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os agilistas

#68 Design Thinking Remoto

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Marcelo Szuster: Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Vamos começar mais episódio dos Agilistas. Hoje eu estou aqui com uma equipe de designers, eu queria apresentá-los antes e aí eu vou introduzir qual que é tema. Eu estou aqui hoje com a Yas. Tudo bom, Yas? Yas: Pessoal, tudo joia. Marcelo Szuster: Com a Fabiola Faria. E aí Fabiola, tudo joia? Fabiola Faria: Oi. Tudo bem? Marcelo Szuster: Com a Camila Palhares. Camilha Palhares: Ei, pessoal. Tudo bem? Marcelo Szuster: E com o Gabs. Gabriel Tavares. Tudo bom, Gabs? Gabriel Tavares: E aí, pessoal. Tranquilo? Marcelo Szuster: Então, hoje nós trouxemos essa turma aí de designers e que também atua muito como facilitadores de dinâmicas de design thinking, como vocês vão… nós vamos falar um pouquinho sobre isso daqui a pouco, para abordar um tema que a gente considera fundamental nesse momento que a gente está passando. A gente defende aqui na DTI muito fortemente no ciclo de vida de construção de um produto a gente defende muito que você tem uma fase que a gente chama de Discovery, que o foco dessa fase é definir bem o problema, é identificar dores, é dar um passo para trás antes de começar propriamente a desenvolver softwares. E essa fase é uma fase que exige muita interação, muita colaboração, envolve um time multidisciplinar, e aí nesse momento que a gente está vivendo em que é difícil juntar as pessoas fica uma pergunta no ar aí muito forte: como é que faz isso agora? Ou será que a gente deixa de fazer isso e pronto e parte para fazer o produto, sem essa fase de Discovery. Então é sobre isso que a gente quer falar agora e aí eu queria já lançar uma primeira pergunta aí para vocês, para quem não sabe ainda, quem estiver ouvindo a gente não souber, ainda que o foco não seja entrar em detalhes do que é o Discovery porque a gente tem até um episódio só sobre isso, mas eu acho importante começar falando o que é o Discovery e qual é a importância dele. Quem se anima aí a responder? Yas: Bom, o Discovery, como o Szuster bem disse, é uma primeira fase quando a gente está pensando na construção de um produto e ela é fundamental, assim, não consigo expressar com tanta ênfase o quão importante ela é. E ela tem, vamos dizer assim, três grandes objetivos. Um: descobrir muito bem qual é o problema que aquele produto se propõe a resolver, então quais as dores que os clientes, o negócio, quais são as oportunidades que aquele produto pretende atacar; Dois: conhecer muito bem os usuários, então quem é o nosso cliente, quem vai usar esse produto, quem são essas pessoas, suas expectativas, suas dificuldades, até seu perfil sociodemografico; e terceiro, de forma cocriativa, fazer uma hipótese de solução, então cocriar isso junto com inclusive os próprios usuários, qual que é a nossa hipótese de solução e o que é que o produto vai ter, sempre com o foco em MVP. Então vocês podem imaginar que essa é uma fase que não dá para pular de forma nenhuma porque ela molda o início do produto, então sem ela o produto começa sem respostas muito importantes. Marcelo Szuster: Então aquela primeira especulação que eu fiz por querer, só para provocar mesmo, a gente começar sem ela, na visão de vocês não é uma opção? Yas: De forma nenhuma. Marcelo Szuster: Então, mas aí eu pergunto, toda vez… até antes, só de eu adiantar um porquinho. Então quando a gente fala em Discovery a gente está falando de Lean Inception, de design sprint? Do que é que nós estamos falando? Para quem está ouvindo identificar melhor. Gabriel Tavares: O Discovery é uma fase inicial do processo de design thinking, que ele dá o pontapé inicial para a Lean Inception, para o design sprint, entre outras ferramentas. Então ele é justamente a fase de fazer esse levantamento do que é que está acontecendo, entender um pouco melhor qual o desafio que a gente está lidando para então a gente entrar dentro de uma fase de uma dinâmica propriamente dita. Marcelo Szuster: Aí vem o ponto chave aqui desse episódio hoje, e eu queria depois trazer as experiências aí da Fabiola e da Camila, que é o seguinte, gente, uma vez que ele exige uma grande colaboração, a gente está acostumado, inclusive a gente fez muito isso na DTI, a ter um ambiente próprio para isso, levar as pessoas, ter quadros brancos, criar um ambiente todo lúdico. Como é que fica isso agora nesse mundo remoto já que obviamente isso não é uma opção mais? Quais são as mudanças que são necessárias? Fabiola Faria: O processo que eu participei a gente já tinha planejado ele para acontecer de forma física, então a gente tinha reservado uma agenda de dois dias porque era a continuidade de um processo que a gente já tem, só que ia entrar em um contexto de negócio muito novo e aí a gente resolveu fazer essa etapa Discovery de dois dias para fazer essa parte de descoberta com imersão maior e não… mudando de cenário, para o cenário remoto, uma das grandes dificuldades que a gente teve no início foi a questão de agenda assim, porque nesse processo de a gente não conseguir mais estar em uma sala todo mundo junto, parar para fazer um lanche, fazer essas pausas, ficaria muito cansativo manter em dois dias, porque a gente ia ter duas reuniões muito longas assim, e aí a primeira coisa que a gente teve que fazer foi rever a nossa agenda. Então a gente trouxe para uma agenda um pouco maior, diluiu essas interações ao longo desses dias, só que a gente tinha fechado essa agenda com muita antecedência assim com as pessoas para garantir que todo mundo que a gente precisava na sala todo mundo estivesse lá. Aí você precisa de uma hora para outra pegar essa agenda que era de dois dias e fazer todo mundo participar cinco assim. Então a primeira parte foi conversar com todo mundo, que o cenário era diferente, a gente ia ter que adaptar e tentar manter todas as pessoas que a gente tinha convidado. Marcelo Szuster: Entendi. Então a primeira mudança é essa, não dá para imaginar que você vai… porque assim, presencialmente da para botar todo mundo junto, faz pausas, faz algumas atividades que vão quebrando e dá para o pessoal ter gás para fazer tudo em dois dias, remotamente não funciona bem assim então, não é? Fabiola Faria: Até pela questão de você estar no seu computador, as vezes começa uma reunião, começa uma chamada, você recebe uma mensagem, um e-mail. Então aquilo que a gente faz no design sprint presencial ou em qualquer outra dessas dinâmicas a gente não consegue, que é pedir que as pessoas abandonem ali os eletrônicos por um tempo para conseguir focar, porque a pessoa vai estar ali já dentro de um objeto eletrônico, então não tem como. Marcelo Szuster: Não dá para começar pedindo para abandonar os eletrônicos não. Fabiola Faria: Não, não tem como. Yas: É que um dos maiores benefícios do presencial é justamente você conseguir muita informação em um tempo restrito, um, dois dias de atividade, porque está todo mundo lá focado, você consegue como um facilitador criar aquele ambiente, fazer dinâmicas para as pessoas relaxarem, para descansarem um pouco, para responder um e-mail, aí quando você vai para o ambiente digital você tem que entender que não é simplesmente pegar todas as suas estratégicas do físico e fazer isso em uma chamada de voz ou de vídeo. Então a gente teve que adaptar bem as estratégias tanto de distribuição das atividades no tempo quanto de própria facilitação. Gabriel Tavares: Até porque dentro do ambiente digital o seu foco ele é um pouco menor, então a gente tem que também saber trabalhar com esses períodos um pouco menores do que o presencial, e saber jogar isso um pouco durante a facilitação. Marcelo Szuster: Não, é engraçado que isso aí é o próprio, é o uso do design thinking para poder fazer… vocês estão pensando na experiência de cada um e como é que vai ser essa jornada e como garantir o engajamento durante essa jornada, porque não é simplesmente igual vocês falaram, virar a chave, não é? Quais são exemplos aí… Camila, você está trabalhando já? Já teve oportunidade de conduzir também algumas dessas sessões de forma remota? Camila Palhares: Sim, já conduzi com cliente e com o próprio pessoal da DTI. Acho que é muito importante falar nesse processo a importancia de realizar testes antes de se rodar o design sprint