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os agilistas

#63 Diversidade Na Prática

#63 Diversidade Na Prática

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Denise: Olá pessoas e hoje estamos aqui na sede da DTI no Garden para falar de um tema que eu tenho certeza de que vocês vão gostar muito, que é mulheres e liderança. Não vou falar mulheres na liderança, embora, seja pertinente, porque a gente vai bem além disso nesse bate papo. E hoje aqui no estúdio nós temos quatro mulheres incríveis, uma é um auto elogio, porque eu sou a quarta. Leandra Souza, tudo bem? Leandra Souza: Oi Denise, tudo bem? Um prazer enorme estar aqui falando sobre um tem aqui eu gosto muito e nessa época tão especial, no mês das mulheres, a gente está falando de mulher, acho super relevante falar sobre mulher na liderança e contar um pouquinho dos desafios que envolvem o nosso dia a dia. Denise: Leandra aqui na DTI você tem um cargo especifico, porque toda vez que a gente vai colocar papeis para as pessoas a gente fica para anunciar, porque a gente é meio aversivo a essas nomenclaturas meio engessadas, mas assim só para as pessoas te situarem, qual que é o seu papel hoje? Leandra Souza: Realmente a gente não tem cargo definidos e isso é muito dinâmico aqui na DTI, então vou tentar descrever um pouco da minha rotina aqui no trabalho. Hoje eu atuo na liderança de tribos e como gestora de contas, o que é que isso envolve na prática? Envolve alguns aspectos, por exemplo, cuidar de pessoas é um deles, então toda a parte, eu estou envolvida na parte de recrutamento, direcionamento da trajetória dessas pessoas dentro da empresa cuidando e sentindo o mesmo, identificando problemas dentro do time, é claro que eu não faço sozinha eu tenho o apoio da equipe do RH dentro do time e de outras lideranças. Junto com o time também eu atuo na formação dos squads, a tribo ela é composta por squads e equilibrando também as habilidades das pessoas para a gente ter uma estrutura multidisciplinar, mas equilibrada. Denise: Você é uma jardineira? Leandra Souza: Sim, literalmente. Denise: Um exemplo do que é que é a liderança, que a gente falou já nos outros episódios que é a liderança que habilita, que tira impedimento. Você é o encapsulamento desse conceito, pelo o que eu estou entendendo. Leandra Souza: Exatamente, e um outro aspecto super importante além de cuidar das pessoas da tribo é cuidar do relacionamento com o cliente, sobre esse mesmo aspecto, é entender, porque cada cliente tem a sua especificidade, que tipo de gestão que é adequada para aquele cliente, alinhada com a cultura daquele cliente? E o nosso objetivo principal é garantir geração de valor do negócio para o cliente. Então é cuidar de toda esse relacionamento com o cliente, é estabelecer uma boa comunicação, é buscar métricas que mostrem a geração de valor, é envolver o marketing que pode ajudar a alavancar os produtos e buscar novas oportunidades nos clientes. E um terceiro aspecto que eu acho bem importante é cuidar dessa estrutura da tribo como um todo, a tribo na DTI ela é uma estrutura e a gente tem eventos que são da tribo, a gente divulga e a gente garante essa troca de conhecimento entre as tribos, porque as tribos elas não podem se isolar. Então a garantia é que as outras tribos, a gente consiga compartilhar com as outras tribos o que fazemos de bom e aprender o que não fazemos de tão bom. Então assim, é cuidar desse universo. Denise: Só isso tudo, Leandra. Leandra Souza: Bem complexo. Denise: Pessoas,  a gente imagina como esse tema é bem amplo que ele vai atrair o interesse de pessoas até que vão conhecer os agilistas por meio desse episódio, já vou colocar aqui os contatos, você pode mandar perguntas, elogios, sugestões, críticas por dois canais um o e-mail, osagilistas@dtidigital.com.br ou se você quiser o meio mais rápido WhatsApp, nós somos de BH então é 31 996977104. Porque como a gente espera conversar com pessoas, atrair pessoas que podem ainda não estar nesse movimento, ainda podem ter dúvidas em relações aos termos, inclusive, então não hesitem em mandar perguntas para nós, a gente adora. Bom, a segunda convidada essa alguns de vocês já conhecem, já esteve com a gente em outros podcasts é a Giulia Tonon. Bom, Giulia fala um pouquinho para quem ainda não te conhece. Giulia Tonon: Olá pessoal, meu nome é Giulia eu estou aqui de volta no podcast, já gravei alguns episódios aí no início do podcast com o pessoal. Hoje da DTI eu atuo na gestão do marketing da DTI, é uma área que se desenvolveu, cresceu muito ao longo dos dois últimos anos e hoje assim, se tiver alguma função mais especifica para mim seria de head de marketing. Mas a minha função hoje eu acho que casa muito com o que a Leandra estava falando sobre cuidar de pessoas, assim, a gente vai chegando num tamanho de equipe, numa complexidade de equipe, que hoje tem 25 pessoas dentro do marketing que minha função não é mais técnica, não é mais operação, minha função é fazer com que as pessoas, fazer com que essas pessoas todas  se desenvolvam bem. E assim, como a gente tem um time muito multidisciplinar, nós temos muito designers, muitos videomakers, temos publicitários também, temos até biólogos no meio disso, claro, que não atuando exatamente como biólogos. Mas assim são times de muitas peculiaridades que lidam com a empresa inteira, porque dentro do marketing nós temos uma divisão de 5 squads, 5 times. E tem o marketing (OPS) [00:06:19], que é operação do marketing na DTI, a operação descentralizada do marketing que eu falo um pouco mais sobre essa operação no episódio de marketing ágil, que já está no ar, ele é um episódio mais antigo, é um dos primeiros episódios. Tem o squad do podcast que é para a gente cuidar dos agilistas, cuidar das gravações dos convidados, tem o time de cases, o time de materiais institucionais que a gente chama de origem, e tem o time da DTI que é a nossa universidade que a gente (vem de) [00:06:48] cursos. Então são times muito diferentes entre si, com muitas peculiaridades e extremamente complexo, então assim, acho que hoje o meu grande desafio é conseguir entender essas complexidades, essas especificidades de cada um e tentar ajudá-los a se desenvolver da melhor forma possível. E isso, considerando que eu tenho 25 anos, então é relativamente tudo muito novo para mim também, assim, eu acho que foi um desafio muito interessante que o Szuster, o Vinição me deu e me dão desafios novos diariamente e assim, acho que está dando certo até o momento, sabe? Denise: Isso é bem interessante, que foi por acaso, a gente tem aqui o estúdio representantes de décadas, então a gente tem aqui de décadas, de pessoas na faixa dos 20 anos, dos 30, dos 40, virando para os 50. Então eu acho que a gente vai ficar um episódio um pouco maior, porque é muito conteúdo. E aqui, então nós temos duas pessoas da DTI, eu sou uma consultora externa que já desempenhei o papel aqui de head de (customer experience) [00:07:54], vou falar um pouquinho disso depois. Mas quero apresentar assim, a nossa outsider de hoje, a nossa convidada mega especial que é a Adriana Prates, eu sei gente que Adriana Prates é uma sumidade, uma celebridade para um nicho muito especifico que é alta liderança e eu vou deixar que ela mesmo se apresente. Mas talvez, para muitos dos nossos ouvintes eu acho que ela precisa se apresentar, ela é uma outsider na TI, então para um pouquinho Dri. Adriana Prates: Pois é, primeiro eu quero agradecer Denise no seu nome e no nome da DTI também. Sou fundadora então da Dasein, a Dasein completa agora em 2020 25 anos, atualmente, eu sou CEO da Dasein Executive Search, ou seja, eu tenho as funções executivas lá dentro, empresariais, cuido da expansão do negócio, tenho um papel também institucional. E um outro lado do meu trabalho, que é a parte mais técnica, eu diria assim, é o apoio que eu faço aos dirigentes dessas organizações, o foco da Dasein no recrutamento, no executive search de profissionais estratégicos e aí a gente trabalha com segmentos bem variados. Para citar para alguns aí dos anos 90, que estavam mais atentos a Dasein ela foi a protagonista pela contratação e implantação e fez parte de todo o processo de privatização da telefonia no Brasil, foi quando a gente iniciou com a Tim Maxitel ali ainda na rua Espirito Santo e os apoiamos a estarem presentes em todas as regiões do Brasil. E na sequência, veio a Claro, a Oi, foi uma época que a gente trabalhou muito, inclusive, com tecnologia. Depois disso, a gente teve uma trajetória muito focada na indústria de uma forma geral, na indústria de um modo mais tradicional. E eu vejo aqui tanto a Giulia, como também a Leandra falando dessa transversalidade o tempo todo, desses personogramas, nessa forma tão inventiva e tão fácil, tão sem obstáculos de fazerem as coisas acontecerem, isso me inspira muito. E eu espero que isso seja muito inspirador para os meus clientes, que é uma luta que a gente tem. A Dasein sempre foi uma empresa a frente do tempo desde o início eu lembro o primeiro (short list) [00:10:25] que a gente entregou que é aquele grupo super selecionado para ser entrevistado, para escolher a pessoa, a gente sempre fez questão quando era possível de ter uma mulher no mínimo ali no meio e em nome disso nós temos grandes mulheres hoje, desde aquela época de 95 até os dias atuais fazendo isso. E concluindo aí a minha apresentação, esses segmentos tradicionais, muitas vezes, ainda existe sim por questões de segurança, nós estamos falando de segmento de mineração, de indústrias químicas, o próprio agronegócio também. Anteriormente, a Dasein eu queria dizer também, eu falo, eu costumo dizer que eu tenho mais tempo de trabalho que de vida, porque eu tenho uma carreira de 10 anos e nesses 10 anos eu trabalhei no agronegócio, na construção pesada e tive a oportunidade também de atuar, me deu um branco aqui, desculpa pela idade também, na linha das perenes, mas foi agronegócio, mineração e construção pesada. E aí, com essas inspirações todas eu tive esse insight mesmo assim, “poxa, fazer algo que todo mundo já conhece e já faz, mas vamos inovar e trazer uma proposta diferente para o mercado e é esse o desafio constante nosso, como que a gente vai se manter a partir de agora, como a Dasein vai atrair, por exemplo, empresas como o DTI, nós somos relevantes do ponto de vista do serviço que a gente oferece. E eu quero trazer um pouco para vocês, para essa discussão esses desafios que a gente vive o tempo todo e essas verdades que eu sempre questiono a mim mesma, e as pessoas que caminham comigo de alguma forma, obrigada gente. Denise: Nossa, para nós é uma honra assim, eu falando como Denise de ter a Adriana aqui com a gente no estúdio, para mim é o luxo. Então, super agradeço em nome da DTI. E esse seu protagonismo mesmo de estar nesse lugar que tem que encontrar o executivo certo para aquela vaga, para aquele negócio com o nível de sucesso que a Dasein tem e ter essa oportunidade de achar mulheres, a gente vai falar muito disso, como é que a gente chega lá e se mantem lá, e qual que é a sua leitura, a mulher executiva ela tem um modelo de gestão diferente? Isso é mito, sabe? E que legal isso de você conseguir, porque assim, quando a gente fala em telecomunicações ainda mais quando começou a telefonia no Brasil era o que tinha de mais avançado, eu comecei também com a Telecom e aí ao mesmo tempo você tem esse ritmo do negócio de Telecom e você tem que trabalhar com a mineração, com a siderurgia que são outras demandas, também vai ser muito legal aprender com você. Bom gente, para quem não me conhece eu sou Denise, eu tenho uma empresa de consultora Denise Eler. E o meu papel nas empresas hoje me coloco como outsider mesmo, que é um termo que eu acho que define bem, eu entro na empresa um tempo compondo a equipe com objetivos, alguns bem específicos, normalmente, ajudar a desenvolver uma cultura centrada no cliente, foi a demanda aqui da DTI ajudar a posicionar o negócio dessa forma. E o meu papel é tipo o Greenpeace assim deixar de existir, à medida que aquele modelo mental vai sendo desenvolvido, vai diminuindo a minha participação, normalmente, aí as empresas vão tendo outras demandas, outros desafios e eu vou me deslocando para esses lugares. Mas vai ficar mais claro à medida que a gente conversa aqui. Então, lembrem-se vocês podem mandar perguntas, mas eu queria fazer esse episódio um pouco diferente, eu acho que a gente pode aprender muito umas com as outras. Então uma das questões que vocês podem começar a pensar é que pergunta vocês gostariam de fazer uma para as outras, está bom? Então (tenham) [00:14:36] duas perguntas, vão pensando e em um dado momento eu vou falar, “e aí, o que é que você gostaria de saber?” Mas a primeira pergunta para todo mundo é, gente, realmente em pleno 2020 ainda existem obstáculos, vocês sentem obstáculos, desafios por serem mulheres? Se sim, me fala um exemplo, fala, “caramba, àquela hora eu senti que se eu fosse homem seria diferente”. Até para dar tempo para vocês pensarem eu vou falar um pouquinho de uma situação que eu vivi recentemente, eu acabei de voltar de Israel, Israel caramba, o que é que você pensa? Israel aí é hoje referência em tecnologia, inovação, especialmente, no agro, na defesa, na inteligência. E eu me deparei com algo que mudou mesmo a minha forma de ver