, né? Então isso já tá acontecendo, né? 

Pedro: Inclusive, você falou ali, acabei de lembrar, a ByteDance, que é a dona do TikTok, também tá com risco de ser banida aí do uso do Chart GPT por infringir regras aí também. Olha só, é super perigoso, né? Mas é isso, né? Seja você o gerente de produtos, especialista no domínio, etc. Vai ter desafios e vai ter oportunidades também, né? E aí o texto fala algumas coisas muito interessantes assim, né? As principais conclusões. Que para realmente inovar categorias com inteligência artificial, as startups têm que considerar se os seus produtos ou recursos oferecem um ângulo de ataque único que as empresas estabelecidas não podem replicar facilmente. Porque igual até falei alguns minutos atrás aí, né? A galera está buscando replicar. A gente vê alguma coisa super legal funcionando aí com o IA, todo mundo quer fazer. Aí, embora a inteligência artificial possa agilizar tarefas em categorias como softwares as a service, de vendas, etc., atendimento ao cliente, o impacto na gestão de projetos é mais diluído. À medida que as capacidades de inteligência artificial avançam, é provável que as pessoas se sintam mais confortáveis em confiar nela para tarefas que envolvem não apenas análise, mas julgamento, embora ainda tenha necessidade de supervisão humana. Aí tem tudo a ver com o que a Diulia falou agora a pouco, né? A gente tem que pelo menos ir lá no final, assim, concorda com o que foi gerado aqui? Concorda. Ao considerar novas capacidades com inteligência artificial, os gerentes de produtos devem focar em como eles podem expandir a base de usuários, melhorar as habilidades dos usuários ou eliminar tarefas inteiramente. Isso também é super legal. Aqui não parece meio óbvio, né? Mas acho que é legal dar uma luz nisso. E seja você uma startup ou uma empresa estabelecida, é um bom momento para revisar os ideais por trás do dilema do inovador. Achei bem legal isso também. A gente deixa o link aí para quem quiser ler o texto, assistir esse episódio que eu também achei super legal. E eu até comentei isso também no episódio lá de tendência de tecnologia, mas o Gartner também falou isso, que até 2026, aí eu não sei muito bem como eles veem com esses prazos, mas até 2026, a IA generativa vai alterar significativamente 70% do desenvolvimento, do esforço de desenvolvimento e design para novas aplicações web e mobile. Também achei um fator interessante que coloca um horizonte como por 2026, 70%, aí reflita aí, né? Na empresa que você está. Você imagina 70% das aplicações integrando inteligência artificial nos próximos dois anos? É uma boa pergunta, né? Acho que quem já está no meio digital há mais tempo, já está mais avançado com data science e tudo mais, eu acho que pode ser. Para outros, talvez, eles vão ser um pouquinho mais longos. 

Diulia: Pois é, assim, a gente vê já, desde que o mundo é mundo, as empresas tentando otimizar o que elas têm de recurso, seja tempo, seja pessoas, seja, enfim, o que elas têm ali à disposição para poder fazer acontecer o negócio delas. Com a inteligência artificial, acho que um trabalho que vinha sendo feito já e que a gente se empatia nisso, assim, no sentido da tecnologia, que é muito da automatização, diminuir o trabalho operacional, enfim, que você até comentou no começo, né, Pedro, desse risco da diminuição de posições dentro da empresa. Eu acho que isso é algo que, inclusive, do ponto de vista de investidores, vão almejar no sentido de que é reduzir custo para a empresa, é natural, assim, que seja algo colocado ali na ponta do lápis. E, por outro lado, se a gente consegue, de alguma maneira, dar mais autonomia para o cliente, a gente já vem em um esforço de self-check ing, self-checkout, de o cliente, ele faz acontecer o serviço dele de uma maneira bem autônoma, e muitas das vezes até prefere isso para poder ter menos contato. Acho que com a inteligência artificial a gente pode caminhar ainda mais nesse sentido. Então, seja em áreas de atendimento, ou seja, realmente a prestação do serviço em outras etapas. Eu acho que as empresas vão começar a utilizar a inteligência artificial em vários espaços para poder tentar reduzir o custo e talvez isso possa retroalimentar o uso de inteligência artificial. Mas acho que no primeiro momento, o que o Alê comentou sobre a questão de a gente, o tempo todo, tentando encontrar a bala de prata, a inteligência artificial talvez seja mais uma tentativa da bala de prata que as empresas deslumbram num primeiro momento, mas lá na frente a gente vai aprendendo. Acho que assim como a gente, agora, caminhando para 2024, está aprendendo sobre o que realmente faz sentido nos papéis e como é que trabalhar com a tecnologia cada vez mais faz sentido, é essencial e que pode ser mais colaborativo, mais enxuto, enfim. O uso da inteligência artificial é a nova, nova assim entre aspas, é a novidade no sentido de que a gente está ganhando discernimento com ela e acho que é mais um caminho de amadurecimento que a gente vai ter.  

Pedro: A questão grande é que quem não está experimentando nada, não está nem tentando sentir a temperatura da água, tem grande chance de ficar mais defasado. E para a gente não falar só de inteligência artificial, se é que dá para ser, tem mais alguma coisa aí post-topic para 2024 que a gente vê chegando? 

Diulia: Olha, eu acho que uma coisa importante de dizer e que talvez caia um pouco no ponto que você comentou de gaps que aí outras empresas acabam copiando e tal, é justamente assim, a gente tinha investimento para inovações mais radicais, mais disruptivas, de repente o foco ficou em inovação mais incremental, e aí naturalmente as grandes empresas vão deixando gaps na atuação que elas têm porque para fazer esse atendimento que tocaria esse gap e precisaria de ter um grupo ali de pessoas que poderia estar olhando pra isso e como tá tudo mais enxuto, é meio que assim, né, mantenha o que tá funcionando e só melhora o que a gente já tem e tá rolando e tal. Então acho que isso não vai fazer com que volte aquele cenário que a gente tinha entre 2000 até 2015, de muita startup crescendo. Não acho que o oceano está tão azul e tão bonito pra poder a gente crescer da mesma maneira, mas acho que vão surgir novos gaps, ainda mais com a própria danada da inteligência artificial, acho que vão trazer novas oportunidades porque quando as empresas enrijecem a inovação dentro delas ou quando elas têm recursos mais limitados, elas vão cair mais nesses lugares comuns para elas e que vão fazer funcionar, não é que elas vão perder tanto ali, mas elas deixam de alcançar novas partes, é natural, não dá para abraçar tudo. E aí nesse deixar de abraçar, empresas menores e que são tecnicamente mais ágeis, por terem mais flexibilidade, por a estrutura ser mais simples e mais focada em algo, em um problema específico para poder resolver. Acho que a tendência é surgirem novas empresas assim, que vão tentar abarcar esses gaps que vão surgindo. Agora, se essas empresas vão virar novos unicórnios, ou se elas vão ser em grande parte adquiridas, ou se as grandes empresas vão olhar para elas e vão replicar o que elas estão fazendo, aí eu acho que é cenas dos próximos capítulos, mas que vão surgir gaps de atuação, eu acredito que sim. 

Pedro: Perfeito as suas colocações e, além disso, a gente vê ainda alguns temas ainda um pouco em alta. Low-code, eu acho que foi uma coisa que a gente esperou que fosse ser falado mais do que foi ao longo de 2023. Teve aí em pauta, mas a gente vê alguns movimentos, mas eu acho que não foi tão longe ainda quanto a gente pensa. Ainda acho que, e aí eu até já emitindo uma opinião, eu concordo muito com a utilização do low-code para validação de portas, fazer alguns testes rápidos. Então pode ser muito legal para as pessoas de produto terem domínio dessas ferramentas, porque sendo a dupla ali, o produto e design, sendo as pessoas responsáveis por essas validações, terem domínio dessas ferramentas pode ser uma coisa que vai agilizar muito o trabalho deles e defender ideias e tudo mais.  