ou qualquer que seja outar dinâmica remotamente. Acho que é muito importante a gente testar as ferramentas, testar tudo que a gente vai utilizar, seja de videoconferência ou de board que a gente vai usar para trabalhar com os clientes, testar isso antes porque essa parte de pré-trabalho, que é muito que está alinhado com o que a Fabiola falou de alinhar com o cliente, “Olha, a agenda vai ser maior, a gente vai ter tempos maiores de atividades, a gente vai diluir isso em mais dias. A experiência propriamente dita não vai ser a mesma, então a gente vai precisar de uma atenção, de um engajamento maior de vocês nesse e nesse período”. Então testar isso tudo antes e ter esse alinhamento inicial ele é fundamental para que o design sprint remoto e outras facilitações eles ocorram da melhor maneira, até porque igual o design sprint não tem receita de bolo, o design sprint remoto também não tem, é uma situação que você tem que se adaptar a realidade do cliente e com as ferramentas que você tem ali no momento. Óbvio que o planejamento é essencial, mas você também vai ter que lidar com adversidades ali, então por exemplo conexão de internet falhando ou pessoas falando ao mesmo tempo na call, isso fica mais difícil de gerencia, então também você vai ter que ter esse jogo de cintura para lidar com essa situação. Fabiola Faria: Em relação a essa questão de ter um alinhamento anterior, uma coisa que ajudou muito assim é que a gente nessas conversas que a gente foi tendo, nessas trocas que a gente foi tendo a gente chegou em algumas dinâmicas para descontrair mesmo, mas que elas já faziam as pessoas que iam participar trabalhar na ferramenta. Isso foi ótimo assim, porque você já faz uma apresentação de onde aquilo vai acontecer de uma forma um pouco mais descontraída, então as pessoas se sentem mais a vontade de errar, você já consegue perceber quem vai ter ali mais dificuldade mexendo nessa ferramenta que você vai usar para conduzir remotamente design sprint, e aí você consegue ali mapear algumas dificuldades que você vai enfrentar ao longo do processo. Então fazer uma apresentação também das ferramentas que você vai usar, para quem vai participar, é fundamental. Marcelo Szuster: Que interessante isso, ou seja… eu estou achando interessante porque primeiro tem que ter uma boa preparação, igual vocês estão falando, porque vai… é igual a Camila comentou, todo design sprint pode ter necessidade de improviso, mas esse remoto traz algumas dificuldades adicionais, então é bom ter uma preparação maior antes. Então quer dizer que como parte dessa preparação vocês já fazem uma sessão onde as pessoas ganham intimidade com essas ferramentas eletrônicas que vão ser usadas, é isso que você disse? Fabiola Faria: Isso, a gente rodou uma dinâmica mesmo, cada uma colocou, igual a gente costuma fazer algumas dinâmicas para descontrair no presencial, uma que a gente sugeriu assim, eu adotei no que eu conduzi, foi todo mundo colocar uma foto e algumas características suas, na verdade a gente colocou coisas que gostam e coisas que não gostam, e aí a gente já puxou ali uma votação. Então eu já consegui experimentar a parte de adicionar um post-it, adicionar um texto, adicionar uma imagem, fazer a votação. Então eu consegui pegar alguns pontos que a gente ia precisar da ferramenta ao longo dos dias e testar. Marcelo Szuster: Entendi. Que bacana. É como você disse, descontraí e já deixa a pessoa com menos medo da ferramenta, não é? Fabiola Faria: Isso. Marcelo Szuster: Quer dizer que existe… eu fico brincando que apesar de eu estar em uma empresa de tecnologia eu sou bem ignorante, sabe? Existe então forma de usar post-it aí nessas dinâmicas? Como é que é isso? Yas: Eu acho que essa é outra das mudanças importantes. A gente falou em uma, que é a agenda e o planejamento das atividades, a outra grande mudança é que você precisa de outro recurso para fazer a cocriação acontecer, porque no presencial você tem lá uma folha em cima da mesa, post-it, caneta, adesivo e todo mundo está colaborando ali, então você precisa emular de alguma forma esse mesmo ambiente no digital. E aí é legal que tem algumas ferramentas que no mercado que te ajudam a fazer isso. Tem duas que a gente vem testando na DTI, uma chama Mural e a outra chama Miro, e elas são basicamente um whiteboard digital e que todo mundo consegue colaborar e colar ali o seu post-it digitalmente. Então quando a Fabiola está falando que ela fez essa introdução para a galera se acostumar com a ferramenta é para isso, é para a pessoa se sentir confortável de ir lá, clicar, atribuir um post-it, fazer anotação, fazer uma votação, porque vai mudar, vai tirar todo mundo muito da zona de conforto, porque é uma ferramenta nova para todo mundo. Então esse cuidado em explicar a ferramenta, em planejar a ferramenta também vai ser muito importante no remoto. Marcelo Szuster: Então essa ferramenta que você disse todo mundo visualiza os post-its de todo mundo, e aí pode mexer, esse tipo de coisa? Camila Palhares: Sim, é como se você montasse a estação de trabalho de cada participante que vai estar ali junto com a gente na dinâmica. Então é como se cada um tivesse o seu grupo de post-its, a sua área ali que ele vai trabalhar e jogar as suas ideias ali, que a gente vai cocriar juntos. E isso entra muito nessa questão do pré-trabalho, então assim, é legal quando você tiver planejando essas dinâmicas você separar um tempo do seu planejamento para você montar essas estações de trabalho, para você organizar onde que as sessões vão acontecer. Se presencialmente a gente organiza o espaço físico, digitalmente a gente também precisa organizar essa área de trabalho, e conta muito como o tempo do planejamento. Eu acho que para a gente ter essas sessões com sucesso o pré-trabalho é um lugar onde a gente vai ter que se esforçar bastante para ter essa recompensa dele lá na frente. Marcelo Szuster: As estações de trabalho são grupos, as pessoas vão trabalhar juntas ou elas são individuais? Gabriel Tavares: A gente está falando, o que a Camila está comentando aí são os boards, as matrizes e a gente já colocar, já chegar preparado na hora da facilitação do processo. Então a gente já organiza, “Vamos utilizar qual ferramenta? Como que vai ser o processo?”, e a gente já monta isso dentro do Miro ou do Mural, como que vai funcionar as etapas ao invés de ter que fazer isso na hora. E isso também ajuda a gente entender um pouco melhor a ferramenta, porque afinal de tudo, nós que estamos facilitando devemos entender o máximo possível para poder explicar da melhor maneira para quem tiver dúvida no momento do processo em si. Marcelo Szuster: Então, gente, faz o seguinte, pega alguma ferramenta aí típica que vocês usariam, porque assim, eu sempre gosto de me colocar bem na posição de quem está ouvindo, e o objetivo aqui é compartilhar muito conhecimento. Então qual seria uma ferramenta típica que vocês usam em uma fase dessa e como é que ela seria feita no processo normal e como é que ela passa a ser feita aí usando boards eletrônicos e coisas desse tipo? Vocês conseguem dar um exemplo assim bem concreto? Gabriel Tavares: Acho que a jornada seria o mais simples, vamos falar assim, de exemplificar ou o mais fácil de lembrar assim, não sei. Fabiola Faria: Eu acho que foi também, pelo menos para mim, a jornada foi a que eu senti maior diferença assim na construção de um para o outro. Marcelo Szuster: Então explica aí rapidinho o que é uma jornada, como que ela é feita normalmente e o que é que muda aí quando a gente passa para esse mundo virtual. Gabriel Tavares: Então, por exemplo, a gente tem umas ferramentas que usamos bastante durante o processo de Discovery, que é a jornada, a jornada do usuário. Dentro do processo digital a gente tem que fazer esse levantamento, conversar com várias pessoas incialmente justamente para pensar já numa forma de como que vai funcionar essa jornada, entender um pouco melhor a situação. Em uma situação normal a gente só precisaria de uma folha de papel, vários post-its, a gente monta isso na hora, a gente já tem a dinâmica meio na cabeça, então a gente já consegue já mexer os post-its de uma maneira fluída, só que na hora que a gente passa para o digital isso muda um pouco. Então a gente precisa criar essa estrutura dentro do ambiente digital, de como que vão ficar, qual que vai ser a padronização, se