as coisas, eu passei por três hotéis e em dois deles um em Telavive e outro em Jerusalém e eu senti uma indisposição das pessoas, dos atendentes, dos colaboradores do hotel em atenderem mulheres. Eu estava num grupo de 20 pessoas, que era um grupo misto e as vezes eu chegava para o café e chegava sozinha, eu sentia um tratamento completamente diferente, uma impaciência que eu comecei a perceber o seguinte, “essa pessoa não está confortável em servir uma mulher”. Então eu me dei conta que não tinha ninguém, ninguém, nenhuma mulher trabalhando nesse hotel, todos eram homens, porque até trabalhar, foi essa a conclusão que eu tomei, até trabalhar no hotel já era um privilégio masculino. E aí o que é que eu me dei conta? Hoje o discurso, o tema feminismo voltou à tona com muita força, ou neofeminismo alguns gostam de falar assim, e aí eu finalmente conclui algo que talvez seja um susto para vocês, que da importância que foi mesmo esse movimento no passado do feminismo e eu não tinha consciência que eu estava vivendo aqui no Brasil um resultado de uma conquista. Ok, tem exagero, tem gente muita louca, muito freaky, mas assim, que isso foi conquistado. Porque eu imagino que se eu voltasse a, talvez, 40, não sei, até menos essa situação que eu vivi lá, talvez, eu sentisse aqui. Então gostaria agora de passar, quem quer comentar sobre isso, sobre a sua própria história como é estar hoje, nós temos quatro mulheres aqui em posição de liderança, isso foi conquistado, vocês (assistiram) [00:17:21] atritos para chegar até aqui, como foi, Leandra? Leandra Souza: Bom, eu tenho uma visão assim parecida, pelo o que eu entendi você tinha até ir a Israel porque eu nunca fui, nunca atuei ativamente com o feminismo e eu sempre, por uma certa fase da minha vida eu achei que esse era um aspecto que não me incomodava, que não me interessava muito. Eu acho que é por causa das experiencias que eu vivi, com certeza sim. E, realmente, assim, na minha infância, eu tenho irmãos, então não tenho irmã Denise: Só irmãos homens? Leandra Souza: Então eu tive que aprender a me virar com eles, então eu brincava com eles, de certa forma, falava a linguagem deles. Denise: E são mais velhos? Leandra Souza: São mais velhos que eu. Denise: Você é a caçulinha? Leandra Souza: É. Então eu sempre tive facilidade assim digamos de navegar no mundo masculino. E aí eu fiz ciência da computação, um curso em que a maioria da minha turma eram de homens, e eu tenho grandes amigos que já tem alguns anos que eu formei, alguns muitos e que são meus amigos até hoje e vim trabalhar numa empresa, na Tam, que era empresa de automação que tinha mais homens. Então assim, eu sempre convivi muito no meio masculino e nunca percebi machismo, nenhum desconforto nesse sentido. Então assim, por alguns momentos eu falei, “gente, será que eu estou blindada disso? Será que eu aprendi a lidar com isso?” Denise: Será que isso existe? Leandra Souza: Será que isso existe? Denise: (Tem um momento) [00:18:59] a gente fala, “gente esse pessoal é muito mimizento, não sabe se colocar”, não é? Acho que a gente tem isso em comum na nossa leitura. Leandra Souza: E isso também me incomodava, porque assim, a gente vê tantas situações em que as mulheres passam, sofrem situações de preconceito e que não conseguem alcançar posições por serem mulheres. Então realmente isso era um pensamento que me incomodava e eu não tinha uma definição, e ainda não tenho. Mas eu vivi uma situação há algum tempo que me mostrou uma coisa interessante assim, a gente estava num momento muito complexo do projeto, muito tenso de reuniões muito tensas e eu não conseguia me posicionar. E aí depois de uma dessas reuniões tensas um colega de trabalho falou, “nossa, hoje eu entendi como é difícil ser mulher num ambiente masculino”. E aí eu falei para ele, “por que?” Falou, “nossa, porque as pessoas que estavam ali foram extremamente machistas com você”. E eu não tinha percebido. E aí eu fui para casa e aquele eu fiquei pensando sobre vários outros momentos que aquilo tinha acontecido e eu não tinha percebido, e aí assim, naquele momento eu senti na pele assim o que é você não ter voz ativa porque é mulher. Denise: Mas depois que ele falou e que você teve que refletir você percebeu assim, em que momento? Você não tinha percebido, mas depois, “opa, realmente aquilo foi”. Mas dá um exemplo, você falou da voz ativa. Leandra Souza: Da voz ativa de você começar a falar na reunião e ser interrompida o tempo todo. E a outra pessoa que estava do meu lado do meu time, era homem e muitas das mensagens que eu tentava transmitir naquele momento eram transmitidas pelo o meu colega de trabalho, esse que me chamou depois para a gente conversar. E aí ele falou, “olha, você precisa bater na mesa”, falei, “cara, mas eu não sei bater na mesa”. Aí ele falou assim, “mas é batendo na mesa que essas pessoas vão te ouvir, porque elas não sabem conversar da forma que você conversa”, e aí eu bati na mesa. Denise: Aí você aprendeu a bater na mesa? Leandra Souza: É. E assim, e esse dia foi importante para mim, isso me marcou profundamente. Denise: E quando você fala eu bati na mesa, especificamente o que significa isso? Literalmente (faz e acontece) [00:21:18]? Leandra Souza: Foi literalmente bater na mesa. E isso foi importante para mim, pessoalmente, foi importante para o caminho daquele trabalho que a gente estava fazendo, a partir dali eu realmente comecei a ser ouvida e as pessoas perceberam que aquilo me incomodava. E eu não precisei falei abertamente sobre isso, a mudança de postura foi suficiente. Então assim, esse foi um momento que me marcou muito assim, que nesse momento eu senti um pouco do que muitas pessoas falavam sobre machismo, sobre não ter voz ativa, sobre como ser mulher pode ser diferente de ser homem em algumas situações. Denise: Interessante isso que você falou, “não, mas aí eu bati na mesa mesmo”. E você hoje está nesse lugar, no lugar de líder, de referência, de inspiração, e hoje qual é o seu estilo? É esse de bater na mesa? Leandra Souza: Não, literalmente não. Esse não é. Eu acho que assim, isso me mostrou que se for preciso eu vou, entre aspas, aqui agora eu vou bater se vou precisar bater na mesa, mas esse não é o meu estilo e não é o estilo das pessoas que trabalham comigo. E eu acho que foi muito por isso, “gente, mas isso não existe”, porque as pessoas que trabalham comigo e que trabalharam comigo e que eu convivi, não me apresentaram esse mundo, desde a minha família, a universidade e as empresas que eu passei não me mostraram muito isso. Então eu não sabia lidar com isso e questionava se isso realmente existia. Mas, literalmente esse não é o meu estilo de trabalhar. Denise: Ótimo, ótimo caso para a gente começar. Adriana essa coisa de que a mulher para ser ouvida, para conquistar o seu espaço que ela tem que adquirir um comportamento conhecido como masculino, você ouve isso? Você já passou por isso? Adriana Prates: Eu queria colocar isso assim, basicamente, são inúmeras formas, mas eu queria colocar em três. A primeira eu quero aproveitar um pouco disso que a Leandra traz, porque é muito bonita a forma que ela traz a situação, assim como a maioria de muitas mulheres que atingiram cargos de poder e que tem um  processo decisório mais alto, mais elevado, elas fazem isso de uma forma tão intuitiva elas não vão percebendo. Mas ele teve uma oportunidade num momento, ou seja, ela não conseguia exercer uma auto crítica de que o potencial dela poderia ser mais explorado ainda do que já estava sendo. Então, teve alguém que deu simplesmente essa dica para ela, e o que ela faz é algo incrível que é, “poxa, eu estou aqui com uma oportunidade de eu rever uma atitude, uma postura, eu vou poder contribuir mais,” porque você conseguir ter mais credibilidade, transmitir isso para o outro, ser mais ouvida é uma conquista e aí eu acho que é onde ela cria uma conexão profunda com ela, com o estilo dela, isso chama autoconhecimento. Então essa é uma linha mais rara de acontecer, mas brilhante. Quero falar agora da minha história pessoal, a minha história pessoal eu gosto de me remeter ali ao Norte de Minas, o fato de eu me considerar uma sertaneja mesmo, a terra onde nascem os fortes, costumo brincar. E então a gente acaba realmente assim, eu senti isso raríssimas vezes, talvez, não tenha percebido porque foram muitos desafios, eu vim sozinha para cá e tive que criar solução e resolução para muitas coisas na minha vida e assim eu fui construindo essa trajetória, mas sempre busquei bons especialistas também para me ouvir, me julgar, para me apoiar, eu acredito que isso faz muito sentido. E a última perspectiva que eu quero trazer, inclusive, me perguntaram, isso é muito comum pela a minha área, por ser uma área que, de certa forma, as pessoas até fazem essa cobrança. Poxa, mas um pouco do resultado de ter 3 a 4% apenas de mulheres no poder no planeta é relacionada aos headhunters. Denise: Que ótimo você colocar isso, é interessante. Adriana Prates: E ali, desde o início nós sentimos essa necessidade, mas nunca por ser mulher, nunca por ser mulher, sempre por perceber que é a equipe, a equipe, a diversidade, isso a gente sempre teve isso no nosso DNA, isso enriquece uma equipe. Misturar pessoas de classes sociais diferentes, o Brasil permite essa mobilidade social, de mentalidades diferentes, homens, mulheres, outros gêneros, isso faz toda a diferença num processo decisório que tem a sustentabilidade e que vai abarcar um volume maior de soluções. E aí quando me questionaram sobre isso, “Adriana, como é que você vê essa questão das mulheres? Não consegue?” Eu comecei a investigar, a pesquisar, nos inúmeros casos que eu tinha contato, que atendia de uma forma ou de outra, o que é que acontecia com essas mulheres? E eu me recordo que a descoberta que eu fiz há uns 15, 20 anos foi que um dado momento da carreira da mulher quando ela se tornava gerente, aí nós estamos falando de cargos de diretoria, que é um número menor, que são esses 3%. Então elas não atingiam os níveis gerenciais, elas acabavam a ter uma análise do custo benefício, coincidia com o momento em que elas estavam tendo filhos e que, de repente, isso voltou com muita força, novamente, do casal conversar e ver qual vai ficar criando ali, cuidando da cria e qual que vai trazer, vai ser o provedor da casa. E eu percebi que era a própria mulher que nesse momento ela falava, “eu quero um tempo, eu não quero crescer mais, não quero ascender uma diretoria porque isso vai implicar de eu estar numa ponte área o tempo todo. Eu quero ver meu filho crescer”. A mulher escolhia simplesmente assim, ela escolhia não crescer mais. Aí nós podemos dizer assim, “poxa, mas isso é meio estranho, porque o que a gente entende é que as mulheres não têm oportunidade”. Então o que eu quero acrescentar é aí que entra a grande sacada que o mercado tem na última década, por que é que a mulher fazia isso? Porque as empresas elas não tinham nenhum único entendimento que elas precisavam criar um ambiente atrativo para as mulheres, elas estavam tratando as mulheres como peso. Denise: As próprias mulheres também em cargo de liderança são isso que você está falando também? Não? Adriana Prates: Não. Denise: De não criar as condições? Adriana Prates: Não, a empresa não tinha sacado que é muito bom ter mulher, que mulher faz diferença, que o modelo mental dela é fantástico e como que ele agrega valor e muitas empresas aprenderam isso rapidamente. Mas elas precisavam criar horário flexível sim, Denise: Creches. Adriana Prates: Muitos outros estímulos e incentivos para que essa mulher quando ela chegasse naquele ponto chave, naquele estagio produtivo da carreira executiva dela que, normalmente, se dava entre 30, 40 anos que era também quando ela tinha os filhos, que esses filhos pudessem fazer parte do trabalho delas, ou o pet pudesse ir junto. E as empresas começaram, mesmo as tradicionais que é o foco que a gente trabalha e isso tem justificado em muito o fato de que as empresas hoje abrindo esse espaço, muitas mulheres nesse momento elas falam, “não, agora eu tenho interesse por uma carreira executiva porque a empresa compreende, ela me apoia”. Inverteu a questão. Denise: Adriana, por que agora na tua opinião? Você está falando assim, a mulher tem um mindset incrível, realmente é diferenciado, isso não é mito, isso que você está dizendo, você concorda que a mulher tem uma forma diferente de ver o mundo, de administrar, de lidar com os desafios? Mas por que agora as empresas perceberam isso? E a gente está vendo um crescimento de um número de mulheres no (C) [00:29:36] level e como CEOs de empresas. Adriana Prates: Essa pergunta é muito importante porque a empresa não adianta falar, a empresa privada, por mais valor que a gente quer entregar para a sociedade, coisas boas, maravilhosas e a empresa ela precisa de ter rentabilidade alta, elevada. E ela não é boba, ela começa a contratar e as grandes consultorias globais e começa a detectar que as empresas presididas, gerenciadas por mulheres tem características diferentes, tem equipes mais motivadas, tem uma energia de dinâmica de funcionamento melhor, conselhos de administração hoje em dia ainda é 98% masculino. Denise: 98 Adriana é isso? Eu ache que já estava mais. Adriana Prates: Não, não, não. Para você ter uma noção então quando você