: :
os agilistas

#97 Hype dos negócios: Realidade Aumentada

#97 Hype dos negócios: Realidade Aumentada

os agilistas
: :
Szuster: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio dos Agilistas. E nessa série que a gente tem feito, falando sobre tecnologias, hoje nós vamos falar sobre uma tecnologia que é bastante promissora, que pode causar bastante impacto, que é a realidade aumentada. Nós vamos discutir o que que é a realidade aumentada, não é uma coisa nova, e se ela realmente vai cumprir as promessas, não vai, o que que já foi feito nos últimos anos. Enfim, nós vamos discutir bastante esse assunto e para isso nós temos aqui, por parte da DTI, a Luana. Tudo bem, Luana? Luana: Tudo joia. Bom dia, boa tarde, boa noite pra você. Szuster: Exatamente. Eu sempre falo que eu copiei isso lá do Café Brasil, o Luciano Pires fala bom dia, boa tarde, boa noite. Estamos aqui também com o Vinicião. E aí, Vinicião, tudo joia? Vinicius: E aí, pessoal? Joia, vamos lá. Szuster: Pra falar desse assunto, nós temos aí dois convidados, gente. O Alessandro Cauduro e Pedro Augusto Bocchese, e eles vão se apresentar agora para a gente poder começar essa conversa. Tudo bem, Alessandro? Por favor, se apresente aí para os nossos ouvintes te conhecerem, fale um pouquinho do teu histórico. Alessandro: Oi, pessoal, obrigado pelo convite. Eu sou o Alessandro Cauduro, trabalho com digital há mais de 25 anos, peguei até antes do início da internet comercial no Brasil, que faz muito tempo. Minha área de atuação sempre foi a inovação, eu sou da área de tecnologia, e no ano de 2000 eu ajudei a fundar a agência digital da W3haus, que ela é uma das pioneiras no Brasil e acabou crescendo para virar um ecossistema de empresas de comunicação digital que se chama Haus hoje. Há cerca de dois meses atrás, a nossa empresa foi adquirida pelo grupo Stefanini, que é uma das maiores empresas de tecnologia no Brasil. Eu estou sempre olhando, então, para tendência, inovação. A realidade aumentada é um dos tópicos que a gente está monitorando porque a gente está vendo que está vindo com grande força no momento. Szuster: Quer dizer que você é da época dos BBS ainda? Alessandro: Peguei BBS, é verdade. Cuidado que o pessoal não vai entender o que a gente tá falando aqui. Szuster: É, isso que eu fiquei pensando, essa sigla o pessoal vai na internet agora dar uma pesquisada, o que que é BBS. E você, Pedro, tudo bem? Se apresenta aí para o público, por favor. Pedro: Tudo bem. Bom dia, é um prazer estar contribuindo, falando um pouco sobre a realidade aumentada, experiência imersiva, que trabalhamos a mais de três anos nessa área. Meu nome é Pedro Bocchese, atuo como diretor executivo da Núcleo Sistemas, sou pós doutorado na área de administração e doutorado na área de ciências da linguagem, trabalhando em cima dos algoritmos da Google, onde nós trabalhamos muito forte essa relação entre o uso da experiência imersiva, realidade virtual, realidade aumentada e realidade mista, na geração de dados para trabalhar a relação de indicadores, análises e visões dos dados oriundos da aplicação dessas tecnologias. E agradecer ao Szuster, à Luana, o Vinicius e ao Alessandro Caudura, é uma oportunidade ímpar podermos contribuir e fomentar a inovação, a tecnologia e essas novas formas de utilizar essa relação com o cliente, consumidor final, fornecedores e colaboradores. Szuster: Eu queria começar então, Pedro, emendando com você, a pergunta mais básica, para os ouvintes aqui e para mim também. O que é realidade aumentada? E você falou aí também de experiência imersiva, uma coisa está conectada com a outra? Necessariamente, a experiência imersiva requer a realidade aumentada, entendeu? Fala um pouco sobre isso, por favor. Pedro: Na verdade, nós estamos trabalhando o conceito de experiência imersiva mais ou menos há dois anos, e aí tanto a questão de leituras, quanto a questão de artigos publicados, num conceito de guarda-chuva, onde dentro da relação de experiência imersiva nós temos algumas tecnologias que podem ser aplicadas onde nós podemos trabalhar a questão de realidade virtual, onde nós criamos cenários onde através de um VR, de óculos, a pessoa pode interagir dentro desse cenário, a gente cria um modelo 3D onde tem interações. O uso de realidade aumentada, onde nós trabalhamos a relação dos objetos 3D fazendo interações dentro do ambiente real. A realidade mista, onde a gente faz um híbrido dessas duas formas. Bem como, dentro da experiência imersiva, a gente trabalha também as relações com tours virtuais, imagens e vídeos 360. Então nós caracterizamos, junto com algumas pesquisas, essa relação da experiência imersiva como um guarda-chuva portando essas quatro tecnologias e essa quatro formas de interação com o usuário, colaborador, cliente, que vai fazer essa imersão, ter essa experiência imersiva dentro de alguma solução específica. Szuster: Entendi. Mas então, Alessandro, eu queria perguntar para você, você tem um bom exemplo que ilustre o que é a realidade aumentada, que não deixe nenhuma sombra de dúvida mais para alguém? Afinal, o que é a realidade aumentada? Alessandro: Quando eu tento explicar para uma pessoa leiga o que é a realidade virtual, realidade aumentada, eu acho que a maneira mais simples dela entender e se lembrar depois é ela olhar para o que está escrito, não é? Porque às vezes a gente não para e pensa nesse sentido tão literal. Então, realidade virtual, o que significa? É totalmente digital. Quando a gente pensa realidade virtual, a gente pensa aquela pessoa usando óculos, está num mundo totalmente digital, então não tem nada real ali. Pode ter, através de uma webcam, mas na prática é tudo informação digital. Realidade aumentada é exatamente isso, a nossa realidade, que a gente tem na nossa frente, só que ela é aumentada pelo digital, então eu acho que aí é uma maneira da pessoa entender qual é a diferença de realidade aumentada e realidade virtual de uma maneira bem simples. Então, às vezes as pessoas se confundem com os termos, mas eu acho que essa é maneira mais simples de entender. Szuster: Ou seja, quando alguém bota óculos, igual meus meninos, adoram ir naqueles brinquedos que você coloca óculos lá e anda de montanha russa, isso é uma realidade virtual, não é, porque é tudo completamente criado ali. Alessandro: Exatamente. Szuster: Mas quando você interage com o ambiente onde você está, você está aumentando aquela realidade. É isso, não é? Alessandro: Exatamente. Szuster: E aí, Luana, eu queria emendar a Luana, ela é designer aqui na DTI, PO, não sei, aqui nós somos de trajetórias bem flexíveis, não é, Luana? Você podia se apresentar também e falar um pouco, que a gente tem construído uns cases interessantes de realidade aumentada, para a gente dar mais um exemplo concreto antes de prosseguir com a discussão. Luana: Eu sou a Luana, eu sou designer aqui na DTI, product designer, eu defino designer de produto porque a gente está só trabalhando com a experiência usuário e a interface. Na realidade aumentada a gente trabalha com uma experiência sensorial, que é o seguinte: a partir do momento que através de um dispositivo a gente projeta uma, eu falo perturbação porque é algo que não está ali sem a utilização de um dispositivo, e abre-se um campo maior de visualização. Ou seja, sem o dispositivo, você não visualizaria um momento de interatividade, uma perturbação mesmo, um design, um objeto 3D, você não interage com a plataforma. Hoje na DTI eu trabalhei num projeto de realidade aumentada onde a gente trabalhou do 3D ao 2D. De acordo com a necessidade do cliente a gente entendeu que a simplicidade era um fator chave para entregar um resultado. O que seria a simplicidade? A partir do momento em que a gente emula um objeto através de um dispositivo móvel, no caso utilizamos o celular, também pode ser utilizado via câmera de computador, na leitura de um QR Code, nós fizemos várias (inint) [00:08:09] para poder entender qual era a real necessidade do cliente. Então, o projeto veio de forma a instruir o usuário sobre o laudo médico que acontece da seguinte forma: a partir do momento que você faz um exame de glicemia de jejum, nós disponibilizamos para o usuário o laudo de forma interativa, que capacite e facilite o entendimento do usuário quanto a interpretação desse laudo. A maior dificuldade hoje do nosso cliente é não dar um diagnóstico e sim um laudo, com valores de referência e entendendo o que aquela análise certifica. Nesse conceito de deixar simples, fizemos um corpo humano interativo, onde a pessoa entende em qual órgão está sendo produzida uma toxina, uma proteína e como ela interage naquele diagnóstico, naquele resultado na verdade, do exame. Então, a ideia é educar e ter uma forma mais interativa do entendimento do usuário com o laudo que está sendo fornecido. Lembrando que o laudo médico é sempre muito sensível, então a gente precisou tratar de uma forma bem simples e objetiva para que seja fácil. É isso. Szuster: Entendi. Pedro, a