eu vou ter guias, raias dentro dessa jornada, se eu vou ter que ter algum elemento que eu teria já fisicamente, um boneco ou então alguma forma de marcação, eu tenho que replicar isso no digital. A maior diferença é fazer esse preparo dessa ferramenta anteriormente, não é? Então transformar esses dispositivos, essas coisas, colocar imagens talvez, criar pequenos bottons para marcar, utilizar emoticons, etc., para fazer essa transição. Fabiola Faria: E geralmente a gente monta a jornada com o time inteiro, não é? No meu caso como o time era muito grande, fazer a dinâmica de montar a jornada com todo mundo junto talvez pudesse criar um caos assim nas chamadas. Então a gente dividiu o time em grupos, então cada fluxo foi um grupo e eu fui fazendo uma chamada com cada com grupo para montar a estrutura da jornada do processo inteiro. E aí depois a gente fez um processo de apresentar e todo mundo ir dando palpite ali para a gente alterar o que posso ter ficado algum gap ali na hora que você passou de um grupo para o outro. Gabriel Tavares: Uma vantagem do ambiente digital, igual a Fabiola falou, a gente fazer esse levantamento antes ajuda bastante na hora de produzir, mas depois se alguém não participou você já tem tudo isso registrado de alguma maneira. Então se alguém no final do dia, que não conseguiu participar das reuniões ou não era necessário para alguma reunião ou outra, mais no final do dia, ao final do processo o input da pessoa também é válido, ela consegue entrar dentro do arquivo, ela consegue ver, pontuar, comentar algumas coisas que num ambiente físico a gente tem um pouco mais de dificuldade de ter essa agenda, não é? Então isso facilita um pouco o ambiente. Marcelo Szuster: É interessante isso mesmo, como é que tudo tem os dois lados, porque tradicionalmente ficam aqueles papéis todos lá na sala, numa dinâmica dessa normal, e aí realmente só quem está indo fisicamente lá tende a ter acesso aquilo, porque o trabalho é intenso, normalmente não se vai documentando até chegar ao final. Aí pela natureza vocês já vão fazendo e documentando, então fica mais fácil incorporar gente ao processo na medida em que ele acontece. Fabiola Faria: Até a parte de documentação é mais fácil também, porque pegar também todos os post-its que a gente gera e trazer isso depois para o digital para gerar uma documentação para os times é bem trabalhoso assim. E assim a gente já vai fazendo e documentando, então já está tudo lá, quando você termina o processo já está tudo digitalizado. Marcelo Szuster: E do ponto de vista de criatividade mesmo assim, vocês acham que consegue se fazer uma coisa tão criativa quanto quando está todo mundo junto colaborando ou acaba que fica um pouquinho menos criativo? Vocês têm alguma posição sobre isso? Yas: Eu acho que é super possível sim, porque a metodologia que está por trás disso tudo, seja remota, seja presencialmente, que o design thinking, é ele que é poderoso e faz a gente ter ideias disruptivas e faz com que a colaboração gere coisas novas e diferentes. Então o processo em si, a metodologia não muda só porque você foi para o ambiente remoto, o que poder mudar sim, e aí a gente como facilitar tem que ficar bem atento, é engajamento, porque como no presencial a pessoa sente até um pouco de pressão por ter que se engajar porque está todo mundo ali te assistindo ao vivo, quando você está em uma call você pode se esconder ali, sua câmara não está ligada, você pode estar tomando um café, não está nem prestando atenção. Então eu acho que o cuidado que a gente tem que ter nesse sentido para garantir boas ideias e garantir um resultado bacana é engajar as pessoas, pedir para que todos compartilhem, você ver que alguém está muito silencioso, chamar essa pessoa para ligação, perguntar opinião, garantir que está todo mundo tendo tempo de fala. Então dá um certo trabalho extra assim como facilitador para você garantir esse bom resultado. Gabriel Tavares: Ligar a câmara, se possível, sempre. Marcelo Szuster: É, isso é um a boa dica, não é? Fabiola Faria: E eu acho que como é um processo que envolve pessoas assim, por mais que talvez tenha uma perda por essas questões que a Yas levantou, a gente ainda vai ter um processo criativo muito intenso, as pessoas elas se envolvendo elas ainda vão estar ali, vão estar criando, então mesmo que elas estejam separadas fisicamente ainda vai estar gerando coisas muito interessantes. Marcelo Szuster: Isso me lembrar um negócio uma vez, quando eu fiz um curso até de complexidade, uma coisa que eles falavam muito também, que tem muitas vezes que é melhor a pessoa pensar em um certo (inint) [00:20:33] porque daquele jeito ela tira o viés de grupo e ela tem mais chance de ter ideias diferentes, não é? Porque assim, se você já separa as pessoas em grupos automaticamente a pessoa acaba que pode ficar enviesada pelo grupo ou, dependendo da personalidade dela, falar menos ou coisas desse tipo. Se cada um… eu pensei nisso agora, quero ver se vocês acham que tem sentido. O fato de cada um estar mais isolado por um lado e podendo botar as coisas ali sem ter alguém olhando para a cara dela ou criticando o que ele bota, talvez faça a pessoa até ter chance de ter mais ideia. O que é que vocês acham? Camila Palhares: É, eu acho que pode as vezes dar voz ativa para pessoas que são mais tímidas, não é? Talvez por não estarem ali presencialmente, uma frente a outra, as pessoas que não teriam tanta voz ali pela timidez podem se sentir mais vontade por estarem ali por trás de um computador para exporem os seus posicionamentos, as suas ideias também. Então pode ser uma maneira de elas se expressarem e se sentirem mais à vontade naquele ambiente. Fabiola Faria: E eu acho que uma coisa que… Yas: Pode ir, Fabiola. Fabiola Faria: Pode falar, Yas. Yas: Não, que é uma coisa que acontece muito no… Marcelo Szuster: Uma das coisas ruins do ambiente virtual é isso aí. Yas: Não, mas uma coisa que acontece no presencial muito é que algumas pessoas têm personalidade muito forte e acabam dominando algumas dinâmicas, que elas têm uma opinião forte, elas se comunicam muito bem, e aí acontece isso que a Camila comentou, as vezes algumas pessoas ficam mais retraídas e não conseguem compartilhar tanto. No ambiente digital você meio que dá uma normalizada nisso, porque até não consegue muita gente falar ao mesmo tempo, não dá por causa da dinâmica da vídeo ligação. Então realmente não tinha pensando por esse ângulo, mas pode ser positivo sim por esse lado. Fabiola Faria: Mas eu acho que tem que ter mais sensibilidade as vezes de perceber quando uma pessoa ela tem mais dificuldade assim de expressar, porque se ela tem essa dificuldade quando você está em uma call, você tipo acaba tendo que controlar as pessoas que têm essa personalidade um pouco mais forte, porque senão a pessoa vai ficar caladinha, as vezes você nem percebe que ela está lá. Então você tentar mapear assim quem está participando com você e começar a entender os perfis mesmo não estando presencial, para conseguir puxar essa pessoa que é mais caladinha para falar também. Gabriel Tavares: Uma coisa que a gente também não precisa lidar tanto, que é a questão do espaço físico, que as vezes você precisa reservar alguma sala ou então tem alguma pessoa que é mais dominante, ela utiliza o próprio para dominar a situação, então ela faz muito gestos com as mãos, essas coisas e esses pontos a gente acaba não percebendo tanto no ambiente digital, mas e também pode ser igual o pessoal está falando aí uma forma de as pessoas não se sentirem tão inibidas de falar, sabe? Então se tem alguém que se posiciona melhor, domina, vamos falar assim, a sala, você não tem tanto isso no ambiente digital. Marcelo Szuster: Entendi. Agora uma coisa que ficou claro para mim é que o facilitador, se ele já é importante, no virtual é mais ainda, parece que ele tem que interferir mais ainda no processo aí para garantir fluidez, não é isso? Camila Palhares: Eu acho que o papel principal dele ali é ele entender que ele está ali para ensinar também, porque pelas pessoas estarem usando, às vezes, uma ferramenta que elas não têm tanta familiaridade e precisa ter esses dois vieses, e de tanto explicar a dinâmica, as vezes metodologias que vão ser utilizadas ali no dia a dia, mas também ter entendimento de que as pessoas estão ainda entendendo como aquela ferramenta