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os agilistas

ENZIMAS #229 – Empoderamento e autonomia total não é o que você pensa

ENZIMAS #229 – Empoderamento e autonomia total não é o que você pensa

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Marcelo: Bom dia, boa tarde, boa noite. Este é mais um episódio de Enzimas, breves reflexões que te ajudam a catalisar o agilismo em sua organização.  

Pedro: Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou o Pedro Rangel, cohost aqui dos agilistas. Essa é a minha primeira Enzimas, eu estive com vocês aí ao longo de todo esse ano, nos episódios maiores, estava devendo uma reflexão aqui também. E hoje essa reflexão é sobre empoderamento dos times de tecnologia, e o equilíbrio entre autonomia e eficiência, e a ideia é trazer um ponto de vista dentro do contexto mais atual, com todo mundo buscando operações digitais impecáveis, com altíssima produtividade e com menos espaço para desperdício. Para começar, é importante entender que empoderamento e autonomia total não são a mesma coisa, o empoderamento de verdade vem com a compreensão dos objetivos da empresa e com a capacidade de tomar decisões informadas e responsáveis. O Marty Cagan, que é um grande guru de produtos, ele traz no livro dele, Empoderado, dizendo que uma estratégia de produto eficaz é essencial para permitir que as pessoas criem produtos extraordinários, e a estratégia é parte da ambição digital da empresa, então a gente responde como planejamos consolidar essa ambição, como a gente vai decidir quais problemas a gente tem que resolver, quais objetivos devem ser perseguidos por quais times de produto, e a forma como a gente responde essas perguntas informa para a gente o grau de empoderamento dos nossos times. Galera, há quase uma década, o Google realiza uma pesquisa investigando as capacidades e os indicadores de organizações de alto desempenho, impulsionadas pela tecnologia, e nessa pesquisa o Google tenta entender a relação entre as formas de trabalhar e o resultado das empresas. Essa pesquisa chama DevOps Research and Assessment, ou DORA, e no relatório de pesquisa mais recente, que foi publicado agora, novembro de 2023, comparando o desempenho na entrega de software, desempenho operacional e foco no usuário, a pesquisa revelou quatro tipos de times. O time centrado no usuário, o time orientado a funcionalidades, o time em desenvolvimento e o time equilibrado, e o Google definiu: times orientados a funcionalidades, como aqueles que priorizam o envio de novas features e tem o foco implacável em publicar. E mais ainda, com base na pesquisa, o DORA afirma que esse foco implacável pode distrair o time de atender as necessidades dos usuários e prejudicar o desempenho organizacional. A pesquisa traz ainda que esses tipos de time relatam algum dos maiores níveis de esgotamento e os menores níveis de satisfação no trabalho. E se a gente pensar que são normalmente esses times que tem empoderamento zero, começa surgir o link com esgotamento e a insatisfação, já que são os mais acometidos por esforço desperdiçado, e, portanto, ainda, aquela produtividade que a gente está buscando também vai embora. Eu não vou falar sobre todos os tipos, mas o quarto tipo, o outro tipo que eles descreveram, que é o time equilibrado, é definido como o tipo de time que demonstra uma abordagem equilibrada, com bom desempenho de entrega de software e foco no usuário, e estão usando tecnologia de maneira sustentável para alcançar um bom desempenho organizacional e boa satisfação no trabalho. E um dos pontos analisados na pesquisa é se o sucesso do time é avaliado de acordo com o valor que ele gera para a organização, então como a gente faz o link entre as formas de trabalhar e o empoderamento. Primeiro, empoderar um time não significa dar a ele um cheque em branco, sempre vão existir as limitações e o contexto, inclusive, a autonomia total pode levar à falta de direção e o desalinhamento com os objetivos gerais da empresa. Autonomia também não significa que o time nunca deve ter dependências de outras equipes, nem significa que o time tem permissão para seguir e buscar o que quiser, significa que eles têm controle suficiente para resolver o problema da melhor maneira possível, que considerem adequada, mas uma tipologia de time empoderada tem que tentar minimizar essas dependências. De acordo com o livro, O Empoderado, as principais dicas são: evitar ter um processo de roadmap puramente orientado por stakeholders, onde a gente tenta encontrar uma maneira justa de dividir a capacidade de engenharia entre esses stakeholders, precisamos decidir quais objetivos devem ser perseguidos por quais times de produto, mas o mais importante, dar a eles o contexto estratégico necessário para resolver os problemas que a gente precisa que eles resolvam, então o time assume a responsabilidade por alcançar o resultado desejado. As melhores pessoas para determinar a solução mais apropriada são aquelas mais próximas do problema e com as habilidades necessárias, ou seja, o time de produto. Os melhores objetivos dos times vão surgir de um diálogo, de ida e volta, entre líderes e equipes. E essas dicas, pessoal, tem tudo a ver com o conceito de descentralização, que a gente vê também no livro Organizar para a Complexidade, do Niels Pflaeging, que aliás é um livro muito citado pelo Szuster também, em vários dos nossos episódios aqui, de Os Agilistas, e ele fala assim: “Em mercados monótonos e de movimento lento, a centralização da tomada de decisões é eficiente, mas em mercados de rápida movimentação, o centro perde sua superioridade no conhecimento, e qualquer sistema que dependa de decisões centrais entra em colapso. Em mercados dinâmicos, a solução para o dilema do controle é a descentralização ou a devolução da tomada de decisões que se torna mais eficaz. Dessa forma, as decisões são tomadas onde ocorre a interação e o aprendizado com o mercado”. Então aqui já tem um alerta para o perigo da ineficiência da centralização de decisões, e ele traz uma definição que é, inclusive, o princípio básico de formação da nossa estrutura aqui, na DTI, e outras grandes empresas Tech também, que é o seguinte, uma rede com estrutura celular ganha estabilidade e resiliência, não através de relações hierárquicas de poder, ou por meio da resistência à pressão, mas pelo puxão que vem do mercado externo e das complexas relações humanas que ela alimenta internamente, a dinâmica do mercado faz a direção. Ou, em outras palavras, as melhores pessoas para determinar a solução mais apropriada são aquelas mais próximas do problema. Galera, está aí uma pequena enzima relacionando três grandes referências, os livros O Empoderado e Organizar para a Complexidade, e a pesquisa do DORA, espero que essas reflexões tenham sido úteis para vocês aí, te deem mais folego para buscar o verdadeiro empoderamento. Muito obrigado e até o próximo episódio.