fala hoje é porque mostrou que ter mulher no poder dá dinheiro, em síntese, assim a resposta mais fácil que eu posso dizer. Denise: Isso está distribuído Adriana, desculpe te interromper, por segmentos ou não, empresas de tecnologias é assim, ou isso é geral tem esse dado ou não? Adriana Prates: Empresas de tecnologia dada a escassez e hoje tem um recrutamento global, se tiver um ratinho que fala que faz qualquer coisa ele contrata, então assim, não dá nem para a gente. Denise: Escassez, a Giulia vai poder falar bem sobre isso. Adriana Prates: Se falasse, “esse poste aqui vai dar resultado”, não dá nem para entrar minha filha. Denise: (Aquecido) [00:31:13] mesmo. Adriana Prates: Mas assim, essa necessidade ela é generalizada, as mulheres estão se preparando mais, por quê? Aí a gente volta no histórico da mulher e a gente lembra daquela coisa da velocidade de largada e a de chegada que o homem e a mulher tem, historicamente dizendo, as mulheres pelo estimulo que elas tinham elas demoravam um pouco mais a se introduzir pelas matérias mais de exatas, de finanças, que é o combo que um gestor tem que ter. Ele tem que entender de gente, ele tem que entender de várias coisas, mas de negócios, de finanças, de operações. E aí, nessa geração que é a geração da Giulia não existe isso, eu tenho duas filhas praticamente na idade delas, que as vezes ouvi falar, “eu fiz um trabalho da caminhada dos privilégios para mostrar sobre racismo”, e não sei o que e ela simplesmente falaram, “mãe a gente não sabe o que você está falando, na nossa escola não tem nada disso. Eu acho que você é de outro planeta”. Então são coisas e o marcante, e para marcar isso da questão da mulher eu sou jurada de uma premiação nacional que chama Prêmio Executivo de Valor há 10 anos, isso aí vai ser o meu décimo primeiro ano, os resultados saem em maio. É premiada 23 categorias relacionadas aos 23 setores da economia mais proeminente e ganha um em cada categoria e tem sete categorias extras, que é jovem, liderança, melhor conselheiro, a startup de mais vanguarda o melhor em tecnologia, a melhor ONG, coisas dessas naturezas. Mas o que eu quero dizer na média, na média gente desses 10 anos que eu estive por trás, que eu fiz a bancada desse júri, que varia entre 8 e 14 pessoas e consultorias, a ESC que é a certificadora que certificou a da Dasein a média de vencedoras desses agora 28 a 30 lideranças, são 2 mulheres, isso quando assim a gente comemora assim, solta foguete, por exemplo. Teve uns cinco anos, por exemplo, que no máximo foi a Luiza Trajano que ganhou. Denise: Fenomenal. Gente, a Luiza para mim é a maior, a gente sempre cita Magazine Luiza e Luiza. Adriana Prates: Mas eu quero dizer, mas nós não podemos ter um mundo comandado pela exceção. E aí, voltando para trás o que a gente percebe o ano passado nós tivemos porque hoje nós tivemos duas pessoas fantásticas na área, por exemplo, de TI que são presidentes mulheres. A da (EBM) [00:33:54] é mulher, que é a Ana Paula, a Tânia Cosentino que é da Microsoft que ela é, a CEO Brasil era da Schneider e nós temos da Microsoft América Latina que é a Bellizia. Denise: Não tem uma na HP também? Adriana Prates: É. Então você percebe que nesse campo de tecnologia de soluções de uma forma mais ampla, já tem muitas mulheres fazendo isso e isso não é por mero acaso. Giulia Tonon: E fora a questão do acesso a informação também hoje não é só mais uma questão de a mulher não poder escolher certos cursos, ou ter um estímulo grande em casa para ter um determinado comportamento. Isso eu até já vi na minha família assim, as mulheres são mais estimuladas a um determinado tipo de curso, enquanto os homens são estimulados a cursos mais de exatas, mais de engenharia. A minha formação é em economia e mesmo na  minha turma de 40 alunos era um quarto de mulheres, 25% de mulheres, e quando eu formei devia ser menos ainda assim. Claro que as turmas vão se misturando algumas pessoas desistem tanto para homens quanto mulheres, mas hoje eu enxergo que na tecnologia e nessas áreas que a gente atua assim, a gente começa a ter uma protagonismo e uma visibilidade maior até pelos tipos de meios que a gente tem. Então, a questão da mulher e não só da mulher na liderança, mas assim, dos diferentes tipos de mulheres, tem mulher branca, tem mulher negra. Denise: Mulher é bem coletivo, é mulher é muita gente, muito tipo, isso é importante mesmo. Giulia Tonon: Quando a gente começa a desmembrar esses tipos diferentes a gente ainda vai entrando em outras minucias e hoje como a gente tem Twitter que qualquer coisa explode rapidamente, tem o Instagram aquela questão das fotos, do empoderamento do corpo feminino, tem Facebook que também já está aí há mais tempo. Mas a gente tem um acesso à informação muito maior, e acesso à informação, a educação, a visibilidade da mulher, esses números começam a aparecer, porque não é só um número que está guardado lá num escritório nos Estados Unidos ou na sua cabeça,  é um número que você pode jogar na sua rede que vai se espalhar para outra rede e que de repente está todo mundo sabendo disso, e isso começa a ficar e virar um incomodo real assim. Porque as mulheres são super capazes, tem que estar naquelas posições, não só por uma questão de diversidade, mas por uma questão de representatividade também assim. E até recentemente eu estava vendo que um pais qualquer da Escandinávia, eu não sei se é Finlândia, mas que a questão da licença paternidade está ficando pareada de mulher, seis meses, seis meses. E isso faz total sentido, porque é obvio que para a empresa vai ficar uma coisa assim, vai virar um fardo muito maior, porque “o cara vai sair uma semana quando o filho nasce, mas a mulher vai sair seis meses”. Isso é assim, a própria sociedade empurra isso para a gente, a gente dá como algo costumeiro. Leandra Souza: Isso é bem interessante na época em que eu vivi em Toronto, eu comecei a ficar implicada assim de manhã o homem, e lá eles tem muitos filhos, não são muitos filhos, mas assim dois filhos muito jovens, então você vai o homem empurrando um carrinho com dois bebes. E eu falei, “gente, por que tanto homem empurrando carrinho com dois bebês?” E o Canada é conhecido por ser um país de uma política multicultural muito grande, respeitar muito, de zelar muito por essa questão da igualdade de direitos de tratamento. E aí eu perguntei para uns colegas que moravam lá e eles falaram o seguinte, porque aqui o casal pode escolher quem vai pegar a licença e, normalmente, eles escolhem o cônjuge que ganha menos pelo impacto no orçamento. E olha que interessante, eu via eram muitos homens, o que me fez concluir que lá em alguns lugares as mulheres ganhavam mais que os homens por qualquer motivo que seja, interessante. Uma outra coisa que eu achei também interessante. Adriana Prates: Eu queria emendar com uma coisa, concluindo aquele raciocínio que eu estava tendo, o problema real, concreto, aí vamos falar de 2020 mesmo e que é difícil, eu não falo isso nos processos que a gente faz, porque a gente tem já um valor que o cliente passa ali que é informado para aquele grupo e na alta gestão mesmo isso é menos presente. Gente, salário é um absurdo ainda as diferenças de salário, isso aí é irritante mesmo, porque todas as empresas vamos imaginar um gerente hoje está com a média, vamos colocar uma coisa bem generalizada, 20 a 30 mil. Então eles falam que a mulher está no mesmo quadrante do homem, aí contrata a mulher por 20 e já contrata o homem por 30. E isso são praticamente, assim. Denise: Isso existe então? Adriana Prates: Não, existe assim, praticamente 100%. Denise: Escancarando, é aceito? Adriana Prates: Das empresas que eu conheço. Eu acho que a grande causa agora é a equiparação salarial, essa é a grande causa que a gente precisa bradar. Denise: É a bandeira. Adriana Prates: Porque é irritante, você vê a mulher entregando igual mais e você vê aquela executiva ali, falei, “gente”, é revoltante, é simples assim, é revoltante. Eu não deixo de falar isso para as pessoas que de alguma forma eu consigo influenciar, e elas conseguem mover normalmente, “os (headquarters) [00:39:40] estão lá na Europa, ou estão em outros países, nas multinacionais estão aqui”. Não é coisa fácil, porque lá é pior ainda e não sei o que. Muitas vezes estão na Finlândia, mas quando vem para um país emergente muda a regra aqui. Denise: Vocês viram uma campanha publicitaria eu não lembro qual era a marca que fizeram tipo um reality assim, chegavam os clientes num restaurante e tinha os pratos e falava, “ok, se você é homem 30% mais caro”. Vocês viram? Fenomenal, chamando atenção disso. Aí o homem falava, “o que é que é isso? 30% só porque eu sou homem? Eu não vou pagar nunca”. Aí chamava o gerente, aí eles falavam, “olha, isso é a realidade se você homem, se você ganha 30% a mais porque você é homem nada mais justo que você também pague”. Aí eles, “vou pagar”. Exatamente, Giulia você queria concluir acabei de interrompendo. Giulia Tonon: Não é porque eu ia falar das questões de publicidade de recentemente teve uma marca de cerveja que lançou uma publicidade não em questão de valor salarial, porque geralmente cerveja é uma coisa de homem, voltada. Denise: E a mulher está ali como objeto. Giulia Tonon: Exatamente, a gente está vendo várias marcas que estão tentando quebrar isso e assim, a gente sabe que é por uma questão, não porque necessariamente a marca acredita nisso, mas porque ela precisa fazer isso. Adriana Prates: Politicamente correta. Giulia Tonon: Exatamente, e o comercial é as pessoas chegam no bar e o garçom chega com uma cerveja, um drink e ele oferece a cerveja para o cara e o drink para a mulher e aí eles trocam, a mulher pega a cerveja e o cara pega o drink, tipo, “assim eu sou homem, mas eu gosto de drink, eu sou mulher, mas eu gosto de cerveja”, assim, sabe? Então a gente vê isso enraizado assim na sociedade, que aí pega a questão salarial e aí quando você começa a ver porque é que o salário da mulher é menor e do homem é maior, são várias questões que vem desde a educação, vem lá dos comportamentos de dar boneca para a mulher e dar o carrinho para o cara, os cursos que você vai fazer. O comportamento que a gente tem que ter, porque assim, eu até me identifico um pouco com a Leandra porque eu também tenho irmãos homens mais velhos e assim, família cheia de homem. E assim, para mim nunca foi muito difícil eu me posicionar porque eu já cheguei sabendo conversar falando a língua desse pessoal, falando a língua dos homens, digamos assim. Mas eu vejo que é difícil para outras mulheres também assim, de não só ascender, mas assim de entender porque é que as vezes a sua voz é calada no meio de um tanto de homem e que elas se sentem intimidadas assim no meio de discussões com homens, para mim é uma coisa tipo assim, “não eu vou falar, não concordo, eu vou discordar aqui”. Leandra Souza: Até porque sempre foi assim? Giulia Tonon: Exatamente, sempre discordei, se bater de frente eu também bato assim, isso não tem problema nenhum. E aí então assim, eu acho que quando a gente começa a pensar nisso tudo é uma questão social muito maior do que a gente imagina assim. E até eu tenho uma pergunta para você Denise, eu vejo assim sempre você postando muitas coisas das empresas que você vai e são empresas geralmente mais conservadoras, que estão ali querendo se transformar e, geralmente, você tem que lidar com um corpo de homens assim muito grande e homens conservadores assim. O que é que você enxerga que é o seu assim, eu acho que é claro que é na trajetória, você já deve evoluído muito nesses desafios, mas hoje qual que você enxerga que é o seu principal desafio nessas empresas conversadoras cheias de homens? Denise: Até para ilustrar, para ficar mais palpável, comecei a trabalhar com consultoria em 2009. Então quer dizer, eu já tinha me formado há 10 anos e comecei a trabalhar em 2009, especificamente, com consultoria. Um dia, numa dessas empresas tradicionais, líder de mercado e aí eu sugeri de a gente levar, a gente estava com o desafio de desenvolver mentalidade de inovação mesmo, de criatividade eu sugeri a gente levar uma executiva premiada, referência no mercado da Natura. Falei assim, a Natura na época era a grande referência, falei assim, “por que é que a gente não traz alguém, a fulana da Natura para falar par a agente de inovação?” E aí foi assim queima roupa, que mulher entende de carro? E que mulher entende de carro? Isso foi há 10 anos e já se transformou. Leandra Souza: E como você saiu disso? Denise: Na época eu não sai, foi tão à queima roupa que eu entendi e eu acho que eu fiz o que eu tinha que fazer mesmo, que era processar aquilo e entender onde eu estava que não era por aquele, não era batendo de frente, entendeu? Eu entendi que tinha um para casa que eu tinha que fazer de entender, de empatia, que a gente não muda na força, a gente muda, a partir do momento em que você entende, “o que é que está por trás desse discurso? Onde que eu estou? Onde você está Denise? Acorda, acorda onde você está”. Não era para ter a executiva da Natura naquele momento, agora é o contrário eles é que pedem, eles é que chamam, “vamos chamar Magazine Luiza”, eu detesto o termo empoderamento, você não empodera quem tem poder, eu gosto assim do reconhecimento e tal. Então e aí eu falei Magazine Luiza porque tem esse