Diulia: Vai viabilizar a experimentação muitas vezes, porque assim, num cenário que fica restrito e às vezes o pessoal estava acostumado com grandes discoveries ou com grande espaço para experimentar durante um período mais longo, e de repente restringe a pessoa e fala: “não vai dar para fazer nada. Vou fazer o que está me mandando agora, o que está pedindo, é exatamente isso”, aí começa a fritar o pastel ali, né? Qual o sabor você quer? Como é que vai ser? E a gente perde a expertise no trabalho, né? Porque assim, e aí eu acho que até para manutenção do papel, e aí voltando mais para o papel de design, eu acho que a gente, se ficar muito focado no UI, que por si só já é complexo, enfim, mas corre o risco do papel ter menos relevante, assim, acho que hoje a gente já tem, falando para empresas talvez menores e que tenham menos possibilidade de investimento, a gente tem inteligência artificial que vai gerar protótipo, vai ser baseado no que você está precisando, maior qualidade de tudo. Não, mas para uma empresa que não consegue pagar um profissional ou que está muito enxuto, vai ter que escolher onde que deixa o buraco. Às vezes vai optar, se for só para fazer tela, vai optar por automatizar dessa forma. Agora, se a gente pensa na experiência de ponta a ponta, se a gente começa a olhar com um olhar mais crítico com relação aos impactos que essa solução vai ter, a gente pensa no UX mesmo, na experiência que pode gerar uma série de desdobramento legal para a empresa, que pode gerar recurso em outro ponto, que pode gerar um novo serviço, aí eu acho que a gente mostra o valor do papel. Se a gente caminhar para esse cenário de, nossa, tá mais restrito, eu não consigo fazer aquele grande Discover, eu não consigo fazer aquela grande experimentação, corre o risco do papel se tornar menos relevante. Acho que a gente precisa se reinventar para poder fazer acontecer. Existe uma famosíssima frase que é: o bom designer é feito na restrição, e é isso.  

Pedro: O papel que você fala de perder relevância ou não aí é o do designer ou do de produto?  

Diulia: É o do designer mesmo, principalmente do designer. Eu não vou falar do de produto que eu tô assim né, eu fico ali sempre vendo todo mundo atuar, de vez em quando meto o bedelho e tal. Mas falando da parte que me toca mais, que eu conheço mais, o papel do designer eu acho que precisa estar muito atento a essa essência do design. Não é nada novo, não é que a gente vai reinventar o papel, mas é porque, acho que talvez por ter criado muitos papéis especialistas ou até por a gente ter se afastado durante a pandemia do usuário mesmo, de conseguir estar próximo ao usuário muitas das vezes, a gente ainda precisa retomar essa essência do design em alguns pontos da atuação, sabe? 

Pedro: Mas você falar em usuário aí me fez lembrar do… eu já devo ter citado também isso em outros episódios, mas eu não canso de falar do Dora, do Google, o relatório mais recente que eles publicaram em novembro, pela primeira vez eles dedicaram um capítulo inteiro do relatório à centricidade no usuário. É muito diferente, porque é um relatório de DevOps e tal, ele sempre focou muito mais em capacidades de engenharia. Então, se você me perguntar, veio até tarde essa questão do foco no usuário, é uma parada que a gente prega há muito tempo aqui na DTI, mas eu achei muito bacana que eles finalmente trouxeram isso. Inclusive, eles definiram, trouxeram uma definição muito parecida com o produto certo, certo produto que a gente faz aqui também, mas eles colocaram construir a coisa certa do jeito certo, né? Traduzindo do inglês aí, mas…  

Diulia: Claramente um plágio do nosso.  

Pedro: Claramente um plágio. Claramente o Google tá olhando muitas das nossas coisas aqui, mas na pesquisa eles colocaram que times com, o resultado, a pesquisa faz uma base, a pesquisa deles é totalmente estatística, né, com uma base enorme de empresas e tudo mais. E aí eles colocaram que times com forte foco no usuário preveem 40% mais performance organizacional da empresa. Então, assim, é um negócio super impactante e que possivelmente a gente pode esperar, quem sabe, um ano, 2024, com mais dados que suportem a gente nessa argumentação de centricidade no usuário, que pode ajudar a gente a defender mais facilmente essa questão de menos Road Maps orientados a vontade de stakeholders e mais foco no que o usuário realmente está falando. Posso estar sonhando, mas não custa sonhar. Acho que é isso aí. 

Diulia: Não, mas assim, para além do lado altruísta, que já seria muito legal, de, ah, as empresas estão focando em quem realmente utiliza o serviço. Num cenário que desperdício fica mais caro, atirar para todos os lados é caríssimo.  

Pedro: Sim, verdade.  

Diulia: Então o stakeholder que sonhou um dia que aquela feature seria interessante, é caríssimo. Se você consegue basear em dados, se você realmente dá uma olhada no que está acontecendo no mercado, olha o que está acontecendo no SAC da empresa, aí sim a gente começa a estruturar e se tornar centrado no usuário, mas não necessariamente porque é uma empresa linda, incrível, cheirosa, a gente pensou no usuário desde o começo. É porque realmente é muito mais barato você ouvir quem está realmente utilizando e que está te falando, eu quero que você vai para cá. Aí você fala, vou para lá? Não, vou para cá, que está fazendo sentido, é o que o cliente está querendo, o usuário está querendo. Então, acho que para além do, assim, o lado altruísta é lindo, mas é estratégia de sobrevivência mesmo, tá?  

Pedro: E eu trouxe isso muito em defesa da dupla, tá? Do produteiro e do designer, que fica mais relevante, né? A participação deles nesse cenário. 

Alexandre Loriggio: Só para comentar, Diulia, acho que nem só mais barato, fica mais rentável, né? A empresa que às vezes, o stakeholder quer, pode até querer fazer uma coisa que seja mais barata, mas isso a gente vê muito a pessoa de produto, falando aí da parte que me toca aqui, defendendo às vezes fazer coisas mais complexas, que vão levar mais tempo, mas que geram mais resultado, baseado na pesquisa, no entendimento com o usuário, muitas vezes junto com a pessoa de design na parte do Discover, mas o que eu acho muito curioso é que a teoria de você focar no usuário é porque o usuário é a pessoa que vai te trazer retorno, então você agradar ele é quem vai te trazer retorno financeiro. Então parece foco no cliente, foco no usuário é uma coisa igual você comentou, altruísta, mas na verdade é a coisa mais orientada a resultado que existe. Então, na prática, você focar no cliente é focar em resultado. Só que as pessoas demoram a compreender isso na prática, porque querendo ou não, boa parte dos stakeholders fica longe do usuário. Demora pra entender que, na verdade, o usuário, o cliente é quem tá, de fato, trazendo o resultado pra empresa. Então, isso é muito importante a gente citar. Por isso que talvez seja a grande tendência para 2024, vindo até de um posicionamento do Google para mostrar para grandes stakeholders. O Google consegue tocar grandes stakeholders de grandes empresas. 

Pedro: Se não for uma tendência é minimamente um desejo, uma torcida que eu fico aqui, porque realmente.  