gente nessa série tem falado sobre hype, você diria que agora a realidade aumentada está finalmente se tornando uma tecnologia consolidada e que vai trazer muito retorno? E, se sim, por que isso não aconteceu antes? Pedro: Perfeito. Eu até gostaria de corroborar o que a Luana falou, a questão da mobilização dos sentidos, que eu acho que é extremamente interessante quando a gente fala dessa relação tanto do uso de dispositivos, de tecnologias de digital, e aí sim, trazendo essa relação de realidade aumentada, onde a Universidade de Berkley fez uma pesquisa, e aí sim trabalhou as 27 emoções relativas ao que pode fazer com que uma pessoa sinta uma emoção, e aí sim construir uma tecnologia que faça que isso seja real. Então, só contribuindo aí com a Luana. Respondendo, Szuster, eu fiz uma análise do Gartner nos últimos três anos e o Gartner Group ele trabalha uma questão das tecnologias emergentes. E nesse último ano, então, ele fez uma avaliação de que o processo de realidade aumentada, então ele já saía de uma tecnologia emergente, e a partir daí ele entra como uma tecnologia real e faz om que a maioria das empresas, tanto desenvolvedoras bem como clientes, ou empresas que vão ser fornecedoras ou que vão consumir dessas tecnologias, elas entendam já que é uma realidade. E isso faz com que a evolução, e todo mundo aguarda muitas vezes o Instituto Gartner Group fazer essas avaliações para identificar assim: bom, agora ela já está aplicada e a partir daí a gente nota um movimento das grandes empresas aqui da região do Rio Grande do Sul. Marcopolo e Randon foram as primeiras as quais elas começaram a implementar essas tecnologias dentro da sua própria organização, trabalhando muito a relação de treinamentos, análise de risco, segurança, meio ambiente, bem como a questão do uso de força de venda utilizando essas tecnologias. Então, quando a gente fala de trabalhar a questão de vendas tanto com simuladores, a gente tem aqui o caso da Marcopolo que ela criou o simulador do ônibus onde a pessoa pode entrar e configurar o ônibus, trocar poltrona, tecido, piso, lateral, cortinas, bem como fazer essas projeções, onde o ônibus vai aparecer na tua frente, utilizando o conceito de realidade aumentada. E para o caso da Randon eles fizeram um trabalho interno, que é fazer com que todos os colaboradores pudessem fazer um treinamento no estilo de gamificação, onde todos eles são monitorados, eles se logan, colocam óculos e eles vão passando por uma trilha. E dentre essa trilha, eles vão entrando nas fábricas e vão fazendo avaliações de risco, e cada risco identificado eles têm que fazer um comportamento, a própria ferramenta faz com que ele tenha que se portar e identificar o que ele faria se aquele risco realmente fosse acontecido. Então, nós atuamos muito nesse viés de relação do Gartner Group, saindo da questão de tecnologia emergente para tecnologia real, e após isso vendo um movimento dessas grandes empresas iniciando aí esse movimento para essas soluções. Alessandro: Complementando o Pedro, sobre essa questão de deixar de ser emergente para ser uma tecnologia real, acontece com todas as tecnologias. Para acontecer de fato, virar uma coisa concreta, ela precisa de duas coisas: não só a tecnologia, mas também o comportamento do consumidor. Então, hoje, se a gente for ver, todo mundo usa realidade aumentada. Todo mundo. Eu estou dizendo todo mundo porque todo mundo usa filtro do Instagram, usa filtro do Facebook, e isso são exemplos de realidade aumentada. Então, o que aconteceu nos últimos anos? Os celulares ficaram cada vez mais potentes na mão das pessoas, a Apple e Google incorporaram tecnologias de usar software que olha para a imagem e transforma aquilo em informação 3D em tempo real. Então, a tecnologia evoluiu muito, o consumidor começou a utilizar ela, então começa a convergir essas duas coisas, é o momento em que, então, a tecnologia de fato deixa de ser tendência e vira realidade. É que nem eu falei: realidade aumentada hoje é uma realidade porque as pessoas usam todos os dias já e nem se dão conta que é realidade aumentada, então é uma coisa muito natural. E quem viu que é um grande negócio, está dando um grande push nesse negócio, são os Big Players, então Facebook, Google e Apple, são os caras que estão explorando, porque eles estão vendo oportunidade de negócio. Então o Facebook até anunciou, foi essa semana, que vai começar então a ter pessoas usando óculos sem ter um visor, só para coletar dados. A Apple está com esse boato de que vai lançar o Apple Glass, que vai ter o sensor LIDAR que ele mapeia o mundo em 3D. Está todo mundo experimentando nesse espaço porque existe um grande negócio aí que é a gente criar uma interface com menos fricção. A Luana falou, não sei exatamente qual a palavra que ela usou, mas hoje não é uma experiência sem fricção. Szuster: É um distúrbio, não é? Perturbação. Alessandro: Ela usou perturbação, perfeito. Então, a ideia é que a gente vá para uma interface integrada. E o Facebook, Apple e outras empresas já começam a vislumbrar que a realidade aumentada também é um caminho para o ser humano aumentado. O Facebook inclusive comenta em fazer experimentos de super audição, de melhorar a nossa visão. Então, se a gente for querer viajar um pouco, a gente pensa no que o Elon Musk está criando que é uma interface para o cérebro, a gente consegue pensar num mundo muito louco que está por vir à diante. Mas, só falando então, eu não acho que realidade aumentada é uma tendência, mas eu acho que é uma realidade já. Vinicius: Em partes eu concordo com vocês. O Pedro citou a questão do Gartner, do pico das expectativas infladas e depois tem o vale da desilusão, parece que a gente está entrando ali mais naquela curva de produtividade que eles citam. Mas ainda me parece que são aplicações um pouco mais de jogos, um pouco mais acessórios, vamos falar assim. Vocês já entendem que a gente já está num caminho curto? Quando eu falo caminho, caminho curto de um, dois, três anos para realmente virar bem mainstream? Até comparando um pouco, por exemplo, com a pandemia agora, e falando um pouco de realidade virtual, não de realidade aumentada, me pareceu até que uma ia até engolir a outra em relação à velocidade, porque pela necessidade a gente vê o quão pobre ainda é, por exemplo no caso da realidade virtual, essas interações que a gente faz igual a gente está fazendo agora aqui, via Teams. Eles lançaram aquela questão do Together Mode, que é uma realidade virtual ainda bem pobre. Então, me pareceu até que a realidade virtual ia dar um salto na frente da realidade aumentada. Mas, voltando a realidade aumentada, vocês acham que é uma coisa de um, dois, três anos para virar um negócio totalmente mainstream, todo mundo usando, realmente ferramentas quase que essenciais e ter uma necessidade já de estar usando a realidade aumentada? Alessandro: Eu, como eu falei, acho que já existe. Então, por exemplo, o Google Maps, lá em Nova Iorque, tu já usa com realidade aumentada para ele te orientar nas ruas como tu anda, porque eles já mapearam toda a cidade de Nova Iorque, prédios e tudo. Já tem carros, como o da Mercedes, que também tem essa realidade aumentada no painel do carro, que usa para te guiar para onde andar, e no ano que vem começa a massificar no sentido que vai ter esses óculos. Então o Facebook deve lançar no ano que vem, talvez junto com a Ray-Ban, a Apple também, não vai massificar tão rápido porque deve ser caro, não deve ser nada barato. E sobre a questão de realidade virtual versus a aumentada, que você comentou, eu acho que a grande dificuldade hoje da realidade virtual, para massificar, é que tu precisas de um device específico, enquanto a realidade aumentada é mais acessível, através de celular e computadores, por isso que não decolou tanto. Mas, como a Luana deu exemplo ali da questão da saúde, já tem muitos usos atuais e, quando a gente vê a tecnologia acelerar, ela é bem exponencial. Então, hoje o que parece longe pode ficar muito perto, ainda mais com a pandemia, que a pandemia acabou forçando as empresas a criar experiências de aproximar o consumidor de uma maneira digital do produto. As pessoas estão indo menos às lojas, menos contato físico, então tanto realidade virtual quanto a aumentada são maneiras de aproximar consumidor e empresas. Szuster: Sabe o que eu acho interessante? Eu achei bacana quando você disse dos próprios filtros, já são exemplo de realidade aumentada. Outro dia, tem uma funcionalidade do Google que você procura um bicho – eu testei isso com os meus meninos –, aí você olha uma baleia e ela aparece dentro da sua sala, um negócio superinteressante. Por que eu estou falando isso? Na medida em que o negócio começa a ficar extremamente comum para o consumidor normal, digamos assim, para as pessoas no dia a dia, isso realmente populariza, tanto por causa do poder computacional, quanto as pessoas não estarem achando aquilo nem estranho. Eu lembro que, há um tempo atrás, todo