funciona, como que esse processo funciona remotamente. Então acho que assim, é ter o dobro de atenção para fazer essa passagem de uma maneira que todos entendam como aquilo funciona, como elas conseguem participar. Então assim, é um trabalho em dobro. Marcelo Szuster: Uma coisa que eu fico pensando, eu queria ver com vocês pela experiência, se faz diferença, é que se eu entendendo bem, como vocês alongam um pouquinho o cronograma, justamente porque não dá para deixar todo mundo a semana inteira, oito horas no call, não é, vocês acabam, por exemplo, faz uma sessão de manhã, ou sei lá de duas horas, eu não sei exatamente, vocês podem até dar o exemplo, mas depois vocês tem como trabalhar em cima do material que é gerado com… pegar aquilo, refletir mais em cima, colocar de uma forma, etc., para talvez apresentar daqui a pouco, no outro dia, para outra turma. Isso também é uma diferença, não é? Porque eu vejo que os Discovery que eu já participei, design sprint, etc., você vê que é muito intenso e vai acontecendo tudo ali na hora, o facilitador, a equipe nossa tem pouco tempo durante o processo para fazer grandes reflexões. Isso que eu falei tem algum sentido ou não? Yas: Sim, com certeza. No presencial as informações estão vindo em uma quantidade muito grande, as vezes não dá tempo nem de processar, a nossa equipe, não é? Então no remoto, como a gente está espaçando as atividades. Enfim, essa diluição da agenda, por exemplo, ao invés de dois dias inteiros, full, a gente está trabalhando cinco dias de manhã. Então um período para a tarde você consegue fazer uma entrevista adicional, você consegue chamar alguém em uma conversa privada e esclarecer um ponto que de repente ficou meio nebuloso, você pode ir lá e dar um retoque em como a dinâmica está ficando, a ferramenta está ficando, então tem esse benefício. Em compensação, tudo tem os dois lados, no presencial como é tudo muito seguido e muito intenso a energia é muito grande, então a galera fica realmente imersa naquele assunto e é tudo muito fresco na cabeça das pessoas. Então no remoto, por exemplo, a gente tem que toda vez, numa nova ligação, recuperar o que foi feito antes, dar aquela lembrada “Galera, lembra? Na sessão passada a gente fez isso, discutimos isso, os pontos foram esses”, porque tende a perder um pouco dessa energia, desse… de lembrar mesmo o que foi discutido, então tem os dois lados. Marcelo Szuster: Você tem que ficar reestabelecendo o contexto toda hora, não é? No outro você está dentro do contexto, todo mundo engajado junto, não é? Nesse você tem mais tempo de reflexão e de depurar alguma coisa, mas você tem que ficar toda hora reestabelecendo contexto para garantir que está todo mundo junto, não é? Yas: Exatamente. Fabiola Faria: No nosso caso, com essa questão de ter que fazer uma mudança repentina de agenda, que a gente precisava fazer isso rápido para continuar o processo, a gente precisou fazer um intervalo de um final de semana assim, então quando a gente voltou na segunda foi um recapitulando grande, a gente perdeu umas duas pessoas que não conseguiram dar sequência na segunda, depois acho que voltaram. Mas tem esse problema assim de você as vezes não conseguir manter essa energia, você tem que ter um trabalho inicial em todos os processos de retomar tudo que aconteceu e retomar essa parte da energia também, de ir engajado as pessoas todos os dias. Marcelo Szuster: Entendi. Uma pergunta, gente, para a gente começar a caminhar aqui para o final. Imagina o seguinte, quando tudo voltar ao normal, sabe lá quando será isso, a gente passa a ter a opção de fazer remoto ou opção de fazer presencial. Vocês imaginam que nesse mundo onde você tem essas duas opções, vocês passariam até achar que tanto faz, já que cada um tem vantagens e desvantagens, ou quando volta a ser presencial vocês falariam: “Não, tem que fazer presencial, que é melhor”? Gabriel Tavares: Eu acho que tem… é igual você comentou, tem as suas vantagens e desvantagens e tem que avaliar cada cenário, porque igual o comentário antes, não é uma receita de bolo. Vantagens do remoto é que você pode ter uma pessoa em cada lugar do Brasil, você está em outra cidade, ou até do mundo mesmo e está todo mundo dentro do mesmo processo, você tem outros problemas de distanciamento, mas ainda está todo mundo dentro do mesmo processo, então você tem essa vantagem. Outra coisa que eu percebo, o pessoal comentou aí de planejamento de horário, se a pessoa estiver muito agarrada e ela não puder ficar dois dias seguidos em um processo, fazer esse espaçamento também é vantajoso para ela. Então se você tem ao invés de dois dias seguidos, você ter quatro de manhã, a pessoa pode dar prosseguimento no trabalho dela na parte da tarde e a gente conseguir fazer o processo na manhã sem que ela tenha que se deslocar para um ambiente ou fazer um compromisso de estar dois dias 100% focado. Então a gente tem essas vantagens. Marcelo Szuster: Esse ponto que você colocou eu achei ele importante para caramba. Você vê como é que são as coisas, como é que essa situação nova faz a gente quebrar muito tabu, não é? Igual do dia para a noite todo mundo foi trabalhar de home office e quebrou o tabu em todos os lugares que achavam que isso não era possível. Eu já me vi muitas vezes defendendo para cliente que ele tinha que arranjar um jeito de botar todo mundo numa sala uma semana, por exemplo, se não fosse assim não ia dar certo. E na verdade esse processo aí se ele for bem conduzido ele cria uma flexibilidade, que é como você disse, você consegue até usar gente que está fisicamente distante e que no processo tradicional a gente ia acabar abrindo mão dessa pessoa. Gabriel Tavares: Sim, e dá para você até intercalar nesse cenário por exemplo. O processo que a gente fez com um dos nossos clientes, a gente teve a vantagem de fazer um levantamento, uma sombra antes de entrar para o processo de Lean Inception, e tudo isso foi de forma presencial. Então fazer esse levantamento presencial ajudou bastante dentro do processo e depois pôde guiar a gente no processo digital. Então se a gente utilizar dos dois, o melhor de cada um dos lados, do presencial e do digital, a gente pode ter resultados bem interessantes. Fabiola Faria: Tem uma outra parte também nesse processo de descoberta, que tem esse processo inicial, para iniciar um projeto, para iniciar uma parte maior assim, mas isso vai acontecendo ao longo dos projetos o tempo todo também. Então a gente tem ferramentas de teste, tem algumas ferramentas que você vai para entender um contexto de negócio depois que você já startou um projeto, que elas continuam acontecendo e elas precisam acontecer a distância também. E também é uma dificuldade que a gente tem enfrentando. E pegar alguns que foram utilizados nesses designs sprints remotos e trazer para essa realidade dentro do projeto também está sendo bem enriquecedor assim. Marcelo Szuster: Gente, muito obrigado aí pela participação de todos. Só para ir fechando. Eu acho interessante demais, primeiro a capacidade de adaptação, a gente defende demais isso na DTI, acho que é o mote agora do mundo as pessoas se adaptarem a essa nova realidade. Acho que ficou claro aqui que é totalmente possível fazer essa adaptação, desde que seja bem planejado como vão ser as dinâmicas, como vai ser a facilitação aí no mundo virtual. Mas o que eu achei mais interessante aí também é que não é só uma questão de adaptar para agora, a gente está criando agora uma nova opção de fazer as coisas remotas que inclusive, em alguns momentos, mesmo no mundo quando ele voltar ao normal, digamos assim, a gente vai poder tirar proveito desse aprendizado, acho que isso é bacana demais. E a grande recomendação aqui que eu queria deixar para quem estiver ouvindo a gente, é que realmente não pare as coisas por causa disso, não deixe de começar coisas, de fazer coisas que são importantes e que precisam fazer problem frame, Discovery, o que seja que envolva atividades multidisciplinares, não parem isso porque eu acho que o que todo mundo pode fazer agora é cumprir a sua regra de isolamento, mas ao mesmo tempo, dentro das suas possibilidades, fazer as coisas andarem para a gente poder sair dessa. É isso aí então, pessoal. Um abraço e até o próximo episódio. Gabriel Tavares: Muito obrigado, gente. Fabiola Faria: (Inint) [00:32:13], gente. Yas: Valeu, pessoal. Até mais.