discurso, tem essa consciência de que não é dar um privilégio para a mulher, mas que historicamente a mulher foi privada do seu lugar de direito, é isso, nós temos um direito, a gente não está querendo nada que não é nosso. Hoje eu postei no Instagram uma frase da Marilyn que esse símbolo da loira burra, ela teve, num dado momento ela fala, “eu tive que vestir esse personagem para ter o poder, era a minha via de exercer o poder”, e que mulher poderosa. E ela fala, “gente, toda mulher que quer ser equiparar ao homem está sonhando muito baixo”. É uma provocação, é uma pimenta. Então Giulia, assim, hoje eu vejo que eu tenho esse meio termo trabalhei com empresas bem tradicionais, mas historicamente, assim, muito mais com empresas de tecnologia, na verdade o tempo que eu trabalhei com empresas tradicionais é menor na minha trajetória. Eu comecei a trabalhando com Telecom que é ao contrário, super inovadora e numa Telecom que era a Telemix Celular, sempre falei com vocês que até hoje foi uma grande escola para mim, em que o RH era no mesmo andar da TI. Então já era diferente, aí depois sim fui trabalhar, aí sim a entender como consultora várias empresas, ainda mais em Minas que é o lugar onde eu mais tenho clientes que são, mais comum ter a siderurgia, a mineração, a automotiva. Mas no geral, trabalhei mais com tecnologia, então não posso falar que na minha vida vivi muito pouco, senti muito pouco essa questão. Tive que ir para Israel para ser empática com as pessoas, não só as mulheres, comecei a entender o que é que é a questão do negro, eu nunca tinha estado numa posição de me sentir privada de algo só por pertencer a um grupo, e nesse caso, por pertencer ao grupo mulheres. Então isso abriu a minha mente para uma série de questões, mesmo das minorias, porque eu acho que quando a gente levanta a bandeira da mulher, da igualdade de salário, a gente está abrindo portas para outras questões, outras questões que são igualmente pertinentes. Eu tenho uma colega que ela criou um selo a Oficina Amiga da Mulher, Barbaria Brier e ela falou isso comigo, falou, “Denise sabe o que eu percebi? Quando a gente ajuda uma oficina mecânica a ser mais, a estar mais atenta ao atendimento, que ela percebeu que muitas vezes a mulher se sentia enganada”, nos sentimos, um tratamento diferenciado porque já assumem que a gente não sabe, então eu posso te dar um preço maior. Eu fui o tempo todo roubada em Israel e em Jordânia assim, na hora que iam me cobrar chegaram a cobrar, as vezes, numa compra 300 reais a mais, me falaram um preço, na hora de pagar 300 reais a mais, isso não é com mulheres, isso é da coisa de você ficar esperto o tempo todo querem te passar a perna. Mas eu senti que se eu estivesse com um homem, tanto que quando eu estava com algum colega e eles presumiam que era o meu marido era diferente o tratamento. Mas aí, nesse caso da minha amiga ela falou o seguinte, “olha, eu percebi que quando a gente ajuda uma oficina mecânica ser amiga da mulher, ela passar a ser amiga do idoso, amiga do pet, amiga do LGBTQI lá, desse universo. Então é importante nós entendermos que é uma coisa muito maior. Giulia Tonon: Exato. Assim, para mim no que eu vivo hoje o meu maior desafio como mulher assim aqui em BH que já é uma cidade mais tranquila, assim, quando a gente vai parar para pensar em questão de violência, tranquilo assim em relação ao Rio, a São Paulo, é a segurança. Às vezes, eu moro na Savassi assim, eu estou num bar a três quarteirões da minha casa com amigos que também moram as vezes a três quarteirões ali do bar. E eu tenho que pedir um Uber para ir para casa, três quarteirões, se eu estou de noite, se passou das 22:00 se está chegando ali meia noite eu não tenho coragem de ir para a casa sozinha. Denise: Muito pertinente você comentar isso. Giulia Tonon: Não é por perder o meu celular, é por outras questões. Denise: Se sentir fragilizada. Giulia Tonon: É exatamente. Adriana Prates: Vulnerabilidade mesmo. Giulia Tonon: Coisas muito piores podem acontecer assim. Leandra Souza: E eu tenho uma filha de seis anos e eu fico pensando como é que eu vou preparar a minha filha para esse mundo, e para enfrentar todos esses desafios? Denise: Você tocou num ponto muito legal, vou voltar para você, mas só porque eu queria também ouvir a Adriana e Giulia a respeito disso, a gente fala muito do outro, como o outro nos trata, o que é que o outro nos permite? E aí da mesma forma que cobraram a Adriana, você é uma hunter, você também é corresponsável por não ter tanta mulher em cargo de poder. E a questão da mãe, da criação e você antecipou isso, mas que daí eu vi vocês duas, o tanto que nós também temos responsabilidade e, muitas vezes, percebendo ou não a gente também torna essa caminhada das meninas também pode ser com mais atrito ou com menos atrito, quando a Giulia me perguntou o desafio eu lembrei desse, ela falou da violência. Falo muitas vezes o (pré-conceito) [00:50:14] que eu senti não foi do homem, foi de mulheres. E aí queria, o que é que você sente que é o seu maior desafio em relação a criar a sua filha? Leandra Souza: Eu sinto um pouco o impacto da exclusão, da opressão com relação a mulher. E o que eu transmito para a minha filha é que é igual, sabe? Que tem que ser igual, e que ela tem que se posicionar igualmente e ela não pode permitir que as pessoas nenhum amiguinha, e nenhum amiguinho seja excluído de uma brincadeira ou de uma atividade por nada, ou porque é menino, ou porque é menina, ou porque é negro ou porque mora numa comunidade de risco, por nada disso assim, é mostrar para ela que as pessoas tem que ser tratadas de forma igual, independentemente de onde vem. Denise: E eu completaria aí que a diversidade é força, num mundo VUCA, num mundo tão complexo diversidade é força. Leandra Souza: Esse é um outro ponto que eu queria complementar, fazendo um gancho com o que a Adriana falou que eu achei super interessante, quando ela falou assim, “que as mulheres quando elas alcançam cargos de gerência isso casa com o momento da maternidade”. Hoje, por exemplo, se esse modelo não tivesse mudado nos últimos anos e o meu marido, a gente não pudesse compartilhar as atividades da rotina da nossa filha, eu não poderia trabalhar. Então assim, hoje a gente realmente divide tudo, então, às vezes, eu preciso abrir mão de uma reunião, às vezes, ele precisa abrir mão de uma reunião dele porque a minha filha está com febre, alguma coisa. E quando a gente fala de diversidade, de multidisciplinariedade, a gente precisa de pessoas que vivem experiencias diversas, então assim, a maternidade é uma delas, e quando a gente fala de maternidade a gente fala de generosidade e para mim liderança é generosidade, sabe? Quando você acredita no time, quando você empodera o seu time, ou proporciona condições para que as pessoas se desenvolvam isso é ser generoso, e a maternidade me trouxe muito isso assim, então eu acho que hoje muito do que eu faço no meu trabalho tem a ver com a maternidade. E a maternidade também não é só passar mão na cabeça, a responsabilidade que eu tenho com a minha filha não é só de acolher e concordar, é direcioná-la, é orienta-la, e as vezes, repreende-la. Então assim, eu tento trazer um pouco disso para o meu trabalho, entendeu? Teve uma situação que eu fiquei muito feliz que chegou um integrante novo no time, e a Ana que é da nossa equipe de RH, ela estava apresentando o time e tal, aí eu cheguei, “seja muito bem-vindo”, (inint) [00:52:46] falou assim, “você é quem no time?” E aí como eu falei no começo é tanta coisa, aí tinha alguém do lado eu falei, “Leandra é nossa mãe”. E eu me senti muito feliz naquele momento, porque assim, eu sou um pouco mãe mesmo nesse sentido todo assim, de cuidar, de orientar. Denise: Desse conceito de mãe? Que as vezes deixa ir para a pessoa se desenvolver? Leandra Souza: Exatamente. Mas assim, o desafio de criar uma menina para esse mundo que a gente vê hoje, sabemos lá como ele vai ser daqui há 10 anos é um grande desafio e a gente precisa se reinventar o tempo todo para conseguir fazer isso bem, é bem difícil. Denise: E você Dri, qual que você acha que é o grande desafio? Adriana Prates: Com as meninas? Denise: Não, assim, você nesse papel que você está de tanto de ser influenciadora, de poder interferir nesse sistema, mas de mais mulheres em cargos de  lideranças, pode falar de você como líder, como empresaria que é um ponto que a gente nem comentou aqui ainda, qual que é o desafio de ser a empresaria? Ou também do que você tem ouvido das suas clientes, dos executivos, qual é o desafio para mais mulheres em cargos de liderança? Adriana Prates: Olha, o desafio assim do ponto de vista de a gente como mãe, eu acredito que é isso que você traz, isso que a Leandra trouxe já vai viver realidade diferente, ela já vai ter a mãe como modelo, isso está bem mais simples, não se pode mais considerar um desafio. Eu ouvi uma frase lá em casa um dia desses que me incomodou um pouco, que aí eu acho que a gente começa a pecar pelo excesso, sabe? É como se fosse “elas e eles”, sabe? E aí eu começo a pensar que o desafio agora é a nossa sensibilidade para compreender o que é que essa mudança tão abrupta das mulheres provocou nos homens, provoca nos homens, na auto estima deles, de como que eles estão se sentindo também ao lidar com mulheres, as vezes, distorcidas. Eu vejo essa fala, é muito inspiradora a fala da Leandra essa fala tão assim, mãe, humana, o que eu tenho percebido mulheres no poder ainda com jargões, “eu tenho que primeiro a coisa é cortar o cabelo, eu tenho que andar diferente, eu tenho que falar grosso”. E eu acredito que a gente traz o que a gente acrescenta é a nossa intuição, é a empatia, nossa sensibilidade é a nossa capacidade de usar a lei da platina, que a lei de platina é assim, trata o outro como ele quer ser tratado. Então  nós temos essa sensibilidade de entender e fazer esse direcionamento, então nós temos que agora, o trabalho que eu faço aí como mentora de (vários) [00:55:46] de executivos, é de acolher, olha para você vê, e as vezes ninguém está prestando atenção o que é que a gente fez com esses homens? Como é que eles estão se sentindo? Qual o grau de depressão que eles estão atingindo por eles não serem mais o provedor, o importante? E esse passa a ser uma questão nossa também, nós temos que parar de nos vitimizar também, o processo está caminhando de uma forma natural, progressiva, não podemos esquecer da nossa responsabilidade. Mas continuar os persuadindo de como que nós somos grandes parceiros de colaboração, de crescimento, de transformação de cultura, valores e resultados em qualquer lugar, em qualquer instancia é um desafio. Nós estamos juntos, eu e você, homem e mulher. Denise: Gente, acho que não tem melhor forma de concluir esse episódio de hoje com essa mensagem. A gente celebra essa diversidade, celebra as diferenças, não é para anular, não é esse discurso hater, não é mesmo. Eu gosto da frase lá da Marilyn quando ela fala, “quando você almeja ser igual você está querendo muito pouco”, porque a gente quer é que nós todos sejamos seres humanos mais plenos, biologicamente a gente tem algumas diferenças que já nos tornam únicos, não é? E que é uma celebração da diversidade. E ótimo, e tudo bem, que bom, não é? Bom, para terminar queria só que você fizesse um exercício aí ao invés de a gente perguntar uma para a outra como eu tinha pensado no início, o que é que você diria para a sua pessoa, a sua Leandra, a sua Giulia, sua Adriana, e eu também vou fazer, de 10 anos atrás? Então vamos começar com a Giulia, Giulia você está vendo a Giulinha de 15 anos de idade, fala para ela, fala para ela, “Giulia”, você está no futuro, o que é que você falaria para ela? Giulia Tonon: Vish, cara então eu falaria para a Giulia. Denise: Eu vi um vídeo sobre isso, eu achei fenomenal gente. Adriana Prates: É difícil fazer, mas é legal. Giulia Tonon: Giulia de 15 anos, Giu eu acho que você pode ficar mais tranquila em relação as coisas que as outras pensam, porque as coisas passam. Então, principalmente, a etapa da adolescência é sempre uma etapa difícil na vida de qualquer mulher, mas você vai conseguir passar muito bem por ela e se tornar algo até melhor do que você mesmo imaginava, do que você seria capaz de se tornar. Então você está no caminho certo. Denise: Le. Leandra Souza: Bom, há 10 anos atrás eu estava fazendo uma mudança de trajetória pessoal e profissional, então eu estava num momento de muitas dúvidas e hoje eu falaria para a Le, “Le, não tem problema se der errado”, e foi isso que eu aprendi nesses 10 anos. Se der errado a gente recomeça, a gente reinventa. Denise: Dri. Adriana Prates: Eu diria assim, “Dri, essas mulheres atemorizantes que vos fala fica tranquila, elas só são ainda pessoas muito inseguras”. Denise: O que é que eu falaria para a Denise de 35 anos? Dez anos atrás, eu falaria, “De, cara, você vai ser muito mais legal aos 45 então vai, porque o lugar que você está é bem melhor”. Meninas, muito obrigada, foi assim um prazer incrível, eu queria na verdade fazer outros programas, então pessoal, se vocês gostaram, querem outras mulheres, querem continuar esse papo osagilistas@dtidigital.com.br ou pelo nosso WhatsApp 31 996977104, fala para a gente o que é que você achou desse papo, ágil, sem falar de Agilismo. Um beijo, muito obrigada.