mundo olha aquilo, parece ficção. O próprio Google Glass fracassou, não sei agora como é que vai acontecer com eles. Mas eu queria ver com a Luana o seguinte: como é que os usuários têm interagido com isso? Porque essa nova geração, o pessoal mais novo, vai achando isso tão natural que daqui a pouco, eu acho que é o que o Alessandro e o Pedro disseram, a gente já vai estar interagindo com o mundo assim. Aquela história de que a tecnologia ela vira ar que você respira, você nem percebe que ela existe. Daqui a pouco a gente vai estar interagindo com o mundo. Eu pego um mapa, eu olho no mapa e vejo as coisas. Eu entro num carro, o carro tem realidade aumentada. Então, isso vai estar como se fosse existindo em tudo, não é? Luana: Exatamente. Nós entramos em produção, a gente está procurando ser mais data driven, então nós estamos num processo de análise. Definimos que em três meses iremos analisar tanto o quanto a nossa solução está num aplicativo que a gente também está atuando, então a gente quer medir a interatividade, quantas pessoas estão acessando essa realidade aumentada para ver tanto o laudo quanto a interatividade e a construção de consciência e conteúdo para o nosso usuário. Uma coisa que eu gostaria de falar é que quando a gente está trabalhando no ramo da saúde a gente tem que ter uma experiência especialmente rica e a gente tem que garantir um valor ao destinatário sem ser invasivo ou desconcertante. Eu acho que um projeto que pode favorecer a nossa experiência ali é de começar a trabalhar o sound desing, então imergir mais o usuário nessa solução pode garantir também que a gente tenha uma experiência diferenciada dos concorrentes, que é o seguinte: a partir do momento que a gente trabalha com a multissensorialidade a gente agrega mais valor. Então, a gente também está preocupada com a solução ser acessível para pessoas que têm alguma desabilidade, alguma disfunção, então nós queremos também colocar a leitura desse laudo de forma interativa. Porque mesmo que as pessoas não utilizem a realidade aumentada em si, que a solução seja inclusiva. Eu não consigo te dizer hoje quantos dados nós temos de acesso porque a gente está nesse gap desse período de três meses, e a gente também depende de que essa solução seja difundida pelo cliente. Nós fizemos tudo novo, então a partir do momento que a gente entrou com o aplicativo novo na loja, precisa (inint) [00:22:15] substituir o antigo, por uma questão estratégica, a gente precisa conquistar de novo os usuários e informar que essa solução está disponível de uma outra forma nas lojas, tanto da App Store quanto da Google Play. Pedro: Eu gostaria de corroborar com o Alessandro na qual a relação das empresas hoje. Hoje já é uma realidade. Aqui no Rio Grande do Sul nós temos já bebidas, empresas de vinícolas que já está sendo utilizados aplicativos de realidade aumentada para rótulos, então já tem uma ação muito forte aqui no setor vitivinícola. Outro setor que está muito forte é o da indústria de móveis, onde a gente tem dois aspectos bastante relevantes aplicados já com o uso dessas tecnologias. Um é o de projeção, então todos os objetos, que são os móveis, já são projetados no ambiente para identificação, inclusive trocar a cor, características, tamanho, então hoje já está muito forte isso. Tours virtuais nesse processo de pandemia. E não é um tour virtual só de passeio, é um tour virtual de interação, é a questão dos multissensoriais e, inclusive, é possível fazer compras. Então, dentro do tour virtual, ele consegue realizar esse passeio e ele vai selecionando esses produtos, e no final ele já tem o seu carrinho de compra, onde ele já sai com essas relações. Então hoje, a aplicação aqui, ela já está escalada tanto para pequenas empresas, a gente pegou um caso aqui que a gente notou e, trabalhando a questão da Luana, é uma empresa que vende roupas. Ela teve numa semana 116 mil acessos, e aí a gente só foi trabalhar da questão de localização, mas com o uso de realidade aumentada, interagindo entre produtos e engajamento, como se fossem filtros de Instagram também. A gente fez um merge, vamos chamar assim, usou um pouco de cada dessas soluções, e aí a gente viu um resultado muito grande, 116 mil acessos, com capturas, relacionadas ao uso. Clubes de futebol já estão fazendo a sua relação com os museus, então já também sendo trabalhadas nesse sentido. Então, para nós, nós entendemos aqui já como realidade e movimento já está absorvendo tudo isso. Vinicius: Sabe uma reflexão que eu me faço várias vezes, vocês aí, que são especialistas, o que vocês acham disso. Eu acho que tem dois desafios nesse sentido, dois grandes desafios. O Alessandro até falou ali sobre a questão de hardware, no caso, a realidade virtual é mais difícil ainda, um ponto de grande impedimento é a questão do hardware. Mas, querendo ou não, a realidade aumentada, se for imaginar, também de certa forma. Eu estava assistindo uma edição do podcast do Elon Musk, em 2019, com o cara do MIT, do Lex, eles têm um podcast famoso, eles estavam comentando sobre ciclo de hardware. Eles já estavam até falando um pouco da valorização que aconteceu com a Tesla, porque ela já tinha mais de não sei se é 300 mil ou 500 mil carros na rua, já com uma versão de hardware mais madura, porque os ciclos de hardware são extremamente mais lentos do que os de software. Então, você tem um ciclo mais lento de andar e se você faz um produto que não é tão adequado, para você renovar é muito lento, é caro. Que eu já esperava que no ano atual a gente tivesse mais mainstream, então talvez um dos pontos seja esse, seja esses ciclos de hardware, que eles demoram a amadurecer. E o outro ponto, são detalhes de user experience que faz total diferença pra mim. Por exemplo, eu comprei recentemente uma Alexa. Na minha cabeça, imaginando, porque eu nunca tinha interagido com uma Alexa, eu ficava achando que era bem natural você sair perguntando as coisas para a Alexa. Mas, na hora que eu comecei a interagir, eu não achei tão natural, não, sabe? Eu achei um pouco forçação de de barra, minha esposa até ficou rindo. Então, eu acho que tem detalhes de UX que na hora que eles forem resolvidos, o negócio dá um salto. Então, só resumindo, eu acho que tem esse problema dos ciclos de hardware e esse problema de pequenos detalhes de UX que fazem o negócio ficar um pouco mais natural. Eu não sei o que vocês acham disso. Alessandro: Para complementar, Vinicius, porque tu falou exatamente isso, hoje qual é a grande barreira de realidade aumentada? Precisa ter um App. E para uma empresa criar um App é um investimento considerável, não só de criar o aplicativo, manter ele, etc, mas a grande barreira também é fazer as pessoas instalarem e usarem, então essa é a grande barreira hoje da realidade aumentada. Acho que foi o Szuster que comentou ali, não sei se é baleia ou tubarão, que estava rolando no WhatsApp, acho que foi até minha mãe que me mandou, isso aí já está começando a funcionar na web, basta um link para a pessoa acessar. Então Google e a Apple estão trabalhando para que isso seja mais acessível e mais fácil. Hoje a maneira mais fácil de criar uma experiência de realidade aumentada é fazer dentro do Facebook porque ele já tem ali, mas você está dentro do ambiente deles que tu não tens muito controle e eles só permitem fazer coisas simples. Mas, hoje, o que impede, então, massificar, é a questão de necessidade de um App. Na hora em que cada vez menos precisa-se ter um App para ter uma experiência de realidade aumentada, eu acredito que isso aí também facilita. Então, a questão do UX, que a experiência da pessoa ter que procurar um App, baixar o App e depois usar ele talvez esteja impedindo de massificar mais ainda. Szuster: E vocês acham que agora essa questão de dispositivo, tipo os óculos da Apple, etc, vai funcionar? Porque o Google Glass foi um fracasso grande, não foi? Pedro: Eu, particularmente, acredito que tudo é uma evolução de comportamento, de adaptação de tecnologias, principalmente quando a gente fala de hardware, no caso aí dos VR dos óculos, como o de software, como a dependência de aplicativos para serem instalados para conseguir fazer. E aí, o grande segredo do Facebook, do Instagram, foi utilizar os algoritmos deles para fazer essas questões de filtros de interações principalmente. Mas eu entendo assim, que é uma realidade, não tem volta, a gente não vai voltar, a gente vai se adaptar. Quem começou a trabalhar com tecnologia no século passado, a gente talvez não imaginava o que teria hoje disponível, e as adaptações elas vão ocorrer e já não mais numa forma tão gradativa, em passos pequenos, mas, sim, já num modelo mais exponencial. Então, eu enxergo muito pragmaticamente a questão do uso desses dispositivos para cada vez mais rápido e ainda mais com essas mudanças culturais e essa nova geração que consome muito forte esse uso. O Gartner fez também uma pesquisa dizendo que os consumidores, 60% estariam dispostos a pagar alguma coisa a