Marcelo Szuster: Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Vamos começar mais episódio dos Agilistas. Hoje eu estou aqui com uma equipe de designers, eu queria apresentá-los antes e aí eu vou introduzir qual que é tema. Eu estou aqui hoje com a Yas. Tudo bom, Yas? Yas: Pessoal, tudo joia. Marcelo Szuster: Com a Fabiola Faria. E aí Fabiola, tudo joia? Fabiola Faria: Oi. Tudo bem? Marcelo Szuster: Com a Camila Palhares. Camilha Palhares: Ei, pessoal. Tudo bem? Marcelo Szuster: E com o Gabs. Gabriel Tavares. Tudo bom, Gabs? Gabriel Tavares: E aí, pessoal. Tranquilo? Marcelo Szuster: Então, hoje nós trouxemos essa turma aí de designers e que também atua muito como facilitadores de dinâmicas de design thinking, como vocês vão… nós vamos falar um pouquinho sobre isso daqui a pouco, para abordar um tema que a gente considera fundamental nesse momento que a gente está passando. A gente defende aqui na DTI muito fortemente no ciclo de vida de construção de um produto a gente defende muito que você tem uma fase que a gente chama de Discovery, que o foco dessa fase é definir bem o problema, é identificar dores, é dar um passo para trás antes de começar propriamente a desenvolver softwares. E essa fase é uma fase que exige muita interação, muita colaboração, envolve um time multidisciplinar, e aí nesse momento que a gente está vivendo em que é difícil juntar as pessoas fica uma pergunta no ar aí muito forte: como é que faz isso agora? Ou será que a gente deixa de fazer isso e pronto e parte para fazer o produto, sem essa fase de Discovery. Então é sobre isso que a gente quer falar agora e aí eu queria já lançar uma primeira pergunta aí para vocês, para quem não sabe ainda, quem estiver ouvindo a gente não souber, ainda que o foco não seja entrar em detalhes do que é o Discovery porque a gente tem até um episódio só sobre isso, mas eu acho importante começar falando o que é o Discovery e qual é a importância dele. Quem se anima aí a responder? Yas: Bom, o Discovery, como o Szuster bem disse, é uma primeira fase quando a gente está pensando na construção de um produto e ela é fundamental, assim, não consigo expressar com tanta ênfase o quão importante ela é. E ela tem, vamos dizer assim, três grandes objetivos. Um: descobrir muito bem qual é o problema que aquele produto se propõe a resolver, então quais as dores que os clientes, o negócio, quais são as oportunidades que aquele produto pretende atacar; Dois: conhecer muito bem os usuários, então quem é o nosso cliente, quem vai usar esse produto, quem são essas pessoas, suas expectativas, suas dificuldades, até seu perfil sociodemografico; e terceiro, de forma cocriativa, fazer uma hipótese de solução, então cocriar isso junto com inclusive os próprios usuários, qual que é a nossa hipótese de solução e o que é que o produto vai ter, sempre com o foco em MVP. Então vocês podem imaginar que essa é uma fase que não dá para pular de forma nenhuma porque ela molda o início do produto, então sem ela o produto começa sem respostas muito importantes. Marcelo Szuster: Então aquela primeira especulação que eu fiz por querer, só para provocar mesmo, a gente começar sem ela, na visão de vocês não é uma opção? Yas: De forma nenhuma. Marcelo Szuster: Então, mas aí eu pergunto, toda vez… até antes, só de eu adiantar um porquinho. Então quando a gente fala em Discovery a gente está falando de Lean Inception, de design sprint? Do que é que nós estamos falando? Para quem está ouvindo identificar melhor. Gabriel Tavares: O Discovery é uma fase inicial do processo de design thinking, que ele dá o pontapé inicial para a Lean Inception, para o design sprint, entre outras ferramentas. Então ele é justamente a fase de fazer esse levantamento do que é que está acontecendo, entender um pouco melhor qual o desafio que a gente está lidando para então a gente entrar dentro de uma fase de uma dinâmica propriamente dita. Marcelo Szuster: Aí vem o ponto chave aqui desse episódio hoje, e eu queria depois trazer as experiências aí da Fabiola e da Camila, que é o seguinte, gente, uma vez que ele exige uma grande colaboração, a gente está acostumado, inclusive a gente fez muito isso na DTI, a ter um ambiente próprio para isso, levar as pessoas, ter quadros brancos, criar um ambiente todo lúdico. Como é que fica isso agora nesse mundo remoto já que obviamente isso não é uma opção mais? Quais são as mudanças que são necessárias? Fabiola Faria: O processo que eu participei a gente já tinha planejado ele para acontecer de forma física, então a gente tinha reservado uma agenda de dois dias porque era a continuidade de um processo que a gente já tem, só que ia entrar em um contexto de negócio muito novo e aí a gente resolveu fazer essa etapa Discovery de dois dias para fazer essa parte de descoberta com imersão maior e não… mudando de cenário, para o cenário remoto, uma das grandes dificuldades que a gente teve no início foi a questão de agenda assim, porque nesse processo de a gente não conseguir mais estar em uma sala todo mundo junto, parar para fazer um lanche, fazer essas pausas, ficaria muito cansativo manter em dois dias, porque a gente ia ter duas reuniões muito longas assim, e aí a primeira coisa que a gente teve que fazer foi rever a nossa agenda. Então a gente trouxe para uma agenda um pouco maior, diluiu essas interações ao longo desses dias, só que a gente tinha fechado essa agenda com muita antecedência assim com as pessoas para garantir que todo mundo que a gente precisava na sala todo mundo estivesse lá. Aí você precisa de uma hora para outra pegar essa agenda que era de dois dias e fazer todo mundo participar cinco assim. Então a primeira parte foi conversar com todo mundo, que o cenário era diferente, a gente ia ter que adaptar e tentar manter todas as pessoas que a gente tinha convidado. Marcelo Szuster: Entendi. Então a primeira mudança é essa, não dá para imaginar que você vai… porque assim, presencialmente da para botar todo mundo junto, faz pausas, faz algumas atividades que vão quebrando e dá para o pessoal ter gás para fazer tudo em dois dias, remotamente não funciona bem assim então, não é? Fabiola Faria: Até pela questão de você estar no seu computador, as vezes começa uma reunião, começa uma chamada, você recebe uma mensagem, um e-mail. Então aquilo que a gente faz no design sprint presencial ou em qualquer outra dessas dinâmicas a gente não consegue, que é pedir que as pessoas abandonem ali os eletrônicos por um tempo para conseguir focar, porque a pessoa vai estar ali já dentro de um objeto eletrônico, então não tem como. Marcelo Szuster: Não dá para começar pedindo para abandonar os eletrônicos não. Fabiola Faria: Não, não tem como. Yas: É que um dos maiores benefícios do presencial é justamente você conseguir muita informação em um tempo restrito, um, dois dias de atividade, porque está todo mundo lá focado, você consegue como um facilitador criar aquele ambiente, fazer dinâmicas para as pessoas relaxarem, para descansarem um pouco, para responder um e-mail, aí quando você vai para o ambiente digital você tem que entender que não é simplesmente pegar todas as suas estratégicas do físico e fazer isso em uma chamada de voz ou de vídeo. Então a gente teve que adaptar bem as estratégias tanto de distribuição das atividades no tempo quanto de própria facilitação. Gabriel Tavares: Até porque dentro do ambiente digital o seu foco ele é um pouco menor, então a gente tem que também saber trabalhar com esses períodos um pouco menores do que o presencial, e saber jogar isso um pouco durante a facilitação. Marcelo Szuster: Não, é engraçado que isso aí é o próprio, é o uso do design thinking para poder fazer… vocês estão pensando na experiência de cada um e como é que vai ser essa jornada e como garantir o engajamento durante essa jornada, porque não é simplesmente igual vocês falaram, virar a chave, não é? Quais são exemplos aí… Camila, você está trabalhando já? Já teve oportunidade de conduzir também algumas dessas sessões de forma remota? Camila Palhares: Sim, já conduzi com cliente e com o próprio pessoal da DTI. Acho que é muito importante falar nesse processo a importancia de realizar testes antes de se rodar o design sprint ou qualquer que seja outar dinâmica remotamente. Acho que é muito importante a gente testar as ferramentas, testar tudo que a gente vai utilizar, seja de videoconferência ou de board que a gente vai usar para trabalhar com os