Diulia: E assim, até puxando um outro ponto que a gente chegou a conversar antes, quando a gente fala da experiência do usuário e de olhar para o que o usuário está priorizando, acho que a gente vem amadurecendo enquanto, aí olhando pro lado em que a gente é usuário, a gente vem amadurecendo nosso querer assim, no sentido de que a gente tem aprendido a exigir mais das empresas. E aí no cenário em que a gente tá, não sei como é que tá aí pra você de onde você tá ouvindo, mas aqui em Belo Horizonte, não sei como é que tá em São Paulo, Alê. Mas as ondas de calor que teve em Belo Horizonte recentemente, foi um negócio que eu fiquei assim, gente, tá acabando o mundo. O que tá acontecendo? E a gente, sim, se tinha também, voltando ao altruísmo, uma preocupação com o meio ambiente, não, o meio ambiente é importante, o meio ambiente é importante. Eu acho que está cada vez mais relevante que assim, galera, ou prioriza o meio ambiente ou a gente vai morrer. Então, essa conscientização com relação a como que as empresas estão se posicionando, se os produtos que estão sendo desenvolvidos, se o serviço que está sendo entregue é pensado desde as fases iniciais de planejamento para que ele seja sustentável, para que ele gere um impacto que não seja tão ruim para o planeta, começa a ser um novo critério cada vez mais comum para os usuários. Então, se facilidade, praticidade, rapidez já são critérios que já são comumente discutidos e que a gente está acostumado, esse lado da sustentabilidade eu acredito que em 2024 vai passar a ser cada vez mais relevante. Hoje ainda é um pouco elitizado poder virar e falar: não vou consumir com essa empresa, vou consumir com aquela outra; porque isso diz de você poder ali às vezes gastar um pouco mais para poder adquirir um produto ou um serviço que é mais caro, mas que consegue olhar para esse lado da sustentabilidade. Mas acredito que dando mais evidência, e as empresas estão sendo chamadas a dar mais evidência sobre como elas conseguem pensar de maneira global no que elas estão oferecendo, pelo menos essa reputação das empresas vai ficar mais evidente. Mesmo quem não consegue consumir, escolher, no ponto de vista de consumo, por causa dessa questão econômica, vai ter visibilidade sobre as prioridades das empresas. Acho que isso vai orientar um pouco mais o consumo e aí volta um pouco quando a gente fala desse olhar para o produto e para o serviço de uma maneira global e olhar para o UX como um todo. Como é que a empresa comunica as preocupações que ela tem? Como que a empresa mostra, faz essa prestação de contas dos esforços que ela está tendo? E sendo honesta, de fato, com o cliente final, com o usuário. 

Alexandre Loriggio: E eu acho isso muito, muito legal. Porque assim, mesmo que a gente ainda seja de fato algo mais elitizado, você consumir, né? Eu vi uma reportagem na Exame que uma consultoria, a Corn Fairy, fez um levantamento sobre o futuro do trabalho com millenials, e 60% consideram escolher uma empresa por ter políticas de SG. Então assim, que a gente está falando de sustentabilidade aqui, então a gente pode priorizar o meio ambiente não só pelo consumo, mas também pelo lugar onde você escolhe trabalhar que tenha políticas, né? Então, teve várias empresas agora na Europa que tiveram restrições no governo por causa de políticas fake relacionadas ao meio ambiente, né? Então, isso começa a repercutir não só no nosso consumo, mas também aonde a gente trabalha. Então, começa a ter aí um novo tipo de olhar pra esse tipo de situação. 

Pedro: Vou finalizar esse tópico aí, a não ser que vocês tenham mais reflexões, com a seguinte notícia de que Mark Zuckerberg está construindo um bunker que era avaliado em 1,3 bilhão no Havaí. Então assim, tem gente preparando pro fim do mundo, né? A gente não vai fazer desenvolvimento sustentável. Eu tô bem apocalíptico hoje, né, com as minhas referências, mas é isso aí. Eu acho que não está confirmado que é um bunker.  

Diulia: Otimista para 2024. 

Pedro: As notícias são da Exame, da Forbes e tal. Então assim, não está confirmado que ele está querendo se preparar para o fim do mundo, não, mas fica aí a reflexão. 

Alexandre Loriggio: É uma mansão dele, eles estão chamando de bunker, mas ele tá criando uma nova mansão.  

Pedro: Sim, porque tem sistemas de abastecimento próprio, tem coisas underground, não sei o que, então tem similaridades com bunker. Aí tá rolando todo esse hype aí do bunker do Tio Zu. Mas legal, gente, acho que falamos bastante coisa aqui, inteligência artificial, desenvolvimento sustentável, mudanças que a gente tem visto acontecer no papel das pessoas de produto e de design, que já começaram esse ano, em 2023, mas como a Diulia comentou, são desdobramentos para 2024. Falando também um pouquinho de eficiência, que foi o termo do ano, que deve continuar sendo o termo do ano 2024 também. E é isso, cara, muito bom conversar com vocês sempre. Agradecer a participação do Ale aí mais uma vez.  

Alexandre Loriggio: Valeu.  

Pedro: E, né, quem quiser interagir com a gente aí, nossas redes sociais, nossos canais aí, os agilistas, a gente tá sempre disponível pra bater um papo, se quiserem sugerir temas também pra gente conversar, né? Fiquem à vontade, tamo aí.  

Diulia: E se não concordarem com alguma coisa que a gente comentou, quiserem trazer ali correções, né?  

Pedro: É.  

Diulia: Também a gente está super aberto.  

Pedro: Rebater os anúncios apocalípticos que eu fiz aqui também hoje, tá tudo bem.  

Diulia: É, fala: não há esperança, o mundo não vai acabar. 

Pedro: Não vai acabar, gente. Nós vamos continuar gravando e é isso aí. Ale, muito obrigado mais uma vez. Diulia, sempre um prazer. E é isso, até a próxima, gente.  

Alexandre Loriggio: Valeu, pessoal.  

Diulia: Até mais, gente. 