mais pelo uso de experiências, inclusive nos seus lares nesse processo de pandemia. A questão da compra, quase 50% já estariam com ideias de comprar o VR para uso. Então é algo que a adaptação ela vai ser muito rápida e esses grandes players – Facebook, Apple – vão fazer com que nós utilizemos isso de uma forma muito rápido. Claro, muito vai variar ainda a questão de custo, mas eu acho que não tem volta. Alessandro: Eu estava pensando aqui só sobre essa questão da evolução da realidade aumentada. Eu acho que a nossa vida anda tão acelerada que a gente imagina que as coisas, elas estão acontecendo muito rápidas, não é? Se a gente voltasse 20 anos e falasse pra alguém: no futuro tu vai ter um aparelho que tu vai botar no bolso, tu vai ter o mundo todo mapeado, tu vai descobrir informação sobre todos os negócios que existem, inclusive ele vai te guiar pelas ruas, te mostrar o caminho visualmente. E todo mundo tem isso disponível hoje na hora que tu tens um celular e, enfim, os aplicativos, não é? Eu quero dizer com isso que a gente tem muitas coisas hoje já acontecendo e a gente acha pouco, porque querem mais rápido ainda. Se a gente pegar daqui a dois, três, anos e conversar de novo, vai ter mudado tudo, muito, vai ter mudado muito. Que nem a gente estava falando, talvez a gente nem vai mais falar sobre a realidade aumentada, assim como existe browser, faz parte das nossas vidas, a gente já acha normal. Szuster: Isso que eu fico pensando. Se os óculos realmente pegar, ele muda tudo, na minha visão, porque você começa a continuamente poder botar informação no mundo, não é? O cara está andando pela empresa, está vendo os indicadores; encontra com a pessoa, tem informação da pessoa; sai na rua, tem informação. Assim, o cara vai achar até estranho o mundo sem óculos: está faltando coisa, está faltando informação aqui. É engraçado como isso parece que muda tudo. Alessandro: Os óculos podem te dizer: vai chover, bota um casaco. Tu vai olhar para uma árvore que tu não sabe o que é, ele vai te dizer: essa é a árvore tal, pode consultar informação. Szuster: O nosso cérebro vai atrofiar, ninguém vai ter que saber mais nada. E já acontece com o mapa, ou seja, a geração mais nova não tem que saber caminho nenhum, não é? Eu nunca soube, por características pessoais, mas a geração mais nova ela simplesmente não tem nem que conhecer o conceito de mapa, simplesmente o Google vai guiando. Eu acho curioso isso mesmo que você falou: você está andando na rua, tudo está automaticamente identificado para você; tudo que você olha alguém te fala o que é. Alessandro: Eu olho também, como o nosso negócio é de comunicação com o consumidor final, muito pro lado de entretenimento e interatividade com as marcas. Semana passada ou retrasada a Nintendo lançou um produto que se chama Mario Kart. Eu fiquei com vontade de ser criança. Não sei se vocês viram, mas é como se fosse um autorama onde a pista é totalmente virtual, então tu controlas o carrinho através do App, existe um carro físico dentro da tua sala, e as interatividades são todas digitais. E o mais louco na realidade aumentada, é que duas pessoas podem participar da mesma experiência através dos seus devices. Então, quem está olhando de fora isso, parece que são dois loucos. Szuster: Dois malucos. Muito legal. Luana, uma coisa que eu fiquei curioso também. Quando você fala em sound design, o som também é uma realidade aumentada, você está colocando uma nova coisa ali na realidade, não é? E a gente sabe, eu acho curioso, porque o som tem uma capacidade de emocionar, de mexer com a gente muito grande. Você vê que trilha sonora para um filme é fundamental. Tem certas cenas, a mesma cena sem a trilha, com outra trilha, eu acho que talvez nem tocasse as pessoas. É isso mesmo, é uma realidade aumentada, e fala um pouquinho sobre esse sound design. O que eu imagino: a medida em que a gente começar a usar óculos e aí acostuma a botar alguma coisa no ouvido também, daqui a pouco talvez fique extremamente comum você começar a usar som também. Luana: É, para personificar essa experiência, na questão do sound design, uma coisa que tem atuado um pouco dentro da DTI também, e da gente entender a nossa percepção sensorial. Nós conseguimos escutar um som à nossa frente e entender que ele está muito na nossa cara, isso é uma percepção um pouco sintética, porque o som, de verdade, não está na sua cara. Então, você tem uma sensação de ambiência. Qual que é a ideia? A ideia de utilizar o sound design e a realidade aumentada é tele transportar o nosso usuário para uma experiência que seja diferenciada no dia a dia dele. Então a ideia do sound design para completar a realidade aumentada, eu acredito que a experiência sensorial ela é formada por várias nuances que podem ser definidas de diversas formas. Por exemplo, na leitura de um laudo o reverb que eu coloco na voz, que é propagação da onda, ela faz uma diferença na sensação que o usuário vai ter. Por exemplo, se eu falo mais perto de um microfone, eu tenho menos ruído na experiência do sound design, eu consigo ambientar ele para trazer uma sensação de conversa. Se eu coloco muito eco, eu deixo a onda reverberar muito e ela fica como se eu tivesse falando num auditório através de um microfone. Então, são pequenos detalhes que a gente consegue personalizar ainda mais a experiência de realidade aumentada. É sempre importante entender que o seu usuário ele pode ter uma percepção diferente, então se atentar ao que você está oferecendo pra ele e como ele se sente com aquilo, porque às vezes o usuário ele queria uma linguagem mais informal, como a Alexa que o Vinicius citou antes. Tipo assim, a Alexa, na verdade, ela tem uma linguagem um pouco mais informal, mas ainda não é o suficiente para a experiência ser a melhor possível, então a gente também está desenvolvendo uma skill para a Alexa onde ela acessa esse laudo. Então, nós estamos tentando fornecer para o usuário várias tecnologias para ele chegar no fim, que é o laudo médico. Fez sentido? Szuster: Sim, sim. Luana: Falei demais. Szuster: Não, perfeito, achei interessante. Eu acho muito interessante essas sutilezas. Eu estava pensando, inclusive, em som, em trilha, mas no jeito de ler o laudo pode ser um jeito mais reconfortante ou um jeito mais frio, e isso pode fazer uma diferença tremenda, é muito legal. Luana: Até a escolha de quem vai ler também, se vai ser uma voz feminina, se vai ser uma voz masculina, isso também tem que ser pensado. Szuster: Nós estamos chegando ao fim do episódio. Sabe o que eu achei superinteressante? A gente fala demais hoje em ser customer centric e demais que as pessoas estão procurando experiências, e que o mundo está ficando totalmente dominado pelo digital. Então, parece inexorável mesmo que toda a mediação nossa com o mundo vai passar agora por realidade aumentada, tentando usar todos os nossos sentidos, não é? Por isso que eu achei legal falar do som, a gente fala muito da visão, mas eu acho que isso vai começar a usar todos os sentidos e cada vez mais. Aí que eu acho curioso, o Alessandro falou, daqui a uns anos, o que vai acontecer? Eu imagino, cara, daqui a 20 anos vai ter cara que ele vai conhecer muito mais o mundo aumentado do que o mundo normal. Hoje essa ficha caiu para mim fortemente. O cara vai ficar com os óculos o tempo todo, com um troço no ouvido, o mundo para ele é aquele, não é? Ele vai sentir falta de alguma coisa quando ele tirar aquilo porque o mundo vai estar incompleto. Só que as possibilidades de experiência são enormes, não é? Alessandro: Só uma provocação: para muita gente essa realidade virtual ou aumentada vai ser melhor que a sua realidade real, não é? Szuster: Exato. Eu fico pensando, hoje a gente fala assim: eu vou dar uma desconectada do eletrônico, desligando o celular. Eu fico pensando, sabe quando um cara tira, igual filme de ficção, sei lá, um exoesqueleto e cai. Daqui a pouco o cara tira os óculos dele, não sabe nem o que ele faz mais porque com os óculos dele tem sempre alguém orientando ele, aonde virar, aonde ir, dando informação o tempo todo. Parece ser um negócio meio maluco mesmo. Pedro: Essa questão que o Alessandro falou aí, por exemplo, ela é explorada já em alguns filmes. Tem um filme, eu acho que se chama O Jogador. Szuster: O Jogador Número Um? Pedro: Ele basicamente explora essa questão, as pessoas com um mundo meio distópico, bastante ruim do ponto de vista físico, mas quando você está numa realidade virtual ou aumentada lá, a coisa é um pouco diferente. Szuster: Eu vi esse filme um outro dia. Pedro: É um pouco também da ideia do próprio Matrix. Szuster: Isso aí, pessoal, Pedro, Alessandro, muito obrigado pela participação, eu acho que foi excelente, eu acho que vai ser bem esclarecedor para o nosso público. Um abração para vocês. Vinicius: Obrigado, pessoal. Alessandro: Obrigado. Pedro: Obrigado, obrigado pela oportunidade, estamos à disposição. Szuster: Abração também, Luana, muito obrigado. Luana: Muito obrigada, gente.