clientes, testar isso antes porque essa parte de pré-trabalho, que é muito que está alinhado com o que a Fabiola falou de alinhar com o cliente, “Olha, a agenda vai ser maior, a gente vai ter tempos maiores de atividades, a gente vai diluir isso em mais dias. A experiência propriamente dita não vai ser a mesma, então a gente vai precisar de uma atenção, de um engajamento maior de vocês nesse e nesse período”. Então testar isso tudo antes e ter esse alinhamento inicial ele é fundamental para que o design sprint remoto e outras facilitações eles ocorram da melhor maneira, até porque igual o design sprint não tem receita de bolo, o design sprint remoto também não tem, é uma situação que você tem que se adaptar a realidade do cliente e com as ferramentas que você tem ali no momento. Óbvio que o planejamento é essencial, mas você também vai ter que lidar com adversidades ali, então por exemplo conexão de internet falhando ou pessoas falando ao mesmo tempo na call, isso fica mais difícil de gerencia, então também você vai ter que ter esse jogo de cintura para lidar com essa situação. Fabiola Faria: Em relação a essa questão de ter um alinhamento anterior, uma coisa que ajudou muito assim é que a gente nessas conversas que a gente foi tendo, nessas trocas que a gente foi tendo a gente chegou em algumas dinâmicas para descontrair mesmo, mas que elas já faziam as pessoas que iam participar trabalhar na ferramenta. Isso foi ótimo assim, porque você já faz uma apresentação de onde aquilo vai acontecer de uma forma um pouco mais descontraída, então as pessoas se sentem mais a vontade de errar, você já consegue perceber quem vai ter ali mais dificuldade mexendo nessa ferramenta que você vai usar para conduzir remotamente design sprint, e aí você consegue ali mapear algumas dificuldades que você vai enfrentar ao longo do processo. Então fazer uma apresentação também das ferramentas que você vai usar, para quem vai participar, é fundamental. Marcelo Szuster: Que interessante isso, ou seja… eu estou achando interessante porque primeiro tem que ter uma boa preparação, igual vocês estão falando, porque vai… é igual a Camila comentou, todo design sprint pode ter necessidade de improviso, mas esse remoto traz algumas dificuldades adicionais, então é bom ter uma preparação maior antes. Então quer dizer que como parte dessa preparação vocês já fazem uma sessão onde as pessoas ganham intimidade com essas ferramentas eletrônicas que vão ser usadas, é isso que você disse? Fabiola Faria: Isso, a gente rodou uma dinâmica mesmo, cada uma colocou, igual a gente costuma fazer algumas dinâmicas para descontrair no presencial, uma que a gente sugeriu assim, eu adotei no que eu conduzi, foi todo mundo colocar uma foto e algumas características suas, na verdade a gente colocou coisas que gostam e coisas que não gostam, e aí a gente já puxou ali uma votação. Então eu já consegui experimentar a parte de adicionar um post-it, adicionar um texto, adicionar uma imagem, fazer a votação. Então eu consegui pegar alguns pontos que a gente ia precisar da ferramenta ao longo dos dias e testar. Marcelo Szuster: Entendi. Que bacana. É como você disse, descontraí e já deixa a pessoa com menos medo da ferramenta, não é? Fabiola Faria: Isso. Marcelo Szuster: Quer dizer que existe… eu fico brincando que apesar de eu estar em uma empresa de tecnologia eu sou bem ignorante, sabe? Existe então forma de usar post-it aí nessas dinâmicas? Como é que é isso? Yas: Eu acho que essa é outra das mudanças importantes. A gente falou em uma, que é a agenda e o planejamento das atividades, a outra grande mudança é que você precisa de outro recurso para fazer a cocriação acontecer, porque no presencial você tem lá uma folha em cima da mesa, post-it, caneta, adesivo e todo mundo está colaborando ali, então você precisa emular de alguma forma esse mesmo ambiente no digital. E aí é legal que tem algumas ferramentas que no mercado que te ajudam a fazer isso. Tem duas que a gente vem testando na DTI, uma chama Mural e a outra chama Miro, e elas são basicamente um whiteboard digital e que todo mundo consegue colaborar e colar ali o seu post-it digitalmente. Então quando a Fabiola está falando que ela fez essa introdução para a galera se acostumar com a ferramenta é para isso, é para a pessoa se sentir confortável de ir lá, clicar, atribuir um post-it, fazer anotação, fazer uma votação, porque vai mudar, vai tirar todo mundo muito da zona de conforto, porque é uma ferramenta nova para todo mundo. Então esse cuidado em explicar a ferramenta, em planejar a ferramenta também vai ser muito importante no remoto. Marcelo Szuster: Então essa ferramenta que você disse todo mundo visualiza os post-its de todo mundo, e aí pode mexer, esse tipo de coisa? Camila Palhares: Sim, é como se você montasse a estação de trabalho de cada participante que vai estar ali junto com a gente na dinâmica. Então é como se cada um tivesse o seu grupo de post-its, a sua área ali que ele vai trabalhar e jogar as suas ideias ali, que a gente vai cocriar juntos. E isso entra muito nessa questão do pré-trabalho, então assim, é legal quando você tiver planejando essas dinâmicas você separar um tempo do seu planejamento para você montar essas estações de trabalho, para você organizar onde que as sessões vão acontecer. Se presencialmente a gente organiza o espaço físico, digitalmente a gente também precisa organizar essa área de trabalho, e conta muito como o tempo do planejamento. Eu acho que para a gente ter essas sessões com sucesso o pré-trabalho é um lugar onde a gente vai ter que se esforçar bastante para ter essa recompensa dele lá na frente. Marcelo Szuster: As estações de trabalho são grupos, as pessoas vão trabalhar juntas ou elas são individuais? Gabriel Tavares: A gente está falando, o que a Camila está comentando aí são os boards, as matrizes e a gente já colocar, já chegar preparado na hora da facilitação do processo. Então a gente já organiza, “Vamos utilizar qual ferramenta? Como que vai ser o processo?”, e a gente já monta isso dentro do Miro ou do Mural, como que vai funcionar as etapas ao invés de ter que fazer isso na hora. E isso também ajuda a gente entender um pouco melhor a ferramenta, porque afinal de tudo, nós que estamos facilitando devemos entender o máximo possível para poder explicar da melhor maneira para quem tiver dúvida no momento do processo em si. Marcelo Szuster: Então, gente, faz o seguinte, pega alguma ferramenta aí típica que vocês usariam, porque assim, eu sempre gosto de me colocar bem na posição de quem está ouvindo, e o objetivo aqui é compartilhar muito conhecimento. Então qual seria uma ferramenta típica que vocês usam em uma fase dessa e como é que ela seria feita no processo normal e como é que ela passa a ser feita aí usando boards eletrônicos e coisas desse tipo? Vocês conseguem dar um exemplo assim bem concreto? Gabriel Tavares: Acho que a jornada seria o mais simples, vamos falar assim, de exemplificar ou o mais fácil de lembrar assim, não sei. Fabiola Faria: Eu acho que foi também, pelo menos para mim, a jornada foi a que eu senti maior diferença assim na construção de um para o outro. Marcelo Szuster: Então explica aí rapidinho o que é uma jornada, como que ela é feita normalmente e o que é que muda aí quando a gente passa para esse mundo virtual. Gabriel Tavares: Então, por exemplo, a gente tem umas ferramentas que usamos bastante durante o processo de Discovery, que é a jornada, a jornada do usuário. Dentro do processo digital a gente tem que fazer esse levantamento, conversar com várias pessoas incialmente justamente para pensar já numa forma de como que vai funcionar essa jornada, entender um pouco melhor a situação. Em uma situação normal a gente só precisaria de uma folha de papel, vários post-its, a gente monta isso na hora, a gente já tem a dinâmica meio na cabeça, então a gente já consegue já mexer os post-its de uma maneira fluída, só que na hora que a gente passa para o digital isso muda um pouco. Então a gente precisa criar essa estrutura dentro do ambiente digital, de como que vão ficar, qual que vai ser a padronização, se eu vou ter guias, raias dentro dessa jornada, se eu vou ter que ter algum elemento que eu teria já fisicamente, um boneco ou então alguma forma de marcação, eu tenho que replicar isso no digital. A maior diferença é fazer esse preparo dessa ferramenta anteriormente, não é? Então transformar esses