Alexandre Loriggio: Querendo ou não, boa parte dos stakeholders fica longe do usuário, demora pra entender que na verdade o usuário, o cliente, é quem tá de fato trazendo o resultado pra empresa. Então isso é muito importante a gente citar, por isso que talvez seja a grande tendência para 2024, vindo até de um posicionamento do Google, pra mostrar pra grandes stakeholders.  Diulia: E aí, pessoal? Aqui é a Diulia e comigo o Pedro, como é de costume. E aí, Pedro?   Pedro: Olá, pessoal. Tudo bem? Mais um episódio, né? Vamos lá.   Diulia: Pois é. E é um episódio de começo de ano, né? A gente vai falar sobre tendências e junto com a gente tá com o Alê, figurinha repetida do episódio do ano passado. Então, já dá até pra saber de que que são as tendências, né? E aí, Alê, tudo bem?  Alexandre Loriggio: E aí pessoal, é bom tá de volta?   Pedro: Aqui na DTI é assim né, a gente vai falar de produto, chama a Alê.  Diulia: É. Então a gente vai falar hoje sobre tendências para 2024 em produto e design e assim, a gente viu que teve uma grande mudança em Product Design em 2023, a gente até já tinha cantado algumas pedras no episódio do início de 2023. E assim, se até 2022 tinha uma grande abertura para a entrada de novas pessoas no mercado e também para testes que traziam grandes discoveries e uma inovação mais radical e disruptiva, de repente deu uma freada gigantesca e as empresas começaram a ser mais criteriosas com seus investimentos e com isso a atuação estratégica de product design ficou um pouco mais restrita. Isso se dá em parte pelas restrições que realmente existem na parte de inovação e em parte pelos medos que as empresas passam a ter de investir e encontrar novos meios de atuação que fujam do que já existe. Agora, chegando a 2024, qual vai ser o cenário? A gente está vendo aí no mundo guerra, estamos vendo crise climática e o crescimento da inteligência artificial, entre outras, várias coisas que estão acontecendo. E a gente vai conversar um pouquinho aqui sobre como é que esses fatores influenciam no fazer produto e design, como é que mudam essas disciplinas e essas atuações. Então, para poder começar, nada melhor do que a gente falar do mercado, falar um pouquinho mais amplo sobre o cenário geral e a gente tem que considerar que a gente ainda tem um poder de compra reduzido e as empresas precisam justificar também porque de serem escolhidas. E além disso, dentro das empresas a gente tem um cenário de ver onde que fica melhor colocar o investimento. Como é que vocês veem, gente, para 2024 esse cenário e como é que isso impacta o fazer produto?  Pedro: Eu acho que é importante a gente começar falando que nesse momento falar de tendência no produto e design, eu acho que já não é nem tanta tendência mais, né? O impacto já tá sendo sentido, né? Assim, eu acho que quem quiser ouvir o episódio que a gente fez de tendências lá no início de 2023, tudo tá valendo ainda. Eu acho que com algumas exceções, algumas nuances novas, alguns exemplos práticos já estão rolando. Mas os impactos nas áreas de produto e design, de todo esse cenário de mercado que a gente está falando, eles já estão sendo sentidos nesse momento. A gente falou muito ao longo do ano do fim do romantismo com o produto e tal. Esse romantismo que foi indo embora, ele foi abrindo espaço para um pragmatismo maior, mais foco em eficiência, foco em crescimento, etc. A mudança um pouco que os profissionais passaram ao longo desse ano, menos diversificação da função de produtos e demais. Então, até para a gente não, a ideia aqui não é repetir tudo isso, mas a gente tentar trazer uma análise um pouco mais nova do que a gente imagina que vai acontecer em 2024, possíveis gaps, quais que são as necessidades que devem aparecer. Impossível não falar de inteligência artificial. Eu acho que a gente falou de inteligência artificial em todos os últimos episódios, às vezes até quando o tema não é inteligência artificial, mas o papel dela nesse contexto tá enorme em todos os pilares, né? Então, quando a gente fez o episódio de engenharia também, tendências pra engenharia de tecnologia, a gente falou de inteligência artificial também. Nesse cenário que a Diulia descreveu aí, né, a palavra sustentabilidade tem aparecido também com uma certa força, mas vamos lá, né? Eu acho que vamos ouvir a opinião aí do nosso presado convidado, Alê. Alê, falei alguma bobagem? Ou é isso mesmo, né? As tendências, na verdade, são coisas que já estão rolando, mas que a gente está vendo intensificar aí para 2024.  Alexandre Loriggio: Eu vejo no mesmo formato, eu acho que foi um ano difícil para a maioria das indústrias, dos mercados aí, então a redução de investimento em inovação, a gente viu uma presença forte nessa eficiência, então a busca por resultado aparece muito mais forte, então o espaço para errar diminui, então, as empresas estão com menos espaço para fazer grandes testes sem estar tão certo do resultado. Então, a gente vê aí algo que a gente já tinha falado sobre a redução de papéis de produto. Então, a gente vai focar e ter papéis mais focados, talvez mais, não necessariamente focados, mas mais generalistas que vão fazer mais coisas, não papéis tão focados em uma única parte. A gente vai ver movimentos desse tipo. Vejo também a gente com decisões mais direcionadas para resultados mais claros, né, com menos incertezas. Eu acho que esse grande momento de incerteza que o mercado tá passando vai refletir bastante no mundo aí de produto e design.   Pedro: Um movimento que eu vejo inclusive até em alguns nossos clientes, né, eu acho que ao longo dos últimos anos tinha uma disposição muito maior para experimentar, olhando pelo prisma do design thinking assim, parecia que a coisa tava divergindo muito e agora eu tenho essa impressão de que tá convergindo um pouco mais, ao invés de abraçar o mundo ou de querer fazer coisas disruptivas e experimentar um monte de coisa nova, as empresas tão voltando a dar mais ênfase no seu core business, né? E e até quando usa inovação, usando ela pra potencializar o que é já de fato o core business, né? Então, tipo assim, todo mundo queria fazer super app, né? Um tempo atrás, agora a gente, pelo menos eu na minha limitada capacidade aqui, gerente de ponta, eu tô vendo, eu tô ouvindo menos essa palavra, né? Então, assim, e tô vendo também as pessoas de produto, essa aqui talvez seja uma, tô assumindo de forma um pouco mais ousada, mas eu até tenho conversado muito isso com a Lê, como eu tô vendo as pessoas de produtos se aproximarem das de operação também, sabe? Então, tô vendo cada vez menos o time ter os dois papéis tão claramente definidos, o Scrum Master, que hoje em dia eu já tô querendo me recusar a chamar de scrum master mais porque ele não é uma pessoa que fica dedicada a falar só de scrum, muito menos a falar só de framework, né? Eu acho que isso morreu, né? A pessoa especialista em determinado framework, mas elas estão convergindo um pouco mais até porque a pessoa de produto ela também tem que tá de olho se tudo que ela tá fazendo não tá fazendo com desperdício, né? Porque a gente falou lá, deficiência, etc. Então, tem que cuidar das pessoas do time, então, assim, também cuidar um pouco da operação de certa forma, um pouco diferente, eu acho, do que vinha sendo o papel de produto até aqui, né?  