Szuster: Bom dia, boa tarde, boa noite. Vamos começar mais um episódio dos Agilistas. E nessa série que a gente tem feito, falando sobre tecnologias, hoje nós vamos falar sobre uma tecnologia que é bastante promissora, que pode causar bastante impacto, que é a realidade aumentada. Nós vamos discutir o que que é a realidade aumentada, não é uma coisa nova, e se ela realmente vai cumprir as promessas, não vai, o que que já foi feito nos últimos anos. Enfim, nós vamos discutir bastante esse assunto e para isso nós temos aqui, por parte da DTI, a Luana. Tudo bem, Luana? Luana: Tudo joia. Bom dia, boa tarde, boa noite pra você. Szuster: Exatamente. Eu sempre falo que eu copiei isso lá do Café Brasil, o Luciano Pires fala bom dia, boa tarde, boa noite. Estamos aqui também com o Vinicião. E aí, Vinicião, tudo joia? Vinicius: E aí, pessoal? Joia, vamos lá. Szuster: Pra falar desse assunto, nós temos aí dois convidados, gente. O Alessandro Cauduro e Pedro Augusto Bocchese, e eles vão se apresentar agora para a gente poder começar essa conversa. Tudo bem, Alessandro? Por favor, se apresente aí para os nossos ouvintes te conhecerem, fale um pouquinho do teu histórico. Alessandro: Oi, pessoal, obrigado pelo convite. Eu sou o Alessandro Cauduro, trabalho com digital há mais de 25 anos, peguei até antes do início da internet comercial no Brasil, que faz muito tempo. Minha área de atuação sempre foi a inovação, eu sou da área de tecnologia, e no ano de 2000 eu ajudei a fundar a agência digital da W3haus, que ela é uma das pioneiras no Brasil e acabou crescendo para virar um ecossistema de empresas de comunicação digital que se chama Haus hoje. Há cerca de dois meses atrás, a nossa empresa foi adquirida pelo grupo Stefanini, que é uma das maiores empresas de tecnologia no Brasil. Eu estou sempre olhando, então, para tendência, inovação. A realidade aumentada é um dos tópicos que a gente está monitorando porque a gente está vendo que está vindo com grande força no momento. Szuster: Quer dizer que você é da época dos BBS ainda? Alessandro: Peguei BBS, é verdade. Cuidado que o pessoal não vai entender o que a gente tá falando aqui. Szuster: É, isso que eu fiquei pensando, essa sigla o pessoal vai na internet agora dar uma pesquisada, o que que é BBS. E você, Pedro, tudo bem? Se apresenta aí para o público, por favor. Pedro: Tudo bem. Bom dia, é um prazer estar contribuindo, falando um pouco sobre a realidade aumentada, experiência imersiva, que trabalhamos a mais de três anos nessa área. Meu nome é Pedro Bocchese, atuo como diretor executivo da Núcleo Sistemas, sou pós doutorado na área de administração e doutorado na área de ciências da linguagem, trabalhando em cima dos algoritmos da Google, onde nós trabalhamos muito forte essa relação entre o uso da experiência imersiva, realidade virtual, realidade aumentada e realidade mista, na geração de dados para trabalhar a relação de indicadores, análises e visões dos dados oriundos da aplicação dessas tecnologias. E agradecer ao Szuster, à Luana, o Vinicius e ao Alessandro Caudura, é uma oportunidade ímpar podermos contribuir e fomentar a inovação, a tecnologia e essas novas formas de utilizar essa relação com o cliente, consumidor final, fornecedores e colaboradores. Szuster: Eu queria começar então, Pedro, emendando com você, a pergunta mais básica, para os ouvintes aqui e para mim também. O que é realidade aumentada? E você falou aí também de experiência imersiva, uma coisa está conectada com a outra? Necessariamente, a experiência imersiva requer a realidade aumentada, entendeu? Fala um pouco sobre isso, por favor. Pedro: Na verdade, nós estamos trabalhando o conceito de experiência imersiva mais ou menos há dois anos, e aí tanto a questão de leituras, quanto a questão de artigos publicados, num conceito de guarda-chuva, onde dentro da relação de experiência imersiva nós temos algumas tecnologias que podem ser aplicadas onde nós podemos trabalhar a questão de realidade virtual, onde nós criamos cenários onde através de um VR, de óculos, a pessoa pode interagir dentro desse cenário, a gente cria um modelo 3D onde tem interações. O uso de realidade aumentada, onde nós trabalhamos a relação dos objetos 3D fazendo interações dentro do ambiente real. A realidade mista, onde a gente faz um híbrido dessas duas formas. Bem como, dentro da experiência imersiva, a gente trabalha também as relações com tours virtuais, imagens e vídeos 360. Então nós caracterizamos, junto com algumas pesquisas, essa relação da experiência imersiva como um guarda-chuva portando essas quatro tecnologias e essa quatro formas de interação com o usuário, colaborador, cliente, que vai fazer essa imersão, ter essa experiência imersiva dentro de alguma solução específica. Szuster: Entendi. Mas então, Alessandro, eu queria perguntar para você, você tem um bom exemplo que ilustre o que é a realidade aumentada, que não deixe nenhuma sombra de dúvida mais para alguém? Afinal, o que é a realidade aumentada? Alessandro: Quando eu tento explicar para uma pessoa leiga o que é a realidade virtual, realidade aumentada, eu acho que a maneira mais simples dela entender e se lembrar depois é ela olhar para o que está escrito, não é? Porque às vezes a gente não para e pensa nesse sentido tão literal. Então, realidade virtual, o que significa? É totalmente digital. Quando a gente pensa realidade virtual, a gente pensa aquela pessoa usando óculos, está num mundo totalmente digital, então não tem nada real ali. Pode ter, através de uma webcam, mas na prática é tudo informação digital. Realidade aumentada é exatamente isso, a nossa realidade, que a gente tem na nossa frente, só que ela é aumentada pelo digital, então eu acho que aí é uma maneira da pessoa entender qual é a diferença de realidade aumentada e realidade virtual de uma maneira bem simples. Então, às vezes as pessoas se confundem com os termos, mas eu acho que essa é maneira mais simples de entender. Szuster: Ou seja, quando alguém bota óculos, igual meus meninos, adoram ir naqueles brinquedos que você coloca óculos lá e anda de montanha russa, isso é uma realidade virtual, não é, porque é tudo completamente criado ali. Alessandro: Exatamente. Szuster: Mas quando você interage com o ambiente onde você está, você está aumentando aquela realidade. É isso, não é? Alessandro: Exatamente. Szuster: E aí, Luana, eu queria emendar a Luana, ela é designer aqui na DTI, PO, não sei, aqui nós somos de trajetórias bem flexíveis, não é, Luana? Você podia se apresentar também e falar um pouco, que a gente tem construído uns cases interessantes de realidade aumentada, para a gente dar mais um exemplo concreto antes de prosseguir com a discussão. Luana: Eu sou a Luana, eu sou designer aqui na DTI, product designer, eu defino designer de produto porque a gente está só trabalhando com a experiência usuário e a interface. Na realidade aumentada a gente trabalha com uma experiência sensorial, que é o seguinte: a partir do momento que através de um dispositivo a gente projeta uma, eu falo perturbação porque é algo que não está ali sem a utilização de um dispositivo, e abre-se um campo maior de visualização. Ou seja, sem o dispositivo, você não visualizaria um momento de interatividade, uma perturbação mesmo, um design, um objeto 3D, você não interage com a plataforma. Hoje na DTI eu trabalhei num projeto de realidade aumentada onde a gente trabalhou do 3D ao 2D. De acordo com a necessidade do cliente a gente entendeu que a simplicidade era um fator chave para entregar um resultado. O que seria a simplicidade? A partir do momento em que a gente emula um objeto através de um dispositivo móvel, no caso utilizamos o celular, também pode ser utilizado via câmera de computador, na leitura de um QR Code, nós fizemos várias (inint) [00:08:09] para poder entender qual era a real necessidade do cliente. Então, o projeto veio de forma a instruir o usuário sobre o laudo médico que acontece da seguinte forma: a partir do momento que você faz um exame de glicemia de jejum, nós disponibilizamos para o usuário o laudo de forma interativa, que capacite e facilite o entendimento do usuário quanto a interpretação desse laudo. A maior dificuldade hoje do nosso cliente é não dar um diagnóstico e sim um laudo, com valores de referência e entendendo o que aquela análise certifica. Nesse conceito de deixar simples, fizemos um corpo humano interativo, onde a pessoa entende em qual órgão está sendo produzida uma toxina, uma proteína e como ela interage naquele diagnóstico, naquele resultado na verdade, do exame. Então, a ideia é educar e ter uma forma mais interativa do entendimento do usuário com o laudo que está sendo fornecido. Lembrando que o laudo médico é sempre muito sensível, então a gente precisou tratar de uma forma bem simples e objetiva para que seja fácil. É isso. Szuster: Entendi. Pedro, a gente nessa série tem falado sobre hype, você diria que agora a realidade aumentada está