Denise: Olá pessoas e hoje estamos aqui na sede da DTI no Garden para falar de um tema que eu tenho certeza de que vocês vão gostar muito, que é mulheres e liderança. Não vou falar mulheres na liderança, embora, seja pertinente, porque a gente vai bem além disso nesse bate papo. E hoje aqui no estúdio nós temos quatro mulheres incríveis, uma é um auto elogio, porque eu sou a quarta. Leandra Souza, tudo bem? Leandra Souza: Oi Denise, tudo bem? Um prazer enorme estar aqui falando sobre um tem aqui eu gosto muito e nessa época tão especial, no mês das mulheres, a gente está falando de mulher, acho super relevante falar sobre mulher na liderança e contar um pouquinho dos desafios que envolvem o nosso dia a dia. Denise: Leandra aqui na DTI você tem um cargo especifico, porque toda vez que a gente vai colocar papeis para as pessoas a gente fica para anunciar, porque a gente é meio aversivo a essas nomenclaturas meio engessadas, mas assim só para as pessoas te situarem, qual que é o seu papel hoje? Leandra Souza: Realmente a gente não tem cargo definidos e isso é muito dinâmico aqui na DTI, então vou tentar descrever um pouco da minha rotina aqui no trabalho. Hoje eu atuo na liderança de tribos e como gestora de contas, o que é que isso envolve na prática? Envolve alguns aspectos, por exemplo, cuidar de pessoas é um deles, então toda a parte, eu estou envolvida na parte de recrutamento, direcionamento da trajetória dessas pessoas dentro da empresa cuidando e sentindo o mesmo, identificando problemas dentro do time, é claro que eu não faço sozinha eu tenho o apoio da equipe do RH dentro do time e de outras lideranças. Junto com o time também eu atuo na formação dos squads, a tribo ela é composta por squads e equilibrando também as habilidades das pessoas para a gente ter uma estrutura multidisciplinar, mas equilibrada. Denise: Você é uma jardineira? Leandra Souza: Sim, literalmente. Denise: Um exemplo do que é que é a liderança, que a gente falou já nos outros episódios que é a liderança que habilita, que tira impedimento. Você é o encapsulamento desse conceito, pelo o que eu estou entendendo. Leandra Souza: Exatamente, e um outro aspecto super importante além de cuidar das pessoas da tribo é cuidar do relacionamento com o cliente, sobre esse mesmo aspecto, é entender, porque cada cliente tem a sua especificidade, que tipo de gestão que é adequada para aquele cliente, alinhada com a cultura daquele cliente? E o nosso objetivo principal é garantir geração de valor do negócio para o cliente. Então é cuidar de toda esse relacionamento com o cliente, é estabelecer uma boa comunicação, é buscar métricas que mostrem a geração de valor, é envolver o marketing que pode ajudar a alavancar os produtos e buscar novas oportunidades nos clientes. E um terceiro aspecto que eu acho bem importante é cuidar dessa estrutura da tribo como um todo, a tribo na DTI ela é uma estrutura e a gente tem eventos que são da tribo, a gente divulga e a gente garante essa troca de conhecimento entre as tribos, porque as tribos elas não podem se isolar. Então a garantia é que as outras tribos, a gente consiga compartilhar com as outras tribos o que fazemos de bom e aprender o que não fazemos de tão bom. Então assim, é cuidar desse universo. Denise: Só isso tudo, Leandra. Leandra Souza: Bem complexo. Denise: Pessoas,  a gente imagina como esse tema é bem amplo que ele vai atrair o interesse de pessoas até que vão conhecer os agilistas por meio desse episódio, já vou colocar aqui os contatos, você pode mandar perguntas, elogios, sugestões, críticas por dois canais um o e-mail, osagilistas@dtidigital.com.br ou se você quiser o meio mais rápido WhatsApp, nós somos de BH então é 31 996977104. Porque como a gente espera conversar com pessoas, atrair pessoas que podem ainda não estar nesse movimento, ainda podem ter dúvidas em relações aos termos, inclusive, então não hesitem em mandar perguntas para nós, a gente adora. Bom, a segunda convidada essa alguns de vocês já conhecem, já esteve com a gente em outros podcasts é a Giulia Tonon. Bom, Giulia fala um pouquinho para quem ainda não te conhece. Giulia Tonon: Olá pessoal, meu nome é Giulia eu estou aqui de volta no podcast, já gravei alguns episódios aí no início do podcast com o pessoal. Hoje da DTI eu atuo na gestão do marketing da DTI, é uma área que se desenvolveu, cresceu muito ao longo dos dois últimos anos e hoje assim, se tiver alguma função mais especifica para mim seria de head de marketing. Mas a minha função hoje eu acho que casa muito com o que a Leandra estava falando sobre cuidar de pessoas, assim, a gente vai chegando num tamanho de equipe, numa complexidade de equipe, que hoje tem 25 pessoas dentro do marketing que minha função não é mais técnica, não é mais operação, minha função é fazer com que as pessoas, fazer com que essas pessoas todas  se desenvolvam bem. E assim, como a gente tem um time muito multidisciplinar, nós temos muito designers, muitos videomakers, temos publicitários também, temos até biólogos no meio disso, claro, que não atuando exatamente como biólogos. Mas assim são times de muitas peculiaridades que lidam com a empresa inteira, porque dentro do marketing nós temos uma divisão de 5 squads, 5 times. E tem o marketing (OPS) [00:06:19], que é operação do marketing na DTI, a operação descentralizada do marketing que eu falo um pouco mais sobre essa operação no episódio de marketing ágil, que já está no ar, ele é um episódio mais antigo, é um dos primeiros episódios. Tem o squad do podcast que é para a gente cuidar dos agilistas, cuidar das gravações dos convidados, tem o time de cases, o time de materiais institucionais que a gente chama de origem, e tem o time da DTI que é a nossa universidade que a gente (vem de) [00:06:48] cursos. Então são times muito diferentes entre si, com muitas peculiaridades e extremamente complexo, então assim, acho que hoje o meu grande desafio é conseguir entender essas complexidades, essas especificidades de cada um e tentar ajudá-los a se desenvolver da melhor forma possível. E isso, considerando que eu tenho 25 anos, então é relativamente tudo muito novo para mim também, assim, eu acho que foi um desafio muito interessante que o Szuster, o Vinição me deu e me dão desafios novos diariamente e assim, acho que está dando certo até o momento, sabe? Denise: Isso é bem interessante, que foi por acaso, a gente tem aqui o estúdio representantes de décadas, então a gente tem aqui de décadas, de pessoas na faixa dos 20 anos, dos 30, dos 40, virando para os 50. Então eu acho que a gente vai ficar um episódio um pouco maior, porque é muito conteúdo. E aqui, então nós temos duas pessoas da DTI, eu sou uma consultora externa que já desempenhei o papel aqui de head de (customer experience) [00:07:54], vou falar um pouquinho disso depois. Mas quero apresentar assim, a nossa outsider de hoje, a nossa convidada mega especial que é a Adriana Prates, eu sei gente que Adriana Prates é uma sumidade, uma celebridade para um nicho muito especifico que é alta liderança e eu vou deixar que ela mesmo se apresente. Mas talvez, para muitos dos nossos ouvintes eu acho que ela precisa se apresentar, ela é uma outsider na TI, então para um pouquinho Dri. Adriana Prates: Pois é, primeiro eu quero agradecer Denise no seu nome e no nome da DTI também. Sou fundadora então da Dasein, a Dasein completa agora em 2020 25 anos, atualmente, eu sou CEO da Dasein Executive Search, ou seja, eu tenho as funções executivas lá dentro, empresariais, cuido da expansão do negócio, tenho um papel também institucional. E um outro lado do meu trabalho, que é a parte mais técnica, eu diria assim, é o apoio que eu faço aos dirigentes dessas organizações, o foco da Dasein no recrutamento, no executive search de profissionais estratégicos e aí a gente trabalha com segmentos bem variados. Para citar para alguns aí dos anos 90, que estavam mais atentos a Dasein ela foi a protagonista pela contratação e implantação e fez parte de todo o processo de privatização da telefonia no Brasil, foi quando a gente iniciou com a Tim Maxitel ali ainda na rua Espirito Santo e os apoiamos a estarem presentes em todas as regiões do Brasil. E na sequência, veio a Claro, a Oi, foi uma época que a gente trabalhou muito, inclusive, com tecnologia. Depois disso, a gente teve uma trajetória muito focada na indústria de uma forma geral, na indústria de um modo mais tradicional. E eu vejo aqui tanto a Giulia, como também a Leandra falando dessa transversalidade o tempo todo, desses personogramas, nessa forma tão inventiva e tão fácil, tão sem obstáculos de fazerem as coisas acontecerem, isso me inspira muito. E eu espero que isso seja muito inspirador para os meus clientes, que é uma luta que a gente tem. A Dasein sempre foi uma empresa a frente do tempo desde o início eu lembro o primeiro (short list) [00:10:25] que a gente entregou que é aquele grupo super selecionado para ser entrevistado, para escolher a pessoa, a gente sempre fez questão quando era possível de ter uma mulher no mínimo ali no meio e em nome disso nós temos grandes mulheres hoje, desde aquela época de 95 até os dias atuais fazendo isso. E concluindo aí a minha apresentação, esses segmentos tradicionais, muitas vezes, ainda existe sim por questões de segurança, nós estamos falando de segmento de mineração, de indústrias químicas, o próprio agronegócio também. Anteriormente, a Dasein eu queria dizer também, eu falo, eu costumo dizer que eu tenho mais tempo de trabalho que de vida, porque eu tenho uma carreira de 10 anos e nesses 10 anos eu trabalhei no agronegócio, na construção pesada e tive a oportunidade também de atuar, me deu um branco aqui, desculpa pela idade também, na linha das perenes, mas foi agronegócio, mineração e construção pesada. E aí, com essas inspirações todas eu tive esse insight mesmo assim, “poxa, fazer algo que todo mundo já conhece e já faz, mas vamos inovar e trazer uma proposta diferente para o mercado e é esse o desafio constante nosso, como que a gente vai se manter a partir de agora, como a Dasein vai atrair, por exemplo, empresas como o DTI, nós somos relevantes do ponto de vista do serviço que a gente oferece. E eu quero trazer um pouco para vocês, para essa discussão esses desafios que a gente vive o tempo todo e essas verdades que eu sempre questiono a mim mesma, e as pessoas que caminham comigo de alguma forma, obrigada gente. Denise: Nossa, para nós é uma honra assim, eu falando como Denise de ter a Adriana aqui com a gente no estúdio, para mim é o luxo. Então, super agradeço em nome da DTI. E esse seu protagonismo mesmo de estar nesse lugar que tem que encontrar o executivo certo para aquela vaga, para aquele negócio com o nível de sucesso que a Dasein tem e ter essa oportunidade de achar mulheres, a gente vai falar muito disso, como é que a gente chega lá e se mantem lá, e qual que é a sua leitura, a mulher executiva ela tem um modelo de gestão diferente? Isso é mito, sabe? E que legal isso de você conseguir, porque assim, quando a gente fala em telecomunicações ainda mais quando começou a telefonia no Brasil era o que tinha de mais avançado, eu comecei também com a Telecom e aí ao mesmo tempo você tem esse ritmo do negócio de Telecom e você tem que trabalhar com a mineração, com a siderurgia que são outras demandas, também vai ser muito legal aprender com você. Bom gente, para quem não me conhece eu sou Denise, eu tenho uma empresa de consultora Denise Eler. E o meu papel nas empresas hoje me coloco como outsider mesmo, que é um termo que eu acho que define bem, eu entro na empresa um tempo compondo a equipe com objetivos, alguns bem específicos, normalmente, ajudar a desenvolver uma cultura centrada no cliente, foi a demanda aqui da DTI ajudar a posicionar o negócio dessa forma. E o meu papel é tipo o Greenpeace assim deixar de existir, à medida que aquele modelo mental vai sendo desenvolvido, vai diminuindo a minha participação, normalmente, aí as empresas vão tendo outras demandas, outros desafios e eu vou me deslocando para esses lugares. Mas vai ficar mais claro à medida que a gente conversa aqui. Então, lembrem-se vocês podem mandar perguntas, mas eu queria fazer esse episódio um pouco diferente, eu acho que a gente pode aprender muito umas com as outras. Então uma das questões que vocês podem começar a pensar é que pergunta vocês gostariam de fazer uma para as outras, está bom? Então (tenham) [00:14:36] duas perguntas, vão pensando e em um dado momento eu vou falar, “e aí, o que é que você gostaria de saber?” Mas a primeira pergunta para todo mundo é, gente, realmente em pleno 2020 ainda existem obstáculos, vocês sentem obstáculos, desafios por serem mulheres? Se sim, me fala um exemplo, fala, “caramba, àquela hora eu senti que se eu fosse homem seria diferente”. Até para dar tempo para vocês pensarem eu vou falar um pouquinho de uma situação que eu vivi recentemente, eu acabei de voltar de Israel, Israel caramba, o que é que você pensa? Israel aí é hoje referência em tecnologia, inovação, especialmente, no agro, na defesa, na inteligência. E eu me deparei com algo que mudou mesmo a minha forma de ver as coisas, eu passei por três hotéis e em dois deles um em Telavive e outro em Jerusalém e eu senti uma indisposição das pessoas, dos atendentes, dos colaboradores do hotel em atenderem mulheres. Eu estava num grupo de 20 