Diulia: Eu acho que isso é das grandes mudanças que a gente vai ter, já está tendo na verdade, né? Que é essa questão de que aquele papel que estava em alta em 2020, 2021, que cresceu, que é justamente desse cenário em que as empresas estavam muito dispostas a, é quase como se fosse uma caça, né? A nova iniciativa que já vai gerar milhões, essa inovação que vai trazer uma grande virada dentro dos negócios. As empresas agora estão muito menos dispostas a isso, é meio tipo, ó, o que a gente está fazendo já está dando algum resultado, já está sendo positivo, então vamos apostar em melhorar o que a gente já tem, assim, é um cenário que eu acho que até um pouco do, o Szuster costuma brincar, né, do Oba-Oba e do epa-epa. É um cenário em que a gente está sempre buscando o equilíbrio, no final das contas. Uma hora solta demais, uma hora aperta demais para poder ver e talvez em 2024 a gente tenha um pouco mais de equilíbrio nesse sentido, de que a gente veio de um cenário de muita abundância, um cenário de muita freada, talvez em 2024 a gente tenha um pouquinho mais de maturidade, assim, dentro dos aprendizados que já aconteceram, né? Mas claro que com muita mudança ainda porque, igual você comentou, Pedro, acho que é um ano de desdobramento, assim, eu acho que 2021 para 22 e 23 foram anos de quebra, principalmente 22 para 23, mas agora eu acho que 24 ainda vai trazer esse dobramento de 2023 porque eu acho que diz desse amadurecimento. E aí, realmente, preocupar com o framework, seguir exatamente aquele passo, daquele jeito que a metodologia fala, provavelmente não vai ser a melhor abordagem. A gente tem visto que o foco na prática, no entendimento da leitura de cenário tem sido muito mais relevante do que ficar apegado a, bom, livro tal fala que tem que ser desse ou daquele jeito que a gente sabe que na realidade as necessidades são múltiplas e a gente precisa adequar para o cenário. E além disso, o Alê falou desses papéis que estão se agrupando e tornando um único e então acho que esses limites do que significa o papel de produto, do que significa o papel de design, porque as duas vertentes criaram muitos especialistas, vai ser mais difícil profissionais especialistas trabalhando um conjunto assim, acho que justamente por essa restrição de investimento, e também atuar de uma maneira muito especialista. Acho que quem está no mercado, quer um especialista que já conseguiu uma grande relevância sensacional, mas inclusive para poder fazer essa virada de atuação agora está mais restrito, mais difícil para poder conseguir.  Pedro: Legal.  Alexandre Loriggio: Só completando essa fala, Diulia, é uma coisa que eu gosto muito de citar quando eu falo sobre papel de produto e geralmente liderança de produto. Você tem que usar o livro guia, o livro teórico como guia. Então, assim, se você tentar usar o que o Mark Kagan escreveu lá no mundo, do Vale do Silício para startup, no Brasil, na empresa que usa hierarquia para construir produtos, você vai se frustrar muito. Então assim, a gente vê no Brasil uma tendência da pessoa de produto ser alguém generalista, que precisa saber um pouco de tudo e aplicar o conhecimento de produto para construir o produto. Então isso está se fortalecendo cada vez mais. Eu acho que é importante a gente saber aonde nós estamos tateando aqui no Brasil, na indústria que você está. Se você está em uma startup, talvez você consiga aplicar a metodologia um pouco mais by the book. Agora, se você está em uma empresa mais tradicional, as coisas mudam muito esse cenário.   Pedro: Concordo Alê.  Diulia: Muito bem colocado.  Pedro: Eu acho inclusive que aqui na DTI, a gente ao longo, como a gente tem uma base de clientes mais tradicionais, é até porque eles não precisariam da gente se já tivessem nascido no digital. Eu acho que a gente tem construído uma base de conhecimento muito grande, muito forte em produtos nesse sentido, adaptando a literatura para os cenários um pouco mais realistas. Isso é bem legal. Como a gente falou ali no início, que não tem como fugir de falar de inteligência artificial para 2024, eu queria começar trazendo aqui um post que eu vi na semana passada, que é super apocalíptico, acho que é só legal para esquentar um pouco as coisas. Não estou dizendo que eu concordo, é para a gente comentar. Mas o CEO da Hugging Face, que é uma empresa grande, uma dessas bem emergentes em tecnologia, código aberto para inteligência artificial também, aí ele postou assim: “seis predições para inteligência artificial em 2024”. É super apocalíptico. Primeiro, alguma companhia de inteligência artificial hypada vai falir ou ser adquirida por um preço ridiculamente baixo, primeira predição dele. Segunda, modelos de larga linguagem de código aberto, open source, vão atingir o nível dos melhores modelos de closed source. Vários avanços em inteligência artificial para vídeo, biologia e química. A gente vai falar muito mais sobre o custo monetário e ambiental de inteligência artificial. Acho que tá aí o ponto menos apocalíptico que eu mais concordei. Alguma mídia muito popular vai ser majoritariamente gerada por inteligência artificial. Isso eu acho até que já tá acontecendo, né? Tipo, já tem influências que são inteligência artificial, não são nenhuma pessoa de verdade. E a última aqui, que eu não sei nem se eu entendi muito bem, mas vão ter milhões e milhões de construtores de inteligência artificial que vão levar a um grande aumento do desemprego. Essa aqui é a parte mais apocalíptica que eu achei, porque muitas vezes quando as pessoas falam de novas tecnologias, né, sempre tem um pouco dessa automação vai roubar o cargo de não sei quem, etc. Mas também muitas vezes falam mais balanceado com o fato de que vão surgir novas posições também, já ele aqui foi super apocalíptico. Eu achei interessante porque esse cara teve milhões de visualizações aqui, então ele como CEO também fez essa postagem bem polêmica aqui. Mas eu queria só realmente aqui, eu coloquei isso aqui só realmente para a gente aquecer o assunto de inteligência artificial, trazer uma coisa nova também, que a gente já falou em vários episódios. Mas queria ver de vocês também algumas conclusões aí, do que vocês acham de inteligência artificial nos produtos para o próximo ano.  Diulia: O episódio que a gente fez um tempo atrás sobre o que realmente virou tendência e o que não virou tendência, a gente até discutiu um pouquinho disso, de que a gente já tinha falado da inteligência artificial lá no começo e que aí eu até toquei a pedra de que assim, eu acho que, para 2024, a gente vai estar ganhando mais intimidade com a inteligência artificial. Agora, em 2023, a gente entrou em contato. Então, está aquele negócio assim, né? Você entra no chat GPT, você entra em outras ferramentas, assim, porque está surgindo ferramenta para caramba. E aí você vai e fala, o que dá para fazer aqui? Aí você vai lá, pede para gerar uma imagem sua, você vai ali e pede para poder gerar um texto. Então a gente tá meio que falando, não, pera aê, a gente tá meio aprendendo, se letrando na inteligência artificial pra poder a gente ver como é que dá pra realmente utilizar pra coisa que vai gerar impacto na nossa rotina. Já tem muito uso, a gente já tá lidando com a inteligência artificial todo dia, mas acho que esse uso em larga escala vai crescer bastante em 2024. E aí é natural, né? Assim, acho que o uso para atividades simples da rotina vai começar a ficar mais vigente, assim, mais corriqueiro. E ao mesmo tempo, acho que as empresas vão começar a colocar isso como diferencial, já vem colocando meio que assim, a gente utiliza a inteligência artificial. É com qualidade, a gente sabe o que a gente está fazendo, aí já é outros 500, e talvez seja um dos pontos em que as empresas vão estar mais abertas à experimentação, porque já que é um negócio que tá aquele boom, nossa, a gente precisa ter, é aquele negócio assim né, não, o fulano está fazendo, vamos fazer também. Então talvez seja do cenário de restrição, onde as pessoas estejam mais dispostas a falar, não vamos botar um dinheirinho ali, porque eu acho que daqui o resultado vai gerar um benefício muito grande lá na frente. 2024 vai ser esse ano, assim, de aproximação, sabe? Da inteligência artificial com a rotina prática das empresas.  Pedro: E várias empresas estão testando coisas, estão mostrando o que estão fazendo e as outras vão correndo atrás. Eu acho que eu citei essa pesquisa também nos outros episódios da Época Negócios, que sete em cada dez empresas brasileiras vão investir em IA, inteligência artificial, em 2024. E o que eu não citei ainda, que pode ser um dado novo legal de falar aqui, que o foco de adoção da inteligência pelas empresas está em temas que tocam a transformação da forma de se relacionar com seus clientes, com 13% dizendo que vão aplicar a tecnologia para dar suporte ao atendimento. Em outros usos, 8% pretendem incrementar com foco na inteligência de mercado, 7% em campanhas de marketing, 7% em gestão financeira contábil ou fiscal, 6% nas atividades de vendas, 4% análise de crédito e os outros são gestão de fornecedor, gerenciamento de risco, etc. Mas assim, é muito legal que tá super, a capilaridade enorme do uso de aplicações, e a cada dia surgem mais coisas ainda onde a gente vai poder aplicar.   