
Escute as feras
Indicado no episódio:
#359 - Grupo Renault: a estratégia por trás de 1 bilhão de dados
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Caio Tristão Nogueira indicou o livro “Escute as Feras”, da antropóloga francesa Nastassja Martin, e a escolha completa o raciocínio que ele vinha construindo sobre a transição do veículo definido por software para o veículo definido por inteligência artificial.
O livro narra a própria experiência da autora sendo atacada por um urso durante um trabalho de campo na Sibéria, ainda no doutorado, e parte dessa situação para pensar a partir de uma referência completamente rompida. Para Caio, é esse tipo de leitura que “serve para qualquer momento de transição, de renovação, de pensar de maneira distinta”, como ele descreveu no episódio.
O diferencial que justifica a indicação para quem lidera tecnologia numa indústria centenária é o paralelo com o que ele vinha defendendo sobre arquitetura: sair de um modelo tradicional e estático para um em que a companhia se reconstrói a partir de uma lógica nova, sem se apoiar no que já conhecia. Assim como a autora não tinha um roteiro conhecido para recorrer diante do ataque, a indústria automotiva também não tem um precedente direto para essa transição do hardware para o software e, agora, para a inteligência artificial embarcada.
Para alguém no cargo de Caio, a escolha faz sentido: “Escute as Feras” funciona como metáfora do próprio momento da Renault, evoluir a partir de uma ruptura, sem as certezas de antes, e é justamente esse deslocamento de referência que ele aponta como necessário para sustentar a nova arquitetura do negócio.