pessoas, que era um grupo misto e as vezes eu chegava para o café e chegava sozinha, eu sentia um tratamento completamente diferente, uma impaciência que eu comecei a perceber o seguinte, “essa pessoa não está confortável em servir uma mulher”. Então eu me dei conta que não tinha ninguém, ninguém, nenhuma mulher trabalhando nesse hotel, todos eram homens, porque até trabalhar, foi essa a conclusão que eu tomei, até trabalhar no hotel já era um privilégio masculino. E aí o que é que eu me dei conta? Hoje o discurso, o tema feminismo voltou à tona com muita força, ou neofeminismo alguns gostam de falar assim, e aí eu finalmente conclui algo que talvez seja um susto para vocês, que da importância que foi mesmo esse movimento no passado do feminismo e eu não tinha consciência que eu estava vivendo aqui no Brasil um resultado de uma conquista. Ok, tem exagero, tem gente muita louca, muito freaky, mas assim, que isso foi conquistado. Porque eu imagino que se eu voltasse a, talvez, 40, não sei, até menos essa situação que eu vivi lá, talvez, eu sentisse aqui. Então gostaria agora de passar, quem quer comentar sobre isso, sobre a sua própria história como é estar hoje, nós temos quatro mulheres aqui em posição de liderança, isso foi conquistado, vocês (assistiram) [00:17:21] atritos para chegar até aqui, como foi, Leandra? Leandra Souza: Bom, eu tenho uma visão assim parecida, pelo o que eu entendi você tinha até ir a Israel porque eu nunca fui, nunca atuei ativamente com o feminismo e eu sempre, por uma certa fase da minha vida eu achei que esse era um aspecto que não me incomodava, que não me interessava muito. Eu acho que é por causa das experiencias que eu vivi, com certeza sim. E, realmente, assim, na minha infância, eu tenho irmãos, então não tenho irmã Denise: Só irmãos homens? Leandra Souza: Então eu tive que aprender a me virar com eles, então eu brincava com eles, de certa forma, falava a linguagem deles. Denise: E são mais velhos? Leandra Souza: São mais velhos que eu. Denise: Você é a caçulinha? Leandra Souza: É. Então eu sempre tive facilidade assim digamos de navegar no mundo masculino. E aí eu fiz ciência da computação, um curso em que a maioria da minha turma eram de homens, e eu tenho grandes amigos que já tem alguns anos que eu formei, alguns muitos e que são meus amigos até hoje e vim trabalhar numa empresa, na Tam, que era empresa de automação que tinha mais homens. Então assim, eu sempre convivi muito no meio masculino e nunca percebi machismo, nenhum desconforto nesse sentido. Então assim, por alguns momentos eu falei, “gente, será que eu estou blindada disso? Será que eu aprendi a lidar com isso?” Denise: Será que isso existe? Leandra Souza: Será que isso existe? Denise: (Tem um momento) [00:18:59] a gente fala, “gente esse pessoal é muito mimizento, não sabe se colocar”, não é? Acho que a gente tem isso em comum na nossa leitura. Leandra Souza: E isso também me incomodava, porque assim, a gente vê tantas situações em que as mulheres passam, sofrem situações de preconceito e que não conseguem alcançar posições por serem mulheres. Então realmente isso era um pensamento que me incomodava e eu não tinha uma definição, e ainda não tenho. Mas eu vivi uma situação há algum tempo que me mostrou uma coisa interessante assim, a gente estava num momento muito complexo do projeto, muito tenso de reuniões muito tensas e eu não conseguia me posicionar. E aí depois de uma dessas reuniões tensas um colega de trabalho falou, “nossa, hoje eu entendi como é difícil ser mulher num ambiente masculino”. E aí eu falei para ele, “por que?” Falou, “nossa, porque as pessoas que estavam ali foram extremamente machistas com você”. E eu não tinha percebido. E aí eu fui para casa e aquele eu fiquei pensando sobre vários outros momentos que aquilo tinha acontecido e eu não tinha percebido, e aí assim, naquele momento eu senti na pele assim o que é você não ter voz ativa porque é mulher. Denise: Mas depois que ele falou e que você teve que refletir você percebeu assim, em que momento? Você não tinha percebido, mas depois, “opa, realmente aquilo foi”. Mas dá um exemplo, você falou da voz ativa. Leandra Souza: Da voz ativa de você começar a falar na reunião e ser interrompida o tempo todo. E a outra pessoa que estava do meu lado do meu time, era homem e muitas das mensagens que eu tentava transmitir naquele momento eram transmitidas pelo o meu colega de trabalho, esse que me chamou depois para a gente conversar. E aí ele falou, “olha, você precisa bater na mesa”, falei, “cara, mas eu não sei bater na mesa”. Aí ele falou assim, “mas é batendo na mesa que essas pessoas vão te ouvir, porque elas não sabem conversar da forma que você conversa”, e aí eu bati na mesa. Denise: Aí você aprendeu a bater na mesa? Leandra Souza: É. E assim, e esse dia foi importante para mim, isso me marcou profundamente. Denise: E quando você fala eu bati na mesa, especificamente o que significa isso? Literalmente (faz e acontece) [00:21:18]? Leandra Souza: Foi literalmente bater na mesa. E isso foi importante para mim, pessoalmente, foi importante para o caminho daquele trabalho que a gente estava fazendo, a partir dali eu realmente comecei a ser ouvida e as pessoas perceberam que aquilo me incomodava. E eu não precisei falei abertamente sobre isso, a mudança de postura foi suficiente. Então assim, esse foi um momento que me marcou muito assim, que nesse momento eu senti um pouco do que muitas pessoas falavam sobre machismo, sobre não ter voz ativa, sobre como ser mulher pode ser diferente de ser homem em algumas situações. Denise: Interessante isso que você falou, “não, mas aí eu bati na mesa mesmo”. E você hoje está nesse lugar, no lugar de líder, de referência, de inspiração, e hoje qual é o seu estilo? É esse de bater na mesa? Leandra Souza: Não, literalmente não. Esse não é. Eu acho que assim, isso me mostrou que se for preciso eu vou, entre aspas, aqui agora eu vou bater se vou precisar bater na mesa, mas esse não é o meu estilo e não é o estilo das pessoas que trabalham comigo. E eu acho que foi muito por isso, “gente, mas isso não existe”, porque as pessoas que trabalham comigo e que trabalharam comigo e que eu convivi, não me apresentaram esse mundo, desde a minha família, a universidade e as empresas que eu passei não me mostraram muito isso. Então eu não sabia lidar com isso e questionava se isso realmente existia. Mas, literalmente esse não é o meu estilo de trabalhar. Denise: Ótimo, ótimo caso para a gente começar. Adriana essa coisa de que a mulher para ser ouvida, para conquistar o seu espaço que ela tem que adquirir um comportamento conhecido como masculino, você ouve isso? Você já passou por isso? Adriana Prates: Eu queria colocar isso assim, basicamente, são inúmeras formas, mas eu queria colocar em três. A primeira eu quero aproveitar um pouco disso que a Leandra traz, porque é muito bonita a forma que ela traz a situação, assim como a maioria de muitas mulheres que atingiram cargos de poder e que tem um  processo decisório mais alto, mais elevado, elas fazem isso de uma forma tão intuitiva elas não vão percebendo. Mas ele teve uma oportunidade num momento, ou seja, ela não conseguia exercer uma auto crítica de que o potencial dela poderia ser mais explorado ainda do que já estava sendo. Então, teve alguém que deu simplesmente essa dica para ela, e o que ela faz é algo incrível que é, “poxa, eu estou aqui com uma oportunidade de eu rever uma atitude, uma postura, eu vou poder contribuir mais,” porque você conseguir ter mais credibilidade, transmitir isso para o outro, ser mais ouvida é uma conquista e aí eu acho que é onde ela cria uma conexão profunda com ela, com o estilo dela, isso chama autoconhecimento. Então essa é uma linha mais rara de acontecer, mas brilhante. Quero falar agora da minha história pessoal, a minha história pessoal eu gosto de me remeter ali ao Norte de Minas, o fato de eu me considerar uma sertaneja mesmo, a terra onde nascem os fortes, costumo brincar. E então a gente acaba realmente assim, eu senti isso raríssimas vezes, talvez, não tenha percebido porque foram muitos desafios, eu vim sozinha para cá e tive que criar solução e resolução para muitas coisas na minha vida e assim eu fui construindo essa trajetória, mas sempre busquei bons especialistas também para me ouvir, me julgar, para me apoiar, eu acredito que isso faz muito sentido. E a última perspectiva que eu quero trazer, inclusive, me perguntaram, isso é muito comum pela a minha área, por ser uma área que, de certa forma, as pessoas até fazem essa cobrança. Poxa, mas um pouco do resultado de ter 3 a 4% apenas de mulheres no poder no planeta é relacionada aos headhunters. Denise: Que ótimo você colocar isso, é interessante. Adriana Prates: E ali, desde o início nós sentimos essa necessidade, mas nunca por ser mulher, nunca por ser mulher, sempre por perceber que é a equipe, a equipe, a diversidade, isso a gente sempre teve isso no nosso DNA, isso enriquece uma equipe. Misturar pessoas de classes sociais diferentes, o Brasil permite essa mobilidade social, de mentalidades diferentes, homens, mulheres, outros gêneros, isso faz toda a diferença num processo decisório que tem a sustentabilidade e que vai abarcar um volume maior de soluções. E aí quando me questionaram sobre isso, “Adriana, como é que você vê essa questão das mulheres? Não consegue?” Eu comecei a investigar, a pesquisar, nos inúmeros casos que eu tinha contato, que atendia de uma forma ou de outra, o que é que acontecia com essas mulheres? E eu me recordo que a descoberta que eu fiz há uns 15, 20 anos foi que um dado momento da carreira da mulher quando ela se tornava gerente, aí nós estamos falando de cargos de diretoria, que é um número menor, que são esses 3%. Então elas não atingiam os níveis gerenciais, elas acabavam a ter uma análise do custo benefício, coincidia com o momento em que elas estavam tendo filhos e que, de repente, isso voltou com muita força, novamente, do casal conversar e ver qual vai ficar criando ali, cuidando da cria e qual que vai trazer, vai ser o provedor da casa. E eu percebi que era a própria mulher que nesse momento ela falava, “eu quero um tempo, eu não quero crescer mais, não quero ascender uma diretoria porque isso vai implicar de eu estar numa ponte área o tempo todo. Eu quero ver meu filho crescer”. A mulher escolhia simplesmente assim, ela escolhia não crescer mais. Aí nós podemos dizer assim, “poxa, mas isso é meio estranho, porque o que a gente entende é que as mulheres não têm oportunidade”. Então o que eu quero acrescentar é aí que entra a grande sacada que o mercado tem na última década, por que é que a mulher fazia isso? Porque as empresas elas não tinham nenhum único entendimento que elas precisavam criar um ambiente atrativo para as mulheres, elas estavam tratando as mulheres como peso. Denise: As próprias mulheres também em cargo de liderança são isso que você está falando também? Não? Adriana Prates: Não. Denise: De não criar as condições? Adriana Prates: Não, a empresa não tinha sacado que é muito bom ter mulher, que mulher faz diferença, que o modelo mental dela é fantástico e como que ele agrega valor e muitas empresas aprenderam isso rapidamente. Mas elas precisavam criar horário flexível sim, Denise: Creches. Adriana Prates: Muitos outros estímulos e incentivos para que essa mulher quando ela chegasse naquele ponto chave, naquele estagio produtivo da carreira executiva dela que, normalmente, se dava entre 30, 40 anos que era também quando ela tinha os filhos, que esses filhos pudessem fazer parte do trabalho delas, ou o pet pudesse ir junto. E as empresas começaram, mesmo as tradicionais que é o foco que a gente trabalha e isso tem justificado em muito o fato de que as empresas hoje abrindo esse espaço, muitas mulheres nesse momento elas falam, “não, agora eu tenho interesse por uma carreira executiva porque a empresa compreende, ela me apoia”. Inverteu a questão. Denise: Adriana, por que agora na tua opinião? Você está falando assim, a mulher tem um mindset incrível, realmente é diferenciado, isso não é mito, isso que você está dizendo, você concorda que a mulher tem uma forma diferente de ver o mundo, de administrar, de lidar com os desafios? Mas por que agora as empresas perceberam isso? E a gente está vendo um crescimento de um número de mulheres no (C) [00:29:36] level e como CEOs de empresas. Adriana Prates: Essa pergunta é muito importante porque a empresa não adianta falar, a empresa privada, por mais valor que a gente quer entregar para a sociedade, coisas boas, maravilhosas e a empresa ela precisa de ter rentabilidade alta, elevada. E ela não é boba, ela começa a contratar e as grandes consultorias globais e começa a detectar que as empresas presididas, gerenciadas por mulheres tem características diferentes, tem equipes mais motivadas, tem uma energia de dinâmica de funcionamento melhor, conselhos de administração hoje em dia ainda é 98% masculino. Denise: 98 Adriana é isso? Eu ache que já estava mais. Adriana Prates: Não, não, não. Para você ter uma noção então quando você fala hoje é porque mostrou que ter mulher no poder dá dinheiro, em síntese, assim a resposta mais fácil que eu posso dizer. Denise: Isso está distribuído Adriana, desculpe te interromper, por segmentos ou não, empresas de tecnologias é assim, ou isso é geral tem esse dado