Diulia: E acho que esse ponto que você comentou, Pedro, essa variedade de temas, é justamente o que vai mudar tanto a prática do dia a dia no sentido de o que dá para fazer. A gente já falou sobre a questão de investimento e tal, mas descendo para a prática da pessoa de produto, da pessoa de design, e falando mais da pessoa de design especificamente, que é onde eu tenho mais lugar de fala, pensa só, a quantidade de iniciativa para poder tocar na parte de atendimento. A inteligência artificial pode fazer um trabalho sensacional com atendimento, mas quem é que está treinando o modelo? Quem é que está verificando se o que está sendo colocado realmente está condizente com o posicionamento da empresa? O que está retroalimentando para que a qualidade de fato, seja aderente para a necessidade. E nisso, assim, como a gente tem, o desatendimento talvez seja um dos mais óbvios da gente imaginar, a gente vinha tendo um investimento em writing, por exemplo, o que o profissional de writing agora muda com essa pegada agora da inteligência artificial, ou até o product designer mesmo, o mais generalista, como é que ele, assim, ah, eu não tenho skill de writing, não sou especialista em writing. Mas o que que eu preciso passar a saber sobre o tom de voz? O que eu preciso passar a saber desse universo que fala de posicionamento para utilizar a inteligência artificial de uma maneira que é condizente com a empresa em si? Então acho que vai ampliar um monte de possibilidade e isso vai fazer com que a gente tenha que ter uma velocidade e uma dinâmica de atuação que é diferente.  Alexandre Loriggio: E assim, eu acho que uma coisa que vale a pena citar também, que já tá rolando com força, né, a parte de legislação da inteligência artificial. Então, isso pode mudar muito o rumo de várias aplicações no futuro, né. Então, assim, dependendo de como a legislação de como se pode utilizar a IA for votada, for ser implementada, a aplicação pode mudar muito, né. Então, eu vejo, assim, dois futuros, né, uma legislação muito restrita por medo do que pode acontecer e isso gerar, digamos, um atraso na evolução da implementação disso. E uma legislação um pouco mais branda, que aí talvez gere a mesma coisa que aconteceu com a eficiência digital, onde a transformação digital que virou eficiência digital. Todo mundo investindo muita grana em IA, sem saber muito bem o motivo, e depois de um tempo só se transformando numa eficiência com inteligência artificial. Então, eu entendo que IA vai ser futuro, não tem como fugir. A maioria das empresas vão trabalhar com IA no futuro, talvez não 2024, mas em breve. Não talvez da melhor forma já, mas eu imagino que o investimento vai só aumentar em diversos setores, em diversas aplicações, como o Pedro bem citou.   Pedro: Eu queria citar, inclusive, uma referência, um texto, um artigo interessante que, na verdade é baseado num episódio do podcast deles também, mas é um podcast todo em inglês. Eu acho que vale a gente trazer pra cá algumas das principais conclusões que eles tiraram lá na Intercom, que é uma empresa tech grande, nome importante no Vale do Silício, que eles comentam que a primeira onda de poeira baixou, essa parte eu não sei se eu concordo, eu acho que a gente ainda tá no meio da poeira com a inteligência artificial, mas que é o momento ideal para refletir sobre o que essas mudanças significam para a estratégia e para os líderes do produto. Porque, inclusive, o Alê falando aí, eu ainda fiquei pensando, imagina quantos líderes de produto vão ter que começar a entender sobre legislação de inteligência artificial também, para saber se cabe, se não cabe, implementar aquilo ou não, quais são os riscos, os perigos, risco de exposição, etc.   Alexandre Loriggio: Já está sendo discutido, né? No caso do UOL, que a gente implementou, o Arthur foi o cara que precisou entender a implementação do Chat GPT ali na busca. Já é algo que a gente precisa saber antes de implementar. Até saiu um meme aí do BOT da Chevrolet, que não estava usando a versão Enterprise do Chat GPT, que o cara pediu para ele fazer o script, sei lá, em Python e o Chat GPT da Chevrolet respondeu o negócio, porque não tá sendo bem implementada a parte legal da implementação, né? Então isso já tá acontecendo, né?  Pedro: Inclusive, você falou ali, acabei de lembrar, a ByteDance, que é a dona do TikTok, também tá com risco de ser banida aí do uso do Chart GPT por infringir regras aí também. Olha só, é super perigoso, né? Mas é isso, né? Seja você o gerente de produtos, especialista no domínio, etc. Vai ter desafios e vai ter oportunidades também, né? E aí o texto fala algumas coisas muito interessantes assim, né? As principais conclusões. Que para realmente inovar categorias com inteligência artificial, as startups têm que considerar se os seus produtos ou recursos oferecem um ângulo de ataque único que as empresas estabelecidas não podem replicar facilmente. Porque igual até falei alguns minutos atrás aí, né? A galera está buscando replicar. A gente vê alguma coisa super legal funcionando aí com o IA, todo mundo quer fazer. Aí, embora a inteligência artificial possa agilizar tarefas em categorias como softwares as a service, de vendas, etc., atendimento ao cliente, o impacto na gestão de projetos é mais diluído. À medida que as capacidades de inteligência artificial avançam, é provável que as pessoas se sintam mais confortáveis em confiar nela para tarefas que envolvem não apenas análise, mas julgamento, embora ainda tenha necessidade de supervisão humana. Aí tem tudo a ver com o que a Diulia falou agora a pouco, né? A gente tem que pelo menos ir lá no final, assim, concorda com o que foi gerado aqui? Concorda. Ao considerar novas capacidades com inteligência artificial, os gerentes de produtos devem focar em como eles podem expandir a base de usuários, melhorar as habilidades dos usuários ou eliminar tarefas inteiramente. Isso também é super legal. Aqui não parece meio óbvio, né? Mas acho que é legal dar uma luz nisso. E seja você uma startup ou uma empresa estabelecida, é um bom momento para revisar os ideais por trás do dilema do inovador. Achei bem legal isso também. A gente deixa o link aí para quem quiser ler o texto, assistir esse episódio que eu também achei super legal. E eu até comentei isso também no episódio lá de tendência de tecnologia, mas o Gartner também falou isso, que até 2026, aí eu não sei muito bem como eles veem com esses prazos, mas até 2026, a IA generativa vai alterar significativamente 70% do desenvolvimento, do esforço de desenvolvimento e design para novas aplicações web e mobile. Também achei um fator interessante que coloca um horizonte como por 2026, 70%, aí reflita aí, né? Na empresa que você está. Você imagina 70% das aplicações integrando inteligência artificial nos próximos dois anos? É uma boa pergunta, né? Acho que quem já está no meio digital há mais tempo, já está mais avançado com data science e tudo mais, eu acho que pode ser. Para outros, talvez, eles vão ser um pouquinho mais longos.  Diulia: Pois é, assim, a gente vê já, desde que o mundo é mundo, as empresas tentando otimizar o que elas têm de recurso, seja tempo, seja pessoas, seja, enfim, o que elas têm ali à disposição para poder fazer acontecer o negócio delas. Com a inteligência artificial, acho que um trabalho que vinha sendo feito já e que a gente se empatia nisso, assim, no sentido da tecnologia, que é muito da automatização, diminuir o trabalho operacional, enfim, que você até comentou no começo, né, Pedro, desse risco da diminuição de posições dentro da empresa. Eu acho que isso é algo que, inclusive, do ponto de vista de investidores, vão almejar no sentido de que é reduzir custo para a empresa, é natural, assim, que seja algo colocado ali na ponta do lápis. E, por outro lado, se a gente consegue, de alguma maneira, dar mais autonomia para o cliente, a gente já vem em um esforço de self-check ing, self-checkout, de o cliente, ele faz acontecer o serviço dele de uma maneira bem autônoma, e muitas das vezes até prefere isso para poder ter menos contato. Acho que com a inteligência artificial a gente pode caminhar ainda mais nesse sentido. Então, seja em áreas de atendimento, ou seja, realmente a prestação do serviço em outras etapas. Eu acho que as empresas vão começar a utilizar a inteligência artificial em vários espaços para poder tentar reduzir o custo e talvez isso possa retroalimentar o uso de inteligência artificial. Mas acho que no primeiro momento, o que o Alê comentou sobre a questão de a gente, o tempo todo, tentando encontrar a bala de prata, a inteligência artificial talvez seja mais uma tentativa da bala de prata que as empresas deslumbram num primeiro momento, mas lá na frente a gente vai aprendendo. Acho que assim como a gente, agora, caminhando para 2024, está aprendendo sobre o que realmente faz sentido nos papéis e como é que trabalhar com a tecnologia cada vez mais faz sentido, é essencial e que pode ser mais colaborativo, mais enxuto, enfim. O uso da inteligência artificial é a nova, nova assim entre aspas, é a novidade no sentido de que a gente está ganhando discernimento com ela e acho que é mais um caminho de amadurecimento que a gente vai ter.   