finalmente se tornando uma tecnologia consolidada e que vai trazer muito retorno? E, se sim, por que isso não aconteceu antes? Pedro: Perfeito. Eu até gostaria de corroborar o que a Luana falou, a questão da mobilização dos sentidos, que eu acho que é extremamente interessante quando a gente fala dessa relação tanto do uso de dispositivos, de tecnologias de digital, e aí sim, trazendo essa relação de realidade aumentada, onde a Universidade de Berkley fez uma pesquisa, e aí sim trabalhou as 27 emoções relativas ao que pode fazer com que uma pessoa sinta uma emoção, e aí sim construir uma tecnologia que faça que isso seja real. Então, só contribuindo aí com a Luana. Respondendo, Szuster, eu fiz uma análise do Gartner nos últimos três anos e o Gartner Group ele trabalha uma questão das tecnologias emergentes. E nesse último ano, então, ele fez uma avaliação de que o processo de realidade aumentada, então ele já saía de uma tecnologia emergente, e a partir daí ele entra como uma tecnologia real e faz om que a maioria das empresas, tanto desenvolvedoras bem como clientes, ou empresas que vão ser fornecedoras ou que vão consumir dessas tecnologias, elas entendam já que é uma realidade. E isso faz com que a evolução, e todo mundo aguarda muitas vezes o Instituto Gartner Group fazer essas avaliações para identificar assim: bom, agora ela já está aplicada e a partir daí a gente nota um movimento das grandes empresas aqui da região do Rio Grande do Sul. Marcopolo e Randon foram as primeiras as quais elas começaram a implementar essas tecnologias dentro da sua própria organização, trabalhando muito a relação de treinamentos, análise de risco, segurança, meio ambiente, bem como a questão do uso de força de venda utilizando essas tecnologias. Então, quando a gente fala de trabalhar a questão de vendas tanto com simuladores, a gente tem aqui o caso da Marcopolo que ela criou o simulador do ônibus onde a pessoa pode entrar e configurar o ônibus, trocar poltrona, tecido, piso, lateral, cortinas, bem como fazer essas projeções, onde o ônibus vai aparecer na tua frente, utilizando o conceito de realidade aumentada. E para o caso da Randon eles fizeram um trabalho interno, que é fazer com que todos os colaboradores pudessem fazer um treinamento no estilo de gamificação, onde todos eles são monitorados, eles se logan, colocam óculos e eles vão passando por uma trilha. E dentre essa trilha, eles vão entrando nas fábricas e vão fazendo avaliações de risco, e cada risco identificado eles têm que fazer um comportamento, a própria ferramenta faz com que ele tenha que se portar e identificar o que ele faria se aquele risco realmente fosse acontecido. Então, nós atuamos muito nesse viés de relação do Gartner Group, saindo da questão de tecnologia emergente para tecnologia real, e após isso vendo um movimento dessas grandes empresas iniciando aí esse movimento para essas soluções. Alessandro: Complementando o Pedro, sobre essa questão de deixar de ser emergente para ser uma tecnologia real, acontece com todas as tecnologias. Para acontecer de fato, virar uma coisa concreta, ela precisa de duas coisas: não só a tecnologia, mas também o comportamento do consumidor. Então, hoje, se a gente for ver, todo mundo usa realidade aumentada. Todo mundo. Eu estou dizendo todo mundo porque todo mundo usa filtro do Instagram, usa filtro do Facebook, e isso são exemplos de realidade aumentada. Então, o que aconteceu nos últimos anos? Os celulares ficaram cada vez mais potentes na mão das pessoas, a Apple e Google incorporaram tecnologias de usar software que olha para a imagem e transforma aquilo em informação 3D em tempo real. Então, a tecnologia evoluiu muito, o consumidor começou a utilizar ela, então começa a convergir essas duas coisas, é o momento em que, então, a tecnologia de fato deixa de ser tendência e vira realidade. É que nem eu falei: realidade aumentada hoje é uma realidade porque as pessoas usam todos os dias já e nem se dão conta que é realidade aumentada, então é uma coisa muito natural. E quem viu que é um grande negócio, está dando um grande push nesse negócio, são os Big Players, então Facebook, Google e Apple, são os caras que estão explorando, porque eles estão vendo oportunidade de negócio. Então o Facebook até anunciou, foi essa semana, que vai começar então a ter pessoas usando óculos sem ter um visor, só para coletar dados. A Apple está com esse boato de que vai lançar o Apple Glass, que vai ter o sensor LIDAR que ele mapeia o mundo em 3D. Está todo mundo experimentando nesse espaço porque existe um grande negócio aí que é a gente criar uma interface com menos fricção. A Luana falou, não sei exatamente qual a palavra que ela usou, mas hoje não é uma experiência sem fricção. Szuster: É um distúrbio, não é? Perturbação. Alessandro: Ela usou perturbação, perfeito. Então, a ideia é que a gente vá para uma interface integrada. E o Facebook, Apple e outras empresas já começam a vislumbrar que a realidade aumentada também é um caminho para o ser humano aumentado. O Facebook inclusive comenta em fazer experimentos de super audição, de melhorar a nossa visão. Então, se a gente for querer viajar um pouco, a gente pensa no que o Elon Musk está criando que é uma interface para o cérebro, a gente consegue pensar num mundo muito louco que está por vir à diante. Mas, só falando então, eu não acho que realidade aumentada é uma tendência, mas eu acho que é uma realidade já. Vinicius: Em partes eu concordo com vocês. O Pedro citou a questão do Gartner, do pico das expectativas infladas e depois tem o vale da desilusão, parece que a gente está entrando ali mais naquela curva de produtividade que eles citam. Mas ainda me parece que são aplicações um pouco mais de jogos, um pouco mais acessórios, vamos falar assim. Vocês já entendem que a gente já está num caminho curto? Quando eu falo caminho, caminho curto de um, dois, três anos para realmente virar bem mainstream? Até comparando um pouco, por exemplo, com a pandemia agora, e falando um pouco de realidade virtual, não de realidade aumentada, me pareceu até que uma ia até engolir a outra em relação à velocidade, porque pela necessidade a gente vê o quão pobre ainda é, por exemplo no caso da realidade virtual, essas interações que a gente faz igual a gente está fazendo agora aqui, via Teams. Eles lançaram aquela questão do Together Mode, que é uma realidade virtual ainda bem pobre. Então, me pareceu até que a realidade virtual ia dar um salto na frente da realidade aumentada. Mas, voltando a realidade aumentada, vocês acham que é uma coisa de um, dois, três anos para virar um negócio totalmente mainstream, todo mundo usando, realmente ferramentas quase que essenciais e ter uma necessidade já de estar usando a realidade aumentada? Alessandro: Eu, como eu falei, acho que já existe. Então, por exemplo, o Google Maps, lá em Nova Iorque, tu já usa com realidade aumentada para ele te orientar nas ruas como tu anda, porque eles já mapearam toda a cidade de Nova Iorque, prédios e tudo. Já tem carros, como o da Mercedes, que também tem essa realidade aumentada no painel do carro, que usa para te guiar para onde andar, e no ano que vem começa a massificar no sentido que vai ter esses óculos. Então o Facebook deve lançar no ano que vem, talvez junto com a Ray-Ban, a Apple também, não vai massificar tão rápido porque deve ser caro, não deve ser nada barato. E sobre a questão de realidade virtual versus a aumentada, que você comentou, eu acho que a grande dificuldade hoje da realidade virtual, para massificar, é que tu precisas de um device específico, enquanto a realidade aumentada é mais acessível, através de celular e computadores, por isso que não decolou tanto. Mas, como a Luana deu exemplo ali da questão da saúde, já tem muitos usos atuais e, quando a gente vê a tecnologia acelerar, ela é bem exponencial. Então, hoje o que parece longe pode ficar muito perto, ainda mais com a pandemia, que a pandemia acabou forçando as empresas a criar experiências de aproximar o consumidor de uma maneira digital do produto. As pessoas estão indo menos às lojas, menos contato físico, então tanto realidade virtual quanto a aumentada são maneiras de aproximar consumidor e empresas. Szuster: Sabe o que eu acho interessante? Eu achei bacana quando você disse dos próprios filtros, já são exemplo de realidade aumentada. Outro dia, tem uma funcionalidade do Google que você procura um bicho – eu testei isso com os meus meninos –, aí você olha uma baleia e ela aparece dentro da sua sala, um negócio superinteressante. Por que eu estou falando isso? Na medida em que o negócio começa a ficar extremamente comum para o consumidor normal, digamos assim, para as pessoas no dia a dia, isso realmente populariza, tanto por causa do poder computacional, quanto as pessoas não estarem achando aquilo nem estranho. Eu lembro que, há um tempo atrás, todo mundo olha aquilo, parece ficção. O próprio Google Glass