ou não? Adriana Prates: Empresas de tecnologia dada a escassez e hoje tem um recrutamento global, se tiver um ratinho que fala que faz qualquer coisa ele contrata, então assim, não dá nem para a gente. Denise: Escassez, a Giulia vai poder falar bem sobre isso. Adriana Prates: Se falasse, “esse poste aqui vai dar resultado”, não dá nem para entrar minha filha. Denise: (Aquecido) [00:31:13] mesmo. Adriana Prates: Mas assim, essa necessidade ela é generalizada, as mulheres estão se preparando mais, por quê? Aí a gente volta no histórico da mulher e a gente lembra daquela coisa da velocidade de largada e a de chegada que o homem e a mulher tem, historicamente dizendo, as mulheres pelo estimulo que elas tinham elas demoravam um pouco mais a se introduzir pelas matérias mais de exatas, de finanças, que é o combo que um gestor tem que ter. Ele tem que entender de gente, ele tem que entender de várias coisas, mas de negócios, de finanças, de operações. E aí, nessa geração que é a geração da Giulia não existe isso, eu tenho duas filhas praticamente na idade delas, que as vezes ouvi falar, “eu fiz um trabalho da caminhada dos privilégios para mostrar sobre racismo”, e não sei o que e ela simplesmente falaram, “mãe a gente não sabe o que você está falando, na nossa escola não tem nada disso. Eu acho que você é de outro planeta”. Então são coisas e o marcante, e para marcar isso da questão da mulher eu sou jurada de uma premiação nacional que chama Prêmio Executivo de Valor há 10 anos, isso aí vai ser o meu décimo primeiro ano, os resultados saem em maio. É premiada 23 categorias relacionadas aos 23 setores da economia mais proeminente e ganha um em cada categoria e tem sete categorias extras, que é jovem, liderança, melhor conselheiro, a startup de mais vanguarda o melhor em tecnologia, a melhor ONG, coisas dessas naturezas. Mas o que eu quero dizer na média, na média gente desses 10 anos que eu estive por trás, que eu fiz a bancada desse júri, que varia entre 8 e 14 pessoas e consultorias, a ESC que é a certificadora que certificou a da Dasein a média de vencedoras desses agora 28 a 30 lideranças, são 2 mulheres, isso quando assim a gente comemora assim, solta foguete, por exemplo. Teve uns cinco anos, por exemplo, que no máximo foi a Luiza Trajano que ganhou. Denise: Fenomenal. Gente, a Luiza para mim é a maior, a gente sempre cita Magazine Luiza e Luiza. Adriana Prates: Mas eu quero dizer, mas nós não podemos ter um mundo comandado pela exceção. E aí, voltando para trás o que a gente percebe o ano passado nós tivemos porque hoje nós tivemos duas pessoas fantásticas na área, por exemplo, de TI que são presidentes mulheres. A da (EBM) [00:33:54] é mulher, que é a Ana Paula, a Tânia Cosentino que é da Microsoft que ela é, a CEO Brasil era da Schneider e nós temos da Microsoft América Latina que é a Bellizia. Denise: Não tem uma na HP também? Adriana Prates: É. Então você percebe que nesse campo de tecnologia de soluções de uma forma mais ampla, já tem muitas mulheres fazendo isso e isso não é por mero acaso. Giulia Tonon: E fora a questão do acesso a informação também hoje não é só mais uma questão de a mulher não poder escolher certos cursos, ou ter um estímulo grande em casa para ter um determinado comportamento. Isso eu até já vi na minha família assim, as mulheres são mais estimuladas a um determinado tipo de curso, enquanto os homens são estimulados a cursos mais de exatas, mais de engenharia. A minha formação é em economia e mesmo na  minha turma de 40 alunos era um quarto de mulheres, 25% de mulheres, e quando eu formei devia ser menos ainda assim. Claro que as turmas vão se misturando algumas pessoas desistem tanto para homens quanto mulheres, mas hoje eu enxergo que na tecnologia e nessas áreas que a gente atua assim, a gente começa a ter uma protagonismo e uma visibilidade maior até pelos tipos de meios que a gente tem. Então, a questão da mulher e não só da mulher na liderança, mas assim, dos diferentes tipos de mulheres, tem mulher branca, tem mulher negra. Denise: Mulher é bem coletivo, é mulher é muita gente, muito tipo, isso é importante mesmo. Giulia Tonon: Quando a gente começa a desmembrar esses tipos diferentes a gente ainda vai entrando em outras minucias e hoje como a gente tem Twitter que qualquer coisa explode rapidamente, tem o Instagram aquela questão das fotos, do empoderamento do corpo feminino, tem Facebook que também já está aí há mais tempo. Mas a gente tem um acesso à informação muito maior, e acesso à informação, a educação, a visibilidade da mulher, esses números começam a aparecer, porque não é só um número que está guardado lá num escritório nos Estados Unidos ou na sua cabeça,  é um número que você pode jogar na sua rede que vai se espalhar para outra rede e que de repente está todo mundo sabendo disso, e isso começa a ficar e virar um incomodo real assim. Porque as mulheres são super capazes, tem que estar naquelas posições, não só por uma questão de diversidade, mas por uma questão de representatividade também assim. E até recentemente eu estava vendo que um pais qualquer da Escandinávia, eu não sei se é Finlândia, mas que a questão da licença paternidade está ficando pareada de mulher, seis meses, seis meses. E isso faz total sentido, porque é obvio que para a empresa vai ficar uma coisa assim, vai virar um fardo muito maior, porque “o cara vai sair uma semana quando o filho nasce, mas a mulher vai sair seis meses”. Isso é assim, a própria sociedade empurra isso para a gente, a gente dá como algo costumeiro. Leandra Souza: Isso é bem interessante na época em que eu vivi em Toronto, eu comecei a ficar implicada assim de manhã o homem, e lá eles tem muitos filhos, não são muitos filhos, mas assim dois filhos muito jovens, então você vai o homem empurrando um carrinho com dois bebes. E eu falei, “gente, por que tanto homem empurrando carrinho com dois bebês?” E o Canada é conhecido por ser um país de uma política multicultural muito grande, respeitar muito, de zelar muito por essa questão da igualdade de direitos de tratamento. E aí eu perguntei para uns colegas que moravam lá e eles falaram o seguinte, porque aqui o casal pode escolher quem vai pegar a licença e, normalmente, eles escolhem o cônjuge que ganha menos pelo impacto no orçamento. E olha que interessante, eu via eram muitos homens, o que me fez concluir que lá em alguns lugares as mulheres ganhavam mais que os homens por qualquer motivo que seja, interessante. Uma outra coisa que eu achei também interessante. Adriana Prates: Eu queria emendar com uma coisa, concluindo aquele raciocínio que eu estava tendo, o problema real, concreto, aí vamos falar de 2020 mesmo e que é difícil, eu não falo isso nos processos que a gente faz, porque a gente tem já um valor que o cliente passa ali que é informado para aquele grupo e na alta gestão mesmo isso é menos presente. Gente, salário é um absurdo ainda as diferenças de salário, isso aí é irritante mesmo, porque todas as empresas vamos imaginar um gerente hoje está com a média, vamos colocar uma coisa bem generalizada, 20 a 30 mil. Então eles falam que a mulher está no mesmo quadrante do homem, aí contrata a mulher por 20 e já contrata o homem por 30. E isso são praticamente, assim. Denise: Isso existe então? Adriana Prates: Não, existe assim, praticamente 100%. Denise: Escancarando, é aceito? Adriana Prates: Das empresas que eu conheço. Eu acho que a grande causa agora é a equiparação salarial, essa é a grande causa que a gente precisa bradar. Denise: É a bandeira. Adriana Prates: Porque é irritante, você vê a mulher entregando igual mais e você vê aquela executiva ali, falei, “gente”, é revoltante, é simples assim, é revoltante. Eu não deixo de falar isso para as pessoas que de alguma forma eu consigo influenciar, e elas conseguem mover normalmente, “os (headquarters) [00:39:40] estão lá na Europa, ou estão em outros países, nas multinacionais estão aqui”. Não é coisa fácil, porque lá é pior ainda e não sei o que. Muitas vezes estão na Finlândia, mas quando vem para um país emergente muda a regra aqui. Denise: Vocês viram uma campanha publicitaria eu não lembro qual era a marca que fizeram tipo um reality assim, chegavam os clientes num restaurante e tinha os pratos e falava, “ok, se você é homem 30% mais caro”. Vocês viram? Fenomenal, chamando atenção disso. Aí o homem falava, “o que é que é isso? 30% só porque eu sou homem? Eu não vou pagar nunca”. Aí chamava o gerente, aí eles falavam, “olha, isso é a realidade se você homem, se você ganha 30% a mais porque você é homem nada mais justo que você também pague”. Aí eles, “vou pagar”. Exatamente, Giulia você queria concluir acabei de interrompendo. Giulia Tonon: Não é porque eu ia falar das questões de publicidade de recentemente teve uma marca de cerveja que lançou uma publicidade não em questão de valor salarial, porque geralmente cerveja é uma coisa de homem, voltada. Denise: E a mulher está ali como objeto. Giulia Tonon: Exatamente, a gente está vendo várias marcas que estão tentando quebrar isso e assim, a gente sabe que é por uma questão, não porque necessariamente a marca acredita nisso, mas porque ela precisa fazer isso. Adriana Prates: Politicamente correta. Giulia Tonon: Exatamente, e o comercial é as pessoas chegam no bar e o garçom chega com uma cerveja, um drink e ele oferece a cerveja para o cara e o drink para a mulher e aí eles trocam, a mulher pega a cerveja e o cara pega o drink, tipo, “assim eu sou homem, mas eu gosto de drink, eu sou mulher, mas eu gosto de cerveja”, assim, sabe? Então a gente vê isso enraizado assim na sociedade, que aí pega a questão salarial e aí quando você começa a ver porque é que o salário da mulher é menor e do homem é maior, são várias questões que vem desde a educação, vem lá dos comportamentos de dar boneca para a mulher e dar o carrinho para o cara, os cursos que você vai fazer. O comportamento que a gente tem que ter, porque assim, eu até me identifico um pouco com a Leandra porque eu também tenho irmãos homens mais velhos e assim, família cheia de homem. E assim, para mim nunca foi muito difícil eu me posicionar porque eu já cheguei sabendo conversar falando a língua desse pessoal, falando a língua dos homens, digamos assim. Mas eu vejo que é difícil para outras mulheres também assim, de não só ascender, mas assim de entender porque é que as vezes a sua voz é calada no meio de um tanto de homem e que elas se sentem intimidadas assim no meio de discussões com homens, para mim é uma coisa tipo assim, “não eu vou falar, não concordo, eu vou discordar aqui”. Leandra Souza: Até porque sempre foi assim? Giulia Tonon: Exatamente, sempre discordei, se bater de frente eu também bato assim, isso não tem problema nenhum. E aí então assim, eu acho que quando a gente começa a pensar nisso tudo é uma questão social muito maior do que a gente imagina assim. E até eu tenho uma pergunta para você Denise, eu vejo assim sempre você postando muitas coisas das empresas que você vai e são empresas geralmente mais conservadoras, que estão ali querendo se transformar e, geralmente, você tem que lidar com um corpo de homens assim muito grande e homens conservadores assim. O que é que você enxerga que é o seu assim, eu acho que é claro que é na trajetória, você já deve evoluído muito nesses desafios, mas hoje qual que você enxerga que é o seu principal desafio nessas empresas conversadoras cheias de homens? Denise: Até para ilustrar, para ficar mais palpável, comecei a trabalhar com consultoria em 2009. Então quer dizer, eu já tinha me formado há 10 anos e comecei a trabalhar em 2009, especificamente, com consultoria. Um dia, numa dessas empresas tradicionais, líder de mercado e aí eu sugeri de a gente levar, a gente estava com o desafio de desenvolver mentalidade de inovação mesmo, de criatividade eu sugeri a gente levar uma executiva premiada, referência no mercado da Natura. Falei assim, a Natura na época era a grande referência, falei assim, “por que é que a gente não traz alguém, a fulana da Natura para falar par a agente de inovação?” E aí foi assim queima roupa, que mulher entende de carro? E que mulher entende de carro? Isso foi há 10 anos e já se transformou. Leandra Souza: E como você saiu disso? Denise: Na época eu não sai, foi tão à queima roupa que eu entendi e eu acho que eu fiz o que eu tinha que fazer mesmo, que era processar aquilo e entender onde eu estava que não era por aquele, não era batendo de frente, entendeu? Eu entendi que tinha um para casa que eu tinha que fazer de entender, de empatia, que a gente não muda na força, a gente muda, a partir do momento em que você entende, “o que é que está por trás desse discurso? Onde que eu estou? Onde você está Denise? Acorda, acorda onde você está”. Não era para ter a executiva da Natura naquele momento, agora é o contrário eles é que pedem, eles é que chamam, “vamos chamar Magazine Luiza”, eu detesto o termo empoderamento, você não empodera quem tem poder, eu gosto assim do reconhecimento e tal. Então e aí eu falei Magazine Luiza porque tem esse discurso, tem essa consciência de que não é dar um privilégio para a mulher, mas que historicamente a mulher foi privada do seu lugar de direito, é isso, nós temos um direito, a gente não está querendo nada que não é nosso. Hoje eu postei no Instagram uma frase da Marilyn que esse símbolo da loira burra, ela teve, num