Pedro: A questão grande é que quem não está experimentando nada, não está nem tentando sentir a temperatura da água, tem grande chance de ficar mais defasado. E para a gente não falar só de inteligência artificial, se é que dá para ser, tem mais alguma coisa aí post-topic para 2024 que a gente vê chegando?  Diulia: Olha, eu acho que uma coisa importante de dizer e que talvez caia um pouco no ponto que você comentou de gaps que aí outras empresas acabam copiando e tal, é justamente assim, a gente tinha investimento para inovações mais radicais, mais disruptivas, de repente o foco ficou em inovação mais incremental, e aí naturalmente as grandes empresas vão deixando gaps na atuação que elas têm porque para fazer esse atendimento que tocaria esse gap e precisaria de ter um grupo ali de pessoas que poderia estar olhando pra isso e como tá tudo mais enxuto, é meio que assim, né, mantenha o que tá funcionando e só melhora o que a gente já tem e tá rolando e tal. Então acho que isso não vai fazer com que volte aquele cenário que a gente tinha entre 2000 até 2015, de muita startup crescendo. Não acho que o oceano está tão azul e tão bonito pra poder a gente crescer da mesma maneira, mas acho que vão surgir novos gaps, ainda mais com a própria danada da inteligência artificial, acho que vão trazer novas oportunidades porque quando as empresas enrijecem a inovação dentro delas ou quando elas têm recursos mais limitados, elas vão cair mais nesses lugares comuns para elas e que vão fazer funcionar, não é que elas vão perder tanto ali, mas elas deixam de alcançar novas partes, é natural, não dá para abraçar tudo. E aí nesse deixar de abraçar, empresas menores e que são tecnicamente mais ágeis, por terem mais flexibilidade, por a estrutura ser mais simples e mais focada em algo, em um problema específico para poder resolver. Acho que a tendência é surgirem novas empresas assim, que vão tentar abarcar esses gaps que vão surgindo. Agora, se essas empresas vão virar novos unicórnios, ou se elas vão ser em grande parte adquiridas, ou se as grandes empresas vão olhar para elas e vão replicar o que elas estão fazendo, aí eu acho que é cenas dos próximos capítulos, mas que vão surgir gaps de atuação, eu acredito que sim.  Pedro: Perfeito as suas colocações e, além disso, a gente vê ainda alguns temas ainda um pouco em alta. Low-code, eu acho que foi uma coisa que a gente esperou que fosse ser falado mais do que foi ao longo de 2023. Teve aí em pauta, mas a gente vê alguns movimentos, mas eu acho que não foi tão longe ainda quanto a gente pensa. Ainda acho que, e aí eu até já emitindo uma opinião, eu concordo muito com a utilização do low-code para validação de portas, fazer alguns testes rápidos. Então pode ser muito legal para as pessoas de produto terem domínio dessas ferramentas, porque sendo a dupla ali, o produto e design, sendo as pessoas responsáveis por essas validações, terem domínio dessas ferramentas pode ser uma coisa que vai agilizar muito o trabalho deles e defender ideias e tudo mais.   Diulia: Vai viabilizar a experimentação muitas vezes, porque assim, num cenário que fica restrito e às vezes o pessoal estava acostumado com grandes discoveries ou com grande espaço para experimentar durante um período mais longo, e de repente restringe a pessoa e fala: “não vai dar para fazer nada. Vou fazer o que está me mandando agora, o que está pedindo, é exatamente isso”, aí começa a fritar o pastel ali, né? Qual o sabor você quer? Como é que vai ser? E a gente perde a expertise no trabalho, né? Porque assim, e aí eu acho que até para manutenção do papel, e aí voltando mais para o papel de design, eu acho que a gente, se ficar muito focado no UI, que por si só já é complexo, enfim, mas corre o risco do papel ter menos relevante, assim, acho que hoje a gente já tem, falando para empresas talvez menores e que tenham menos possibilidade de investimento, a gente tem inteligência artificial que vai gerar protótipo, vai ser baseado no que você está precisando, maior qualidade de tudo. Não, mas para uma empresa que não consegue pagar um profissional ou que está muito enxuto, vai ter que escolher onde que deixa o buraco. Às vezes vai optar, se for só para fazer tela, vai optar por automatizar dessa forma. Agora, se a gente pensa na experiência de ponta a ponta, se a gente começa a olhar com um olhar mais crítico com relação aos impactos que essa solução vai ter, a gente pensa no UX mesmo, na experiência que pode gerar uma série de desdobramento legal para a empresa, que pode gerar recurso em outro ponto, que pode gerar um novo serviço, aí eu acho que a gente mostra o valor do papel. Se a gente caminhar para esse cenário de, nossa, tá mais restrito, eu não consigo fazer aquele grande Discover, eu não consigo fazer aquela grande experimentação, corre o risco do papel se tornar menos relevante. Acho que a gente precisa se reinventar para poder fazer acontecer. Existe uma famosíssima frase que é: o bom designer é feito na restrição, e é isso.   Pedro: O papel que você fala de perder relevância ou não aí é o do designer ou do de produto?   Diulia: É o do designer mesmo, principalmente do designer. Eu não vou falar do de produto que eu tô assim né, eu fico ali sempre vendo todo mundo atuar, de vez em quando meto o bedelho e tal. Mas falando da parte que me toca mais, que eu conheço mais, o papel do designer eu acho que precisa estar muito atento a essa essência do design. Não é nada novo, não é que a gente vai reinventar o papel, mas é porque, acho que talvez por ter criado muitos papéis especialistas ou até por a gente ter se afastado durante a pandemia do usuário mesmo, de conseguir estar próximo ao usuário muitas das vezes, a gente ainda precisa retomar essa essência do design em alguns pontos da atuação, sabe?  Pedro: Mas você falar em usuário aí me fez lembrar do… eu já devo ter citado também isso em outros episódios, mas eu não canso de falar do Dora, do Google, o relatório mais recente que eles publicaram em novembro, pela primeira vez eles dedicaram um capítulo inteiro do relatório à centricidade no usuário. É muito diferente, porque é um relatório de DevOps e tal, ele sempre focou muito mais em capacidades de engenharia. Então, se você me perguntar, veio até tarde essa questão do foco no usuário, é uma parada que a gente prega há muito tempo aqui na DTI, mas eu achei muito bacana que eles finalmente trouxeram isso. Inclusive, eles definiram, trouxeram uma definição muito parecida com o produto certo, certo produto que a gente faz aqui também, mas eles colocaram construir a coisa certa do jeito certo, né? Traduzindo do inglês aí, mas…   Diulia: Claramente um plágio do nosso.   Pedro: Claramente um plágio. Claramente o Google tá olhando muitas das nossas coisas aqui, mas na pesquisa eles colocaram que times com, o resultado, a pesquisa faz uma base, a pesquisa deles é totalmente estatística, né, com uma base enorme de empresas e tudo mais. E aí eles colocaram que times com forte foco no usuário preveem 40% mais performance organizacional da empresa. Então, assim, é um negócio super impactante e que possivelmente a gente pode esperar, quem sabe, um ano, 2024, com mais dados que suportem a gente nessa argumentação de centricidade no usuário, que pode ajudar a gente a defender mais facilmente essa questão de menos Road Maps orientados a vontade de stakeholders e mais foco no que o usuário realmente está falando. Posso estar sonhando, mas não custa sonhar. Acho que é isso aí.  Diulia: Não, mas assim, para além do lado altruísta, que já seria muito legal, de, ah, as empresas estão focando em quem realmente utiliza o serviço. Num cenário que desperdício fica mais caro, atirar para todos os lados é caríssimo.   Pedro: Sim, verdade.   