Marcelo: Bom dia, boa tarde, boa noite. Este é mais um episódio de Enzimas, breves reflexões que te ajudam a catalisar o agilismo em sua organização.   Pedro: Bom dia, boa tarde, boa noite. Eu sou o Pedro Rangel, cohost aqui dos agilistas. Essa é a minha primeira Enzimas, eu estive com vocês aí ao longo de todo esse ano, nos episódios maiores, estava devendo uma reflexão aqui também. E hoje essa reflexão é sobre empoderamento dos times de tecnologia, e o equilíbrio entre autonomia e eficiência, e a ideia é trazer um ponto de vista dentro do contexto mais atual, com todo mundo buscando operações digitais impecáveis, com altíssima produtividade e com menos espaço para desperdício. Para começar, é importante entender que empoderamento e autonomia total não são a mesma coisa, o empoderamento de verdade vem com a compreensão dos objetivos da empresa e com a capacidade de tomar decisões informadas e responsáveis. O Marty Cagan, que é um grande guru de produtos, ele traz no livro dele, Empoderado, dizendo que uma estratégia de produto eficaz é essencial para permitir que as pessoas criem produtos extraordinários, e a estratégia é parte da ambição digital da empresa, então a gente responde como planejamos consolidar essa ambição, como a gente vai decidir quais problemas a gente tem que resolver, quais objetivos devem ser perseguidos por quais times de produto, e a forma como a gente responde essas perguntas informa para a gente o grau de empoderamento dos nossos times. Galera, há quase uma década, o Google realiza uma pesquisa investigando as capacidades e os indicadores de organizações de alto desempenho, impulsionadas pela tecnologia, e nessa pesquisa o Google tenta entender a relação entre as formas de trabalhar e o resultado das empresas. Essa pesquisa chama DevOps Research and Assessment, ou DORA, e no relatório de pesquisa mais recente, que foi publicado agora, novembro de 2023, comparando o desempenho na entrega de software, desempenho operacional e foco no usuário, a pesquisa revelou quatro tipos de times. O time centrado no usuário, o time orientado a funcionalidades, o time em desenvolvimento e o time equilibrado, e o Google definiu: times orientados a funcionalidades, como aqueles que priorizam o envio de novas features e tem o foco implacável em publicar. E mais ainda, com base na pesquisa, o DORA afirma que esse foco implacável pode distrair o time de atender as necessidades dos usuários e prejudicar o desempenho organizacional. A pesquisa traz ainda que esses tipos de time relatam algum dos maiores níveis de esgotamento e os menores níveis de satisfação no trabalho. E se a gente pensar que são normalmente esses times que tem empoderamento zero, começa surgir o link com esgotamento e a insatisfação, já que são os mais acometidos por esforço desperdiçado, e, portanto, ainda, aquela produtividade que a gente está buscando também vai embora. Eu não vou falar sobre todos os tipos, mas o quarto tipo, o outro tipo que eles descreveram, que é o time equilibrado, é definido como o tipo de time que demonstra uma abordagem equilibrada, com bom desempenho de entrega de software e foco no usuário, e estão usando tecnologia de maneira sustentável para alcançar um bom desempenho organizacional e boa satisfação no trabalho. E um dos pontos analisados na pesquisa é se o sucesso do time é avaliado de acordo com o valor que ele gera para a organização, então como a gente faz o link entre as formas de trabalhar e o empoderamento. Primeiro, empoderar um time não significa dar a ele um cheque em branco, sempre vão existir as limitações