dispositivos, essas coisas, colocar imagens talvez, criar pequenos bottons para marcar, utilizar emoticons, etc., para fazer essa transição. Fabiola Faria: E geralmente a gente monta a jornada com o time inteiro, não é? No meu caso como o time era muito grande, fazer a dinâmica de montar a jornada com todo mundo junto talvez pudesse criar um caos assim nas chamadas. Então a gente dividiu o time em grupos, então cada fluxo foi um grupo e eu fui fazendo uma chamada com cada com grupo para montar a estrutura da jornada do processo inteiro. E aí depois a gente fez um processo de apresentar e todo mundo ir dando palpite ali para a gente alterar o que posso ter ficado algum gap ali na hora que você passou de um grupo para o outro. Gabriel Tavares: Uma vantagem do ambiente digital, igual a Fabiola falou, a gente fazer esse levantamento antes ajuda bastante na hora de produzir, mas depois se alguém não participou você já tem tudo isso registrado de alguma maneira. Então se alguém no final do dia, que não conseguiu participar das reuniões ou não era necessário para alguma reunião ou outra, mais no final do dia, ao final do processo o input da pessoa também é válido, ela consegue entrar dentro do arquivo, ela consegue ver, pontuar, comentar algumas coisas que num ambiente físico a gente tem um pouco mais de dificuldade de ter essa agenda, não é? Então isso facilita um pouco o ambiente. Marcelo Szuster: É interessante isso mesmo, como é que tudo tem os dois lados, porque tradicionalmente ficam aqueles papéis todos lá na sala, numa dinâmica dessa normal, e aí realmente só quem está indo fisicamente lá tende a ter acesso aquilo, porque o trabalho é intenso, normalmente não se vai documentando até chegar ao final. Aí pela natureza vocês já vão fazendo e documentando, então fica mais fácil incorporar gente ao processo na medida em que ele acontece. Fabiola Faria: Até a parte de documentação é mais fácil também, porque pegar também todos os post-its que a gente gera e trazer isso depois para o digital para gerar uma documentação para os times é bem trabalhoso assim. E assim a gente já vai fazendo e documentando, então já está tudo lá, quando você termina o processo já está tudo digitalizado. Marcelo Szuster: E do ponto de vista de criatividade mesmo assim, vocês acham que consegue se fazer uma coisa tão criativa quanto quando está todo mundo junto colaborando ou acaba que fica um pouquinho menos criativo? Vocês têm alguma posição sobre isso? Yas: Eu acho que é super possível sim, porque a metodologia que está por trás disso tudo, seja remota, seja presencialmente, que o design thinking, é ele que é poderoso e faz a gente ter ideias disruptivas e faz com que a colaboração gere coisas novas e diferentes. Então o processo em si, a metodologia não muda só porque você foi para o ambiente remoto, o que poder mudar sim, e aí a gente como facilitar tem que ficar bem atento, é engajamento, porque como no presencial a pessoa sente até um pouco de pressão por ter que se engajar porque está todo mundo ali te assistindo ao vivo, quando você está em uma call você pode se esconder ali, sua câmara não está ligada, você pode estar tomando um café, não está nem prestando atenção. Então eu acho que o cuidado que a gente tem que ter nesse sentido para garantir boas ideias e garantir um resultado bacana é engajar as pessoas, pedir para que todos compartilhem, você ver que alguém está muito silencioso, chamar essa pessoa para ligação, perguntar opinião, garantir que está todo mundo tendo tempo de fala. Então dá um certo trabalho extra assim como facilitador para você garantir esse bom resultado. Gabriel Tavares: Ligar a câmara, se possível, sempre. Marcelo Szuster: É, isso é um a boa dica, não é? Fabiola Faria: E eu acho que como é um processo que envolve pessoas assim, por mais que talvez tenha uma perda por essas questões que a Yas levantou, a gente ainda vai ter um processo criativo muito intenso, as pessoas elas se envolvendo elas ainda vão estar ali, vão estar criando, então mesmo que elas estejam separadas fisicamente ainda vai estar gerando coisas muito interessantes. Marcelo Szuster: Isso me lembrar um negócio uma vez, quando eu fiz um curso até de complexidade, uma coisa que eles falavam muito também, que tem muitas vezes que é melhor a pessoa pensar em um certo (inint) [00:20:33] porque daquele jeito ela tira o viés de grupo e ela tem mais chance de ter ideias diferentes, não é? Porque assim, se você já separa as pessoas em grupos automaticamente a pessoa acaba que pode ficar enviesada pelo grupo ou, dependendo da personalidade dela, falar menos ou coisas desse tipo. Se cada um… eu pensei nisso agora, quero ver se vocês acham que tem sentido. O fato de cada um estar mais isolado por um lado e podendo botar as coisas ali sem ter alguém olhando para a cara dela ou criticando o que ele bota, talvez faça a pessoa até ter chance de ter mais ideia. O que é que vocês acham? Camila Palhares: É, eu acho que pode as vezes dar voz ativa para pessoas que são mais tímidas, não é? Talvez por não estarem ali presencialmente, uma frente a outra, as pessoas que não teriam tanta voz ali pela timidez podem se sentir mais vontade por estarem ali por trás de um computador para exporem os seus posicionamentos, as suas ideias também. Então pode ser uma maneira de elas se expressarem e se sentirem mais à vontade naquele ambiente. Fabiola Faria: E eu acho que uma coisa que… Yas: Pode ir, Fabiola. Fabiola Faria: Pode falar, Yas. Yas: Não, que é uma coisa que acontece muito no… Marcelo Szuster: Uma das coisas ruins do ambiente virtual é isso aí. Yas: Não, mas uma coisa que acontece no presencial muito é que algumas pessoas têm personalidade muito forte e acabam dominando algumas dinâmicas, que elas têm uma opinião forte, elas se comunicam muito bem, e aí acontece isso que a Camila comentou, as vezes algumas pessoas ficam mais retraídas e não conseguem compartilhar tanto. No ambiente digital você meio que dá uma normalizada nisso, porque até não consegue muita gente falar ao mesmo tempo, não dá por causa da dinâmica da vídeo ligação. Então realmente não tinha pensando por esse ângulo, mas pode ser positivo sim por esse lado. Fabiola Faria: Mas eu acho que tem que ter mais sensibilidade as vezes de perceber quando uma pessoa ela tem mais dificuldade assim de expressar, porque se ela tem essa dificuldade quando você está em uma call, você tipo acaba tendo que controlar as pessoas que têm essa personalidade um pouco mais forte, porque senão a pessoa vai ficar caladinha, as vezes você nem percebe que ela está lá. Então você tentar mapear assim quem está participando com você e começar a entender os perfis mesmo não estando presencial, para conseguir puxar essa pessoa que é mais caladinha para falar também. Gabriel Tavares: Uma coisa que a gente também não precisa lidar tanto, que é a questão do espaço físico, que as vezes você precisa reservar alguma sala ou então tem alguma pessoa que é mais dominante, ela utiliza o próprio para dominar a situação, então ela faz muito gestos com as mãos, essas coisas e esses pontos a gente acaba não percebendo tanto no ambiente digital, mas e também pode ser igual o pessoal está falando aí uma forma de as pessoas não se sentirem tão inibidas de falar, sabe? Então se tem alguém que se posiciona melhor, domina, vamos falar assim, a sala, você não tem tanto isso no ambiente digital. Marcelo Szuster: Entendi. Agora uma coisa que ficou claro para mim é que o facilitador, se ele já é importante, no virtual é mais ainda, parece que ele tem que interferir mais ainda no processo aí para garantir fluidez, não é isso? Camila Palhares: Eu acho que o papel principal dele ali é ele entender que ele está ali para ensinar também, porque pelas pessoas estarem usando, às vezes, uma ferramenta que elas não têm tanta familiaridade e precisa ter esses dois vieses, e de tanto explicar a dinâmica, as vezes metodologias que vão ser utilizadas ali no dia a dia, mas também ter entendimento de que as pessoas estão ainda entendendo como aquela ferramenta funciona, como que esse processo funciona remotamente. Então acho que assim, é ter o dobro de atenção para fazer essa passagem de uma maneira que todos entendam como aquilo funciona, como elas conseguem participar. Então assim, é um trabalho em dobro. Marcelo Szuster: Uma coisa que eu fico pensando, eu queria ver com vocês pela experiência, se faz diferença, é que se eu entendendo