Diulia: Então o stakeholder que sonhou um dia que aquela feature seria interessante, é caríssimo. Se você consegue basear em dados, se você realmente dá uma olhada no que está acontecendo no mercado, olha o que está acontecendo no SAC da empresa, aí sim a gente começa a estruturar e se tornar centrado no usuário, mas não necessariamente porque é uma empresa linda, incrível, cheirosa, a gente pensou no usuário desde o começo. É porque realmente é muito mais barato você ouvir quem está realmente utilizando e que está te falando, eu quero que você vai para cá. Aí você fala, vou para lá? Não, vou para cá, que está fazendo sentido, é o que o cliente está querendo, o usuário está querendo. Então, acho que para além do, assim, o lado altruísta é lindo, mas é estratégia de sobrevivência mesmo, tá?   Pedro: E eu trouxe isso muito em defesa da dupla, tá? Do produteiro e do designer, que fica mais relevante, né? A participação deles nesse cenário.  Alexandre Loriggio: Só para comentar, Diulia, acho que nem só mais barato, fica mais rentável, né? A empresa que às vezes, o stakeholder quer, pode até querer fazer uma coisa que seja mais barata, mas isso a gente vê muito a pessoa de produto, falando aí da parte que me toca aqui, defendendo às vezes fazer coisas mais complexas, que vão levar mais tempo, mas que geram mais resultado, baseado na pesquisa, no entendimento com o usuário, muitas vezes junto com a pessoa de design na parte do Discover, mas o que eu acho muito curioso é que a teoria de você focar no usuário é porque o usuário é a pessoa que vai te trazer retorno, então você agradar ele é quem vai te trazer retorno financeiro. Então parece foco no cliente, foco no usuário é uma coisa igual você comentou, altruísta, mas na verdade é a coisa mais orientada a resultado que existe. Então, na prática, você focar no cliente é focar em resultado. Só que as pessoas demoram a compreender isso na prática, porque querendo ou não, boa parte dos stakeholders fica longe do usuário. Demora pra entender que, na verdade, o usuário, o cliente é quem tá, de fato, trazendo o resultado pra empresa. Então, isso é muito importante a gente citar. Por isso que talvez seja a grande tendência para 2024, vindo até de um posicionamento do Google para mostrar para grandes stakeholders. O Google consegue tocar grandes stakeholders de grandes empresas.  Pedro: Se não for uma tendência é minimamente um desejo, uma torcida que eu fico aqui, porque realmente.   Diulia: E assim, até puxando um outro ponto que a gente chegou a conversar antes, quando a gente fala da experiência do usuário e de olhar para o que o usuário está priorizando, acho que a gente vem amadurecendo enquanto, aí olhando pro lado em que a gente é usuário, a gente vem amadurecendo nosso querer assim, no sentido de que a gente tem aprendido a exigir mais das empresas. E aí no cenário em que a gente tá, não sei como é que tá aí pra você de onde você tá ouvindo, mas aqui em Belo Horizonte, não sei como é que tá em São Paulo, Alê. Mas as ondas de calor que teve em Belo Horizonte recentemente, foi um negócio que eu fiquei assim, gente, tá acabando o mundo. O que tá acontecendo? E a gente, sim, se tinha também, voltando ao altruísmo, uma preocupação com o meio ambiente, não, o meio ambiente é importante, o meio ambiente é importante. Eu acho que está cada vez mais relevante que assim, galera, ou prioriza o meio ambiente ou a gente vai morrer. Então, essa conscientização com relação a como que as empresas estão se posicionando, se os produtos que estão sendo desenvolvidos, se o serviço que está sendo entregue é pensado desde as fases iniciais de planejamento para que ele seja sustentável, para que ele gere um impacto que não seja tão ruim para o planeta, começa a ser um novo critério cada vez mais comum para os usuários. Então, se facilidade, praticidade, rapidez já são critérios que já são comumente discutidos e que a gente está acostumado, esse lado da sustentabilidade eu acredito que em 2024 vai passar a ser cada vez mais relevante. Hoje ainda é um pouco elitizado poder virar e falar: não vou consumir com essa empresa, vou consumir com aquela outra; porque isso diz de você poder ali às vezes gastar um pouco mais para poder adquirir um produto ou um serviço que é mais caro, mas que consegue olhar para esse lado da sustentabilidade. Mas acredito que dando mais evidência, e as empresas estão sendo chamadas a dar mais evidência sobre como elas conseguem pensar de maneira global no que elas estão oferecendo, pelo menos essa reputação das empresas vai ficar mais evidente. Mesmo quem não consegue consumir, escolher, no ponto de vista de consumo, por causa dessa questão econômica, vai ter visibilidade sobre as prioridades das empresas. Acho que isso vai orientar um pouco mais o consumo e aí volta um pouco quando a gente fala desse olhar para o produto e para o serviço de uma maneira global e olhar para o UX como um todo. Como é que a empresa comunica as preocupações que ela tem? Como que a empresa mostra, faz essa prestação de contas dos esforços que ela está tendo? E sendo honesta, de fato, com o cliente final, com o usuário.  Alexandre Loriggio: E eu acho isso muito, muito legal. Porque assim, mesmo que a gente ainda seja de fato algo mais elitizado, você consumir, né? Eu vi uma reportagem na Exame que uma consultoria, a Corn Fairy, fez um levantamento sobre o futuro do trabalho com millenials, e 60% consideram escolher uma empresa por ter políticas de SG. Então assim, que a gente está falando de sustentabilidade aqui, então a gente pode priorizar o meio ambiente não só pelo consumo, mas também pelo lugar onde você escolhe trabalhar que tenha políticas, né? Então, teve várias empresas agora na Europa que tiveram restrições no governo por causa de políticas fake relacionadas ao meio ambiente, né? Então, isso começa a repercutir não só no nosso consumo, mas também aonde a gente trabalha. Então, começa a ter aí um novo tipo de olhar pra esse tipo de situação.  Pedro: Vou finalizar esse tópico aí, a não ser que vocês tenham mais reflexões, com a seguinte notícia de que Mark Zuckerberg está construindo um bunker que era avaliado em 1,3 bilhão no Havaí. Então assim, tem gente preparando pro fim do mundo, né? A gente não vai fazer desenvolvimento sustentável. Eu tô bem apocalíptico hoje, né, com as minhas referências, mas é isso aí. Eu acho que não está confirmado que é um bunker.   Diulia: Otimista para 2024.  Pedro: As notícias são da Exame, da Forbes e tal. Então assim, não está confirmado que ele está querendo se preparar para o fim do mundo, não, mas fica aí a reflexão.  Alexandre Loriggio: É uma mansão dele, eles estão chamando de bunker, mas ele tá criando uma nova mansão.   Pedro: Sim, porque tem sistemas de abastecimento próprio, tem coisas underground, não sei o que, então tem similaridades com bunker. Aí tá rolando todo esse hype aí do bunker do Tio Zu. Mas legal, gente, acho que falamos bastante coisa aqui, inteligência artificial, desenvolvimento sustentável, mudanças que a gente tem visto acontecer no papel das pessoas de produto e de design, que já começaram esse ano, em 2023, mas como a Diulia comentou, são desdobramentos para 2024. Falando também um pouquinho de eficiência, que foi o termo do ano, que deve continuar sendo o termo do ano 2024 também. E é isso, cara, muito bom conversar com vocês sempre. Agradecer a participação do Ale aí mais uma vez.   Alexandre Loriggio: Valeu.   Pedro: E, né, quem quiser interagir com a gente aí, nossas redes sociais, nossos canais aí, os agilistas, a gente tá sempre disponível pra bater um papo, se quiserem sugerir temas também pra gente conversar, né? Fiquem à vontade, tamo aí.   Diulia: E se não concordarem com alguma coisa que a gente comentou, quiserem trazer ali correções, né?   Pedro: É.   Diulia: Também a gente está super aberto.   Pedro: Rebater os anúncios apocalípticos que eu fiz aqui também hoje, tá tudo bem.   Diulia: É, fala: não há esperança, o mundo não vai acabar.  Pedro: Não vai acabar, gente. Nós vamos continuar gravando e é isso aí. Ale, muito obrigado mais uma vez. Diulia, sempre um prazer. E é isso, até a próxima, gente.   Alexandre Loriggio: Valeu, pessoal.   Diulia: Até mais, gente. 

Descrição

Quais serão as tendências para as áreas de produto e design em 2024? Poderemos soltar o pé do freio ou ainda é um período de restrição? Qual será o papel da inovação? No episódio de hoje, recebemos Alexandre Loriggio, Product Chapter Leader na dti digital, para dar continuidade à nossa tradicional série de tendências. Ficou curioso? Então, dá o play!

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