fracassou, não sei agora como é que vai acontecer com eles. Mas eu queria ver com a Luana o seguinte: como é que os usuários têm interagido com isso? Porque essa nova geração, o pessoal mais novo, vai achando isso tão natural que daqui a pouco, eu acho que é o que o Alessandro e o Pedro disseram, a gente já vai estar interagindo com o mundo assim. Aquela história de que a tecnologia ela vira ar que você respira, você nem percebe que ela existe. Daqui a pouco a gente vai estar interagindo com o mundo. Eu pego um mapa, eu olho no mapa e vejo as coisas. Eu entro num carro, o carro tem realidade aumentada. Então, isso vai estar como se fosse existindo em tudo, não é? Luana: Exatamente. Nós entramos em produção, a gente está procurando ser mais data driven, então nós estamos num processo de análise. Definimos que em três meses iremos analisar tanto o quanto a nossa solução está num aplicativo que a gente também está atuando, então a gente quer medir a interatividade, quantas pessoas estão acessando essa realidade aumentada para ver tanto o laudo quanto a interatividade e a construção de consciência e conteúdo para o nosso usuário. Uma coisa que eu gostaria de falar é que quando a gente está trabalhando no ramo da saúde a gente tem que ter uma experiência especialmente rica e a gente tem que garantir um valor ao destinatário sem ser invasivo ou desconcertante. Eu acho que um projeto que pode favorecer a nossa experiência ali é de começar a trabalhar o sound desing, então imergir mais o usuário nessa solução pode garantir também que a gente tenha uma experiência diferenciada dos concorrentes, que é o seguinte: a partir do momento que a gente trabalha com a multissensorialidade a gente agrega mais valor. Então, a gente também está preocupada com a solução ser acessível para pessoas que têm alguma desabilidade, alguma disfunção, então nós queremos também colocar a leitura desse laudo de forma interativa. Porque mesmo que as pessoas não utilizem a realidade aumentada em si, que a solução seja inclusiva. Eu não consigo te dizer hoje quantos dados nós temos de acesso porque a gente está nesse gap desse período de três meses, e a gente também depende de que essa solução seja difundida pelo cliente. Nós fizemos tudo novo, então a partir do momento que a gente entrou com o aplicativo novo na loja, precisa (inint) [00:22:15] substituir o antigo, por uma questão estratégica, a gente precisa conquistar de novo os usuários e informar que essa solução está disponível de uma outra forma nas lojas, tanto da App Store quanto da Google Play. Pedro: Eu gostaria de corroborar com o Alessandro na qual a relação das empresas hoje. Hoje já é uma realidade. Aqui no Rio Grande do Sul nós temos já bebidas, empresas de vinícolas que já está sendo utilizados aplicativos de realidade aumentada para rótulos, então já tem uma ação muito forte aqui no setor vitivinícola. Outro setor que está muito forte é o da indústria de móveis, onde a gente tem dois aspectos bastante relevantes aplicados já com o uso dessas tecnologias. Um é o de projeção, então todos os objetos, que são os móveis, já são projetados no ambiente para identificação, inclusive trocar a cor, características, tamanho, então hoje já está muito forte isso. Tours virtuais nesse processo de pandemia. E não é um tour virtual só de passeio, é um tour virtual de interação, é a questão dos multissensoriais e, inclusive, é possível fazer compras. Então, dentro do tour virtual, ele consegue realizar esse passeio e ele vai selecionando esses produtos, e no final ele já tem o seu carrinho de compra, onde ele já sai com essas relações. Então hoje, a aplicação aqui, ela já está escalada tanto para pequenas empresas, a gente pegou um caso aqui que a gente notou e, trabalhando a questão da Luana, é uma empresa que vende roupas. Ela teve numa semana 116 mil acessos, e aí a gente só foi trabalhar da questão de localização, mas com o uso de realidade aumentada, interagindo entre produtos e engajamento, como se fossem filtros de Instagram também. A gente fez um merge, vamos chamar assim, usou um pouco de cada dessas soluções, e aí a gente viu um resultado muito grande, 116 mil acessos, com capturas, relacionadas ao uso. Clubes de futebol já estão fazendo a sua relação com os museus, então já também sendo trabalhadas nesse sentido. Então, para nós, nós entendemos aqui já como realidade e movimento já está absorvendo tudo isso. Vinicius: Sabe uma reflexão que eu me faço várias vezes, vocês aí, que são especialistas, o que vocês acham disso. Eu acho que tem dois desafios nesse sentido, dois grandes desafios. O Alessandro até falou ali sobre a questão de hardware, no caso, a realidade virtual é mais difícil ainda, um ponto de grande impedimento é a questão do hardware. Mas, querendo ou não, a realidade aumentada, se for imaginar, também de certa forma. Eu estava assistindo uma edição do podcast do Elon Musk, em 2019, com o cara do MIT, do Lex, eles têm um podcast famoso, eles estavam comentando sobre ciclo de hardware. Eles já estavam até falando um pouco da valorização que aconteceu com a Tesla, porque ela já tinha mais de não sei se é 300 mil ou 500 mil carros na rua, já com uma versão de hardware mais madura, porque os ciclos de hardware são extremamente mais lentos do que os de software. Então, você tem um ciclo mais lento de andar e se você faz um produto que não é tão adequado, para você renovar é muito lento, é caro. Que eu já esperava que no ano atual a gente tivesse mais mainstream, então talvez um dos pontos seja esse, seja esses ciclos de hardware, que eles demoram a amadurecer. E o outro ponto, são detalhes de user experience que faz total diferença pra mim. Por exemplo, eu comprei recentemente uma Alexa. Na minha cabeça, imaginando, porque eu nunca tinha interagido com uma Alexa, eu ficava achando que era bem natural você sair perguntando as coisas para a Alexa. Mas, na hora que eu comecei a interagir, eu não achei tão natural, não, sabe? Eu achei um pouco forçação de de barra, minha esposa até ficou rindo. Então, eu acho que tem detalhes de UX que na hora que eles forem resolvidos, o negócio dá um salto. Então, só resumindo, eu acho que tem esse problema dos ciclos de hardware e esse problema de pequenos detalhes de UX que fazem o negócio ficar um pouco mais natural. Eu não sei o que vocês acham disso. Alessandro: Para complementar, Vinicius, porque tu falou exatamente isso, hoje qual é a grande barreira de realidade aumentada? Precisa ter um App. E para uma empresa criar um App é um investimento considerável, não só de criar o aplicativo, manter ele, etc, mas a grande barreira também é fazer as pessoas instalarem e usarem, então essa é a grande barreira hoje da realidade aumentada. Acho que foi o Szuster que comentou ali, não sei se é baleia ou tubarão, que estava rolando no WhatsApp, acho que foi até minha mãe que me mandou, isso aí já está começando a funcionar na web, basta um link para a pessoa acessar. Então Google e a Apple estão trabalhando para que isso seja mais acessível e mais fácil. Hoje a maneira mais fácil de criar uma experiência de realidade aumentada é fazer dentro do Facebook porque ele já tem ali, mas você está dentro do ambiente deles que tu não tens muito controle e eles só permitem fazer coisas simples. Mas, hoje, o que impede, então, massificar, é a questão de necessidade de um App. Na hora em que cada vez menos precisa-se ter um App para ter uma experiência de realidade aumentada, eu acredito que isso aí também facilita. Então, a questão do UX, que a experiência da pessoa ter que procurar um App, baixar o App e depois usar ele talvez esteja impedindo de massificar mais ainda. Szuster: E vocês acham que agora essa questão de dispositivo, tipo os óculos da Apple, etc, vai funcionar? Porque o Google Glass foi um fracasso grande, não foi? Pedro: Eu, particularmente, acredito que tudo é uma evolução de comportamento, de adaptação de tecnologias, principalmente quando a gente fala de hardware, no caso aí dos VR dos óculos, como o de software, como a dependência de aplicativos para serem instalados para conseguir fazer. E aí, o grande segredo do Facebook, do Instagram, foi utilizar os algoritmos deles para fazer essas questões de filtros de interações principalmente. Mas eu entendo assim, que é uma realidade, não tem volta, a gente não vai voltar, a gente vai se adaptar. Quem começou a trabalhar com tecnologia no século passado, a gente talvez não imaginava o que teria hoje disponível, e as adaptações elas vão ocorrer e já não mais numa forma tão gradativa, em passos pequenos, mas, sim, já num modelo mais exponencial. Então, eu enxergo muito pragmaticamente a questão do uso desses dispositivos para cada vez mais rápido e ainda mais com essas mudanças culturais e essa nova geração que consome muito forte esse uso. O Gartner fez também uma pesquisa dizendo que os consumidores, 60% estariam dispostos a pagar alguma coisa a mais pelo uso de