e o contexto, inclusive, a autonomia total pode levar à falta de direção e o desalinhamento com os objetivos gerais da empresa. Autonomia também não significa que o time nunca deve ter dependências de outras equipes, nem significa que o time tem permissão para seguir e buscar o que quiser, significa que eles têm controle suficiente para resolver o problema da melhor maneira possível, que considerem adequada, mas uma tipologia de time empoderada tem que tentar minimizar essas dependências. De acordo com o livro, O Empoderado, as principais dicas são: evitar ter um processo de roadmap puramente orientado por stakeholders, onde a gente tenta encontrar uma maneira justa de dividir a capacidade de engenharia entre esses stakeholders, precisamos decidir quais objetivos devem ser perseguidos por quais times de produto, mas o mais importante, dar a eles o contexto estratégico necessário para resolver os problemas que a gente precisa que eles resolvam, então o time assume a responsabilidade por alcançar o resultado desejado. As melhores pessoas para determinar a solução mais apropriada são aquelas mais próximas do problema e com as habilidades necessárias, ou seja, o time de produto. Os melhores objetivos dos times vão surgir de um diálogo, de ida e volta, entre líderes e equipes. E essas dicas, pessoal, tem tudo a ver com o conceito de descentralização, que a gente vê também no livro Organizar para a Complexidade, do Niels Pflaeging, que aliás é um livro muito citado pelo Szuster também, em vários dos nossos episódios aqui, de Os Agilistas, e ele fala assim: “Em mercados monótonos e de movimento lento, a centralização da tomada de decisões é eficiente, mas em mercados de rápida movimentação, o centro perde sua superioridade no conhecimento, e qualquer sistema que dependa de decisões centrais entra em colapso. Em mercados dinâmicos, a solução para o dilema do controle é a descentralização ou a devolução da tomada de decisões que se torna mais eficaz. Dessa forma, as decisões são tomadas onde ocorre a interação e o aprendizado com o mercado”. Então aqui já tem um alerta para o perigo da ineficiência da centralização de decisões, e ele traz uma definição que é, inclusive, o princípio básico de formação da nossa estrutura aqui, na DTI, e outras grandes empresas Tech também, que é o seguinte, uma rede com estrutura celular ganha estabilidade e resiliência, não através de relações hierárquicas de poder, ou por meio da resistência à pressão, mas pelo puxão que vem do mercado externo e das complexas relações humanas que ela alimenta internamente, a dinâmica do mercado faz a direção. Ou, em outras palavras, as melhores pessoas para determinar a solução mais apropriada são aquelas mais próximas do problema. Galera, está aí uma pequena enzima relacionando três grandes referências, os livros O Empoderado e Organizar para a Complexidade, e a pesquisa do DORA, espero que essas reflexões tenham sido úteis para vocês aí, te deem mais folego para buscar o verdadeiro empoderamento. Muito obrigado e até o próximo episódio.

Descrição

Como os times podem ser realmente mais eficazes? Neste Enzimas, Pedro Rangel, nosso host e Account Manager na dti digital, faz uma comparação interessante entre os conceitos de autonomia total e empoderamento de times. Ele ainda cita o livro “Empoderado”, de Marty Cagan com Chris Jones, e “Organizar para a complexidade”, de Niels Pflaeging, além da pesquisa mais recente do DORA, que apresenta ótimos insights sobre o tema. Ficou curioso? Então, dá o play! 

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