dado momento ela fala, “eu tive que vestir esse personagem para ter o poder, era a minha via de exercer o poder”, e que mulher poderosa. E ela fala, “gente, toda mulher que quer ser equiparar ao homem está sonhando muito baixo”. É uma provocação, é uma pimenta. Então Giulia, assim, hoje eu vejo que eu tenho esse meio termo trabalhei com empresas bem tradicionais, mas historicamente, assim, muito mais com empresas de tecnologia, na verdade o tempo que eu trabalhei com empresas tradicionais é menor na minha trajetória. Eu comecei a trabalhando com Telecom que é ao contrário, super inovadora e numa Telecom que era a Telemix Celular, sempre falei com vocês que até hoje foi uma grande escola para mim, em que o RH era no mesmo andar da TI. Então já era diferente, aí depois sim fui trabalhar, aí sim a entender como consultora várias empresas, ainda mais em Minas que é o lugar onde eu mais tenho clientes que são, mais comum ter a siderurgia, a mineração, a automotiva. Mas no geral, trabalhei mais com tecnologia, então não posso falar que na minha vida vivi muito pouco, senti muito pouco essa questão. Tive que ir para Israel para ser empática com as pessoas, não só as mulheres, comecei a entender o que é que é a questão do negro, eu nunca tinha estado numa posição de me sentir privada de algo só por pertencer a um grupo, e nesse caso, por pertencer ao grupo mulheres. Então isso abriu a minha mente para uma série de questões, mesmo das minorias, porque eu acho que quando a gente levanta a bandeira da mulher, da igualdade de salário, a gente está abrindo portas para outras questões, outras questões que são igualmente pertinentes. Eu tenho uma colega que ela criou um selo a Oficina Amiga da Mulher, Barbaria Brier e ela falou isso comigo, falou, “Denise sabe o que eu percebi? Quando a gente ajuda uma oficina mecânica a ser mais, a estar mais atenta ao atendimento, que ela percebeu que muitas vezes a mulher se sentia enganada”, nos sentimos, um tratamento diferenciado porque já assumem que a gente não sabe, então eu posso te dar um preço maior. Eu fui o tempo todo roubada em Israel e em Jordânia assim, na hora que iam me cobrar chegaram a cobrar, as vezes, numa compra 300 reais a mais, me falaram um preço, na hora de pagar 300 reais a mais, isso não é com mulheres, isso é da coisa de você ficar esperto o tempo todo querem te passar a perna. Mas eu senti que se eu estivesse com um homem, tanto que quando eu estava com algum colega e eles presumiam que era o meu marido era diferente o tratamento. Mas aí, nesse caso da minha amiga ela falou o seguinte, “olha, eu percebi que quando a gente ajuda uma oficina mecânica ser amiga da mulher, ela passar a ser amiga do idoso, amiga do pet, amiga do LGBTQI lá, desse universo. Então é importante nós entendermos que é uma coisa muito maior. Giulia Tonon: Exato. Assim, para mim no que eu vivo hoje o meu maior desafio como mulher assim aqui em BH que já é uma cidade mais tranquila, assim, quando a gente vai parar para pensar em questão de violência, tranquilo assim em relação ao Rio, a São Paulo, é a segurança. Às vezes, eu moro na Savassi assim, eu estou num bar a três quarteirões da minha casa com amigos que também moram as vezes a três quarteirões ali do bar. E eu tenho que pedir um Uber para ir para casa, três quarteirões, se eu estou de noite, se passou das 22:00 se está chegando ali meia noite eu não tenho coragem de ir para a casa sozinha. Denise: Muito pertinente você comentar isso. Giulia Tonon: Não é por perder o meu celular, é por outras questões. Denise: Se sentir fragilizada. Giulia Tonon: É exatamente. Adriana Prates: Vulnerabilidade mesmo. Giulia Tonon: Coisas muito piores podem acontecer assim. Leandra Souza: E eu tenho uma filha de seis anos e eu fico pensando como é que eu vou preparar a minha filha para esse mundo, e para enfrentar todos esses desafios? Denise: Você tocou num ponto muito legal, vou voltar para você, mas só porque eu queria também ouvir a Adriana e Giulia a respeito disso, a gente fala muito do outro, como o outro nos trata, o que é que o outro nos permite? E aí da mesma forma que cobraram a Adriana, você é uma hunter, você também é corresponsável por não ter tanta mulher em cargo de poder. E a questão da mãe, da criação e você antecipou isso, mas que daí eu vi vocês duas, o tanto que nós também temos responsabilidade e, muitas vezes, percebendo ou não a gente também torna essa caminhada das meninas também pode ser com mais atrito ou com menos atrito, quando a Giulia me perguntou o desafio eu lembrei desse, ela falou da violência. Falo muitas vezes o (pré-conceito) [00:50:14] que eu senti não foi do homem, foi de mulheres. E aí queria, o que é que você sente que é o seu maior desafio em relação a criar a sua filha? Leandra Souza: Eu sinto um pouco o impacto da exclusão, da opressão com relação a mulher. E o que eu transmito para a minha filha é que é igual, sabe? Que tem que ser igual, e que ela tem que se posicionar igualmente e ela não pode permitir que as pessoas nenhum amiguinha, e nenhum amiguinho seja excluído de uma brincadeira ou de uma atividade por nada, ou porque é menino, ou porque é menina, ou porque é negro ou porque mora numa comunidade de risco, por nada disso assim, é mostrar para ela que as pessoas tem que ser tratadas de forma igual, independentemente de onde vem. Denise: E eu completaria aí que a diversidade é força, num mundo VUCA, num mundo tão complexo diversidade é força. Leandra Souza: Esse é um outro ponto que eu queria complementar, fazendo um gancho com o que a Adriana falou que eu achei super interessante, quando ela falou assim, “que as mulheres quando elas alcançam cargos de gerência isso casa com o momento da maternidade”. Hoje, por exemplo, se esse modelo não tivesse mudado nos últimos anos e o meu marido, a gente não pudesse compartilhar as atividades da rotina da nossa filha, eu não poderia trabalhar. Então assim, hoje a gente realmente divide tudo, então, às vezes, eu preciso abrir mão de uma reunião, às vezes, ele precisa abrir mão de uma reunião dele porque a minha filha está com febre, alguma coisa. E quando a gente fala de diversidade, de multidisciplinariedade, a gente precisa de pessoas que vivem experiencias diversas, então assim, a maternidade é uma delas, e quando a gente fala de maternidade a gente fala de generosidade e para mim liderança é generosidade, sabe? Quando você acredita no time, quando você empodera o seu time, ou proporciona condições para que as pessoas se desenvolvam isso é ser generoso, e a maternidade me trouxe muito isso assim, então eu acho que hoje muito do que eu faço no meu trabalho tem a ver com a maternidade. E a maternidade também não é só passar mão na cabeça, a responsabilidade que eu tenho com a minha filha não é só de acolher e concordar, é direcioná-la, é orienta-la, e as vezes, repreende-la. Então assim, eu tento trazer um pouco disso para o meu trabalho, entendeu? Teve uma situação que eu fiquei muito feliz que chegou um integrante novo no time, e a Ana que é da nossa equipe de RH, ela estava apresentando o time e tal, aí eu cheguei, “seja muito bem-vindo”, (inint) [00:52:46] falou assim, “você é quem no time?” E aí como eu falei no começo é tanta coisa, aí tinha alguém do lado eu falei, “Leandra é nossa mãe”. E eu me senti muito feliz naquele momento, porque assim, eu sou um pouco mãe mesmo nesse sentido todo assim, de cuidar, de orientar. Denise: Desse conceito de mãe? Que as vezes deixa ir para a pessoa se desenvolver? Leandra Souza: Exatamente. Mas assim, o desafio de criar uma menina para esse mundo que a gente vê hoje, sabemos lá como ele vai ser daqui há 10 anos é um grande desafio e a gente precisa se reinventar o tempo todo para conseguir fazer isso bem, é bem difícil. Denise: E você Dri, qual que você acha que é o grande desafio? Adriana Prates: Com as meninas? Denise: Não, assim, você nesse papel que você está de tanto de ser influenciadora, de poder interferir nesse sistema, mas de mais mulheres em cargos de  lideranças, pode falar de você como líder, como empresaria que é um ponto que a gente nem comentou aqui ainda, qual que é o desafio de ser a empresaria? Ou também do que você tem ouvido das suas clientes, dos executivos, qual é o desafio para mais mulheres em cargos de liderança? Adriana Prates: Olha, o desafio assim do ponto de vista de a gente como mãe, eu acredito que é isso que você traz, isso que a Leandra trouxe já vai viver realidade diferente, ela já vai ter a mãe como modelo, isso está bem mais simples, não se pode mais considerar um desafio. Eu ouvi uma frase lá em casa um dia desses que me incomodou um pouco, que aí eu acho que a gente começa a pecar pelo excesso, sabe? É como se fosse “elas e eles”, sabe? E aí eu começo a pensar que o desafio agora é a nossa sensibilidade para compreender o que é que essa mudança tão abrupta das mulheres provocou nos homens, provoca nos homens, na auto estima deles, de como que eles estão se sentindo também ao lidar com mulheres, as vezes, distorcidas. Eu vejo essa fala, é muito inspiradora a fala da Leandra essa fala tão assim, mãe, humana, o que eu tenho percebido mulheres no poder ainda com jargões, “eu tenho que primeiro a coisa é cortar o cabelo, eu tenho que andar diferente, eu tenho que falar grosso”. E eu acredito que a gente traz o que a gente acrescenta é a nossa intuição, é a empatia, nossa sensibilidade é a nossa capacidade de usar a lei da platina, que a lei de platina é assim, trata o outro como ele quer ser tratado. Então  nós temos essa sensibilidade de entender e fazer esse direcionamento, então nós temos que agora, o trabalho que eu faço aí como mentora de (vários) [00:55:46] de executivos, é de acolher, olha para você vê, e as vezes ninguém está prestando atenção o que é que a gente fez com esses homens? Como é que eles estão se sentindo? Qual o grau de depressão que eles estão atingindo por eles não serem mais o provedor, o importante? E esse passa a ser uma questão nossa também, nós temos que parar de nos vitimizar também, o processo está caminhando de uma forma natural, progressiva, não podemos esquecer da nossa responsabilidade. Mas continuar os persuadindo de como que nós somos grandes parceiros de colaboração, de crescimento, de transformação de cultura, valores e resultados em qualquer lugar, em qualquer instancia é um desafio. Nós estamos juntos, eu e você, homem e mulher. Denise: Gente, acho que não tem melhor forma de concluir esse episódio de hoje com essa mensagem. A gente celebra essa diversidade, celebra as diferenças, não é para anular, não é esse discurso hater, não é mesmo. Eu gosto da frase lá da Marilyn quando ela fala, “quando você almeja ser igual você está querendo muito pouco”, porque a gente quer é que nós todos sejamos seres humanos mais plenos, biologicamente a gente tem algumas diferenças que já nos tornam únicos, não é? E que é uma celebração da diversidade. E ótimo, e tudo bem, que bom, não é? Bom, para terminar queria só que você fizesse um exercício aí ao invés de a gente perguntar uma para a outra como eu tinha pensado no início, o que é que você diria para a sua pessoa, a sua Leandra, a sua Giulia, sua Adriana, e eu também vou fazer, de 10 anos atrás? Então vamos começar com a Giulia, Giulia você está vendo a Giulinha de 15 anos de idade, fala para ela, fala para ela, “Giulia”, você está no futuro, o que é que você falaria para ela? Giulia Tonon: Vish, cara então eu falaria para a Giulia. Denise: Eu vi um vídeo sobre isso, eu achei fenomenal gente. Adriana Prates: É difícil fazer, mas é legal. Giulia Tonon: Giulia de 15 anos, Giu eu acho que você pode ficar mais tranquila em relação as coisas que as outras pensam, porque as coisas passam. Então, principalmente, a etapa da adolescência é sempre uma etapa difícil na vida de qualquer mulher, mas você vai conseguir passar muito bem por ela e se tornar algo até melhor do que você mesmo imaginava, do que você seria capaz de se tornar. Então você está no caminho certo. Denise: Le. Leandra Souza: Bom, há 10 anos atrás eu estava fazendo uma mudança de trajetória pessoal e profissional, então eu estava num momento de muitas dúvidas e hoje eu falaria para a Le, “Le, não tem problema se der errado”, e foi isso que eu aprendi nesses 10 anos. Se der errado a gente recomeça, a gente reinventa. Denise: Dri. Adriana Prates: Eu diria assim, “Dri, essas mulheres atemorizantes que vos fala fica tranquila, elas só são ainda pessoas muito inseguras”. Denise: O que é que eu falaria para a Denise de 35 anos? Dez anos atrás, eu falaria, “De, cara, você vai ser muito mais legal aos 45 então vai, porque o lugar que você está é bem melhor”. Meninas, muito obrigada, foi assim um prazer incrível, eu queria na verdade fazer outros programas, então pessoal, se vocês gostaram, querem outras mulheres, querem continuar esse papo osagilistas@dtidigital.com.br ou pelo nosso WhatsApp 31 996977104, fala para a gente o que é que você achou desse papo, ágil, sem falar de Agilismo. Um beijo, muito obrigada.

Descrição

Nós sabemos que vocês estavam sentido falta dela, mas o tempo de espera acabou! O episódio de hoje foi comandado e apresentado pela Denise Eler. Nos inspiramos no mês de celebração do Dia Internacional da Mulher e trouxemos um timaço para falar sobre Mulheres & Liderança. Esse time contou com a participação da Giulia Tonon, Leandra Souza e Adriana Prates.