experiências, inclusive nos seus lares nesse processo de pandemia. A questão da compra, quase 50% já estariam com ideias de comprar o VR para uso. Então é algo que a adaptação ela vai ser muito rápida e esses grandes players – Facebook, Apple – vão fazer com que nós utilizemos isso de uma forma muito rápido. Claro, muito vai variar ainda a questão de custo, mas eu acho que não tem volta. Alessandro: Eu estava pensando aqui só sobre essa questão da evolução da realidade aumentada. Eu acho que a nossa vida anda tão acelerada que a gente imagina que as coisas, elas estão acontecendo muito rápidas, não é? Se a gente voltasse 20 anos e falasse pra alguém: no futuro tu vai ter um aparelho que tu vai botar no bolso, tu vai ter o mundo todo mapeado, tu vai descobrir informação sobre todos os negócios que existem, inclusive ele vai te guiar pelas ruas, te mostrar o caminho visualmente. E todo mundo tem isso disponível hoje na hora que tu tens um celular e, enfim, os aplicativos, não é? Eu quero dizer com isso que a gente tem muitas coisas hoje já acontecendo e a gente acha pouco, porque querem mais rápido ainda. Se a gente pegar daqui a dois, três, anos e conversar de novo, vai ter mudado tudo, muito, vai ter mudado muito. Que nem a gente estava falando, talvez a gente nem vai mais falar sobre a realidade aumentada, assim como existe browser, faz parte das nossas vidas, a gente já acha normal. Szuster: Isso que eu fico pensando. Se os óculos realmente pegar, ele muda tudo, na minha visão, porque você começa a continuamente poder botar informação no mundo, não é? O cara está andando pela empresa, está vendo os indicadores; encontra com a pessoa, tem informação da pessoa; sai na rua, tem informação. Assim, o cara vai achar até estranho o mundo sem óculos: está faltando coisa, está faltando informação aqui. É engraçado como isso parece que muda tudo. Alessandro: Os óculos podem te dizer: vai chover, bota um casaco. Tu vai olhar para uma árvore que tu não sabe o que é, ele vai te dizer: essa é a árvore tal, pode consultar informação. Szuster: O nosso cérebro vai atrofiar, ninguém vai ter que saber mais nada. E já acontece com o mapa, ou seja, a geração mais nova não tem que saber caminho nenhum, não é? Eu nunca soube, por características pessoais, mas a geração mais nova ela simplesmente não tem nem que conhecer o conceito de mapa, simplesmente o Google vai guiando. Eu acho curioso isso mesmo que você falou: você está andando na rua, tudo está automaticamente identificado para você; tudo que você olha alguém te fala o que é. Alessandro: Eu olho também, como o nosso negócio é de comunicação com o consumidor final, muito pro lado de entretenimento e interatividade com as marcas. Semana passada ou retrasada a Nintendo lançou um produto que se chama Mario Kart. Eu fiquei com vontade de ser criança. Não sei se vocês viram, mas é como se fosse um autorama onde a pista é totalmente virtual, então tu controlas o carrinho através do App, existe um carro físico dentro da tua sala, e as interatividades são todas digitais. E o mais louco na realidade aumentada, é que duas pessoas podem participar da mesma experiência através dos seus devices. Então, quem está olhando de fora isso, parece que são dois loucos. Szuster: Dois malucos. Muito legal. Luana, uma coisa que eu fiquei curioso também. Quando você fala em sound design, o som também é uma realidade aumentada, você está colocando uma nova coisa ali na realidade, não é? E a gente sabe, eu acho curioso, porque o som tem uma capacidade de emocionar, de mexer com a gente muito grande. Você vê que trilha sonora para um filme é fundamental. Tem certas cenas, a mesma cena sem a trilha, com outra trilha, eu acho que talvez nem tocasse as pessoas. É isso mesmo, é uma realidade aumentada, e fala um pouquinho sobre esse sound design. O que eu imagino: a medida em que a gente começar a usar óculos e aí acostuma a botar alguma coisa no ouvido também, daqui a pouco talvez fique extremamente comum você começar a usar som também. Luana: É, para personificar essa experiência, na questão do sound design, uma coisa que tem atuado um pouco dentro da DTI também, e da gente entender a nossa percepção sensorial. Nós conseguimos escutar um som à nossa frente e entender que ele está muito na nossa cara, isso é uma percepção um pouco sintética, porque o som, de verdade, não está na sua cara. Então, você tem uma sensação de ambiência. Qual que é a ideia? A ideia de utilizar o sound design e a realidade aumentada é tele transportar o nosso usuário para uma experiência que seja diferenciada no dia a dia dele. Então a ideia do sound design para completar a realidade aumentada, eu acredito que a experiência sensorial ela é formada por várias nuances que podem ser definidas de diversas formas. Por exemplo, na leitura de um laudo o reverb que eu coloco na voz, que é propagação da onda, ela faz uma diferença na sensação que o usuário vai ter. Por exemplo, se eu falo mais perto de um microfone, eu tenho menos ruído na experiência do sound design, eu consigo ambientar ele para trazer uma sensação de conversa. Se eu coloco muito eco, eu deixo a onda reverberar muito e ela fica como se eu tivesse falando num auditório através de um microfone. Então, são pequenos detalhes que a gente consegue personalizar ainda mais a experiência de realidade aumentada. É sempre importante entender que o seu usuário ele pode ter uma percepção diferente, então se atentar ao que você está oferecendo pra ele e como ele se sente com aquilo, porque às vezes o usuário ele queria uma linguagem mais informal, como a Alexa que o Vinicius citou antes. Tipo assim, a Alexa, na verdade, ela tem uma linguagem um pouco mais informal, mas ainda não é o suficiente para a experiência ser a melhor possível, então a gente também está desenvolvendo uma skill para a Alexa onde ela acessa esse laudo. Então, nós estamos tentando fornecer para o usuário várias tecnologias para ele chegar no fim, que é o laudo médico. Fez sentido? Szuster: Sim, sim. Luana: Falei demais. Szuster: Não, perfeito, achei interessante. Eu acho muito interessante essas sutilezas. Eu estava pensando, inclusive, em som, em trilha, mas no jeito de ler o laudo pode ser um jeito mais reconfortante ou um jeito mais frio, e isso pode fazer uma diferença tremenda, é muito legal. Luana: Até a escolha de quem vai ler também, se vai ser uma voz feminina, se vai ser uma voz masculina, isso também tem que ser pensado. Szuster: Nós estamos chegando ao fim do episódio. Sabe o que eu achei superinteressante? A gente fala demais hoje em ser customer centric e demais que as pessoas estão procurando experiências, e que o mundo está ficando totalmente dominado pelo digital. Então, parece inexorável mesmo que toda a mediação nossa com o mundo vai passar agora por realidade aumentada, tentando usar todos os nossos sentidos, não é? Por isso que eu achei legal falar do som, a gente fala muito da visão, mas eu acho que isso vai começar a usar todos os sentidos e cada vez mais. Aí que eu acho curioso, o Alessandro falou, daqui a uns anos, o que vai acontecer? Eu imagino, cara, daqui a 20 anos vai ter cara que ele vai conhecer muito mais o mundo aumentado do que o mundo normal. Hoje essa ficha caiu para mim fortemente. O cara vai ficar com os óculos o tempo todo, com um troço no ouvido, o mundo para ele é aquele, não é? Ele vai sentir falta de alguma coisa quando ele tirar aquilo porque o mundo vai estar incompleto. Só que as possibilidades de experiência são enormes, não é? Alessandro: Só uma provocação: para muita gente essa realidade virtual ou aumentada vai ser melhor que a sua realidade real, não é? Szuster: Exato. Eu fico pensando, hoje a gente fala assim: eu vou dar uma desconectada do eletrônico, desligando o celular. Eu fico pensando, sabe quando um cara tira, igual filme de ficção, sei lá, um exoesqueleto e cai. Daqui a pouco o cara tira os óculos dele, não sabe nem o que ele faz mais porque com os óculos dele tem sempre alguém orientando ele, aonde virar, aonde ir, dando informação o tempo todo. Parece ser um negócio meio maluco mesmo. Pedro: Essa questão que o Alessandro falou aí, por exemplo, ela é explorada já em alguns filmes. Tem um filme, eu acho que se chama O Jogador. Szuster: O Jogador Número Um? Pedro: Ele basicamente explora essa questão, as pessoas com um mundo meio distópico, bastante ruim do ponto de vista físico, mas quando você está numa realidade virtual ou aumentada lá, a coisa é um pouco diferente. Szuster: Eu vi esse filme um outro dia. Pedro: É um pouco também da ideia do próprio Matrix. Szuster: Isso aí, pessoal, Pedro, Alessandro, muito obrigado pela participação, eu acho que foi excelente, eu acho que vai ser bem esclarecedor para o nosso público. Um abração para vocês. Vinicius: Obrigado, pessoal. Alessandro: Obrigado. Pedro: Obrigado, obrigado pela oportunidade, estamos à disposição. Szuster: Abração também, Luana, muito obrigado. Luana: Muito obrigada, gente.