bem, como vocês alongam um pouquinho o cronograma, justamente porque não dá para deixar todo mundo a semana inteira, oito horas no call, não é, vocês acabam, por exemplo, faz uma sessão de manhã, ou sei lá de duas horas, eu não sei exatamente, vocês podem até dar o exemplo, mas depois vocês tem como trabalhar em cima do material que é gerado com… pegar aquilo, refletir mais em cima, colocar de uma forma, etc., para talvez apresentar daqui a pouco, no outro dia, para outra turma. Isso também é uma diferença, não é? Porque eu vejo que os Discovery que eu já participei, design sprint, etc., você vê que é muito intenso e vai acontecendo tudo ali na hora, o facilitador, a equipe nossa tem pouco tempo durante o processo para fazer grandes reflexões. Isso que eu falei tem algum sentido ou não? Yas: Sim, com certeza. No presencial as informações estão vindo em uma quantidade muito grande, as vezes não dá tempo nem de processar, a nossa equipe, não é? Então no remoto, como a gente está espaçando as atividades. Enfim, essa diluição da agenda, por exemplo, ao invés de dois dias inteiros, full, a gente está trabalhando cinco dias de manhã. Então um período para a tarde você consegue fazer uma entrevista adicional, você consegue chamar alguém em uma conversa privada e esclarecer um ponto que de repente ficou meio nebuloso, você pode ir lá e dar um retoque em como a dinâmica está ficando, a ferramenta está ficando, então tem esse benefício. Em compensação, tudo tem os dois lados, no presencial como é tudo muito seguido e muito intenso a energia é muito grande, então a galera fica realmente imersa naquele assunto e é tudo muito fresco na cabeça das pessoas. Então no remoto, por exemplo, a gente tem que toda vez, numa nova ligação, recuperar o que foi feito antes, dar aquela lembrada “Galera, lembra? Na sessão passada a gente fez isso, discutimos isso, os pontos foram esses”, porque tende a perder um pouco dessa energia, desse… de lembrar mesmo o que foi discutido, então tem os dois lados. Marcelo Szuster: Você tem que ficar reestabelecendo o contexto toda hora, não é? No outro você está dentro do contexto, todo mundo engajado junto, não é? Nesse você tem mais tempo de reflexão e de depurar alguma coisa, mas você tem que ficar toda hora reestabelecendo contexto para garantir que está todo mundo junto, não é? Yas: Exatamente. Fabiola Faria: No nosso caso, com essa questão de ter que fazer uma mudança repentina de agenda, que a gente precisava fazer isso rápido para continuar o processo, a gente precisou fazer um intervalo de um final de semana assim, então quando a gente voltou na segunda foi um recapitulando grande, a gente perdeu umas duas pessoas que não conseguiram dar sequência na segunda, depois acho que voltaram. Mas tem esse problema assim de você as vezes não conseguir manter essa energia, você tem que ter um trabalho inicial em todos os processos de retomar tudo que aconteceu e retomar essa parte da energia também, de ir engajado as pessoas todos os dias. Marcelo Szuster: Entendi. Uma pergunta, gente, para a gente começar a caminhar aqui para o final. Imagina o seguinte, quando tudo voltar ao normal, sabe lá quando será isso, a gente passa a ter a opção de fazer remoto ou opção de fazer presencial. Vocês imaginam que nesse mundo onde você tem essas duas opções, vocês passariam até achar que tanto faz, já que cada um tem vantagens e desvantagens, ou quando volta a ser presencial vocês falariam: “Não, tem que fazer presencial, que é melhor”? Gabriel Tavares: Eu acho que tem… é igual você comentou, tem as suas vantagens e desvantagens e tem que avaliar cada cenário, porque igual o comentário antes, não é uma receita de bolo. Vantagens do remoto é que você pode ter uma pessoa em cada lugar do Brasil, você está em outra cidade, ou até do mundo mesmo e está todo mundo dentro do mesmo processo, você tem outros problemas de distanciamento, mas ainda está todo mundo dentro do mesmo processo, então você tem essa vantagem. Outra coisa que eu percebo, o pessoal comentou aí de planejamento de horário, se a pessoa estiver muito agarrada e ela não puder ficar dois dias seguidos em um processo, fazer esse espaçamento também é vantajoso para ela. Então se você tem ao invés de dois dias seguidos, você ter quatro de manhã, a pessoa pode dar prosseguimento no trabalho dela na parte da tarde e a gente conseguir fazer o processo na manhã sem que ela tenha que se deslocar para um ambiente ou fazer um compromisso de estar dois dias 100% focado. Então a gente tem essas vantagens. Marcelo Szuster: Esse ponto que você colocou eu achei ele importante para caramba. Você vê como é que são as coisas, como é que essa situação nova faz a gente quebrar muito tabu, não é? Igual do dia para a noite todo mundo foi trabalhar de home office e quebrou o tabu em todos os lugares que achavam que isso não era possível. Eu já me vi muitas vezes defendendo para cliente que ele tinha que arranjar um jeito de botar todo mundo numa sala uma semana, por exemplo, se não fosse assim não ia dar certo. E na verdade esse processo aí se ele for bem conduzido ele cria uma flexibilidade, que é como você disse, você consegue até usar gente que está fisicamente distante e que no processo tradicional a gente ia acabar abrindo mão dessa pessoa. Gabriel Tavares: Sim, e dá para você até intercalar nesse cenário por exemplo. O processo que a gente fez com um dos nossos clientes, a gente teve a vantagem de fazer um levantamento, uma sombra antes de entrar para o processo de Lean Inception, e tudo isso foi de forma presencial. Então fazer esse levantamento presencial ajudou bastante dentro do processo e depois pôde guiar a gente no processo digital. Então se a gente utilizar dos dois, o melhor de cada um dos lados, do presencial e do digital, a gente pode ter resultados bem interessantes. Fabiola Faria: Tem uma outra parte também nesse processo de descoberta, que tem esse processo inicial, para iniciar um projeto, para iniciar uma parte maior assim, mas isso vai acontecendo ao longo dos projetos o tempo todo também. Então a gente tem ferramentas de teste, tem algumas ferramentas que você vai para entender um contexto de negócio depois que você já startou um projeto, que elas continuam acontecendo e elas precisam acontecer a distância também. E também é uma dificuldade que a gente tem enfrentando. E pegar alguns que foram utilizados nesses designs sprints remotos e trazer para essa realidade dentro do projeto também está sendo bem enriquecedor assim. Marcelo Szuster: Gente, muito obrigado aí pela participação de todos. Só para ir fechando. Eu acho interessante demais, primeiro a capacidade de adaptação, a gente defende demais isso na DTI, acho que é o mote agora do mundo as pessoas se adaptarem a essa nova realidade. Acho que ficou claro aqui que é totalmente possível fazer essa adaptação, desde que seja bem planejado como vão ser as dinâmicas, como vai ser a facilitação aí no mundo virtual. Mas o que eu achei mais interessante aí também é que não é só uma questão de adaptar para agora, a gente está criando agora uma nova opção de fazer as coisas remotas que inclusive, em alguns momentos, mesmo no mundo quando ele voltar ao normal, digamos assim, a gente vai poder tirar proveito desse aprendizado, acho que isso é bacana demais. E a grande recomendação aqui que eu queria deixar para quem estiver ouvindo a gente, é que realmente não pare as coisas por causa disso, não deixe de começar coisas, de fazer coisas que são importantes e que precisam fazer problem frame, Discovery, o que seja que envolva atividades multidisciplinares, não parem isso porque eu acho que o que todo mundo pode fazer agora é cumprir a sua regra de isolamento, mas ao mesmo tempo, dentro das suas possibilidades, fazer as coisas andarem para a gente poder sair dessa. É isso aí então, pessoal. Um abraço e até o próximo episódio. Gabriel Tavares: Muito obrigado, gente. Fabiola Faria: (Inint) [00:32:13], gente. Yas: Valeu, pessoal. Até mais.

Descrição

No episódio de hoje contamos com a Yasmin Fonseca, Fabíola Faria, Camila Palhares e Gabriel Tavares, uma equipe de designers, para falar sobre o processo de Product Discovery em um ambiente virtual. Será possível aplicar as metodologias do design thinking de forma remota? Qual caminho seguir e quais ferramentas utilizar? Não perde tempo e já corre para sua plataforma de streaming preferida, porque explicamos como fizemos tudo isso, na prática.